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São Paulo [ou Saulo para os hebreus] de Tarso, o Apóstolo dos gentios
Apóstolo
nascido em Tarso, cidade principal da Cilícia, conhecido como o grande apóstolo
dos gentios. Descendia de uma família hebreus da tribo de Benjamin, que haviam
obtido a cidadania romana, de grandes posses e prestígio político. Seus pais,
sendo como eram, fiéis à lei mosaica, o mandaram logo para Jerusalém para ser
educado lá. Fariseu fervoroso, recebeu na circuncisão o nome de Saulo e teve
como preceptor um dos mais sábios e notáveis rabinos daquele tempo, o grande
Gamaliel, neto do ainda mais famoso Hilel, de quem recebeu as lições sobre os
ensinos do Antigo Testamento. Foi este Gamaliel, cujo discurso se contém nos
Atos dos Apóstolos 5, 34-39, que aconselhou o Sanedrim a não tentar contra a
vida dos apóstolos. Ele possuía alguma coisa estranha ao espírito farisaico,
a qual se avizinhava da cultura grega. Em seu discurso demonstrava um espírito
tolerante e conciliador, característico da seita dos fariseus. Celebrizou-se
por seus vastos conhecimentos rabínicos. Aprendeu o ofício de fazedor de
tendas, das que se usavam nas viagens. Recebeu uma educação subordinada às
tradições e às doutrinas da fé hebraica e, embora fosse filho de um fariseu,
At 23, tornou-se um cidadão romano. Pelos seus dizeres na epístola aos Filipenses
3, 4-7, aparentemente ocupava posição de grande influência que lhe
dava margem para conseguir lucros e grandes honras. Tornou-se membro do concílio,
At 26, 10, e logo depois recebeu a comissão do sumo sacerdote para perseguir os
cristãos. Apareceu no cenário da história cristã, como
presidente da execução do diácono Estêvão (1)o protomártir do
Cristianismo, a cujos pés as testemunhas depuseram suas vestimentas At 7, 58.
Na Bíblia aparece então no 7º capítulo do livro Atos dos Apóstolos,
guardando as vestes do diácono, que foi apedrejado, concordando, portanto, com
a condenação. Depois disso, empreendeu forte perseguição aos cristãos. Na
sua posição odiava a nova seita, não só desprezando o crucificado Messias,
como considerava os seus discípulos um elemento perigoso, tanto para a religião
como para o Estado. Este seu ódio mortal contra os discípulos de Jesus durou
até ao momento da sua conversão, que aparece no 9º capítulo. Foi no caminho
de Damasco que se deu a sua repentina conversão (30). Ele e seus companheiros
viajavam pelos desertos da Galiléia e quando, ao meio-dia, o sol ardente estava
no seu zênite, At 26, 13, repentinamente uma luz vinda do céu, mais brilhante
que a luz do sol caiu sobre eles, derrubando-os. Todos se ergueram, mas ele
continuou prostrado por terra. Ouviu-se então uma voz que dizia em língua
hebraica: "Saulo, Saulo, porque me persegues? Dura coisa é recalcitrares
contra o aguilhão (2)". Respondeu ele então: "Quem és tu
Senhor?" E veio a resposta: "Eu sou Jesus a quem tu persegues.
Levanta-te e vai à cidade e aí se te dirá o que te convém fazer". Os
companheiros que o seguiam ouviam a voz sem nada ver, nem entender. Ofuscado
pelo intenso clarão da luz, foi conduzido pela mão dos companheiros. Entrou em
Damasco e hospedou-se na casa de Judas, onde permaneceu três dias sem ver, sem
comer e nem beber, orando e meditando sobre a revelação divina. Guiado pelo
Senhor, o judeu convertido Ananias, foi visitar-lhe e ao se encontrar com o
grande perseguidor, recebeu a confissão da sua nova fé. Certo de sua conversão
Ananias impôs-lhe as mãos, fê-lo recobrar a visão e o batizou. Batizado, foi
para o deserto da Arábia, onde orou e fez penitência por três anos. A partir
de então, com a juventude e a energia que o caracterizava, e para grande
espanto dos judeus, começou a pregar nas sinagogas que Jesus era o Cristo,
Filho de Deus vivo, 9, 10-22. Regressou à Jerusalém, onde sofreu a
desconfiança dos que não acreditavam na sua repentina conversão e instalou-se
em Antióquia, na Síria, de onde fez três grandes viagens missionárias, ao
longo de 25 anos. Pregou na Ásia Menor, Grécia e Jerusalém, até ser preso em
Cesaréia (61). Levado para Roma, permaneceu dois anos sob custódia militar,
gozando de relativa liberdade, suficiente para receber os cristãos e converter
os pagãos. Durante esse período escreveu as cartas aos Filipenses, aos
Colossenses, aos Efésios e a Filêmon. Inocentado (63) passou pela Espanha,
visitou suas comunidades no Oriente, onde foi preso e novamente levado para Roma
(67) sob a acusação de seguir uma religião ilegal. São desse último período
as duas cartas a Timóteo e a carta a Tito. Por ordem de Nero desta vez não
teve perdão e foi condenado à morte, mas por ser um cidadão romano não deve
ter sido crucificado e, sim, decapitado. Além de alguns discursos a ele atribuídos,
mencionados nos Atos dos Apóstolos, deixou 14 cartas dirigidas a várias
comunidades convertidas e a amigos. Nas cartas que escreveu às comunidades que
fundou, mostrou-se o grande teólogo empenhado em elaborar uma síntese do mistério
cristão que atravessasse os tempos. esses documentos caracterizam-se por
conterem valiosas regras de vida completamente atemporais, que jamais perderão
seu significado se praticados para garantirem a harmonia em qualquer sociedade,
em qualquer época. Também em seus ensinamentos observa-se o esclarecimento da
distinção entre judaísmo e cristianismo e a difusão deste último no mundo
grego. É celebrado nos dias 25 de janeiro, tradicionalmente o dia da sua
conversão, e 29 de junho, o dia de sua morte. Não era apóstolo oficialmente,
mas foi considerado o apóstolo do gentios por causa da sua grande obra missionário
nos países gentílicos. Ele dizia de si mesmo: "Eu trabalhei mais que
todos os apóstolos... e ai de mim se não evangelizar!", mas também
dizia: "Eu sou o menor dos apóstolos... não sou digno de ser assim
chamado".
(1) Santo Estêvão, considerado o protomártir, nascido e morto em Jerusalém (35), judeu convertido, foi um dos sete diáconos eleitos pela comunidade cristã de Jerusalém para presidir ao serviço das mesas (At 6,5-11; 7,54-60). Despertando a antipatia dos judeus helenistas, enciumados do sucesso com que exercia o seu ministério, foi acusado de ter blasfemado contra Deus, a religião e o Templo. Conduzido ao Sinédrio, foi condenado à lapidação. Saulo, o futuro apóstolo Paulo, presenciou o martírio. As relíquias de Estêvão, descobertas em Constantinopla (415), foram transportadas para Veneza (1110).
(2) A frase "Dura coisa é recalcitrares contra o aguilhão", não quer dizer que ele agia contra a sua vontade, ou que já reconhecia a verdade do Cristianismo, e sim, quer dizer antes que era insensatez resistir aos propósitos divinos.
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