A evangelização da Partilha

No objetivo de aprofundar o sentido da dimensão da partilha (dízimos, ofertas e esmolas) e suas abrangências, iremos refletir o referido tema em dois tópicos: O primeiro com diretrizes, importância e necessidades especificas do dízimo. Na segunda reflexão como frutos da experiência dos trabalhos pastorais, aparecerão sugestões e algumas maneiras práticas de evangelização.

“OFERTAI O DÍZIMO, SEGUNDO O COSTUME”: É o quinto mandamento da nossa Igreja. O dízimo está contido na Bíblia de Gênese a Apocalipse. O dízimo foi instituído nos primórdios da história sagrada. Encontra-se na Lei de Deus acerca de 1300 antes de Cristo. O dízimo é um compromisso com Deus, a Igreja e os pobres. É a fé do cristão sacramentada como sinais de compromisso, gratidão e fidelidade ao Reino. O dízimo deve ser levado MENSALMENTE ao Templo ou nas celebrações do dízimo. Foi praticado pelos cristãos na Igreja primitiva e Jesus o recomendou como prática aceitável (Mt 23,23).

PONTOS ESSENCIAIS: A evangelização do dízimo é de todos e não apenas da pastoral do dízimo. A Igreja, o sacerdote, os fiéis, os cristãos, lideres dos setores (pequenas comunidades), pastorais, movimentos, grupos, etc; são responsáveis pela evangelização.

1 - A IGREJA: Como missionária, deve anunciar, conscientizar e evangelizar os fiéis sobre a necessidade, importância e dimensões do dízimo e o que representa o dízimo nas obras do Reino de Deus.

2 - O SACERDOTE: Ser o orientador espiritual e responsável por todo trabalho pastoral. Evangelizar e conscientizar os cristãos sobre a necessidade, importância e dimensões do dízimo. Para fortalecer e testemunhar a partilha e o trabalho, ser o dizimista número um da Paróquia. Receber os dízimos dos fiéis, para a Igreja (Heb 7,5).

3 - OS DIZIMISTAS: Serem conscientizados do compromisso, necessidade, importância e dimensões do dízimo na Igreja. Colaborar na sua evangelização, pelas experiências e testemunhos. Fazer a experiência (Mal 3,10), buscando á fidelidade ao Senhor. Devolver o dízimo em atitude de fé, amor, gratidão, compromisso e obediência a Palavra de Deus. Jamais ofertar o dízimo pôr interesse “uso da Paróquia”. Ex: batizar, casar, etc (I Tim 6,9).

4 - RESPONSABILIDADES DO CONSELHO DE PASTORAL: Deve colaborar na conscientização dos cristãos, lideres dos setores (pequenas comunidades), pastorais, movimentos, grupos, etc; sobre a real dimensão do dízimo na Igreja. Zelar pelo andamento e transparência do dízimo paroquial. Zelar por sua evangelização.

5 - RESPONSABILIDADES DO CONSELHO DE FINANÇAS: Deve colaborar na conscientização dos cristãos, lideres dos setores (pequenas comunidades), pastorais, movimentos, grupos, etc; sobre a real dimensão do dízimo na Igreja. Zelar pelo andamento e transparência do dízimo paroquial. Efetuar balancetes e demonstrativos mensais do dízimo. Conhecer as dimensões do dízimo. O  mesmo  deve  ser  utilizado  na  manutenção da Paróquia/Comunidade (Ne 10,33-40); ajuda a outras comunidades, ao Bispado, ao Seminário, além do sustento do sacerdote (I Cor 9,13-14 – Lc 10,7 – I Tim 5,7) e ajuda aos necessitados (Dt 14,29 - Mt 25,31-46). Sua aplicação, deve ser em torno disso!

6 - DIMENSÕES DO DÍZIMO: O dízimo deve ser visto na Igreja, não como uma pastoral, movimento ou grupo, mas sim como compromisso do cristão, com as obras do Reino de Deus. “É a Igreja em si”. Tem a finalidade de atender ás dimensões Social, Missionária e Religiosa, para o qual foi instituído pôr Deus, gerando naturalmente o sinal da “PARTILHA”. Fruto disso, brota a fé, o amor, justiça, caridade, fraternidade e solidariedade, entre os irmãos e na comunidade.

7 – A DIMENSÃO DA PARTILHA NO TERCEIRO MILÊNIO: “Dízimos, Ofertas e Esmolas”

Além do Dízimo, a décima que devemos devolver ao Senhor (Ex 25,1-9 - Lev 27,32 - Num 15,1-4 - I Sam 8,15-17), a dimensão da PARTILHA se constituem também das OFERTAS E ESMOLAS.
Oferta : é um presente de forma espontânea que se dá a Deus (Lc 21,1-4). Deve vir do coração. As ofertas devem ser levadas à Igreja e ofertadas durante o ofertório das celebrações e missas. As ofertas especiais também devem ser levadas a Igreja

Esmola : Quem der ao pobre não passará necessidade, mas quem fecha os olhos aos pobres, ficará cheio de maldições (Prov. 28,27). Encerra a esmola no coração do pobre, e ela rogará pôr ti a fim de te preservar de todo o mal (Eclo 29,15). Podemos imaginar que as “ditas” expressões “Deus lhe pague - Deus ti abençoe”, são respostas de Deus quando ajudamos os irmãos necessitados.

Deus não precisa das nossas coisas e de dinheiro, mas nos educa dia a dia ao exercício da fé, prática do amor, fraternidade, justiça e partilha. Deus, não precisa do dízimo, mas os irmãos, a Igreja, a comunidade, sim: “Irmãos que se amam se ajudam – um por todos, todos por um”.
O trabalho missionário do dízimo nos leva a vocação, um chamado para servir a Cristo e ao próximo. Um dom onde se exercita o anúncio da Palavra e a sabedoria de Deus, a fé, o amor, a oração, a partilha, o compromisso, a fidelidade, o companheirismo, a adoração, o testemunho, o reconhecimento e a obediência da criatura com o Criador.

Jesus disse: Ide por todo o mundo pregai o Evangelho a toda criatura (Mc 16,15). Que Ele nos ensine a anunciar, evangelizar o DÍZIMO e a dimensão da partilha, como sinais de fé, amor e fraternidade. E, que tudo isso seja para a Honra e Glória do Nosso Senhor Jesus Cristo, hoje e sempre. Amém!


Além de vários estudos e reflexões sobre o dízimo, a XIII Assembléia Geral da CNBB (São Paulo, 1973) e XIV Assembléia Geral (Itaici, 1974) discutiram o assunto e, nas decisões finais da XIV Assembléia, foram redigidos 06 pontos básicos para a implantação do dízimo em todas as Igrejas particulares:

1. Todas as Igrejas particulares do Brasil devem ter como meta à implantação do dízimo, como sistema de contribuição sistemática e periódica, que substitua progressivamente o sistema de taxas;

2. Haja um intenso trabalho de conscientização do povo e dos agentes de pastoral e progressiva organização do sistema a nível diocesano, paroquial e de base;

3. As Igrejas, dentro de uma mesma regional, devem prestar mútua ajuda, fazendo circular as várias experiências;

4. Os regionais cuidem da elaboração de subsídios, onde eles forem necessários e pedidos pelas Igrejas Particulares;

5. Os organismos nacionais prestem aos regionais a devida assessoria;

6. Cada Igreja Particular fixará a data a partir da qual será obrigatória a implantação do sistema.

A partir daí, as Igrejas particulares têm apresentado e divulgado várias experiências, métodos e sistemas, servindo de sugestão às paróquias e comunidades, em especial àquelas que ainda não possuem o dízimo implantado.

Portanto, o nosso objetivo a seguir é oferecer algumas sugestões e subsídios que visam melhorar as condições das atividades do trabalho missionário do dízimo.Tais subsídios, são frutos da experiência de trabalhos paroquiais e diocesano do dízimo.


EVANGELIZAÇÃO DO DÍZIMO – NÍVEL PAROQUIAL

- Implantar ou fortalecer sob renovado ardor o trabalho missionário e pastoral do dízimo.

- O dízimo deve ser visto com uma catequese e não como uma forma de arrecadar dinheiro para a Igreja.

- Realizar missas ou celebrações do dízimo na Paróquia, Capelas e/ou setores.

- O dízimo sendo doado nas missas aos finais de semana, há plantão das equipes da pastoral do dízimo.

- A equipe da pastoral do dízimo ou dos setores, deve acolher todos os dizimistas ou não dizimistas.

- Na missa, a introdução inicial e a mensagem final, podem ser voltadas ao dízimo.

- Relacionar e ler os nomes dos dizimistas do mês.

- Na medida do possível mudar uma das leituras do folheto (2ª) por outro texto bíblico alusivo ao Dízimo. Paralelo a liturgia do dia, utilizar-se também de folhetos de liturgia do dízimo.

- Os próprios dizimistas fazem as leituras do dia e a oração da comunidade.

- Na oração da assembléia, acrescentam-se duas preces aos dizimistas.

- Os dizimistas se possível, participarem da procissão do Ofertório.

- Promover dinâmicas e encenar peças de teatro sobre o dízimo e apresentar nas missas/celebrações.

- Cantar parabéns para os aniversariantes dizimistas ou não.

- O sacerdote deve abençoar os dizimistas presentes ou não.

- Em seguida também abençoar os não dizimistas. O momento especial da benção, pode ser feito após a comunhão.

- O dízimo doado na missa/celebração, deve ser levado ao altar e abençoado pelos fiéis.

- Ao final da missa/celebração entregar mensagens aos dizimistas ou distribuir panfletos sobre o dízimo.

- Instituir a missa do DOMINGO DO DIZIMISTA. Ela deve ser em ação de graça em especial aos dizimistas (1o. ou 2o. DOMINGO). Neste domingo em especial a Homilia deve ser em torno da partilha e do dízimo.

- Instituir também na Paróquia e Capelas o DOMINGO DA CARIDADE (1o. ou 2o. DOMINGO). Neste diz os fiéis são convidados a trazerem alimentos e no momento do ofertório levarem ao altar. Com essas doações serão feitas cestas básicas, para o trabalho social.

Obs: Como sugestão, se a missa do DOMINGO DO DIZIMISTA for no primeiro domingo, o DOMINGO DA CARIDADE será no segundo e assim vice-versa

- Instituir ainda na Paróquia o DÍZIMO MIRIM com a participação das crianças em ofertório especial para elas. O dízimo mirim teve ter sua extensão em encontros da Catequese.

- Confecção de adesivos e carimbos com frases relativo ao dízimo, para distribuir aos dizimistas.

- Colocar flâmulas; faixas, cartazes, folder e baner no ambiente interno da Igreja e Capelas e em pontos estratégicos da cidade.

- Confeccionar um painel com os nomes dos dizimistas aniversariantes do mês. Este painel também pode ser substituído por uma arvore, onde serão colocados os nomes dos aniversariantes. Inserir os nomes dos aniversariantes no Jornal Paroquial.

- Evangelizar o dízimo nos movimentos, grupos, etc. A divulgação pode ser feita através de visitas aos grupos, pastorais e movimentos.

- Manter uma equipe perseverante na pastoral do dízimo com a participação de pelo menos duas pessoas por setor, comunidade, grupos, serviços, movimentos e pastorais. Deve ser uma equipe atuante. No caso de setores, os mesmos devem possuir sua equipe própria (coordenador (es), auxiliar (es), etc).

- Manter um calendário e realizar encontros para aprofundamento do dízimo.

- Possuir e manter um cadastro atualizado de todos os dizimistas. Se possível de todos os fiéis da Paróquia

- Realizar a reunião da partilha e fazer o balancete com a arrecadação e os gastos que são divulgados no Jornal da Paróquia e/ou expostos no Mural da Igreja.

- Na medida da conscientização, a Paróquia deve eliminar as taxas de missas, batizados, casamentos, etc

- Inserir mensagens do dízimo nos murais da Paróquia e Capelas.

- Inserir mensagens do dízimo no Jornal Paroquial e/ou Diocesano.

- Evangelizar o dízimo em programas de rádios, emissoras de tv´s, internet, etc;


EVANGELIZAÇÃO DO DÍZIMO – NÍVEL SETORIAL

- Dia a dia celebrar a vida e vivenciar com os irmãos o sentido de se viver em pequenas comunidades “Igreja no meio do povo, nas casas (presença do pastor e do povo)” (Atos 2,42-47).

- Dia a dia evangelizar o dízimo sob renovado ardor missionário.

- Distribuir convites nas residências nos setores.

- Convidar e alternar sempre os celebrantes do dízimo.

- No dia da celebração acolher os dizimistas e os novos dizimistas.

- Realizar as celebrações mensais, com folheto de liturgia própria do dízimo.

- O local para a oferta do dízimo deve ser alegre, acolhedor, bem ornamentado com dizeres referentes a ele.

- Na celebração os próprios dizimistas fazem as leituras e a oração da comunidade.

- Periodicamente podem ser projetados filmes sobre o dízimo, para o setor.

- Durante a celebração cantar parabéns pelos aniversariantes e as pessoas que vieram pela primeira vez.

- Na medida do possível promover a distribuição de Bíblias, camisetas, brindes, através de sorteios, etc.

- Após cada celebração a equipe do setor deve se reunir para uma avaliação da celebração,

- A equipe também deve se reunir ocasionalmente para fazer avaliação do trabalho que vem sendo realizado e organizar novas atividades, incentivando e aprofundando o dízimo com a leitura de livros,etc.

- Dia a dia promover visitas as residências do setor. É preciso recuperar o contribuinte afastado por meio de visitas e cartas, procurando conscientiza-lo da importância de ser dizimista para que a nossa Igreja cresça. Essa visita busca também novos moradores do setor, além de visitas aos doentes, pessoas com problemas, etc.

- Em cada aniversário, o aniversariante recebe na sua casa um cartão de felicitações pelo correio, ou a equipe vai leva-lo pessoalmente.

- O padre ou a equipe pode telefonar para o aniversariante no dia do seu aniversário.

- A equipe do setor ou do dízimo também faz a entrega de uma mensagem de felicitações na Páscoa, dia da Mães, Namorados, Pais, etc.

- Por ocasião do nascimento de crianças no setor, a família recebe um cartão de acolhida do recém nascido.

- No final do ano, os dizimistas são presenteados com um calendário (folhinha) e outros brindes. A equipe do Setor ou do dízimo entrega ainda um cartão de felicitações pela passagem do Natal e Ano Novo nos próprios setores ou no término das missas do final do ano, para os dizimistas e não dizimistas.

- Por ocasião do falecimento de dizimistas, a família recebe um cartão de Condolências.

- Sendo a Rede de Comunidades uma prioridade da Diocese, as equipes devem realizar nelas um trabalho de conscientização, enfatizando a sua importância e a importância do dízimo, além de realizar ainda a descentralização do Paróquia e dízimo nas pequenas comunidades.

- Realização de encontros semanais com realização de terços, novenas, formação, cursos e estudos sobre os subsídios da Diocese. Em datas especificas, benção nas casas.

- Colher sugestões dos dizimistas e testemunhos espontâneos, que depois são publicados no Jornal da Paróquia.

- Manter nomes, datas e endereços atualizados para a correspondência com os dizimistas: cartões de aniversário, convites para celebrações, missas, etc.

- Leitura de mensagens e orações aos dizimistas.

Para que se compreenda o verdadeiro sentido do dízimo, é necessário conhecer o porque e para que ele foi criado pôr Deus: “gerar partilha na humanidade e para a humanidade”.

Na evangelização do dízimo deverá sempre ser levado em consideração o lado espiritual, pois se formos canal disto; o restante será obra do Espírito Santo.

O esclarecimento e a transparência no setor, são muito importante para a caminhada pastoral do dízimo.

A caminhada e perseverança do dízimo leva os cristãos ao serviço das obras do Reino, unidade e busca da santidade. Unindo a isso a nossa Igreja será sempre comunitária, acolhedora, pluralista, carismática, ecumênica, ardente, ativa, viva, popular, despojada, simples, peregrina, missionária e Cristocêntrica, pois Cristo é o Centro de tudo e da nossa vida - “Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jô 14,6)”.

O dízimo deve ser evangelizado a luz da verdade - 10% (Lev 27,32). Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará (Jô 8,32). Contudo sempre falar de um dízimo (10%), em sinal de amor, experiência e de partilha. Esclarecer sempre as diferenças das oferendas (dízimos, ofertas e esmolas). Também dizer o porque das ofertas e as suas dimensões.

O cristão deve sempre partilhar os bens espirituais e materiais, com fé, generosidade, amor e justiça. Assim, o dízimo estabelece sempre uma relação muito forte e intima entre os dizimistas e Deus, que passa a ser um caso de AMOR.

Por isso, que o Deus AMOR e Criador em sua infinita bondade e misericórdia abençoe todos os dizimistas e os não dizimistas. Também abençoe e ilumine a Igreja e todo o trabalho missionário/pastoral do dízimo. E, que tudo seja para sua honra e glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Que o nosso dízimo seja agradável a Ti Senhor, hoje e sempre. Amém!

Paróquia Santa Luzia - Votuporanga/SP
Texto utilizado para evangelização pela Pastoral do Dízimo