Concordância / Harmonia dos Quatro Evangelhos

(Tradução literal)
A autêntica «vida» de Jesus Cristo

Prólogo

| Mc 1, 1 |

Início do Evangelho de Jesus Cristo, {Filho de Deus}.

Prólogo de S. Lucas

| Lc 1, 1-4 |

Já que muitos, pois, empreenderam ordenar uma narração das coisas que entre nós se completaram, como nos transmitiram os próprios que desde o princípio viram e se tornaram ministros da palavra, pareceu-me bem, também a mim, depois de ter investigado tudo desde o princípio, diligentemente escrever-te por ordem, excelentíssimo Teófilo, para que conheças a firmeza daquelas palavras em que foste instruído.

Prólogo de S. João

| Jo 1, 1-18 |

No princípio era a Palavra e a Palavra estava junto de Deus e a Palavra era Deus. Ela estava no princípio junto de Deus. Todas as coisas foram feitas por ela, e sem ela nada se fez do que foi feito. Nela estava a vida e a vida era a luz dos homens; e a luz resplandece nas trevas e as trevas não a compreenderam.

Houve um homem enviado por Deus, cujo nome era João. Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas [veio] para dar testemunho da luz.

[A Palavra] era a verdadeira luz, que ilumina todo o homem, vindo ao mundo. Estava no mundo e o mundo foi feito por ela e o mundo não a conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não a receberam. Mas, a todos quantos a receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, aos que acreditam no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus. E a Palavra fez-se carne e habitou [= acampou] entre nós, e vimos a sua glória, glória como a do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

João dá testemunho dele e clama, dizendo: «Este era de quem eu disse: O que vem depois de mim surgiu antes de mim, porque era anterior a mim».

Pois todos nós recebemos da sua plenitude e graça sobre graça. Porque a Lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade surgiram por Jesus Cristo.

Nunca ninguém viu Deus; o unigênito Deus {// Filho}, que está no seio do Pai, esse o deu a conhecer.


Infância de Jesus e de João Baptista

Genealogias de Jesus

| Mt 1, 1-17 | Lc 3, 23-38 |

Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de David, filho de Abraão.

Abraão gerou Isaac. Isaac, porém, gerou Jacob. Jacob gerou Judá e os seus irmãos. Judá gerou Farés e Zara de Tamar. Farés gerou Esrom. Esrom gerou Arão. Arão gerou Aminadab. Aminadab gerou Naasson. Naasson gerou Salmon. Salmon gerou Booz de Raab. Booz gerou Obed de Rute. Obed gerou Jessé. Jessé gerou o rei David.

David gerou Salomão, da [mulher] de Urias. Salomão gerou Roboão. Roboão gerou Abia. Abia gerou Asa. Asa gerou Josafat. Josafat gerou Jorão. Jorão gerou Ozias. Ozias gerou Joatão. Joatão gerou Acaz. Acaz gerou Ezequias. Ezequias gerou Manassés. Manassés gerou Amon. Amon gerou Josias. Josias gerou Jeconias e os seus irmãos na deportação da Babilônia.

Depois da deportação da babilônia, porém, Jeconias gerou Salatiel. Salatiel gerou Zorobabel. Zorobabel gerou Abiud. Abiud gerou Eliacim. Eliacim gerou Azor. Azor gerou Sadoc. Sadoc gerou Aquim. Aquim gerou Eliud. Eliud gerou Eleazar. Eleazar gerou Matan. Matan gerou Jacob. Jacob gerou José, o varão de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo.

Pois todas as gerações, desde Abraão até David, são catorze gerações; e desde David até à deportação para a babilônia, catorze gerações; e desde a deportação para a babilônia até Cristo, catorze gerações.

E o próprio Jesus era, como se pensava, filho de José, [filho] de Heli, de Matat, de Levi, de Melqui, de Jané, de José, de Matatias, de Amós, de Naum, de Esli, de Nagai, de Maat, de Matatias, de Semeim, de Josec, de Jodá, de Joanan, de Resa, de Zorobabel, de Salatiel, de Neri, de Melqui, de Adi, de Cosam, de Elmadam, de Her, de Jesus, de Eliezer, de Jorim, de Matat, de Levi, de Simeão, de Judá, de José, de Jonão, de Eliacim, de Melea, de Mena, de Matata, de Natan, de David, de Jessé, de Obed, de Booz, de Salmon, de Naasson, de Aminadab, de Admin, de Arni, de Esrom, de Farés, de Judá, de Jacob, de Isaac, de Abraão, de Taré, de Nacor, de Seruc, de Ragau, de Faleg, de Heber, de Sala, de Cainão, de Arfaxad, de Sem, de Noé, de Lamec, de Matusalém, de Henoc, de Jared, de Malaleel, de Cainão, de Enós, de Set, de Adão, de Deus.

Anúncio do nascimento de João Baptista

| Lc 1, 5-25 |

Houve nos dias de Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado Zacarias, da turma de Abias; e a sua mulher era descendente de Aarão, e o nome dela era Isabel. Ambos eram justos diante de Deus, andando irrepreensíveis em todos os mandamentos e preceitos do Senhor.

E não tinham filho, porque Isabel era estéril, e ambos eram avançados nos seus dias.

Aconteceu porém que, estando ele a exercer o sacerdócio perante Deus, na ordem da sua turma, segundo o costume do sacerdócio, coube-lhe oferecer o incenso, entrando no Templo do Senhor; e toda a multidão do povo estava orando, de fora, à hora do incenso.

Apareceu-lhe, porém, um anjo do Senhor, em pé, à direita do altar do incenso. E Zacarias, vendo-o, ficou perturbado, e o temor irrompeu sobre ele.

O anjo, porém, disse-lhe: «Não temais, Zacarias; porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João; e será para ti alegria e júbilo, e muitos se alegrarão com o seu nascimento; porque ele será grande diante do Senhor; e não beberá vinho, nem bebida forte; e será cheio do Espírito Santo já desde o útero da sua mãe. E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus; e ele irá diante dele no espírito e poder de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, para preparar para o Senhor um povo bem disposto».

E disse Zacarias ao anjo: «Como saberei isto? Pois eu sou velho, e a minha mulher está avançada nos seus dias!...»

E respondendo, o anjo disse-lhe: «Eu sou Gabriel, que estou de pé diante de Deus, e fui enviado para te falar e te dar esta boa nova! E eis que ficarás mudo, e não podendo falar até ao dia em que estas coisas aconteçam; já que não acreditaste nas minhas palavras, que a seu tempo se cumprirão».

E o povo esperava Zacarias, e admirava-se de que se demorasse no Templo.

Quando saiu, porém, não lhes podia falar, e perceberam que tivera uma visão no Templo. E ele acenava-lhes e permaneceu mudo.

E aconteceu que, terminados os dias do seu ministério, voltou para sua casa.

Depois destes dias, porém, Isabel, sua mulher, concebeu; e ocultava-se cinco meses, dizendo: «Assim me fez o Senhor nos dias em que reparou em retirar o meu opróbrio entre os homens».

Anunciação do anjo Gabriel a Maria

| Lc 1, 26-38 |

No sexto mês, porém, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galileia, cujo nome era Nazaré, a uma virgem desposada com um varão cujo nome era José, da casa de David; e o nome da virgem era Maria.

E, entrando até junto dela, disse: «Ave [= Alegra-te], cheia de graça: o Senhor [está] contigo! {+ Bendita tu entre as mulheres!}» Ela, porém, perturbou-se com a palavra {+ dele}, e pensava que saudação seria essa.

E disse-lhe o anjo: «Não temas, Maria; pois achaste graça diante de Deus. E eis que conceberás no útero e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus dar-lhe-á o trono de David, seu pai; e reinará sobre a casa de Jacob, pelos séculos, e do seu reino não existirá fim».

Maria, porém, disse ao anjo: «Como será isso, já que não conheço varão?»

E respondendo, o anjo disse-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso, o Santo que nascerá {+ de ti} será chamado Filho de Deus. E eis que também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice; e este é o sexto mês para aquela que era chamada estéril; porque não será impossível nenhuma palavra perante Deus».

Disse, porém, Maria. «Eis a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».

E o anjo afastou-se dela.

Visita de Maria a Isabel

| Lc 1, 39-56 |

Levantando-se, porém, Maria, naqueles dias, foi apressadamente à montanha, a uma cidade de Judá. E entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.

E aconteceu que, ao ouvir Isabel a saudação de Maria, saltou a criança no seu útero, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo, e exclamou em alta voz e disse: «Bendita tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu útero! E donde me [é concedido] isto, que venha até mim a mãe do meu Senhor? Pois eis que, quando a voz da tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança saltou de alegria no meu útero! E bem-aventurada a que acreditou que se cumpririam as coisas que lhe foram ditas da parte do Senhor!»

E disse Maria: «A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito exultou em Deus, meu Salvador; porque reparou na humildade da sua serva.

Pois eis que, desde agora, todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque me fez grandes coisas o Poderoso; e santo é o seu nome, e a sua misericórdia é de geração em geração para os que o temem.

Exerceu o poder com o seu braço; dispersou os soberbos no pensamento do seu coração; depôs do trono os poderosos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens, e despediu vazios os ricos.

Auxiliou Israel, seu servo, lembrando-se de misericórdia, como falou aos nossos pais, a Abraão e à sua descendência, para sempre».

Maria, porém, ficou com ela cerca de três meses; e voltou para sua casa.

Nascimento de João Baptista

| Lc 1, 57-58 |

Completou-se, porém, para Isabel o tempo de dar à luz, e teve um filho.

E os vizinhos e os seus parentes ouviram que o Senhor multiplicara a sua misericórdia com ela, e alegravam-se com ela.

Circuncisão de João Baptista

| Lc 1, 59-79 |

E aconteceu que, no oitavo dia, vieram circuncidar o menino; e chamavam-no com o nome do seu pai, Zacarias. E respondendo, a sua mãe disse: «Não, mas será chamado João!» E disseram-lhe: «Ninguém há na tua parentela que se chame por este nome!»

Perguntavam, porém, por acenos ao pai dele como queria que se chamasse. E pedindo ele uma tabuinha, escreveu, dizendo: «João é o seu nome». E todos se admiraram.

Abriu-se, porém, imediatamente a sua boca e a sua língua, e falava, bendizendo a Deus. E fez-se temor sobre todos os seus vizinhos; e em toda a montanha da judéia foram divulgadas todas estas palavras. E todos os que ouviram guardavam no seu coração, dizendo: «Quem será este menino?» Pois a mão do Senhor estava com ele.

E Zacarias, seu pai, ficou cheio do Espírito Santo e profetizou, dizendo: «Bendito o Senhor Deus de Israel, porque visitou e redimiu o seu povo, e ergueu um chifre de salvação para nós na casa de David, seu servo; como falou pela boca dos seus santos Profetas, desde [o princípio] do mundo: salvação a partir dos nossos inimigos e da mão de todos os que nos odeiam; para fazer misericórdia com os nossos pais, e lembrar a sua santa aliança, e o juramento que jurou a Abraão, nosso pai, de que, sem temor, libertados da mão dos nossos inimigos, o servíssemos em santidade e justiça, perante ele, todos os nossos dias.

E tu, porém, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque irás diante do Senhor, a preparar os seus caminhos; para dar ao seu povo o conhecimento da salvação, para a remissão dos seus pecados; pelas entranhas da misericórdia do nosso Deus, nas quais nos visitará o Oriente do alto; para iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte, para dirigir os nossos pés no caminho da paz».

Infância de João Baptista

| Lc 1, 80 |

O menino, porém, crescia e robustecia-se em espírito; e estava nos desertos até ao dia da sua manifestação a Israel.

José toma conhecimento da conceição virginal de Jesus

| Mt 1, 18-25 |

O nascimento de Jesus Cristo, porém, era assim:

Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de eles coabitarem, achou ter [concebido] no útero, do Espírito Santo.

José, porém, seu varão, sendo justo e não a querendo entregar, quis deixá-la secretamente.

Pensando, porém, ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é do Espírito Santo: ela dará à luz, porém, um filho, e chamarás o nome dele de Jesus; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados».

Tudo isso, porém, aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo Senhor, através do profeta, dizendo: «Eis que a virgem terá no útero e dará à luz um filho, e chamarão o nome dele de Emanuel» (que traduzido é: Deus conosco).

José, porém, tendo despertado do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenou e recebeu a sua mulher. E não a conhecia, até que ela deu à luz o {+ seu} filho {+ primogênito}, e chamou o nome dele de Jesus.

Nascimento de Jesus

| Lc 2, 1-20 |

Aconteceu porém que, naqueles dias, saiu um decreto de César Augusto, para que se recenseasse toda a [terra] habitada. Este primeiro recenseamento foi feito, sendo Quirino governador da Síria. E todos iam alistar-se, cada um à sua cidade.

Subiu, porém, também José, da Galileia, da cidade de Nazaré, à judéia, à cidade de David, chamada Belém, por ser ele da casa e da família de David, para se alistar com Maria, sua esposa, que estava grávida.

Aconteceu porém que, ao estarem eles ali, completaram-se os dias de ela dar à luz; e deu à luz o seu filho primogênito, e envolveu-o em panos e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles no alojamento.

E estavam, naquela mesma região, pastores acampados e guardando as vigílias da noite sobre o seu rebanho.

E um anjo do Senhor apareceu junto deles, e a glória do Senhor cercou-os de esplendor; e temeram com grande temor. E o anjo disse-lhes: «Não temais; pois eis que vos anuncio uma grande alegria que será para todo o povo: que vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, Senhor, na cidade de David. E isto é o sinal para vós: Encontrareis um recém-nascido envolto em panos e deitado numa manjedoura».

E, de repente, apareceu junto ao anjo uma multidão da milícia celeste, louvando a Deus e dizendo: «Glória a Deus nos altíssimos [Céus], e paz na terra aos homens de bom agrado!»

E aconteceu que, logo que os anjos se retiraram deles para o Céu, diziam os pastores uns aos outros: «Vamos, pois, até Belém, e vejamos esta palavra que se realizou, que o Senhor nos deu a conhecer».

E foram apressados, e encontraram Maria e José e o recém-nascido deitado na manjedoura.

Tendo-o visto, porém, divulgaram a palavra que lhes fora dita acerca deste menino; e todos os que ouviram admiraram-se das coisas que lhes eram ditas pelos pastores. Maria, porém, guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração.

E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes fora dito.

Circuncisão de Jesus

| Lc 2, 21 |

E quando se completaram os oito dias para o circuncidarem, foi-lhe dado o nome de Jesus, que lhe fora posto pelo anjo, antes de ser concebido no útero.

Apresentação de Jesus no Templo

| Lc 2, 22-38 |

E terminados os dias da purificação deles, segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém, para apresentá-lo ao Senhor, conforme está escrito na Lei do Senhor: «Todo o macho abrindo a madre será consagrado ao Senhor», e para oferecerem um sacrifício segundo o que é dito na Lei do Senhor: um par de rolas, ou dois pombinhos.

E eis que havia em Jerusalém um homem, cujo nome era Simeão; e este era homem justo e temente [a Deus], esperando a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. E fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que ele não morreria antes de ver o Cristo do Senhor.

E foi ao Templo, pelo Espírito. E quando os pais trouxeram o menino Jesus, para eles fazerem por ele segundo o costume da lei, também ele o tomou nos {+ seus} braços, e bendisse a Deus e disse: «Agora, Soberano, despede em paz o teu servo, segundo a tua palavra; pois os meus olhos viram a tua salvação, que preparaste ante a face de todos os povos; luz para revelação aos gentios, e glória do teu povo Israel!»

E o seu pai e a mãe estavam admirados das coisas que dele eram ditas. E Simeão abençoou-os, e disse a Maria, mãe dele: «Eis que este é posto para ruína e ressurreição de muitos em Israel, e para ser sinal de contradição. E uma espada {porém} trespassará a tua própria alma, para que se manifestem os pensamentos de muitos corações».

E havia também uma profetisa, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Esta era já avançada em muitos dias, tinha vivido com o marido sete anos desde a sua virgindade; e era viúva, de quase oitenta e quatro anos. Não se afastava do Templo, servindo noite e dia com jejuns e orações. E chegando ela na mesma hora, louvava a Deus, e falava a respeito dele a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém.

Visita dos Magos do Oriente

| Mt 2, 1-12 |

Tendo, porém, nascido Jesus em Belém da Judéia, nos dias do rei Herodes, eis que uns magos do Oriente vieram a Jerusalém, dizendo: «Onde está o nascido rei dos Judeus? Pois vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo».

O rei Herodes, porém, tendo ouvido, perturbou-se e toda a Jerusalém com ele; e, reunindo todos os sumos sacerdotes e os Escribas do povo, perguntava-lhes onde havia de nascer o Cristo. Eles, porém, disseram-lhe: «Em Belém da judéia; pois assim está escrito pelo profeta: 'E tu, Belém, terra de Judá, não és a menor entre as principais de Judá; porque de ti sairá o chefe que apascentará o meu povo Israel'».

Então Herodes, chamando secretamente os magos, inquiriu diligentemente deles o tempo do aparecimento da estrela; e, enviando-os a Belém, disse: «Indo, perguntai diligentemente pelo menino. Quando o encontrardes, porém, anunciai-me, para que também eu, indo, o adore...»

Tendo eles, porém, ouvido o rei, partiram. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente antecedia-os, até que, chegando, parou sobre o lugar onde estava o menino. Ao verem eles, porém, a estrela, regozijaram-se com grande alegria.

E entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, adoraram-no; e abrindo os seus tesouros, ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra.

E sendo avisados em sonhos para não voltarem a Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.

Fuga para o Egito

| Mt 2, 13-15 |

Tendo-se, porém, eles retirado, eis que um anjo do Senhor aparece em sonhos a José, dizendo: «Levanta-te, toma o menino e a sua mãe, e foge para o Egito, e fica lá até que eu te diga; porque Herodes procurará o menino para o matar».

Levantando-se, porém, tomou o menino e sua mãe, de noite, e partiu para o egito; e lá ficou até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor, através do profeta, dizendo: «Do egito, chamei o meu Filho».

Matança dos inocentes

| Mt 2, 16-18 |

Então Herodes, vendo que fora iludido pelos magos, irou-se grandemente e mandou matar todos os meninos de dois anos para baixo, que havia em Belém e em todos os seus arredores, segundo o tempo que inquirira dos magos.

Então, cumpriu-se o que foi dito pelo profeta Jeremias, dizendo: «Em Ramá, ouviu-se uma voz, choro e grande pranto: Raquel chorando os seus filhos, e não quis ser consolada, porque [já] não existem».

Saída do egito e ida para Nazaré

| Mt 2, 19-23 |

Tendo, porém, morrido Herodes, eis que um anjo do Senhor aparece em sonhos a José no egito, dizendo: «Levanta-te, toma o menino e a sua mãe e vai para a terra de Israel; porque [já] morreram os que procuravam a vida do menino».

Ele, porém, levantando-se, tomou o menino e sua mãe e foi para a terra de Israel.

Ouvindo, porém, que Arquelau reinava na judéia em lugar do seu pai Herodes, temeu ir para lá; mas avisado em sonhos, retirou-se para as partes da Galileia; e, tendo vindo, habitou numa cidade chamada Nazaré; para que se cumprisse o que fora dito pelos Profetas, que será chamado Nazareno.

Vida oculta de Jesus, em Nazaré

| Lc 2, 39-40 |

E assim que cumpriram tudo, segundo a Lei do Senhor, voltaram à Galileia, para a sua cidade de Nazaré.

O menino, porém, crescia e fortalecia-se, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele.

Jesus entre os doutores da Lei, aos doze anos

| Lc 2, 41-51 |

E os seus pais iam todos os anos a Jerusalém, à festa da Páscoa.

E quando fez doze anos, subindo eles {+ a Jerusalém} segundo o costume da festa, e, terminados os dias, ao regressarem eles, ficou o menino Jesus em Jerusalém, e os seus pais não souberam.

Julgando, porém, que estivesse na caravana, andaram caminho de um dia, e procuravam-no entre os parentes e conhecidos; e, não o encontrando, voltaram a Jerusalém, procurando-o.

E aconteceu que, passados três dias, encontraram-no no Templo, sentado no meio dos doutores e ouvindo-os e interrogando-os. Todos os que o ouviam, porém, admiravam-se com a sua inteligência e as suas respostas.

E quando o viram, ficaram maravilhados. E a sua mãe disse-lhe: «Filho, porque fizeste assim conosco? Eis que o teu pai e eu, aflitos, te procurávamos!»

E [Jesus] disse-lhes: «Porque é que me procuráveis? Não sabíeis que eu devo estar nas coisas do meu Pai?» E eles, porém, não entenderam a palavra que lhes disse.

E desceu com eles e foi para Nazaré, e era-lhes submisso. E a sua mãe guardava todas {+ estas} palavras no seu coração.

Continuação da vida oculta de Jesus

| Lc 2, 52 |

E Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.


Vida Pública de Jesus

Vocação profética de João Baptista

| Lc 3, 1-2 |

No décimo quinto ano, porém, do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da judéia, e Herodes tetrarca da Galileia, o seu irmão Filipe tetrarca da Itureia e da região da Traconítide, e Lisânias tetrarca de Abilene, sob os sumos sacerdotes Anás e Caifás, veio a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto.

Pregação de João Baptista

| Mt 3, 1-12 | Mc 1, 2-8 | Lc 3, 3-18 |

Naqueles dias, porém, chega João Baptista, pregando no deserto da judéia. Surgiu João, batizando no deserto, e veio por toda a região em torno do Jordão, pregando um batismo de arrependimento para remissão dos pecados, {e} dizendo: «Arrependei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus!»; como está escrito no livro das palavras do profeta Isaías (tal como está escrito no profeta Isaías). Este é, pois, o que foi anunciado pelo profeta Isaías, dizendo: «Eis que envio diante da tua face o meu mensageiro, que preparará o teu caminho; voz do que clama no deserto: 'Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Todo o vale se encherá, e todo o monte e colina serão abatidos; os caminhos tortuosos serão direitos, e os escabrosos se aplanarão; e toda a carne verá a salvação de Deus'».

Este João, porém, tinha a sua roupa de pêlos de camelo e um cinto de couro em torno dos seus lombos; o alimento dele era gafanhotos e mel silvestre.

E então acorriam a ele Jerusalém e toda a região da judéia e todos os de Jerusalém e toda a região em torno do Jordão, e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados.

(E João estava vestido de pêlos de camelo, e com um cinto de couro em redor dos seus lombos, e comendo gafanhotos e mel silvestre).

Vendo, porém, muitos dos Fariseus e dos Saduceus vindo ao seu batismo, disse-lhes, [e] dizia, pois, às multidões que vinham para serem batizadas por ele: «Raça de víboras! Quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir? Fazei, pois, frutos dignos (fruto digno) de conversão, e não queirais dizer e não comeceis a dizer em vós mesmos: 'Temos Abraão por pai'. Pois vos digo que Deus pode destas pedras suscitar filhos a Abraão.

Também o machado, porém, já está posto à raiz das árvores. Toda a árvore, pois, que não der fruto bom será cortada e lançada ao fogo».

E as multidões interrogavam-no, dizendo: «Que faremos, pois?» Respondendo, porém, dizia-lhes: «Aquele que tem duas túnicas, dê ao que não tem, e aquele que tem alimentos, faça o mesmo».

Vieram, porém, também uns Publicanos para serem batizados, e disseram-lhe: «Mestre, que faremos?» Mas ele disse-lhes: «Nada leveis além do que vos foi prescrito».

Interrogavam-no também uns soldados, dizendo: «E nós, que faremos?» E ele disse-lhes: «A ninguém molesteis, nem denuncieis falsamente; e contentai-vos com o vosso soldo».

Estando, porém, o povo na expectativa e pensando todos nos seus corações a respeito de João se porventura seria ele o Cristo, respondeu e pregava João, dizendo a todos: «Eu, na verdade, batizo-vos em água, para o arrependimento. Vem, porém, um mais poderoso do que eu, após mim, de quem não sou digno de desatar, inclinando-me, a correia dos seus calçados. Aquele, porém, que vem após mim é mais poderoso do que eu, de quem não sou digno de transportar os calçados.

Eu batizei-los em água; ele, porém, batizar-vos-á no Espírito Santo e no fogo. Ele tem a pá na sua mão para limpar a sua eira e para recolher o trigo no seu celeiro; e limpará a sua eira e recolherá o seu trigo no celeiro, mas a palha queimá-la-á em fogo inextinguível».

Com muitas outras palavras, também, pois, exortando, anunciava o Evangelho ao povo.

batismo de Jesus

| Mt 3, 13-17 | Mc 1, 9-11 | Lc 3, 21-23 |

E então, aconteceu porém que, naqueles dias, sendo batizado todo o povo, veio (chega) Jesus de Nazaré da Galileia ao Jordão, junto de João, para ser batizado por ele.

Mas João impedia-o, dizendo: «Eu preciso de ser batizado por ti e tu vens a mim?» Respondendo, porém, Jesus disse-lhe: «Consente agora; porque assim nos convém cumprir toda a justiça».

Então, deixou-o. E [Jesus] foi batizado no Jordão, por João.

Tendo, porém, sido batizado, Jesus subiu logo da água. E subindo logo da água — e estando Jesus batizado e a orar — eis que se {lhe} abriram os Céus (abriu-se o Céu), e desceu o Espírito Santo em forma corpórea, como pomba, sobre ele. E viu os Céus rasgados e o Espírito de Deus descendo como pomba {e} vindo sobre ele (em direção a ele). E eis que uma voz se fez dos Céus (fazer-se do Céu), dizendo: «Tu és o meu Filho amado: em ti pus as minhas complacências. (Este é o meu Filho amado, no qual pus as minhas complacências.) {// Tu és o meu Filho; eu gerei-te hoje}».

E o próprio Jesus era, ao começar [o seu ministério], de cerca de trinta anos.

Jesus tentado no deserto

| Mt 4, 1-11 | Mc 1, 12-13 | Lc 4, 1-13 |

E logo o Espírito o impele para o deserto. Então Jesus, porém, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão, e era levado pelo Espírito ao deserto: foi conduzido para o deserto pelo Espírito, para ser tentado pelo Diabo. E estava no deserto, quarenta dias, tentado pelo Diabo, por Satanás. E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, naqueles dias não comeu coisa alguma, e, terminados eles, depois teve fome.

I

E chegando o tentador, o Diabo, disse-lhe: «Se és Filho de Deus, diz que estas pedras se transformem em pães (diz a esta pedra que se transforme em pão)». E respondeu-lhe Jesus (que, porém, respondendo, disse): «Está escrito: 'Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus'».

II - III

Então o Diabo levou-o à cidade santa (conduziu-o a Jerusalém), e colocou-o sobre o pináculo do Templo e disse (diz)-lhe: «Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: 'Aos seus anjos ordenará a teu respeito que te guardem'; e 'Eles tomar-te-ão nas mãos, para que não firas o teu pé numa pedra'». E respondendo, disse (afirmou)-lhe Jesus: «Também está escrito (está dito): 'Não tentarás o Senhor teu Deus'».

III - II

Novamente o Diabo o levou a um monte muito alto e, levando-o para cima, mostrou (mostra)-lhe todos os reinos da [terra] habitada (do mundo) e a glória deles, num momento do tempo. E disse-lhe o Diabo: «Dar-te-ei todo este poder e a glória deles, porque me foi entregue e dou-o a quem eu quero. Tu, pois, se adorares perante mim, será todo teu... Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares!» E então, respondendo, Jesus disse (diz)-lhe: «Vai-te, Satanás; porque está escrito: 'Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás'».

E, tendo acabado toda a tentação, então o Diabo deixou-o: afastou-se dele até ao tempo. E [Jesus] estava entre as feras e eis que os anjos se aproximaram e serviram-no.

Testemunho de João Baptista

| Jo 1, 19-28 |

E este é o testemunho de João, quando os Judeus {lhe} enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para que lhe perguntassem: «Quem és tu?» E confessou e não negou; confessou: «Eu não sou o Cristo».

E perguntaram-lhe: «Então, quem és? És tu Elias?» E ele diz: «Não sou». «És tu o profeta?» E respondeu: «Não». Disseram-lhe, pois: «Quem és? Para podermos dar resposta aos que nos enviaram. Que dizes de ti mesmo?» Afirmou [João]: «Eu sou a voz do que clama no deserto: 'Endireitai o caminho do Senhor', como disse o profeta Isaías».

E os que tinham sido enviados eram dos Fariseus. E interrogaram-no e disseram-lhe: «Porque batizas, pois, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?» Respondeu-lhes João, dizendo: «Eu batizo em água. No meio de vós está quem vós não conheceis: aquele que vem depois de mim, de quem eu não sou digno de desatar a correia do calçado».

Estas coisas aconteceram em Betânia, além do Jordão, onde João estava a batizar.

João aponta o Messias

| Jo 1, 29-34 |

No dia seguinte, vê Jesus, vindo até junto dele, e diz: «Eis o Cordeiro de Deus, que toma o pecado do mundo. Este é aquele de quem eu disse: Depois de mim vem um varão que se gerou diante de mim, porque era antes de mim. E eu não o conhecia; mas, para que ele fosse manifestado a Israel, vim, batizando em água».

E João deu testemunho, dizendo: «Vi o Espírito descer do Céu como pomba e repousar sobre ele. E eu não o conhecia; mas o que me enviou a batizar em água, esse disse-me: 'Sobre quem vires o Espírito descer e permanecer sobre ele, esse é o que batiza no Espírito Santo'. E eu vi e dei testemunho de que este é o Filho de Deus».

Primeiros discípulos de Jesus e regresso à Galileia

| Jo 1, 35-51 |

No dia seguinte, João estava outra vez [ali] e dois dos seus discípulos e, vendo Jesus, que passava, diz: «Eis o Cordeiro de Deus!» E os dois discípulos dele ouviram e seguiram Jesus.

Voltando-se, porém, Jesus e vendo que o seguiam, diz-lhes: «Que procurais?» Eles, porém, disseram-lhe: «Rabbi (que, traduzido, quer dizer Mestre), onde moras?» Diz-lhes [Jesus]: «Vinde e vereis». Vieram, pois, e viram onde morava; e permaneceram com ele naquele dia. Era cerca da hora décima.

Era André, irmão de Simão Pedro, um dos dois que ouviram João falar e o tinham seguido.

Este encontrou primeiro o seu irmão Simão, e diz-lhe: «Encontramos o Messias» (que, traduzido, quer dizer Cristo). Levou-o a Jesus. Fixando-o, Jesus disse: «Tu és Simão, filho de João; tu serás chamado Cefas» (que quer dizer Pedro).

No dia seguinte, quis partir para a Galileia, e encontrou Filipe. E Jesus diz-lhe: «Segue-me». Filipe, porém, era de Betsaida, cidade de André e de Pedro.

Filipe encontrou Natanael e diz-lhe: «encontramos aquele de quem escreveram Moisés na Lei e os Profetas: Jesus, filho de José de Nazaré». E disse-lhe Natanael: «De Nazaré pode haver coisa boa?» Diz-lhe Filipe: «Vem e vê».

Jesus viu Natanael aproximar-se dele, e diz dele: «Eis um verdadeiro israelita, em quem não existe dolo!» Diz-lhe Natanael: «Donde me conheces?» Respondeu Jesus e disse-lhe: «Antes que Filipe te chamasse, quando estavas debaixo da figueira, eu vi-te».

Respondeu-lhe Natanael: «Rabbi, tu és o Filho de Deus, tu és o rei de Israel». Respondeu Jesus e disse-lhe: «Porque te disse que te vi debaixo da figueira, acreditas? Verás coisas maiores do que estas». E diz-lhe: «Amém, amém, digo-vos: vereis o Céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem».

Bodas de Caná

| Jo 2, 1-11 |

E no terceiro dia, houve umas núpcias em Caná da Galileia; e estava ali a mãe de Jesus. Foi, porém, também convidado Jesus e os seus discípulos para as núpcias.

E, tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus diz-lhe: «Não têm vinho!...» {E} diz-lhe Jesus: «Que há entre mim e ti, mulher? Ainda não chegou a minha hora».

Diz a sua mãe aos serventes: «Fazei tudo quanto ele vos disser».

Estavam, porém, ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos Judeus, levando, cada uma, duas ou três metretas. Diz-lhes Jesus: «Enchei as talhas de água». E encheram-nas até cima. E [Jesus] diz-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa». Eles, porém, levaram.

Quando, porém, o chefe de mesa provou a água feita vinho, e não sabia donde era (mas os serventes sabiam, que tinham tirado a água), o chefe de mesa chamou o noivo e diz-lhe: «Todo o homem põe primeiro o vinho bom e, quando já estiverem embriagados, então o inferior! Tu guardaste o bom vinho até agora!»

Isto fez início dos sinais de Jesus, em Caná da Galileia. E manifestou a sua glória e os seus discípulos acreditaram nele.

Jesus vai habitar em Cafarnaum

| Jo 2, 12 |

Depois disto, desceu para Cafarnaum, ele, a sua mãe, os {seus} irmãos e os seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias.

Primeira expulsão dos vendilhões do Templo

| Jo 2, 13-25 |

E estava próxima a Páscoa dos Judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.

E encontrou no Templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas, e os cambistas sentados; e tendo feito um azorrague de cordas, lançou-os todos fora do Templo, bem como as ovelhas e os bois; e espalhou o dinheiro dos cambistas, e virou as mesas; e disse aos que vendiam as pombas: «Tirai daqui estas coisas! Não façais da casa do meu Pai casa de negócio!»

Lembraram-se os seus discípulos de que está escrito: «O zelo da tua casa devorar-me-á».

Responderam, pois, os Judeus e disseram-lhe: «Que sinal nos mostras, de que fazes isto?» Respondeu Jesus e disse-lhes: «Derrubai este Templo, e em três dias o levantarei».

Disseram, pois, os Judeus: «Em quarenta e seis anos foi edificado este Templo, e tu o levantarás em três dias?» Mas ele falava do Templo do seu corpo. Quando, pois, ressuscitou dos mortos, os seus discípulos lembraram-se de que dissera isto, e acreditaram na Escritura e na palavra que Jesus tinha dito.

Estando, porém, ele em Jerusalém pela festa da Páscoa, muitos acreditaram no nome dele, vendo os sinais dele, que fazia. Mas o próprio Jesus não confiava neles, já que os conhecia a todos, e não necessitava de que alguém desse testemunho do homem, pois ele bem sabia o que havia no homem.

Encontro com Nicodemos

| Jo 3, 1-21 |

Havia, porém, entre os Fariseus um homem chamado Nicodemos, chefe dos Judeus.

Este foi ter com ele, de noite, e disse-lhe: «Rabbi, sabemos que vieste de Deus, como Mestre, pois ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele».

Respondeu Jesus e disse-lhe: «Amém, amém, digo-te: Se alguém não nascer do Alto não pode ver o Reino de Deus». Diz-lhe Nicodemos: «Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura pode entrar, pela segunda vez, no útero da sua mãe, e nascer?»

Jesus respondeu: «Amém, amém, digo-te: Se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus. O que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é espírito. Não te admires de eu te ter dito: É-vos necessário nascer do Alto.

O vento sopra onde quer e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que nasceu do Espírito».

Respondeu Nicodemos e disse-lhe: «Como podem ser estas coisas?» Respondeu Jesus e disse-lhe: «Tu és mestre em Israel e ignoras estas coisas? Amém, amém, digo-te que nós dizemos o que sabemos e testemunhamos o que vimos; e não aceitais o nosso testemunho! Se vos falei de coisas terrestres e não acreditais; como acreditareis, se vos falar das celestes?

E ninguém subiu ao Céu senão o que desceu do Céu: o Filho do Homem {+ que está no Céu}. E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todo aquele que nele acredita tenha a vida eterna. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele acredita não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o seu Filho ao mundo, para que julgue o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele.

Quem acredita nele não é julgado; mas quem não acredita, já está julgado; porque não acreditou no nome do unigênito Filho de Deus. É, porém, este o julgamento: A luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas que a luz, porque as obras deles eram más. Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, para que sejam manifestas as suas obras, porque são feitas em Deus».

Último testemunho de João

| Jo 3, 22-36 |

Depois disto, veio Jesus e os seus discípulos para a terra da judéia, e aí permanecia com eles e batizava.

João, porém, também estava a batizar em Enão, perto de Salim, porque havia ali muitas águas; e vinham e eram batizados. Pois João ainda não fora lançado na prisão.

Surgiu, pois, uma contenda entre os discípulos de João com um judeu acerca da purificação. E vieram ter com João e disseram-lhe: «Rabbi, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual deste testemunho, eis que batiza e todos vão ter com ele!»

Respondeu João e disse: «O homem não pode receber nada, se não lhe for dado do Céu. Vós mesmos me dais testemunho de que eu disse: Não sou o Cristo, mas fui enviado antes dele. Aquele que tem a noiva é o noivo; mas o amigo do noivo, que está de pé e o ouve, regozija-se muito com a voz do noivo. Pois, esta minha alegria está completa.

É necessário que ele cresça e que eu diminua.

Aquele que vem de cima está sobre todos; aquele que vem da terra é da terra e fala da terra. Aquele que vem do Céu {está sobre todos}; o que viu e ouviu, isso testemunha; e ninguém aceita o seu testemunho. Mas o que aceitar o seu testemunho, confirma que Deus é verdadeiro. Pois aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus; porque ele não dá o Espírito à medida.

O Pai ama o Filho, e entregou todas as coisas nas suas mãos. Quem acredita no Filho tem a vida eterna; o que, porém, não acredita no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele».

Prisão de João Baptista

| Mt 4, 12a | Mc 1, 14a | Lc (3, 19-20) |

O tetrarca Herodes, porém, sendo repreendido por ele por causa de Herodíades, mulher do seu irmão, e por todas as maldades que tinha feito, Herodes acrescentou a todas elas ainda esta {e} encerrou João na prisão.

Depois, porém, que João foi entregue, ouvindo, porém, que João fora entregue, retirou-se [e] veio Jesus para a Galileia.

Encontro com a samaritana

| Jo 4, 1-43 |

Quando, pois, Jesus soube que os Fariseus tinham ouvido dizer que «Jesus mais discípulos faz e batiza do que João» (ainda que Jesus mesmo não batizava, mas os seus discípulos), deixou a judéia e foi outra vez para a Galileia. Era-lhe necessário passar pela Samaria.

Vem, pois, a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, junto da herdade que Jacob deu ao seu filho José. Estava, porém, ali o poço de Jacob. Jesus, pois, cansado da viagem, sentou-se acima do poço. Era cerca da hora sexta.

Vem uma mulher da Samaria tirar água. Diz-lhe Jesus: «Dá-me de beber». (Pois os seus discípulos tinham ido à cidade comprar alimentos).

Diz-lhe, pois, a mulher samaritana: «Como é que tu, sendo judeu, me pedes de beber a mim, sendo mulher samaritana?» (Porque os Judeus não se comunicam com os Samaritanos).

Respondeu Jesus e disse-lhe: «Se conhecesses o dom de Deus e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu pedir-lhe-ias e ele dar-te-ia água viva».

Diz-lhe {a mulher}: «Senhor, nem tens uma vasilha e o poço é fundo; donde tens, pois, a água viva? És tu, porventura, maior que o nosso pai Jacob, que nos deu o poço, do qual também ele mesmo bebeu e os seus filhos e o seu gado?»

Respondeu Jesus e disse-lhe: «Todo o que beber desta água terá, novamente, sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; mas a água que eu lhe der tornar-se-á nele uma fonte de água jorrando para a vida eterna». Diz-lhe a mulher: «Senhor, dá-me essa água, para que não mais tenha sede, nem venha aqui tirá-la!»

Diz-lhe [Jesus]: «Vai, chama o teu marido e vem cá...» Respondeu a mulher e disse-lhe: «Não tenho marido». Diz-lhe Jesus: «Disseste bem: 'Não tenho marido'; porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isso disseste com verdade!»

Diz-lhe a mulher: «Senhor... vejo que és profeta!...

Os nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar...»

Diz-lhe Jesus: «Acredita-me, mulher, que vem a hora em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos Judeus. Mas vem a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura os tais que o adoram. Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade».

Diz-lhe a mulher: «Eu sei que o Messias vem (que se chama o Cristo); quando ele vier, nos anunciará todas as coisas». Diz-lhe Jesus: «Sou eu, que falo contigo».

E, imediatamente, vieram os seus discípulos, e admiravam-se de que estivesse a falar com uma mulher. Todavia nenhum lhe disse: «Que procuras?» ou: «Porque falas com ela?»

A mulher deixou, pois, o seu cântaro e foi à cidade e diz àqueles homens: «Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto eu fiz; será ele, porventura, o Cristo?»

Saíram da cidade e vinham ter com ele.

Entretanto, os seus discípulos rogavam-lhe, dizendo: «Rabbi, come!» Ele, porém, disse-lhes: «Eu tenho um alimento para comer que vós não conheceis». Diziam, pois, os discípulos uns aos outros: «Acaso alguém lhe trouxe de comer?»

Diz-lhes Jesus: «O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e completar a sua obra. Não dizeis vós que ainda são quatro meses e vem a ceifa? Eis que vos digo: levantai os vossos olhos, e vede os campos, que estão brancos para a ceifa. Já quem ceifa recebe a recompensa e junta fruto para a vida eterna; para que o semeador e o que ceifa juntamente se regozijem. Porque nisto é verdadeira a palavra: Um é o que semeia e outro o que ceifa. Eu enviei-vos a ceifar o que não trabalhastes; outros trabalharam e vós entrastes no seu trabalho».

Muitos dos Samaritanos, porém, daquela cidade acreditaram nele, por causa da palavra da mulher, que testemunhava: «Ele disse-me tudo quanto fiz!»

Indo, pois, ter com ele os Samaritanos, rogaram-lhe que ficasse com eles; e ficou ali dois dias. E muitos mais acreditaram por causa da palavra dele; e diziam à mulher: «Já não é pela tua palavra que nós acreditamos; pois agora nós mesmos ouvimos e sabemos que este é, verdadeiramente, o Salvador do mundo».

Passados dois dias, porém, partiu dali para a Galileia.

Jesus recebido na Galileia mas rejeitado em Nazaré

| Mt 4, 12b-13a | Lc 4, 14-30 | Jo 4, 44-45 |

E voltou Jesus para a Galileia no poder do Espírito; e a fama correu por toda a região acerca dele. E ele ensinava nas sinagogas deles, glorificado por todos.

E veio a Nazaré, onde fora criado, e entrou, segundo o seu costume, no dia de sábado, na sinagoga, e levantou-se para ler.

E foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías. E abrindo o livro, encontrou o lugar em que estava escrito: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e a vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, para proclamar um ano de graça do Senhor».

E enrolando o livro, entregando-o ao servente, sentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele.

Começou, porém, a dizer-lhes: «Hoje cumpriu-se esta Escritura aos vossos ouvidos». E todos lhe davam testemunho, e admiravam-se das palavras de graça que saíam da boca dele; e diziam: «Não é este o filho de José?»

E [Jesus] disse-lhes: «Sem dúvida me direis este provérbio: 'Médico, cura-te a ti mesmo; tudo o que ouvimos teres feito em Cafarnaum, fá-lo também aqui na tua pátria'».

Jesus mesmo, pois, testemunhou que um profeta não tem honra na sua própria pátria. Disse, porém: «Amém, digo-vos que nenhum profeta é aceite na sua pátria. Em verdade, porém, vos digo: Havia muitas viúvas nos dias de Elias, em Israel, quando o céu se fechou por três anos e seis meses, quando houve grande fome por toda a terra; e a nenhuma delas foi enviado Elias, senão em Serepta de Sidônia, a uma mulher viúva. E havia muitos leprosos em Israel no tempo do profeta Eliseu, mas nenhum deles foi purificado senão Naaman, o sírio».

E todos, na sinagoga, ao ouvirem estas coisas, ficaram cheios de ira e, levantando-se, expulsaram-no da cidade e levaram-no até ao despenhadeiro do monte em que a cidade deles estava edificada, para o precipitarem.

Ele, porém, passando pelo meio deles, ia.

Assim, pois, que chegou à Galileia — e deixando Nazaré — os Galileus receberam-no, pois tinham visto todas as coisas que fizera em Jerusalém na festa; pois também eles tinham ido à festa.

Cura do filho de um funcionário, em Caná

| Jo 4, 46-54 |

Veio, pois, outra vez a Caná da Galileia, onde da água fizera vinho.

E havia certo funcionário régio, cujo filho estava enfermo em Cafarnaum.

Este, quando soube que Jesus tinha vindo da judéia para a Galileia, foi ter com ele, e rogava-lhe que descesse e curasse o seu filho; pois estava a morrer.

Disse-lhe, pois, Jesus: «Se não virdes sinais e prodígios, não acreditais». Diz-lhe o funcionário régio: «Senhor, desce antes que o meu filho morra!»

Diz-lhe Jesus: «Vai: o teu filho vive». O homem acreditou na palavra que Jesus lhe dissera, e partiu.

Quando ele já ia a descer, saíram-lhe ao encontro os seus servos, dizendo que o seu filho vivia. Perguntou-lhes, pois, a que horas começara a melhorar. Disseram-lhe, pois: «Ontem, à hora sétima, a febre deixou-o». Conheceu, pois, o pai ser aquela a hora em que Jesus lhe dissera: «O teu filho vive»; e acreditou ele e toda a sua casa.

Este {porém} foi o segundo sinal que Jesus fez, ao voltar da judéia para a Galileia.

Jesus estabelece-se em Cafarnaum

| Mt 4, 13-17 | Mc 1, 14b-15 |

Vindo, [Jesus] habitou em Cafarnaum, junto ao mar, nos confins de Zabulão e de Naftali; para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, dizendo: «Terra de Zabulão e terra de Naftali, caminho do mar, além do Jordão, Galileia dos gentios... o povo que estava sentado nas trevas viu uma grande luz, e aos que estavam sentados na região e na sombra da morte, levantou-se uma luz».

Desde então, começou Jesus a pregar, pregando o Evangelho {+ do Reino} de Deus e a dizer, dizendo: «Completou-se o tempo e está próximo o Reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho, pois está próximo o Reino dos Céus!»

Chamamento dos quatro primeiros discípulos, junto ao lago

| Mt 4, 18-22 | Mc 1, 16-20 |

Caminhando, porém, {+ Jesus} e passando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e André, irmão dele (de Simão), os quais lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. E disse (diz)-lhes Jesus: «Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens».

E eles, porém, deixando imediatamente (logo) as redes, seguiram-no.

E, avançando um pouco daí, viu outros dois irmãos: Tiago, [filho] de Zebedeu, e o seu irmão João, também eles no barco, com Zebedeu, o pai deles, consertando as suas redes; e chamou-os logo.

E eles, porém, deixando imediatamente o barco e o pai deles, Zebedeu, no barco com os empregados, seguiram-no: foram atrás dele.

Cura de um possesso na sinagoga de Cafarnaum

| Mc 1, 21-28 | Lc 4, 31-37 |

E desceu e entram em Cafarnaum, cidade da Galileia.

E, logo no sábado, indo ele à sinagoga, ensinava: estava a ensiná-los no sábado. E maravilhavam-se da sua doutrina, porque a sua palavra era com autoridade: porque os ensinava como tendo autoridade e não como os Escribas.

E logo havia, na sinagoga deles, um homem com um espírito imundo (tendo o espírito de um demônio imundo); e gritou em voz alta, dizendo: «Ah! Que há entre nós e ti, Jesus, nazareno? Vieste perder-nos? Sei quem és: o Santo de Deus!...»

E Jesus ameaçou-o, dizendo: «Cala-te e sai dele!»

E o espírito imundo, convulsionando-o e clamando em voz alta — e tendo-o lançado o demônio para o meio — saiu dele, não lhe fazendo mal nenhum.

E fez-se medo entre todos, e todos se maravilharam; de modo que se interrogavam uns aos outros e perguntavam entre si, dizendo: «Que é isto? Que palavra é esta? Uma nova doutrina com autoridade?! Pois ele ordena com autoridade e poder também aos espíritos imundos, e obedecem-lhe e saem!»

E correu logo a sua nomeada por toda a região da Galileia. E divulgava-se a sua fama por todo o lugar da região.

Cura da sogra de Pedro

| Mt (8, 14-15 | Mc 1, 29-31 | Lc 4, 38-39 |

Levantando-se ele, porém, da sinagoga, e saindo eles logo da sinagoga, veio [e] entrou em casa de Simão e de André, com Tiago e João.

A sogra de Simão, porém, estava deitada com febre: estava com febre muito elevada; e logo lhe falam dela e rogaram-lhe por ela.

E tendo vindo Jesus a casa de Pedro, viu a sogra deste acamada e com febre; e, aproximando-se, tocou a mão dela, levantou-a, tomando-a pela mão, e, inclinando-se para ela, repreendeu a febre. E a febre deixou-a e ela levantou-se; e, tendo-se levantado logo, servia-os (/-o).

Curas ao entardecer

| Mt 8, 16-17) | Mc 1, 32-34 | Lc 4, 40-41 |

Chegando, porém, a tarde, ao pôr-do-sol, tendo-se posto o sol, todos os que tinham enfermos de diversas enfermidades levavam-nos até ele: traziam-lhe todos os enfermos e os possessos. Trouxeram-lhes muitos possessos. E toda a cidade estava reunida à porta.

E ele, porém, impondo as mãos em cada um deles, curava-os: curou muitos que padeciam de várias enfermidades; e expulsava os espíritos com uma palavra e expulsou muitos demônios; e curou todos os enfermos.

Saíam, porém, demônios de muitos, gritando e dizendo: «Tu és o Filho de Deus!» E, repreendendo, não deixava falar os demônios (não os deixava falar); pois sabiam que ele era o Cristo.

Para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías, dizendo: «Ele tomou as nossas enfermidades e carregou as nossas doenças».

Jesus deixa Cafarnaum

| Mc 1, 35-38 | Lc 4, 42-43 |

Quando, porém, se fez dia, e de madrugada, ainda escuro, levantando-se, saiu e, tendo saído, foi (partiu) para um lugar deserto, e ali orava.

E Simão e os que estavam com ele procuravam-no; e, quando o encontraram, disseram-lhe: «Todos te procuram!» E [Jesus] disse-lhes: «Vamos por toda a parte, às povoações vizinhas, para que eu pregue ali também; porque para isso vim».

E as multidões procuravam-no e vieram até ele e detinham-no, para que não se ausentasse delas. Ele, porém, disse-lhes: «É necessário que também às outras cidades eu anuncie o Evangelho do Reino de Deus; porque para isso é que fui enviado».

Jesus prega em várias regiões

| Mt 4, 23-25 | Mc 1, 39 | Lc 4, 44 |

E {+ Jesus} percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas deles; e veio pregando o Evangelho do Reino nas sinagogas deles, por toda a Galileia, e curando toda a doença e toda a enfermidade entre o povo e expulsando os demônios. E pregava nas sinagogas da judéia {// da Galileia}.

E a sua fama foi por toda a Síria; e trouxeram-lhe todos os que padeciam, acometidos de várias doenças e tormentos, os possessos, os lunáticos e os paralíticos; e ele curou-os.

E seguiram-no grandes multidões da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da judéia e de além do Jordão.

Pesca milagrosa

| Lc 5, 1-11 |

Aconteceu porém que, quando a multidão o apertava para ouvir a palavra de Deus, ele estava de pé junto ao lago de Genesaré; e viu dois barcos parados junto ao lago; os pescadores, porém, tendo descido deles, lavavam as redes.

Subindo, porém, ele para um dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da terra. Sentando-se, porém, do barco ensinava as multidões.

Quando, porém, acabou de falar, disse a Simão: «Faz-te ao largo e lançai as vossas redes para a pesca». E, respondendo, Simão disse: «Mestre, tendo trabalhado a noite toda, nada apanhamos; mas, à tua palavra, lançarei as redes».

E tendo feito isto, apanharam uma grande quantidade de peixes; porém, as redes deles rompiam-se.

E acenaram aos companheiros que estavam no outro barco, para virem ajudá-los. E vieram, e encheram ambos os barcos, de modo que se afundavam.

Vendo, porém, Simão Pedro lançou-se aos joelhos de Jesus, dizendo: «Retira-te de mim, Senhor, porque sou um varão pecador!» Pois o temor cercara-o e a todos os que estavam com ele, na pesca dos peixes que apanharam; do mesmo modo, porém, também Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão.

E Jesus disse a Simão: «Não temas: de agora em diante serás pescador de homens».

E, levando os barcos para terra, deixando tudo, seguiram-no.

Cura de um leproso

| Mt (8, 2-4) | Mc 1, 40-45 | Lc 5, 12-16 |

E aconteceu que, estando ele numa das cidades, eis que vem até ele um leproso, um varão cheio de lepra. Tendo vindo, vendo, porém, Jesus, lançando-se com o rosto [por terra], adorava-o: rogou-lhe, suplicando-lhe, {e prostrando-se e} dizendo-lhe: «Senhor, se queres, podes limpar-me».

E {+ Jesus, porém}, compadecido, estendendo a sua mão, tocou-o e disse-lhe, dizendo: «Quero: sê limpo». E {+ tendo ele dito isto,} logo se afastou dele a lepra e ficou limpo: imediatamente, ficou limpa a sua lepra.

E ele preceituou-lhe que a ninguém dissesse; mas, advertindo-o, Jesus logo o despediu, e disse-lhe: «Olha: não digas nada a ninguém, mas vai (indo), mostra-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação a oferta que (o que) Moisés determinou (como Moisés determinou), em testemunho para eles».

Mas ele, tendo saído, começou a proclamar muito e a divulgar a palavra, de modo que [Jesus] já não podia entrar abertamente numa cidade, mas estava fora em lugares desertos. Divulgava-se cada vez mais, porém, a palavra acerca dele; e grandes multidões se juntavam para ouvirem e serem curadas das suas enfermidades; e de todos os lados iam ter com ele. Mas ele estava retirado para os desertos e orando.

Cura de um paralítico de Cafarnaum

| Mt (9, 2-8 | Mc 2, 1-12 | Lc 5, 17-26 |

E aconteceu que, tendo entrado outra vez em Cafarnaum, depois de alguns dias, num dos dias, ouviu-se [dizer] que estava em casa.

E juntaram-se muitos, de modo que já não cabiam nem diante da porta; e ele estava a ensinar e anunciava-lhes a palavra. E estavam sentados Fariseus e doutores da lei, que tinham vindo de todas as aldeias da Galileia e da judéia e de Jerusalém; e o poder do Senhor estava com ele para {+ os} curar.

E eis que vêm, trazendo-lhe um paralítico, transportado por quatro [homens]: Uns varões traziam-lhe um paralítico estendido num leito, transportando no leito o homem que era paralisado; e procuravam introduzi-lo e pô-lo diante dele. E não podendo aproximá-lo dele, não encontrando por onde o pudessem levar, por causa da multidão, subindo ao teto, descobriram o teto por cima do lugar onde estava e, perfurando, desceram o grabato em que jazia o paralítico: pelas telhas, desceram-no com a maca, no meio, diante de Jesus.

E Jesus, vendo a fé deles, disse (diz) ao paralítico: «Confia, filho! Homem, são-te perdoados os teus pecados».

E eis que estavam, porém, alguns dos Escribas ali sentados e pensando nos seus corações; e começaram a pensar os Escribas e os Fariseus [e] disseram entre si, dizendo: «Porque fala este assim? Este blasfema! Quem é este que diz blasfêmias? Quem pode perdoar pecados senão só Deus?»

E Jesus, conhecendo logo no seu espírito os raciocínios deles, que assim raciocinavam dentro de si, vendo Jesus os pensamentos deles, respondendo, disse-lhes (diz-lhes): «Para que pensais coisas más nos vossos corações? Porque raciocinais essas coisas nos vossos corações? Que é, pois, mais fácil dizer ao paralítico: São-te perdoados os teus pecados; ou dizer: Levanta-te, toma o teu grabato, e anda? Para que saibais, porém, que o Filho do Homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados» — então, diz ao paralítico (disse ao paralisado) — «Digo-te: Levanta-te (levantando-te), toma o teu grabato (leito) e (tomando a tua maca) vai (passa) para tua casa».

E levantou-se e, tendo-se levantado (tendo-se erguido) imediatamente diante deles e tomando logo o leito em que jazia, saiu diante de todos e foi para sua casa, enaltecendo a Deus.

Vendo, porém, as multidões temeram e glorificaram a Deus, que deu tal poder aos homens. E a admiração tomou-os a todos, e glorificavam a Deus; e ficaram cheios de temor; de modo a admirarem-se todos e a glorificarem a Deus, dizendo: «Hoje vimos coisas extraordinárias! Nunca assim vimos!»

Vocação de Mateus Levi

| Mt 9, 9 | Mc 2, 13-14 | Lc 5, 27-28 |

E, depois disto, saiu novamente para junto do mar; e toda a multidão ia até ele, e ele ensinava-os.

E passando Jesus dali, viu e fixou um publicano de nome Levi, [filho] de Alfeu, um homem sentado na cobrança, chamado Mateus; e diz (disse)-lhe: «Segue-me».

E deixadas todas as coisas, e levantando-se, seguiu (seguia)-o.

Refeição com os pecadores, em casa de Levi

| Mt 9, 10-13 | Mc 2, 15-17 | Lc 5, 29-32 |

E Levi fez-lhe um grande banquete em sua casa.

E acontece estar ele à mesa, em casa dele. E aconteceu que, estando ele à mesa, em casa, eis que, tendo vindo muitos Publicanos e pecadores, sentavam-se juntamente com Jesus e os seus discípulos, e havia uma grande multidão de Publicanos e de outros que estavam com eles à mesa; pois eram muitos e seguiam-no.

E murmuravam os Fariseus e os Escribas deles (dos Fariseus) contra os discípulos dele, vendo que ele comia com os pecadores e os Publicanos. Diziam aos discípulos dele, dizendo: «Por que motivo (porque) come {+ e bebe} o vosso mestre com os Publicanos e com os pecadores? Por que motivo comeis e bebeis com os Publicanos e com os pecadores?»

E tendo ouvido, porém, Jesus, respondendo, disse-lhes (diz-lhes): «Não necessitam de médico os sãos (os saudáveis), mas os enfermos. Indo, porém, aprendei o que é: 'Quero misericórdia e não o sacrifício'. Porque eu não vim chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento».

O jejum, o velho e o novo

| Mt 9, 14-17) | Mc 2, 18-22 | Lc 5, 33-39 |

E os discípulos de João e os Fariseus estavam a jejuar. Então, chegam junto dele os discípulos de João. E vêm e dizem-lhe (eles, porém, disseram-lhe), dizendo: «Os discípulos de João jejuam freqüentemente e fazem orações, como também os dos Fariseus, mas os teus comem e bebem! Porque é que os discípulos de João e os discípulos dos Fariseus jejuam, porque é que nós e os Fariseus jejuamos {freqüentemente}, mas os teus discípulos não jejuam?»

E disse-lhes Jesus (Jesus, porém, disse-lhes): «Porventura podem os filhos das núpcias estar tristes [e] jejuar, enquanto o noivo está com eles? (Porventura podeis fazer jejuar os filhos das núpcias, enquanto o noivo está com eles?) Enquanto têm consigo o noivo, não podem jejuar. Virão porém dias, quando lhes for tirado o noivo; e (quando lhes for tirado o noivo) então jejuarão naqueles dias (naquele dia)».

Dizia-lhes também uma parábola: «Ninguém, rasgando um remendo de um vestido novo, [o] põe num vestido velho; de contrário, também romperá o novo, e o remendo do novo não condirá com o velho. Ninguém, porém, põe (cose) um remendo de pano bruto num vestido velho; de contrário, o remendo dele toma, pois, algo dele (do vestido), o novo do velho, e fará pior rasgão.

E ninguém deita (nem deitam) vinho novo em odres velhos; de contrário, o vinho novo romperá os odres: os odres rompem-se e o vinho derrama-se (ele derramar-se-á, perde-se), e os odres perder-se-ão (perdem-se); mas deitam (deve deitar-se) vinho novo em odres novos, e ambos se conservam.

{E} ninguém, tendo bebido do velho, quer {+ logo} do novo; pois diz: 'O velho é bom {// melhor}!'»

Cura do paralítico da piscina de Betesda

| Jo 5 |

Depois disto, era uma festa dos Judeus; e Jesus subiu a Jerusalém.

Existe, porém, em Jerusalém, próximo à [porta] Probática, uma piscina, chamada em hebraico Bezata, tendo cinco pórticos. Nestes, jazia grande multidão de enfermos, cegos, coxos e ressequidos {+ esperando o movimento da água}. {+ Porque um anjo, em certo tempo, descia à piscina e movia a água; o que, pois, primeiro descesse, depois do movimento da água, ficava curado de qualquer enfermidade que tivesse.}

Estava, porém, ali certo homem, tendo trinta e oito anos na sua enfermidade. Jesus, vendo-o deitado e sabendo que estava assim já há muito tempo, diz-lhe: «Queres ficar são?» Respondeu-lhe o enfermo: «Senhor, não tenho um homem que, ao ser agitada a água, me ponha na piscina! Enquanto eu vou, desce outro antes de mim!»

Diz-lhe Jesus: «Levanta-te, toma o teu grabato e anda». E imediatamente, o homem ficou são; e tomou o seu leito e andava.

Aquele dia, porém, era sábado. Diziam, pois, os Judeus ao que fora curado: «É sábado, e não te é lícito tomar o teu grabato!» Ele, porém, respondeu-lhes: «O que me fez são, ele disse-me: 'Toma o teu grabato e anda'».

Interrogaram-no: «Quem é o homem que te disse: 'Toma e anda'?» Mas o que fora curado não sabia quem era; porque Jesus se retirara da multidão que estava no lugar.

Depois, Jesus encontrou-o no Templo, e disse-lhe: «Eis que estás curado; não peques mais, para que não te suceda alguma coisa pior!»

Retirou-se o homem, e anunciou aos Judeus que era Jesus quem o curara. E por isso os Judeus perseguiam Jesus, porque fazia estas coisas no sábado.

{Jesus} porém respondeu-lhes: «O meu Pai trabalha até agora e eu trabalho também!» Por isso, pois, os Judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só violava o sábado, mas também dizia que Deus era o seu Pai, fazendo-se igual a Deus.

Jesus respondeu, pois, e dizia-lhes: «Amém, amém, digo-vos: O Filho de si mesmo nada pode fazer, senão o que vir o Pai a fazer; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente. Porque o Pai ama o Filho, e mostra-lhe tudo o que ele mesmo faz; e maiores obras do que estas lhe mostrará, para que vos maravilheis. Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, assim também o Filho dá vida a quem quer. Pois, nem o Pai julga ninguém, mas deu ao Filho todo o julgamento, para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou.

Amém, amém, digo-vos que quem ouve a minha palavra e acredita naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.

Amém, amém, digo-vos que vem a hora, e é agora, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que ouvirem viverão. Pois, assim como o Pai tem a vida em si mesmo, assim também deu ao Filho ter a vida em si mesmo; e deu-lhe autoridade para julgar, porque é o Filho do Homem. Não vos admireis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida, e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do Juízo.

Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma; como ouço, julgo; e o meu juízo é justo, porque não procuro a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. Se eu der testemunho de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro. Outro é quem dá testemunho de mim; e sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro.

Vós enviastes [mensageiros] a João, e ele deu testemunho da verdade; eu, porém, não recebo testemunho de homem; mas digo isto para que sejais salvos.

Ele era a lâmpada que ardia e iluminava; e vós quisestes alegrar-vos por um pouco com a sua luz. Mas eu tenho um testemunho maior do que o de João; porque as obras que o Pai me deu para realizar, as mesmas obras que faço dão testemunho de mim que o Pai me enviou.

E o que me enviou, o Pai, ele mesmo deu testemunho de mim. Nunca ouvistes a sua voz, nem vistes a sua imagem; e não tendes a sua palavra a permanecer em vós; porque vós não acreditais naquele que ele enviou.

Examinais as Escrituras, porque vós julgais ter nelas a vida eterna, e são elas que dão testemunho de mim; e não quereis vir a mim para terdes a vida!

Eu não recebo glória da parte dos homens; mas conheço-vos, que não tendes o amor de Deus em vós.

Eu vim em nome do meu Pai, e não me recebeis; se outro vier em seu próprio nome, recebê-lo-eis! Como podeis vós acreditar, recebendo glória uns dos outros, e não procurais a glória que vem do único Deus?

Não penseis que eu vos acusarei perante o Pai. É Moisés, em quem vós esperais, que vos acusa. Pois se acreditásseis em Moisés, acreditaríeis em mim; porque ele escreveu a respeito de mim. Mas, se não acreditais nos escritos dele, como acreditareis nas minhas palavras?»

As espigas arrancadas

| Mt (12, 1-8 | Mc 2, 23-28 | Lc 6, 1-5 |

Naquele tempo, foi Jesus no sábado pelas searas. E aconteceu porém que, no sábado {+ segundo primeiro}, ao andar (passar) ele no sábado pelas searas, os seus discípulos, porém, sentiram fome e começaram, seguindo o caminho, a arrancar (arrancando) as espigas e a comer; e os seus discípulos arrancavam e comiam as espigas, esfregando-as com as mãos.

E os Fariseus, porém, vendo, disseram (diziam)-lhe: «Eis que os teus discípulos fazem o que não é permitido fazer no sábado! Vê: porque fazem nos sábados o que não é permitido?» Alguns dos Fariseus, porém, disseram: «Porque fazeis o que não é permitido nos sábados?»

E respondendo-lhes, Jesus, porém, disse (diz)-lhes: «Nunca (não, nem isto) lestes o que fez David, quando teve necessidade e teve fome, ele e os que estavam com ele? Como entrou na casa de Deus, sendo Abiatar o sumo sacerdote, e, tomando, comeu os pães da proposição, os quais não é lícito comer, que não lhe era lícito comer, nem aos que estavam com ele, senão só aos sacerdotes; e deu também aos que estavam com ele?

Ou não lestes na Lei que, aos sábados, os sacerdotes no Templo violam o sábado, e ficam sem culpa? Digo-vos, porém, que aqui está quem é maior do que o Templo.

Mas, se vós soubésseis o que é: 'Quero misericórdia e não sacrifício', não teríeis condenado os inocentes».

E dizia-lhes: «O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado; de modo que o Filho do Homem é, pois, senhor também do sábado».

Cura de uma mão seca

| Mt 12, 9-14 | Mc 3, 1-6 | Lc 6, 6-11 |

E saindo dali, aconteceu, porém, em outro sábado, entrar ele numa sinagoga e ensinar. Veio e entrou novamente na sinagoga deles.

E eis que estava ali um homem tendo uma mão ressequida (seca): a mão direita dele estava seca.

E observavam-no, porém, os Escribas e os Fariseus, para ver se o curaria nos sábados (no sábado); e interrogavam-no, dizendo: «É lícito curar nos sábados?» Para encontrarem de que o acusar, para o acusarem.

Mas ele conhecia os pensamentos deles e disse (diz) ao varão (ao homem) que tinha a mão seca: «Levanta-te, e fica em pé no meio». E ele, levantando-se, ficou em pé.

E disse-lhes, porém, Jesus (diz-lhes): «Pergunto-vos: É lícito nos sábados (no sábado) fazer bem ou fazer mal; salvar uma vida, ou matar (perder)?» Eles, porém, calavam-se.

Ele, porém, disse-lhes: «Qual dentre vós será o homem que, tendo uma ovelha, se num sábado ela cair numa cova, não lançará mão dela e tirá-la-á? Quanto mais vale, pois, um homem do que uma ovelha?! Portanto, é lícito fazer bem nos sábados».

E olhando em redor para todos eles com indignação, condoendo-se da dureza dos seus corações, então diz ao homem (disse-lhe): «Estende a tua mão». Ele, porém, assim fez e estendeu, e foi-lhe restabelecida a sua mão, sã como a outra.

Mas eles encheram-se de furor; e pensavam uns com os outros sobre o que fariam a Jesus.

E os Fariseus, porém, tendo saído, fizeram (faziam) logo conselho com os Herodianos contra ele, sobre como o perderiam.

As multidões junto ao lago

| Mt 12, 15-21) | Mc 3, 7-12 |

E Jesus, porém, sabendo, retirou-se dali com os seus discípulos para junto do mar; e muitas {multidões} o seguiram. E uma grande multidão da Galileia {seguiu-o}, e da judéia e de Jerusalém, e da Idumeia e de além do Jordão, e das proximidades de Tiro e da sidônia, uma grande multidão, ouvindo falar de tudo quanto ele fazia, vieram ter com ele.

E disse aos seus discípulos que se lhe preparasse um barco, por causa da multidão, para que não o apertasse; porque curou muitos, de modo que todos os que tinham enfermidades lançavam-se a ele para lhe tocarem; e curou-os todos.

E os espíritos imundos, quando o viam, prostravam-se diante dele e clamavam, dizendo: «Tu és o Filho de Deus!» E advertia (advertiu)-lhes com insistência que não o tornassem conhecido.

Para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías, dizendo: «Eis o meu servo, que escolhi, o meu amado, em quem a minha alma pôs as complacências. Porei sobre ele o meu espírito, e ele anunciará aos gentios o juízo. Não contenderá, nem clamará, nem ninguém ouvirá nas avenidas a sua voz. Não esmagará a cana quebrada, e não apagará o morrão fumegante, até que leve o juízo à vitória. E os gentios esperarão no seu nome».

Subida à montanha e escolha dos Doze Apóstolos

| Mc 3, 13-19 | Lc 6, 12-19 |

E aconteceu porém, naqueles dias, ele retirar-se para o monte, para orar: Sobe ao monte, e estava pernoitando em oração a Deus.

E quando se fez dia, chamou os seus discípulos: chama os que ele quis; e vieram até junto dele.

E elegendo, fez doze dentre eles, aos quais deu o nome de Apóstolos, para que estivessem com ele e os mandasse a pregar, e tivessem poder {+ de curar as enfermidades e} de expulsar os demônios. E {instituiu os Doze e} impôs a Simão o nome de Pedro: Simão (a quem também deu o sobrenome de Pedro); e André, seu irmão; e Tiago, [filho] de Zebedeu, e João, irmão de Tiago, e impôs-lhes o nome de Boanergés, que é «Filhos do Trovão»; e Filipe; e Bartolomeu; e Mateus; e Tomé; e Tiago, [filho] de Alfeu; e Judas Tadeu, [filho] de Tiago; e Simão Cananeu, chamado Zeloso; e Judas Iscariotes, que foi o traidor que o entregou.

E descendo com eles, ficou de pé num lugar plano; e uma grande multidão dos seus discípulos e uma grande multidão de povo de toda a judéia e Jerusalém, e do litoral de Tiro e da sidônia, que vieram para ouvi-lo e serem curadas das suas doenças. E os que eram atormentados por espíritos imundos eram curados. E toda a multidão procurava tocá-lo, porque saía dele um poder e curava a todos.

Sermão da Montanha

Bem-aventuranças

| Mt 5, 1-12 | Lc 6, 20-23 |

(Mt.: 3ª pessoa do plural, 2ª pessoa do plural / Lc.: 2ª pessoa do plural)

Vendo, porém, as multidões, subiu ao monte. E sentando-se ele, aproximaram-se dele os seus discípulos; e levantando ele os olhos para os seus discípulos e abrindo a sua boca, ensinava-os, dizendo (dizia):

«Bem-aventurados os pobres no espírito, porque vosso é o Reino de Deus (porque deles é o Reino dos Céus)!

Bem-aventurados os [que estão] tristes [e] chorosos agora, porque eles serão consolados, porque rireis!

Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra!

Bem-aventurados os famintos e sedentos de justiça agora, porque sereis saciados (porque eles serão saciados)!

Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia!

Bem-aventurados os puros no coração, porque eles verão a Deus!

Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus!

Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus!

Bem-aventurados sois, quando os homens vos odiarem, e quando vos rejeitarem e vos maldisserem e perseguirem, e disserem todo o mal contra vós {mentindo}; e expulsarem o vosso nome como mau, por causa de mim, o Filho do Homem! Alegrai-vos nesse dia e exultai, porque eis que é grande a vossa recompensa nos Céus (no Céu)! Pois assim faziam os pais deles aos Profetas: pois assim perseguiram os Profetas que existiram antes de vós».

Maldições

| Lc 6, 24-26 |

«Mas ai de vós, os ricos, porque tendes a vossa consolação!

Ai de vós, os saciados agora, porque tereis fome!

Ai {+ de vós}, os que rides agora, porque estareis tristes e chorareis!

Ai, quando todos os homens disserem bem de vós, porque assim faziam aos falsos profetas os pais deles!»

Sal da terra

| Mt 5, 13 |

«Vós sois o sal da terra. Mas se o sal se tornar insosso, com que será salgado? Para nada mais presta, senão para ser lançado fora e ser pisado pelos homens».

Luz do mundo

| Mt 5, 14-16 |

«Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem acendem uma lâmpada e a colocam debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro; e brilha a todos que estão em casa. Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos Céus».

Perfeição da Lei

| Mt 5, 17-20 |

«Não penseis que vim destruir a Lei ou os Profetas; não vim destruir, mas cumprir. Porque, amém, digo-vos: até que passem o céu e a terra, não passará da Lei um só iota ou um só til, até que todas as coisas sejam feitas. Qualquer um, pois, que violar um destes mínimos mandamentos, e ensinar assim os homens, será chamado o menor no Reino dos Céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar, esse será chamado grande no Reino dos Céus.

Pois eu digo-vos que, se a vossa justiça não exceder a dos Escribas e dos Fariseus, não entrareis no Reino dos Céus».

Morte, ofensas e reconciliação

| Mt 5, 21-26 |

Ouvistes que foi dito aos antigos: 'Não matarás'; 'Quem, porém, matar será réu no juízo'.

Eu, porém, digo-vos que todo aquele que se irritar contra o seu irmão será réu no juízo; quem, porém, disser ao seu irmão: 'Raca', será réu diante do sinédrio; quem, porém, disser: 'Tolo', será réu do fogo da Geena.

Portanto, se estiveres a apresentar a tua oferta no altar, e aí te lembrares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai conciliar-te primeiro com o teu irmão, e então, vindo, apresenta a tua oferta.

Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele; para que o adversário não te entregue ao juiz e o juiz ao guarda, e sejas metido na prisão. Amém, digo-te: não sairás dali enquanto não pagares o último quadrante!»

Adultério, maus desejos e escândalo

| Mt 5, 27-30 |

«Ouvistes que foi dito {+ aos antigos}: 'Não cometerás adultério'.

Eu, porém, digo-vos que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já cometeu adultério com ela no seu coração.

Se, porém, o teu olho direito te escandaliza, arranca-o e lança-o para longe de ti; pois é melhor para ti que pereça um dos teus membros do que todo o teu corpo ser lançado na Geena. E se a tua mão direita te escandaliza, corta-a e lança-a para longe de ti; pois é melhor para ti que pereça um dos teus membros do que todo o teu corpo ir para a Geena».

Contra o divórcio

| Mt 5, 31-32 |

«Foi dito, porém: 'Quem repudiar a sua mulher, dê-lhe a separação'.

Eu, porém, digo-vos que todo aquele que repudiar a sua mulher, a não ser por causa de fornicação, a faz adúltera; e quem casar com a repudiada, comete adultério».

Contra o juramento

| Mt 5, 33-37 |

«Também ouvistes que foi dito aos antigos: 'Não jurarás falso, mas darás ao Senhor os teus juramentos'.

Eu, porém, digo-vos: Não jureis de maneira nenhuma, nem pelo Céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o escabelo dos seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei; nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes tornar um só cabelo branco ou preto.

Seja, porém, o vosso falar: 'sim', sim; 'não', não. O que, porém, passa daqui, é do Maligno».

Amar os inimigos

| Mt 5, 38-48 | Lc 6, 27-36 |

«Ouvistes que foi dito: 'Olho por olho e dente por dente'.

Eu, porém, digo-vos: Não resistir ao mau; mas, se qualquer um te ferir na {tua} face direita, apresenta-lhe também a outra; e ao que quiser processar-te e tomar a tua túnica, deixa-lhe também o manto; e, se qualquer um te angariar mil passos, vai com ele dois [mil].

A quem te pedir, dá [-lhe]; e ao que quiser que lhe emprestes, não voltes as costas.

Ouvistes que foi dito: 'Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo'.

Mas eu, porém, digo-vos a vós, que ouvis: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam e vos perseguem.

Ao que te bater numa face, oferece também a outra; e ao que te tira o manto, não recuses também a túnica. Dá a todo o que te pede; e ao que tira o que é teu, não reclames. E como quereis que os homens vos façam, fazei-lhes do mesmo modo, para que vos façais filhos do vosso Pai que está nos Céus; porque faz nascer o seu sol sobre maus e bons e chover sobre justos e injustos.

E se, pois, amardes (amais) os que vos amam, que graça existe para vós? (Que recompensa tendes?) Não fazem os Publicanos também o mesmo? Pois também os pecadores amam os que os amam.

E se fizerdes {pois} bem aos que vos fazem bem, que graça existe para vós? Também os pecadores fazem o mesmo.

E se emprestardes àqueles de quem esperais receber, que graça existe para vós? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para receberem outro tanto.

E se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis demais? Não fazem os gentios também o mesmo?

Pelo contrário, amai os vossos inimigos e fazei bem, e emprestai, sem esperar nada; e será grande a vossa recompensa, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno para com os ingratos e os maus.

Tornai-vos misericordiosos, como {também} o vosso Pai é misericordioso. Sede vós, pois, perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito».

Esmola e oração em segredo

| Mt 6, 1-8 |

«Acautelai-vos {porém}: não façais a vossa justiça perante os homens, para serdes vistos por eles; de outro modo, não tendes recompensa junto do vosso Pai, que está nos Céus.

Quando, pois, deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Amém, digo-vos: [já] receberam a sua recompensa.

Tu, porém, dando esmola, não saiba a tua esquerda o que faz a tua direita, para que a tua esmola seja em segredo; e o teu Pai, que vê em segredo, te retribuirá.

E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das avenidas, para serem vistos pelos homens. Amém, digo-vos: [já] receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando orares, entra no teu cubículo e, fechando a tua porta, ora ao teu Pai que está em segredo; e o teu Pai, que vê em segredo, te retribuirá.

Orando, porém, não useis de muito palavreado, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque o vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes».

Pai-Nosso e perdão das ofensas

| Mt 6, 9-15 |

«Vós, pois, orareis assim:

'Pai nosso, que estás nos Céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; seja feita a tua vontade, como no Céu, assim na terra.

Dá-nos hoje o pão nosso supersubstancial; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como também nós perdoamos aos nossos devedores; e não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal.'

Porque se perdoardes aos homens as ofensas deles, também o vosso Pai celeste vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens, nem o vosso Pai perdoará as vossas ofensas».

Jejum em segredo

| Mt 6, 16-18 |

«Quando, porém, jejuardes, não vos torneis tristes como os hipócritas; pois desfiguram os seus rostos, para que aos homens pareçam que jejuam. Amém, digo-vos: [já] receberam a sua recompensa.

Tu, porém, jejuando, unge a tua cabeça e lava o teu rosto, para não mostrar aos homens que jejuas, mas ao teu Pai, que está em segredo; e o teu Pai, que vê em segredo, te retribuirá».

Os verdadeiros tesouros

| Mt 6, 19-21 |

«Não junteis para vós tesouros na terra; onde a traça e a ferrugem os destroem, e onde os ladrões perfuram e roubam; mas juntai para vós tesouros no Céu, onde nem a traça nem a ferrugem os destroem, e onde os ladrões não perfuram nem roubam; pois onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração».

Parábola da lâmpada do corpo

| Mt 6, 22-23 |

«A lâmpada do corpo é o olho. Se, pois, o teu olho for simples, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, o teu olho for mau, todo o teu corpo será tenebroso. Se, pois, a luz que há em ti são trevas, quão grandes são as trevas!»

Não servir dois senhores

| Mt 6, 24 |

«Ninguém pode servir dois senhores: pois, ou odiará um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro. Não podeis servir Deus e Mamona [= a riqueza]».

Contra as preocupações deste mundo

| Mt 6, 25-34 |

«Por isso vos digo: Não estejais ansiosos para a vossa vida, com o que comereis {ou com o que bebereis}; nem, quanto ao vosso corpo, com o que vestireis. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que a roupa?

Olhai as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem juntam em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as. Não valeis vós muito mais do que elas? Qual de vós, porém, inquietando-se, pode acrescentar um só côvado à sua estatura?

E acerca da roupa, porque estais ansiosos? Considerai os lírios do campo, como crescem; não trabalham nem fiam; contudo digo-vos que nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles. Se Deus, porém, assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, [homens] de pouca fé?

Portanto, não vos inquieteis, dizendo: 'Que comeremos?' ou: 'Que beberemos?' ou: 'Com que nos vestiremos?' Pois os gentios procuram todas estas coisas. Porque o vosso Pai celeste sabe que precisais de tudo isso. Mas procurai primeiro o Reino {de Deus} e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

Não vos inquieteis, pois, com o amanhã; porque o amanhã se inquietará por si mesmo. Basta a cada dia o seu mal».

Não julgar ninguém

| Mt 7, 1-5 | Lc 6, 37-42 |

«E não julgueis, para não serdes julgados — e não sereis julgados: pois com o juízo com que julgardes, sereis julgados, e com a medida com que medirdes, será medido para vós — e não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. Dai e ser-vos-á dado: uma medida boa, cheia, apertada, transbordante, vos darão no vosso seio; pois com a medida com que medis, será medido para vós».

Disse-lhes, porém, também uma parábola: «Pode porventura um cego guiar outro cego? Não cairão ambos num buraco?

O discípulo não está acima do mestre; mas será perfeito todo o que for como o seu mestre.

Porque vês, porém, o argueiro no olho do teu irmão; a trave, porém, que está no teu olho, não notas? Como podes dizer, ou como dirás ao teu irmão: 'Irmão, deixa, tirarei o argueiro que está no teu olho, do teu olho'; e eis que está uma trave no teu olho, não vendo tu mesmo a trave no teu olho? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho; e então verás bem o argueiro que está no olho do teu irmão, para tirar o argueiro do olho do teu irmão».

Não profanar as coisas santas

| Mt 7, 6 |

«Não deis o que é santo aos cães, nem lanceis as vossas pérolas diante dos porcos, para que não as calquem com os seus pés e, voltando-se, vos despedacem».

Oração atendida

| Mt 7, 7-12 |

«Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede, recebe; e quem procura, encontra; e ao que bate, abrir-se-á.

Ou qual dentre vós é o homem que, se o seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se pedir peixe, lhe dará uma serpente?

Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai que está nos Céus dará boas coisas aos que lhe pedem?!

Portanto, tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-lhes também assim; porque esta é a Lei e os Profetas».

Entrar pela porta estreita

| Mt 7, 13-14 |

«Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta e espaçosa a via que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela! Quão estreita é a porta e apertada a via que conduz à Vida, e poucos são os que a encontram!»

Os falsos profetas

| Mt 7, 15-20 | Lc 6, 43-45 |

«Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós com roupas de ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.

Pelos frutos deles os conhecereis; porque não há árvore boa produzindo fruto mau, nem também árvore má produzindo fruto bom. Porque cada árvore se conhece pelo seu fruto. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Pois nem dos espinheiros se colhem figos, nem dos abrolhos se vindimam uvas.

Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir maus frutos; nem a árvore má produzir frutos bons.

Toda a árvore que não produz fruto bom é cortada e lançada no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.

O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem; e o [homem] mau, do mau [tesouro] tira o mal; pois da abundância do coração fala a sua boca».

Necessidade da prática

| Mt 7, 21-23 | Lc 6, 46 |

«Porque me chamais, porém: 'Senhor, Senhor', e não fazeis o que eu digo? Nem todo o que me diz: 'Senhor, Senhor', entrará no Reino dos Céus, mas o que faz a vontade do meu Pai, que está nos Céus.

Muitos me dirão naquele dia: 'Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome; e em teu nome expulsamos demônios; e em teu nome fizemos muitos milagres?' E então lhes direi claramente: 'Nunca vos conheci! Afastai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade'».

Construir sobre a rocha

| Mt 7, 24-27 | Lc 6, 47-49 |

«Todo o que vem a mim e ouve as minhas palavras e as cumpre, eu mostrar-vos-ei a quem é semelhante:

Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as cumpre, será semelhante a um varão prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha: É semelhante a um homem edificando uma casa, que cavou e aprofundou e pôs o fundamento sobre a rocha. E caiu a chuva e vieram os rios e sopraram os ventos, e investiram contra aquela casa; vindo, porém, a enchente, irrompeu o rio contra aquela casa, e não a pôde abalar e não caiu; porque tinha sido bem edificada: pois tinha sido fundada sobre a rocha.

E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as cumpre, será comparado a um varão insensato, que edificou a sua casa sobre a areia: O que, porém, ouviu e não cumpriu é semelhante ao homem edificando uma casa sobre terra sem fundamento. E caiu a chuva e vieram os rios e sopraram os ventos, e investiram contra aquela casa — contra a qual irrompeu o rio — e ela caiu logo; e tornou-se grande a derrocada daquela casa e era grande a sua ruína».

Fim do Sermão da Montanha e admiração da multidão

| Mt 7, 28-29; 8, 1 | Lc 7, 1a |

E aconteceu que, concluindo Jesus estas palavras, as multidões maravilhavam-se da sua doutrina; porque estava a ensiná-las como tendo autoridade, e não como os Escribas delas.

Descendo porém ele da montanha, seguiam-no numerosas multidões.

Cura do servo do centurião de Cafarnaum

| Mt 8, 5-13 | Lc 7, 1-10 |

Acabando, porém, todas as suas palavras aos ouvidos do povo, entrou em Cafarnaum.

Um servo, porém, de certo centurião, que lhe era precioso, estando doente, estava para morrer.

Ouvindo, porém, falar de Jesus, entrando ele em Cafarnaum, enviou-lhe anciãos dos Judeus, pedindo-lhe que, vindo, salvasse o seu servo (/ chegou junto dele o centurião, rogando-lhe e dizendo): «Senhor, o meu servo jaz em casa paralítico, horrivelmente atormentado». Vindo porém eles junto de Jesus, rogavam-lhe com instância, dizendo: «É digno de que lhe concedas isto; pois ama a nossa nação, e ele mesmo nos edificou a sinagoga...»

E [Jesus] diz-lhe: «Eu, indo, curá-lo-ei».

Jesus ia, pois, com eles. Mas, estando já não longe da casa, o centurião enviou uns amigos, dizendo-lhe (/ e o centurião, respondendo, afirmou): «Senhor, não te incomodes; porque não sou digno de que entres sob o meu teto; por isso eu nem sequer me julguei digno de ir até junto de ti; mas diz uma só palavra, e que o meu servo seja curado, e o meu servo será curado. Pois também eu sou homem sujeito à autoridade, tendo soldados às minhas ordens; e digo a este: 'Vai', e ele vai; e a outro: 'Vem', e ele vem; e ao meu servo: 'Faz isto', e ele faz».

Jesus, porém, ouvindo isso, admirou-se com ele e, voltando-se para a multidão que o seguia, disse aos que [o] seguiam: «Amém, digo-vos: Em ninguém, nem em Israel, encontrei tamanha fé! Digo-vos, porém, que muitos virão do Oriente e do Ocidente, e reclinar-se-ão à mesa de Abraão, Isaac e Jacob, no Reino dos Céus; mas os filhos do Reino serão lançados nas trevas exteriores! Ali haverá choro e ranger de dentes».

E disse Jesus ao centurião: «Vai-te, e seja-te feito como acreditaste». E o servo {dele} sarou naquela hora.

E voltando para casa os que tinham sido enviados, encontraram o servo curado.

Ressurreição do filho da viúva de Naim

| Lc 7, 11-17 |

E aconteceu que, dirigindo-se em seguida para uma cidade chamada Naim, iam com ele os seus discípulos e uma grande multidão.

Quando chegou perto da porta da cidade, eis que era levado um defunto, filho único da sua mãe, e esta era viúva; e com ela estava uma numerosa multidão da cidade.

E o Senhor, vendo-a, moveu-se de compaixão por ela e disse-lhe: «Não chores».

E, aproximando-se, tocou no esquife. Os que o levavam pararam. E [Jesus] disse: «Jovem, digo-te: Levanta-te». E o que estivera morto sentou-se e começou a falar. E [Jesus] entregou-o à sua mãe.

O medo, porém, tomou-os a todos, e enalteciam a Deus, dizendo: «Um grande profeta levantou-se entre nós!» e «Deus visitou o seu povo!»

E espalhou-se esta palavra acerca dele por toda a judéia e por toda a região em volta.

Resposta a João Baptista

| Mt (11, 2-6 | Lc 7, 18-23 |

E anunciaram a João os discípulos dele todas estas coisas.

João, porém, ouvindo, na prisão, falar das obras de Cristo, e chamando dois dos seus discípulos, enviando por {+ dois} seus discípulos, enviou ao Senhor, dizendo (disse)-lhe: «És tu o que está para vir, ou temos de esperar outro?»

Quando chegaram junto dele, os varões disseram: «João Baptista enviou-nos a ti, dizendo: 'És tu o que está para vir, ou temos de esperar outro?'»

Naquela mesma hora, curou a muitos de doenças, de moléstias e de espíritos malignos; e deu vista a muitos cegos.

E respondendo, Jesus disse-lhes: «Indo, anunciai a João o que ouvis e vedes (o que vistes e ouvistes): 'Os cegos vêem e os coxos andam, os leprosos são purificados e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados'. E bem-aventurado aquele que não se escandalizar de mim!»

Elogio de João Baptista

| Mt 11, 7-15 | Lc 7, 24-30 |

Tendo-se retirado, porém, os mensageiros de João, partindo, porém, eles, Jesus começou a dizer às multidões a respeito de João: «Que saístes a ver no deserto? Uma cana agitada pelo vento? Mas que saístes a ver? Um homem vestido de roupas delicadas? Eis que os que se vestem de roupas delicadas, que andam com preciosas roupas e em delícias, estão nas casas dos reis (nos palácios reais)!

Mas porque saístes a ver? Um profeta? Sim, digo-vos, e mais do que profeta. Este é aquele de quem está escrito: 'Eis que envio o meu mensageiro diante a tua face, que preparará o teu caminho diante de ti'. Amém, digo-vos: Não se levantou, entre os nascidos de mulheres, maior do que João Baptista. Maior do que João, entre os nascidos de mulheres, não existe ninguém. Mas aquele que é o menor no Reino de Deus (no Reino dos Céus) é maior do que ele.

Desde os dias de João Baptista, porém, até agora, o Reino dos Céus sofre violência e os violentos assaltam-no. Pois todos os Profetas e a Lei profetizaram até João. E se quereis aceitar, este é o Elias que está para vir.

Quem tem ouvidos {+ para ouvir}, ouça.

E todo o povo, ouvindo, e os Publicanos, reconheceram a justiça de Deus, sendo batizados com o batismo de João. Mas os Fariseus e os doutores da Lei desprezaram o conselho de Deus, em si mesmos, não sendo batizados por ele».

Julgamento de Jesus sobre a sua geração

| Mt 11, 16-19 | Lc 7, 31-35 |

{+ Disse porém o Senhor:} «A quem, porém, compararei esta geração? A quem, pois, compararei os homens desta geração, e a quem são semelhantes? São semelhantes (é semelhante) aos meninos sentados nas praças (na praça) e clamando entre si, que, clamando uns aos outros, dizem (diz): 'Tocamos flauta para vós e não dançastes; lamentamo-nos e não batestes no peito e não chorastes'.

Porque veio João Baptista, não comendo pão nem bebendo vinho, e dizeis (dizem): 'Tem demônio'. Veio o Filho do Homem, comendo e bebendo, e dizeis (dizem): 'Eis um homem comilão e bebedor de vinho, amigo de Publicanos e de pecadores'! E a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos, pelas suas obras».

Maldição das cidades do lago

| Mt 11, 20-24 |

Então começou ele a verberar contra as cidades nas quais se fizera a maior parte dos milagres dele, por não se terem arrependido:

«Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se em Tiro e em sidônia se tivessem feito os milagres que em vós se fizeram, há muito elas se teriam arrependido com cilício e com cinza!

Contudo, eu digo-vos que para Tiro e sidônia haverá menos rigor, no dia do Juízo, do que para vós.

E tu, Cafarnaum, porventura serás elevada até ao céu? Até ao Inferno serás precipitada; porque, se em Sodoma se tivessem feito os milagres que em ti se fizeram, ela teria permanecido até hoje.

Contudo, eu vos digo que para a terra de Sodoma haverá menos rigor, no dia do Juízo, do que para ti!»

O Evangelho revelado aos simples

| Mt 11, 25-27 |

Naquele tempo, respondendo, Jesus disse: «Graças te dou, Pai, Senhor do Céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e aos entendidos, e as revelaste aos pequeninos! Sim, Pai, porque assim se tornou de bom agrado perante ti.

Todas as coisas me foram entregues pelo meu Pai; e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar».

Jesus manso e humilde

| Mt 11, 28-30) |

«Vinde a mim, todos os que trabalhais e estais sob fardo, e eu aliviar-vos-ei!

Tomai o meu jugo sobre vós, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve!»

A pecadora arrependida

| Lc 7, 36-50 |

Um dos Fariseus, porém, pediu-lhe para comer com ele; e entrando em casa do fariseu, reclinou-se à mesa.

E eis que uma mulher pecadora, que existia na cidade, e conhecendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, tendo trazido um alabastro de ungüento, e estando por trás, aos pés dele, chorando, começou a regar os pés dele com lágrimas e a enxugá-los com os cabelos da sua cabeça; e beijava os pés dele e ungia-os com o ungüento.

Vendo, porém, o fariseu que o convidara disse consigo, dizendo: «Este, se fosse profeta, saberia quem e de que qualidade é a mulher que o toca, que é uma pecadora!...»

E respondendo, Jesus disse-lhe: «Simão, tenho uma coisa para te dizer». Mas ele: «Mestre, diz», disse.

«Certo credor tinha dois devedores; um devia quinhentos denários, e outro, cinqüenta. Não tendo eles donde pagar, perdoou a ambos. Qual deles, pois, o amará mais?» Respondendo, Simão disse: «Suponho que aquele a quem mais perdoou...» Mas ele disse-lhe: «Julgaste bem».

E, voltando-se para a mulher, afirmou a Simão: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa; não me deste água para os pés; mas esta, com lágrimas regou os meus pés, e com os seus cabelos enxugou-os. Não me deste ósculo; ela, porém, desde que entrei, não cessou de beijar os meus pés. Não ungiste a minha cabeça com óleo; mas esta com ungüento ungiu os meus pés. Por isso te digo: São-lhe perdoados os seus muitos pecados, porque amou muito; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama».

Disse, porém, a ela: «São perdoados os teus pecados».

E os que estavam com ele à mesa começaram a dizer entre si: «Quem é este, que até perdoa pecados?!»

[Jesus] disse, porém, à mulher: «A tua fé salvou-te: vai em paz!»

Mulheres que acompanham Jesus

| Lc 8, 1-3 |

E aconteceu que, em seguida, também ele andava por cidade e aldeia, pregando e anunciando o Evangelho do Reino de Deus; e os Doze com ele, e algumas mulheres que tinham sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; e Joana, mulher de Cusa, procurador de Herodes; e Susana; e muitas outras que os {// o} serviam com os seus bens.

Os parentes de Jesus procuram-no

| Mc 3, 20-21 |

E vêm a casa. E junta-se outra vez a multidão, de modo que eles não podiam nem comer pão.

E, tendo ouvido, os seus [familiares] saíram para o deter; porque diziam: «Está fora de si!...»

Cura de um possesso cego e mudo

| Mt (12, 22-23 |

Então, foi-lhe trazido um possesso cego e mudo; e ele curou-o, de modo que o mudo falava e via.

E todas as multidões, maravilhavam-se e diziam: «Porventura, é este o Filho de David?»

Jesus e Belzebu

| Mt 12, 24-30 | Mc 3, 22-27 |

Mas os Fariseus, ouvindo, disseram: «Este não expulsa os demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios!» E os escribas que tinham descido de Jerusalém diziam: «Tem Belzebu!» e «É pelo príncipe dos demônios que expulsa os demônios!»

Conhecendo, porém, [Jesus] os sentimentos deles, e chamando-os, disse (dizia)-lhes em parábolas: «Como pode Satanás expulsar Satanás?

E se um reino se divide contra si mesmo, esse reino não pode subsistir; e se uma casa se divide contra si mesma, essa casa não poderá subsistir: Todo o reino dividido contra si mesmo será destruído; e toda a cidade ou casa, dividida contra si mesma, não subsistirá.

E se Satanás se levanta contra si mesmo e expulsa Satanás, está dividido contra si mesmo; como subsistirá, pois, o seu reino? Não pode subsistir, mas tem fim.

E se eu expulso, pois, os demônios por Belzebu, por quem os expulsam os vossos filhos? Por isso, eles serão os vossos juízes. Mas, se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, então, chegou a vós o Reino de Deus.

Ou como pode alguém entrar na casa de um [homem] forte e roubar-lhe os bens, se primeiro não amarrar o [homem] forte? Mas ninguém pode entrar na casa do [homem] forte e roubar-lhe os bens, se antes não prender o [homem] forte; e então saqueará a sua casa.

Quem não é comigo é contra mim; e quem não junta comigo, espalha».

Blasfêmia contra o Espírito Santo

| Mt 12, 31-32 | Mc 3, 28-30 |

«Por isso, amém, digo-vos que tudo será perdoado aos filhos dos homens, os pecados e as blasfêmias com que blasfemarem. Todo o pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; porém, a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada.

E se qualquer um disser uma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado; aquele, porém, que disser contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro! Aquele, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre, mas é réu de pecado eterno!...»

Porque diziam: «Ele tem um espírito imundo!»

Árvore boa e fruto bom

| Mt 12, 33-37 |

«Ou fazei a árvore boa e o seu fruto bom; ou fazei a árvore má e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore.

Raça de víboras, como podeis vós dizer coisas boas, sendo maus? Pois a boca fala da abundância do coração. O homem bom, do bom tesouro, tira coisas boas; e o homem mau, do mau tesouro, tira coisas más.

Digo-vos, porém, que de toda a palavra ociosa que os homens disserem, darão conta dela no dia do Juízo, porque pelas tuas palavras serás justificado e pelas tuas palavras serás condenado».

O sinal de Jonas e a rainha do Sul

| Mt 12, 38-42 |

Então, responderam-lhe alguns dos Escribas e dos Fariseus, dizendo: «Mestre, queremos ver um sinal de ti».

Mas ele, respondendo, disse-lhes: «Uma geração má e adúltera procura um sinal; e não lhe será dado sinal, senão o sinal do profeta Jonas. Pois, como Jonas esteve no ventre do cetáceo três dias e três noites, assim estará o Filho do Homem no coração da terra três dias e três noites.

Os varões ninivitas levantar-se-ão no Juízo com esta geração, e condená-la-ão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis aqui quem é mais do que Jonas.

A rainha do Sul levantar-se-á no Juízo com esta geração, e condená-la-á; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis aqui quem é mais do que Salomão».

Volta do espírito impuro

| Mt 12, 43-45 |

«Tendo, porém, o espírito imundo saído do homem, deambula por lugares áridos, procurando repouso, e não o encontra. Então diz: 'Voltarei para a minha casa, donde saí'.

E, vindo, encontra-a vazia, varrida e adornada. Então vai e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, habitam ali; e o último estado desse homem torna-se pior do que o primeiro.

Assim será também para esta geração má».

Quem são os verdadeiros parentes de Jesus

| Mt 12, 46-50 | Mc 3, 31-35 | Lc (8, 19-21) |

E falando ainda ele às multidões, eis que chegaram (vem), porém, ter com ele a sua mãe e os seus irmãos, e não podiam aproximar-se dele por causa da multidão. Estavam de fora, e, estando de fora, procurando falar-lhe, mandaram chamá-lo. E a multidão estava sentada ao redor dele.

Foi-lhe, porém, anunciado e dizem-lhe ({disse-lhe, porém, alguém}): «Eis que a tua mãe e os teus irmãos {e as tuas irmãs}, de fora, procuram-te: estão de fora, querendo ver-te, procurando falar contigo».

E ele, porém, respondendo-lhes, disse (diz) ao que lhe falava: «Quem é a minha mãe e quem são os meus irmãos?» E, estendendo a sua mão para os seus discípulos, e olhando em redor os que estavam sentados à roda dele, disse (diz)-lhes: «Eis a minha mãe e os meus irmãos: Minha mãe e meus irmãos são estes que ouvem a palavra de Deus e a observam. Pois quem (o que) fizer a vontade de Deus, meu Pai, que está nos Céus, esse (ele) é meu irmão, [minha] irmã e [minha] mãe».

Sermão das Parábolas

Introdução às parábolas

| Mt 13, 1-3 | Mc 4, 1-2 | Lc 8, 4 |

Naquele dia, tendo Jesus saído de casa, sentou-se junto ao mar; e novamente começou a ensinar junto ao mar.

E juntaram-se a ele grandes multidões (juntou-se a ele numerosa multidão), de modo que ele, subindo para um barco, sentou-se nele, sobre o mar; e toda a multidão estava em pé na praia: estavam junto ao mar em terra.

Juntando-se, porém, uma grande multidão, e de cada uma das cidades vinham ter com ele, falou-lhes muitas coisas e ensinava-lhes muitas coisas por parábolas.

Parábola do semeador

| Mt 13, 3-9 | Mc 4, 2-9 | Lc 8, 5-8 |

(Mt.: plural / Mc. e Lc.: singular)

E disse (dizia)-lhes na sua doutrina, por parábola, dizendo:

«Ouvi: Eis que saiu o semeador a semear a sua semente.

E aconteceu que, semeando ele, alguma (/ algumas) caiu à beira do caminho: e foi pisada, e vieram (vindo) as aves do céu e comeram-na (/-nas).

E outra (/ outras), porém, caiu sobre os locais pedregosos (o local pedregoso), sobre pedra, onde não havia muita terra: e logo (imediatamente) nasceu, porque não tinha altura de terra; e quando nasceu o sol (nascido, porém, o sol), queimou-se; e, porque não tinha raiz, tendo nascido, secou, porque não havia umidade.

E outra (/ outras), porém, caiu nos espinhos (sobre os espinhos, no meio dos espinhos): e subiram os espinhos e, crescendo simultaneamente, os espinhos sufocaram-na (/-nas) e não deu fruto.

E outra (outras), porém, caiu em terra boa (sobre a terra boa): e tendo nascido, dava (fez) fruto ao cêntuplo, subindo e crescendo; e produziam: um, trinta, e outro, sessenta, e outro, cem (um, cem; outro, sessenta; outro, porém, trinta)».

Dizendo isto, clamava e dizia: «Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!»

O porquê das parábolas

| Mt 13, 10-15 | Mc 4, 10-12 | Lc 8, 9-10 |

E quando estava só, interrogaram-no os que estavam ao redor dele, com os Doze, acerca das parábolas. Aproximando-se, interrogavam-no, porém, os seus discípulos, sobre o que era esta parábola. Disseram-lhe: «Porque lhes falas em parábolas?»

E ele, porém, respondendo, disse (dizia)-lhes: «Porque a vós é dado conhecer os mistérios (o mistério é dado) do Reino de Deus (do Reino dos Céus); a eles, porém, aos outros, os que estão de fora, não é dado: todas as coisas se fazem em parábolas; para que, olhando, (não) olhem e não vejam, e, ouvindo, ouçam e não compreendam, para que não se convertam e não lhes seja perdoado.

Pois, ao que tem, será dado e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. Por isso lhes falo em parábolas: porque, olhando, não vêem, e, escutando, não ouvem nem compreendem.

E cumpre-se neles a profecia de Isaías, a que dizia: 'Ouvindo, ouvireis e não entendereis; e, vendo, vereis e não percebereis. Porque o coração deste povo endureceu, e com os ouvidos ouviram com dificuldade e fecharam os olhos, para que não vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, nem entendam com o coração, nem se convertam, e eu os cure'».

Felicidade dos discípulos

| Mt 13, 16-17 |

«Mas bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem. Pois, amém, digo-vos que muitos Profetas e justos desejaram ver o que vedes e não o viram; e ouvir o que ouvis, e não ouviram!»

Explicação da parábola do semeador

| Mt 13, 18-23 | Mc 4, 13-20 | Lc 8, 11-15 |

(Mt.: singular / Mc. e Lc.: plural)

E [Jesus] diz-lhes: «Não percebeis esta parábola? E como entendereis todas as parábolas?

Ouvi, pois, vós a parábola do semeador. É, porém, esta a parábola:

A semente é a palavra de Deus. O semeador semeia a palavra.

Estes, porém, são os que estão à beira do caminho, onde a palavra é semeada: são os que ouvem e, quando ouvem, de seguida, imediatamente, vem Satanás (o Diabo) e tira a palavra semeada neles do coração deles, para que não se salvem, acreditando. A todo [o homem] ouvindo a palavra do Reino e não entendendo, vem o Mau e tira o que foi semeado no coração dele: este é o que foi semeado à beira do caminho.

E estes são {+ igualmente} os que, porém, são semeados sobre lugares pedregosos (sobre pedra): são os que, ouvindo a palavra, imediatamente com alegria recebem a palavra (tomam-na); e não têm raiz em si mesmos, mas são temporários: os que acreditam até um tempo, depois, vindo a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandalizam, e no tempo da tentação desviam-se. (/ O que, porém, foi semeado sobre lugares pedregosos: este é o que, ouvindo a palavra e imediatamente a recebendo com alegria, não tem, porém, raiz em si mesmo, mas é temporário: vindo a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza.)

E outros são os que foram semeados nos espinhos (o que, porém, caiu nos espinhos): estes são os que ouvem a palavra; e os cuidados do mundo e a sedução da riqueza e as múltiplas cobiças, entrando, sufocam a palavra, e fica sem fruto; e, indo, ficam sufocados pelos cuidados e riquezas e prazeres da vida, e não chegam a amadurecer. (/ O que, porém, foi semeado nos espinhos: este é o que ouve a palavra; e o cuidado do mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra, e fica sem fruto.)

E estes são os que foram semeados em terra boa (aquilo, porém, que está em boa terra): estes são os que, com coração rato e bom, ouvem a palavra; e, tendo ouvido a palavra, recebem e retêm e dão fruto com perseverança: um, trinta, e outro, sessenta, e outro, cem. (/ O que, porém, foi semeado em boa terra: este é o que ouve a palavra e entende: que dá fruto; e um produz cem; outro, sessenta; outro, porém, trinta)».

Parábola da lâmpada

| Mc 4, 21-25 | Lc 8, 16-18 |

E dizia-lhes: «Porventura, vem a lâmpada para que seja posta debaixo do alqueire, ou debaixo da cama? Não é antes para que seja posta no candelabro? Ninguém, porém, acendendo uma lâmpada, a cobre com um vaso ou a põe debaixo da cama; mas põe-na no candelabro, para que os que entram vejam a luz.

Porque não há nada oculto, senão para ser manifestado (que não seja manifestado); nem feito em segredo, (mas) que não seja conhecido e que não venha a ser manifesto.

Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça».

E dizia-lhes: «Vede o que ouvis. Com a medida com que medis vos será medido, e ser-vos-á acrescentado. Vede, pois, como ouvis; porque a quem tem lhe será dado; e a quem não tem, mesmo o que tem — o que pensa ter — lhe será tirado».

Parábola da semente que cresce por si

| Mc 4, 26-29 |

E dizia: «Assim é o Reino de Deus, como se um homem lançasse a semente à terra, e dormisse e se levantasse de noite e de dia, e a semente germinasse e crescesse, sem ele saber.

A terra produz fruto por si mesma: primeiro a erva, depois a espiga e, por último, o trigo cheio na espiga. Assim que se produzir o fruto, porém, logo lhe mete a foice, porque chega a ceifa».

Parábola da boa semente e do joio

| Mt 13, 24-30 |

Propôs-lhes outra parábola, dizendo: «O Reino dos Céus tornou-se semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo.

Mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou joio no meio do trigo, e retirou-se.

Quando, porém, a erva cresceu e deu fruto, então apareceu também o joio.

Vindo, porém, os servos do dono da casa disseram-lhe: 'Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio?' Ele, porém, afirmou-lhes: 'Um homem inimigo fez isto'. Os servos, porém, dizem-lhe: 'Queres, pois, que, indo, o arranquemos?' Ele, porém, disse: 'Não; para que, colhendo o joio, não arranqueis com ele o trigo. Deixai crescer ambos até à ceifa; e, no tempo da ceifa, direi aos ceifeiros: colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; o trigo, porém, recolhei-o no meu celeiro'».

Parábola do grão de mostarda

| Mt 13, 31-32 | Mc 4, 30-32 |

Propôs-lhes outra parábola, e dizia, dizendo: «A que assemelharemos o Reino de Deus, ou em que parábola o colocaremos?

O Reino dos Céus é semelhante a (como) um grão de mostarda, que um homem, tomando, semeou no seu campo: que, quando se semeia na terra, é, pois, a menor de todas as sementes que existem na terra; e, tendo sido semeado, cresce e, quando cresceu, faz-se (é) a maior de todas as hortaliças; e cria grandes ramos, de modo que as aves do céu possam habitar debaixo da sua sombra; e torna-se árvore, para que as aves do céu venham e habitem nos seus ramos».

Parábola do fermento

| Mt 13, 33 |

Disse-lhes outra parábola: «O Reino dos Céus é semelhante ao fermento que uma mulher, tomando, escondeu em três medidas de farinha, até ficar tudo fermentado».

Primeira conclusão das parábolas

| Mt 13, 34-35 | Mc 4, 33-34 |

Todas estas coisas disse Jesus às multidões em parábolas. E com muitas parábolas tais, falava-lhes a palavra, conforme podiam ouvir. E sem parábola, porém, nada (não) lhes falava; mas em particular explicava tudo aos seus discípulos.

Para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta, dizendo: «Abrirei em parábolas a minha boca; publicarei coisas ocultas desde a criação {do mundo}».

Explicação da parábola do joio

| Mt 13, 36-43 |

Então, deixando as multidões, veio para casa.

E aproximaram-se dele os seus discípulos, dizendo: «Explica-nos a parábola do joio do campo».

Ele, porém, respondendo, disse: «O que semeia a boa semente é o Filho do Homem; o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do Reino; o joio são os filhos do Maligno; o inimigo que o semeou é o Diabo; a ceifa é a consumação do século; os ceifeiros, porém, são os anjos.

Pois assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação do século. O Filho do Homem enviará os seus anjos, e eles juntarão do seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniqüidade, e lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos resplandecerão como o sol, no reino do seu Pai.

Quem tem ouvidos {+ para ouvir}, ouça».

Parábola do tesouro, da pérola e da rede

| Mt 13, 44-51 |

«O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido no campo, que um homem, ao descobri-lo, esconde; e, pela sua alegria, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo.

O Reino dos Céus é, ainda, semelhante a um homem negociante, procurando boas pérolas. Encontrando, porém, uma pérola de grande valor, indo, vendeu tudo quanto tinha e comprou-a.

Igualmente, o Reino dos Céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, que junta toda a espécie [de peixes]. Quando está cheia, puxaram-na para a praia; e, sentando-se, puseram os bons em vasos; os maus, porém, lançaram fora. Assim será na consumação do século: sairão os anjos, e separarão os maus do meio dos justos, e lançá-los-ão na fornalha de fogo: ali haverá choro e ranger de dentes.

Entendestes todas estas coisas?» Dizem-lhe [os discípulos]: «Sim».

Segunda conclusão das parábolas

| Mt 13, 52-53) |

Ele, porém, disse-lhes: «Por isso, todo o escriba instruído no Reino dos Céus é semelhante a um homem dono da casa, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas».

E aconteceu que, tendo Jesus concluído estas parábolas, retirou-se dali.

Condições para seguir Jesus

| Mt 8, 18-22 | Mc 4, 35 | Lc 8, 22 |

Aconteceu porém que, num dos dias, vendo, porém, Jesus a multidão {// numerosas multidões} ao redor de si, entrou ele num barco e os seus discípulos, e disse-lhes (diz-lhes) naquele dia, chegada a tarde: «Passemos para a outra margem do lago». (Mandou passar para o outro lado).

E, aproximando-se, um escriba disse-lhe: «Mestre, seguir-te-ei para onde quer que vás». E diz-lhe Jesus: «As raposas têm covas e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça!»

Outro dos {seus} discípulos, porém, disse-lhe: «Senhor, permite-me ir primeiro e sepultar o meu pai». Jesus, porém, diz-lhe: «Segue-me, e deixa os mortos sepultar os seus mortos!»

A tempestade acalmada

| Mt 8, 23-27 | Mc 4, 36-41 | Lc 8, 22-25 |

E subiram. E subindo ele para o barco, os seus discípulos seguiram-no; e, deixando a multidão, levaram-no consigo, assim como estava, no barco. E outros barcos estavam com ele.

Navegando eles, porém, adormeceu.

E eis que se fez uma grande agitação no mar: Faz-se (desceu) um grande turbilhão de vento no lago, e as ondas metiam-se no barco, de modo que o barco já se enchia, de modo que o barco era coberto com as ondas; e enchiam-se de água e estavam em perigo. E ele, porém, dormia: estava na popa, dormindo sobre a almofada.

E aproximando-se, porém, {+ os seus discípulos} despertaram (despertam)-no e dizem-lhe, dizendo: «Mestre, Mestre, Senhor, salva-nos: nós perecemos! Mestre, não se te dá que pereçamos?» E [Jesus] diz-lhes: «Porque estais medrosos, [homens] de pouca fé?»

E então ele, porém, levantando-se (erguendo-se), repreendeu os ventos e o mar: repreendeu o vento e a tempestade da água e disse ao mar: «Cala-te, acalma-te!» E cessaram, e cessou o vento e fez-se grande bonança.

E [Jesus] disse-lhes, porém: «Porque estais medrosos? Ainda não tendes fé? Onde está a vossa fé?»

E os homens, porém, temeram com grande temor e, temendo, admiraram-se e diziam, dizendo uns aos outros: «Quem é este, porventura (qual é este), que até manda aos ventos e à água, e os ventos (o vento) e o mar obedecem-lhe?!»

O(s) possesso(s) e os porcos

| Mt 8, 28-34; 9, 1 | Mc 5, 1-21 | Lc 8, 26-40 |

(Mt.: 2 possessos / Mc. e Lc.: 1 possesso)

E chegaram à outra margem do mar e desembarcaram na região dos Gerasenos {// dos Gergesenianos}, que está defronte da Galileia.

E saindo ele do barco, ao sair, porém, ele para terra, ocorreu-lhe logo, dos sepulcros, um varão da cidade, possesso de demônios (um homem com espírito imundo); e já há muito tempo não vestia roupa, nem permanecia em casa mas que tinha a sua morada nos sepulcros. E nem já com cadeias podia alguém prendê-lo; porque, muitas vezes, tendo sido preso com cadeias e grilhões, as cadeias foram por ele rompidas e os grilhões despedaçados; e ninguém o podia domar; e sempre, de noite e de dia, andava pelos sepulcros e pelos montes, gritando e ferindo-se com pedras. (/ E tendo ele chegado à outra margem, à região dos Gadarenos, ocorreram-lhe dois demoníacos, vindos dos sepulcros, muito ferozes, de modo que ninguém podia passar por aquele caminho.)

E vendo, porém, Jesus de longe, exclamando, correu e prostrou-se diante dele e adorou-o, e, clamando com grande voz, disse (diz): «Que há entre mim e ti, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Peço-te... conjuro-te por Deus: não me atormentes!» (/ E eis que clamaram, dizendo: «Que há entre nós e ti, Filho de Deus? Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?»)

Ordenava, pois, ao espírito imundo que saísse do homem; pois dizia-lhe: «Sai do homem, espírito imundo!» (Pois por muitos tempos se apoderara dele; e era guardado preso com cadeias e grilhões e, rompendo as cadeias, era levado pelo demônio para os desertos).

E Jesus, porém, interrogou (interrogava)-o: «Qual é o teu nome?» E ele, porém, disse (diz)-lhe: «Legião é o meu nome, porque somos muitos». Porque tinham entrado nele muitos demônios. E rogavam (rogava)-lhe muito que não os enviasse para fora da região, para que não os mandasse ir para o abismo.

Havia, porém, ali, longe deles, em torno do monte, uma grande manada de muitos (numerosos) porcos, pastando no monte. E os demônios, porém, rogaram (rogavam)-lhe que lhes permitisse entrar neles, dizendo: «Se nos expulsas, envia-nos para a vara de porcos... Manda-nos para os porcos, para que entremos neles». E concedeu-lhes {+ Jesus imediatamente} e disse-lhes: «Ide».

E tendo saído, porém, os demônios, os espíritos imundos, do homem, entraram (foram) para os porcos. E eis que se precipitou toda a vara, de uns dois mil, pelo precipício, no mar (no lago), e afogaram-se (afogou-se) no mar e morreram nas águas.

E vendo, porém, o acontecido, aqueles que os apascentavam fugiram e, tendo vindo à cidade, anunciaram tudo na cidade e nos campos (/ e acerca dos demoníacos).

Saíram, porém, e vieram ver o que tinha acontecido; e eis que toda a cidade saiu ao encontro de Jesus. E vieram (vêm) ter com Jesus; e encontraram e vêem o demoníaco sentado, o homem de quem tinham saído os demônios, vestido e em perfeito juízo (o que tivera a legião), aos pés de Jesus; e temeram. Anunciaram e narraram-lhes, porém, os que tinham visto, como fora curado o demoníaco (como tinha acontecido ao demoníaco), e acerca dos porcos.

E, tendo-o visto, rogaram-lhe que se afastasse dos territórios deles: começaram a rogar-lhe que se retirasse dos territórios deles; e toda a multidão da região dos Gerasenos {// dos Gergesenianos} rogou-lhe que se afastasse deles, porque estavam possuídos de grande medo. E ele, porém, subindo para o barco, atravessou, voltou e veio para a sua cidade [de Cafarnaum].

E subindo ele para o barco, suplicava-lhe o demoníaco, rogava-lhe, porém, o varão de quem tinham saído os demônios, que estivesse com ele (para estar com ele). E [Jesus] não lho permitiu; despediu-o, porém, mas diz-lhe, dizendo: «Vai: volta para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes e narra quanto te fez o Senhor Deus, e como teve misericórdia de ti».

E ele foi proclamando por toda a cidade, e começou a proclamar na Decápole tudo o que Jesus lhe havia feito. E todos se admiravam.

E quando, porém, Jesus voltou (tendo atravessado Jesus outra vez {no barco} para o outro lado), juntou-se a ele uma grande multidão, e ele estava junto do mar. A multidão recebeu-o, pois todos o esperavam.

Cura da hemorroíssa e ressurreição da filha de Jairo

| Mt 9, 18-26 | Mc 5, 22-43 | Lc 8, 41-56 |

E, enquanto lhes dizia estas coisas, eis que vem um dos chefes da sinagoga, de nome Jairo: veio um varão, cujo nome era Jairo, e ele era um chefe da sinagoga. Tendo vindo e tendo-o visto, prostrou-se aos pés de Jesus e, tendo-se prostrado aos pés dele, adorava-o: rogava-lhe que entrasse em sua casa, porque tinha uma filha única, de cerca de doze anos, e ela estava a morrer. E rogava-lhe muito, dizendo: «A minha filhinha está nas últimas; vem, impõe as mãos sobre ela, para que sare e viva! A minha filha faleceu agora; mas vem, impõe a tua mão sobre ela, e viverá!»

E levantando-se, Jesus seguia-o e os seus discípulos e foi com ele. E enquanto ele ia, porém, seguia-o uma grande multidão e comprimia-o (as multidões apertavam-no).

E eis que uma mulher hemorroíssa, que tinha um fluxo de sangue, havia doze anos, e tinha sofrido muito de numerosos médicos e gastara tudo o que era dela (que {em médicos gastara todos os bens} não pôde ser curada por ninguém, nada tendo aproveitado, mas indo para pior), tendo ouvido falar a respeito de Jesus, vindo por entre a multidão, chegando-se por trás, tocou a orla do manto dele. Dizia, pois, dentro de si: «Se eu tocar apenas a roupa dele (ao menos as roupas dele), serei salva». E, imediatamente, parou o fluxo e logo secou a fonte do seu sangue, e sentiu no corpo que estava curada da doença.

E logo Jesus, percebendo em si mesmo uma força que saíra dele, virando-se para a multidão, disse (dizia): «Quem é o que me tocou? Quem tocou as minhas roupas?»

Negando todos, porém, disse Pedro {+ e os que estavam com ele}: «Mestre, as multidões apertam-te e oprimem-te!...» E diziam-lhe os seus discípulos: «Vês que a multidão te aperta e dizes: 'Quem me tocou?'!»

Disse, porém, Jesus: «Alguém me tocou; pois eu conheci que uma força saiu de mim!» E olhava em redor para ver a que fizera isto.

A mulher, porém, vendo que não ficou oculta, temendo e tremendo, sabendo o que nela tinha acontecido, veio e prostrou-se (prostrando-se) diante dele e disse-lhe toda a verdade: declarou perante todo o povo a causa por que lhe havia tocado e como fora imediatamente curada.

Jesus, porém, voltando-se e vendo-a, disse-lhe: «Tem confiança, filha: a tua fé salvou-te. Vai (passa) em paz e sê curada da tua enfermidade». (E a mulher foi salva desde aquela hora).

Ainda ele falava, vêm do chefe da sinagoga: vem um [homem] da parte do chefe da sinagoga, dizendo (dizendo eles): «A tua filha morreu. Porque incomodas ainda o Mestre? Não incomodes mais o Mestre...»

Jesus, porém, ouvindo a palavra que era dita, diz ao chefe da sinagoga (respondeu-lhe): «Não temas: acredita somente, e será salva».

E não permitiu que alguém o seguisse, a não ser Pedro, Tiago, e João, irmão de Tiago.

E vêm a casa do chefe da sinagoga; e vê o tumulto e os que choram e fazem grandes prantos. E chegando, porém, Jesus a casa do chefe, e vendo os flautistas e a multidão alvoroçada, não deixou ninguém entrar com ele, senão Pedro, João e Tiago, e o pai da criança e a mãe. Todos, porém, choravam e se lamentavam por ela.

E tendo entrado, ele, porém, disse (dizia, diz)-lhes: «Porque vos alvoroçais e chorais? Não choreis. Retirai-vos, porque não morreu a menina (a criança não morreu), mas dorme!» E riam-se dele, sabendo que ela estava morta.

Ele, porém, tendo feito sair a todos, posta fora a multidão, toma consigo o pai da criança e a mãe e os que estavam com ele, e entra onde estava a criança.

Ele, porém, tendo entrado, tomou a mão da criança e, tomando a mão dela, clamou, dizendo (diz)-lhe: «Talitha, kum {// kumi}» (que, traduzido, é: «Menina (criança), digo-te: levanta-te»). E o seu espírito voltou. E a menina ergueu-se (levantou-se) logo, imediatamente, e andava, pois tinha doze anos. E [Jesus] mandou dar de comer a ela.

E {logo} foram tomados de grande espanto. E os seus pais ficaram espantados. Ele, porém, prescreveu e recomendou-lhes veementemente que a ninguém dissessem o que tinha sucedido, para que ninguém soubesse isto; e disse que dessem de comer a ela.

E espalhou-se esta fama por toda aquela terra.

Cura de dois cegos

| Mt 9, 27-31 |

E passando Jesus dali, seguiram-no dois cegos, clamando e dizendo: «Tem compaixão de nós, Filho de David».

Tendo, porém, ele entrado em casa, os cegos aproximaram-se dele; e Jesus diz-lhes: «Acreditais que eu posso fazer isto?» Dizem-lhe: «Sim, Senhor».

Então tocou os olhos deles, dizendo: «Seja-vos feito segundo a vossa fé». E os olhos deles abriram-se.

E Jesus ameaçou-os, dizendo: «Vede que ninguém o saiba».

Eles, porém, tendo saído, divulgaram-no por toda aquela terra.

Cura de um possesso mudo

| Mt 9, 32-34 |

Quando, porém, saíram eles, eis que lhe trouxeram um homem mudo, demoníaco.

E, expulso o demônio, falou o mudo. E as multidões admiraram-se, dizendo: «Nunca apareceu assim em Israel!»

Os Fariseus, porém, diziam: «Pelo príncipe dos demônios, ele expulsa os demônios!»

Jesus rejeitado novamente em Nazaré

| Mt (13, 54-58) | Mc 6, 1-6a |

E [Jesus] partiu dali e vem à sua pátria, e os seus discípulos seguem-no.

E vindo à sua pátria e chegando o sábado, começou a ensinar na sinagoga: ensinava-os na sinagoga deles.

E muitos, ao ouvir, maravilhavam-se; de modo que eles se maravilhavam e diziam, dizendo: «Donde lhe [vêm] estas coisas? E que sabedoria é esta que lhe foi dada, e tais milagres que se fazem pelas suas mãos? Donde lhe [veio] esta sabedoria e os milagres? Não é este o carpinteiro, o filho de Maria, e o irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama a sua mãe Maria, e os seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? E não estão as suas irmãs aqui, entre nós? E as suas irmãs porventura não estão todas entre nós? Donde lhe [vem], pois, tudo isto?» E escandalizavam-se dele.

E Jesus, porém, disse (dizia)-lhes: «Não existe profeta sem honra senão na sua pátria, na sua família e na sua casa!»

E não podia fazer ali nenhum milagre, senão curar alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos; e não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles. E admirava-se da incredulidade deles.

Percurso de pregação e curas

| Mt 9, 35-38 | Mc 6, 6b |

E Jesus percorria todas as cidades e aldeias em volta, ensinando nas sinagogas delas, pregando o Evangelho do Reino, e curando toda a doença e toda a enfermidade.

Vendo, porém, ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam desgarradas e prostradas, como ovelhas que não têm pastor. Então diz aos seus discípulos: «Na verdade, a seara é grande, mas poucos os operários. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande operários para a sua seara».

Missão dos Doze Apóstolos

Introdução

| Mt 10, 1-4 | Mc 6, 7 | Lc 9, 1-2 |

E chamou os Doze. E chamando (convocando), porém, os seus Doze Discípulos, começou a enviá-los, dois a dois; e deu (dava)-lhes poder e autoridade sobre os espíritos imundos, sobre todos os demônios, para os expulsarem, e para curarem toda a doença e toda a enfermidade (para curarem as doenças); e enviou-os a pregar o Reino de Deus e a curar {os doentes}.

Os nomes, porém, dos Doze Apóstolos são estes: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; e Tiago, [filho] de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, [filho] de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Cananeu; e Judas Iscariotes, aquele que o traiu.

Advertências para a missão

| Mt 10, 5-16 | Mc 6, 8-11 | Lc 9, 3-5 |

(Mt.: nem calçado, nem bastão / Mc.: sandálias, só um bastão / Lc.: nem bastão)

Jesus enviou estes doze, recomendando-lhes, dizendo: «Não ireis pelo caminho dos gentios, e não entrareis em cidades de Samaritanos; mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel.

Indo, porém, pregai, dizendo que 'chegou o Reino dos Céus'.

Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expulsai os demônios.

Recebestes de graça; dai de graça».

E ordenou-lhes que nada levassem no caminho: senão só um bastão, nem pão, nem alforge, nem moedas no cinto; mas calçados de sandálias e «não vistais duas túnicas». E disse-lhes: «Não tomeis nada para o caminho: Não possuais ouro, nem prata, nem dinheiro nos vossos cintos, nem alforge no caminho, nem duas túnicas, nem calçados, nem bastão, (nem bastão, nem alforge, nem pão, nem dinheiro, nem tenhais duas túnicas); porque o operário é digno do seu alimento».

E dizia-lhes: «Em qualquer cidade ou aldeia em que entrardes, perguntai quem nela é digno; e em qualquer casa em que entrardes (onde quer que entrardes numa casa), ficai lá até partirdes de lá, e de lá saireis. Entrando, porém, numa casa, saudai-a; e se a casa for digna, venha a vossa paz sobre ela; mas se não for digna, a vossa paz voltará para vós.

E se algum lugar não vos receber nem ouvir as vossas palavras, e todos os que não vos receberem nem vos ouvirem, saindo de lá para fora, da casa ou daquela cidade, sacudi o pó de debaixo dos vossos pés, em testemunho contra eles. Amém, digo-vos: Haverá menos rigor para a terra de Sodoma e de Gomorra, no dia do Juízo, do que para aquela cidade.

Eis, pois, que vos envio como ovelhas no meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas».

Perseguições no futuro

| Mt 10, 17-25 |

«Tende cuidado, porém, com os homens: porque vos entregarão aos sinédrios e nas suas sinagogas flagelar-vos-ão; e sereis levados à presença dos governadores e dos reis, por causa de mim, em testemunho para eles e para os gentios.

Mas, quando vos entregarem, não penseis como ou o que direis; porque vos será dado naquela hora o que direis. Porque não sois vós que falais, mas o Espírito do vosso Pai, que fala em vós.

Um irmão entregará, porém, à morte o seu irmão, e um pai o filho; e filhos se levantarão contra os pais e os matarão. E sereis odiados de todos por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo.

Quando, porém, vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra. Pois, amém, digo-vos: Não acabareis as cidades de Israel antes que venha o Filho do Homem.

O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do seu senhor. Basta o discípulo tornar-se como o seu mestre, e o servo como o seu senhor. Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos?»

Confessar Jesus sem temor

| Mt 10, 26-33 |

«Portanto, não os temais: porque nada há coberto que não seja revelado, e oculto que não seja conhecido.

O que vos digo nas trevas, dizei-o à luz; e o que ouvis ao ouvido, pregai-o sobre os tetos.

E não temais os que matam o corpo mas não podem matar a alma; mas temei antes aquele que pode perder a alma e o corpo na Geena.

Não se vendem dois passarinhos por um asse? E nenhum deles cairá na terra sem [a vontade do] vosso Pai. Até os cabelos da vossa cabeça, porém, estão todos contados. Não temais, pois vós valeis mais do que muitos passarinhos.

Pois, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante do meu Pai, que está nos Céus. Mas o que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai, que está nos Céus».

Jesus, motivo de divisões

| Mt 10, 34-36 |

«Não julgueis que vim trazer a paz à terra. Não vim trazer a paz, mas a espada. Porque eu vim separar o homem contra o seu pai, e a filha contra a sua mãe, e a nora contra a sua sogra; e os inimigos do homem [serão] os seus domésticos».

Renunciar a si mesmo para seguir Jesus

| Mt 10, 37-39 |

«Quem ama o pai ou a mãe acima de mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha acima de mim não é digno de mim.

E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim. Quem encontrar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por causa de mim encontrá-la-á».

Conclusão do discurso apostólico

| Mt 10, 40-42 |

«Quem vos recebe, a mim me recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. Quem recebe um profeta em nome de profeta, receberá a recompensa de profeta; e quem recebe um justo em nome de justo, receberá a recompensa de justo. E aquele que der de beber a um destes pequeninos um copo de água fria, somente em nome de discípulo, amém, digo-vos: Não perderá a sua recompensa».

Partida dos Apóstolos

| Mt 11, 1 | Mc 6, 12-13 | Lc 9, 6 |

E aconteceu que, tendo Jesus terminado, instruindo os seus Doze Discípulos, partiu dali a ensinar e a pregar nas cidades deles.

Saindo, porém, e partindo, percorriam as aldeias, anunciando o Evangelho e curando por toda a parte. Pregaram que se arrependessem; e expulsavam muitos demônios, e ungiam muitos enfermos com óleo e curavam-nos.

Opinião de Herodes sobre Jesus

| Mt 14, 1-2 | Mc 6, 14-16 | Lc 9, 7-9 |

E naquele tempo, o rei Herodes, o tetrarca, ouviu, porém, todas as coisas que aconteciam e a fama de Jesus; pois o nome dele tornou-se célebre. E diziam: «João Baptista ressuscitou dos mortos e por isso os poderes operam nele». Uns, porém, diziam que «É Elias»; outros, porém, diziam que «É um profeta como um dos Profetas»…

E [Herodes] hesitava, já que era dito por alguns que «João ressuscitou dos mortos»; por outros, que «Elias apareceu»; por outros, porém, que «Um Profeta dos antigos ressuscitou»...

Ouvindo, porém, Herodes disse (dizia): «Eu degolei João. Quem é, porém, este, de quem eu ouço tais coisas? Aquele que eu degolei, João, este ressuscitou!» E disse aos seus servos: «Este é João Baptista: ele ressuscitou dos mortos e por isso os poderes operam nele!» E procurava vê-lo.

Morte de João Baptista

| Mt 14, 3-12 | Mc 6, 17-29 |

Porque o próprio Herodes, tendo enviado, prendeu João e (tendo prendido João) ligou-o e pô-lo na prisão, por causa de Herodíades, mulher do seu irmão Filipe; porque ele a tinha desposado. Pois João dizia a Herodes (dizia-lhe): «Não te é lícito ter a esposa do teu irmão (tê-la)».

Herodíades, porém, odiava-o e queria matá-lo, e não podia. Pois Herodes temia a João, sabendo que era varão justo e santo, e guardava-o; e, ao ouvi-lo, ficava muito perplexo {// fazia muitas coisas}, e de boa mente o escutava. E querendo matá-lo, temia o povo; porque o tinham como profeta.

E chegado um dia oportuno, no aniversário natalício de Herodes, quando Herodes, no seu aniversário natalício, fez uma ceia aos seus grandes e tribunos e príncipes da Galileia, e tendo entrado a filha da mesma Herodíades e tendo dançado (a filha de Herodíades dançou no meio), agradou a Herodes e também aos que estavam à mesa.

Por isso, o rei disse à rapariga: «Pede-me o que quiseres, e eu te darei». Com juramento, prometeu dar-lhe tudo o que pedisse; e jurou-lhe {muito}: «Tudo o que me pedires te darei, até metade do meu reino!»

E tendo ela saído, disse à sua mãe: «Que pedirei?» Ela, porém, disse: «A cabeça de João Baptista!...»

Ela, porém, instruída previamente pela sua mãe, entrando logo com pressa à presença do rei, pediu, dizendo: «Quero que, imediatamente, me dês (dá-me)» — diz — «aqui, num prato, a cabeça de João Baptista!»

E [Herodes] entristeceu-se e, tornado o rei muito triste, por causa dos juramentos e por causa dos que também estavam à mesa, não lha quis negar: mandou que fosse dada.

E enviando logo um carrasco, o rei mandou trazer a cabeça dele. E, indo, [o carrasco] degolou João (degolou-o) na prisão; e trouxe a cabeça dele num prato e deu-a à rapariga (foi trazida a cabeça dele num prato e foi dada à rapariga); e a rapariga levou [e] deu-a à sua mãe.

E tendo ouvido, os seus discípulos vieram; e, tendo-se aproximado, tomaram o corpo dele e sepultaram-no: puseram-no num sepulcro. E, vindo, anunciaram a Jesus.

Primeira multiplicação dos pães

| Mt 14, 13-21 | Mc 6, 30-44 | Lc 9, 10-17 | Jo 6, 1-15 |

E depois destas coisas, tendo voltado, reúnem-se os Apóstolos junto de Jesus e narraram e anunciaram-lhe tudo o que tinham feito e o que tinham ensinado.

E ouvindo, porém, Jesus diz-lhes: «Vinde vós, à parte, para um lugar deserto, e descansai um pouco». Porque eram muitos os que vinham e os que iam, e não tinham tempo nem para comer.

E, tomando-os consigo, Jesus foi, retirou-se dali e foram no barco para um lugar deserto, à parte, para uma cidade chamada Betsaida, do outro lado do mar da Galileia, que é o de Tiberíades.

E muitos viram-nos partir e souberam; e ouvindo, as multidões sabendo, porém, seguiram-no, e para lá correram a pé de todas as cidades, e antecederam-nos. Seguia-o, porém, grande multidão, porque viam os sinais que fazia sobre os enfermos.

E, saindo, subiu, porém, Jesus ao monte e sentou-se ali com os seus discípulos. (A Páscoa, porém, a festa dos Judeus, estava próxima).

Levantando, pois os olhos, Jesus viu uma grande multidão. E, vendo que uma grande multidão vinha ter com ele, compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor; e recebendo-os, começou a ensinar-lhes muitas coisas, falava-lhes do Reino de Deus, e curou os seus enfermos: sarava os que necessitavam de cura.

O dia, porém, começou a declinar.

E sendo a hora já muito avançada, chegada, porém, a tarde, aproximaram-se dele os Discípulos. Tendo-se aproximado, porém, dele, os seus Doze Discípulos disseram (diziam)-lhe, dizendo: «O lugar é deserto e a hora já está muito adiantada e já passou. Despede as multidões (a multidão / despede-os), para que, indo às aldeias e campos em redor, se hospedem e encontrem sustento: comprem para si alimentos que comer, porque aqui estamos em lugar deserto».

{Jesus} porém, respondendo, disse-lhes (disse-lhes, porém): «Não precisam de ir embora: dai-lhes vós de comer». E dizem-lhe: «Indo, compraremos duzentos denários de pão e dar-lhes-emos de comer?»

[Jesus] diz a Filipe: «Onde compraremos pão, para estes comerem?» (Mas dizia isto para o experimentar, pois ele sabia o que havia de fazer). Respondeu-lhe Filipe: «Duzentos denários de pão não lhes chegam, para que cada um receba um pouco!...»

[Jesus] diz-lhes, porém: «Quantos pães tendes? Ide, vede».

Diz-lhe um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro: «Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixes; mas que é isto para tantos?» E tendo-se informado, eles, porém, disseram (dizem)-lhe: «Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes (para nós não existem mais do que cinco pães e dois peixes); a menos que, indo, nós compremos alimentos para todo este povo!...» (Pois eram cerca de cinco mil varões).

Disse porém Jesus aos seus discípulos: «Trazei-nos aqui». E ordenou-lhes que fizessem sentar a todos em grupos, sobre a erva verde: «Fazei sentar os homens; reclinai-os em grupos de cerca de cinqüenta». (Havia, porém, muita erva no lugar). E, tendo mandado sentar as multidões sobre a erva, assim fizeram e mandaram que todos se sentassem; e sentaram-se em grupos de cem e de cinqüenta. Reclinaram-se, pois, os varões, em número de cerca de cinco mil.

Jesus tomou, pois, os pães e, tendo, porém, tomado os cinco pães e os dois peixes, olhando para o céu, e dando graças, abençoou e partiu os pães; e tendo-os partido, deu (dava) aos {seus} discípulos os pães, para darem à multidão (para que lhos dessem); os discípulos porém [davam-nos] às multidões. Distribuiu aos que estavam sentados; igualmente, também dos peixes: dividiu os dois peixes por todos, quanto eles quiseram; e todos comeram e saciaram-se todos.

Quando, porém, ficaram saciados, diz aos seus discípulos: «Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca». Recolheram, pois, e juntaram os restos dos pedaços, e encheram doze cestos cheios com os pedaços dos cinco pães de cevada e dos peixes, que sobejaram aos que tinham comido; e recolheu-se, do que lhes sobejou, doze cestos dos pedaços.

E os que comeram (os que, porém, consumiram) {os pães} eram cerca de cinco mil varões, além das mulheres e das crianças.

Aqueles homens, pois, vendo o sinal que [Jesus] fizera, diziam: «Este é, verdadeiramente, o profeta que vem ao mundo!»

Jesus, pois, sabendo, que estavam para o arrebatar e o fazerem rei, retirou-se novamente para o monte, ele sozinho.

Jesus caminha sobre as águas

| Mt 14, 22-33 | Mc 6, 45-52 | Jo 6, 16-21 |

E quando, porém, chegou a tarde, obrigou imediatamente (logo) os seus discípulos a subirem para um barco, e a precederem-no na outra margem, em frente a Betsaida, enquanto ele despedia a multidão (até que despedisse as multidões).

Os seus discípulos desceram para o mar e, subindo para o barco, foram para a outra margem do mar, para Cafarnaum.

E tendo despedido as multidões, tendo-as despedido, retirou-se [e] subiu ao monte, sozinho, para orar. E chegada, porém, a tarde, estava o barco no meio do mar; e ele estava lá sozinho, em terra.

O barco, porém, já estava afastado muitos estádios da terra, batido pelas ondas {// era batido pelas ondas no meio do mar}, porque o vento era contrário. E já escurecera e Jesus ainda não viera ter com eles. O mar, porém, soprando um grande vento, levantava-se.

E, vendo-os fatigados a remar, porque o vento lhes era contrário, cerca da quarta vigília da noite (na quarta vigília da noite, porém), veio (vem) ter com eles, andando sobre o mar; e queria passar-lhes adiante.

Tendo, pois, remado cerca de vinte e cinco ou trinta estádios, os discípulos, porém, vêem Jesus andando sobre o mar e aproximando-se do barco, e tiveram medo: Vendo-o a caminhar sobre o mar, pensaram que era um fantasma e assustaram-se, dizendo: «É um fantasma!» E por causa do medo clamaram (exclamaram), pois todos o viram e assustaram-se.

Imediatamente, porém, {Jesus} falou com eles e diz-lhes, dizendo: «Tende confiança: sou eu; não temais!»

Respondendo-lhe, porém, Pedro disse: «Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo sobre as águas!» Ele, porém, disse: «Vem».

E descendo do barco, Pedro caminhou sobre as águas, e veio {// para vir} até Jesus. Mas, vendo o vento {forte}, teve medo; e, começando a submergir, clamou, dizendo: «Senhor, salva-me!» Imediatamente, porém, Jesus, estendendo a mão, agarrou-o e diz-lhe: «[Homem] de pouca fé, porque duvidaste?»

Queriam, pois, recebê-lo no barco. E subiu para junto deles, no barco; e logo que eles subiram para o barco, o vento cessou.

Os que estavam no barco, porém, adoraram-no, dizendo: «Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!» E logo o barco chegou à terra para onde iam.

E estavam, no seu íntimo, grandemente pasmados; pois não tinham compreendido a respeito dos pães; mas o coração deles estava endurecido.

Curas em Genesaré e promessa da Eucaristia

| Mt 14, 34-36 | Mc 6, 53-56 | Jo 6, 22-71; 7, 1 |

E no dia seguinte, tendo feito a travessia para terra, chegaram a terra, em Genesaré, e atracaram.

E saindo eles do barco, imediatamente, tendo-o conhecido, os varões daquele lugar percorreram toda aquela região, enviaram [a notícia] por toda aquela vizinhança, e começaram a trazer em grabatos os que se encontravam enfermos, para onde ouviam dizer que ele estava; e trouxeram-lhe todos os que estavam enfermos.

E onde quer que entrava, nas aldeias, nas cidades ou nos campos, apresentavam os enfermos nas praças; e rogavam-lhe que tocassem somente (ao menos) a orla do seu manto; e todos os que a tocavam foram salvos (eram salvos).

A multidão que ficara na outra margem do mar, viu que não havia ali outro barco, senão um, e que Jesus não entrou com os seus discípulos no barco, mas os seus discípulos tinham ido sós. Outros barcos vieram de Tiberíades [para] perto do lugar onde tinham comido o pão, tendo o Senhor dado graças. Quando, pois, a multidão viu que Jesus não estava ali nem os seus discípulos, entraram eles nos barcos, e vieram para Cafarnaum, procurando Jesus.

E, encontrando-o na outra margem do mar, disseram-lhe: «Rabbi, quando chegaste aqui?»

Respondeu-lhes Jesus e disse: «Amém, amém, digo-vos: Procurais-me, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e ficastes saciados! Trabalhai, não pelo alimento que perece, mas pelo alimento que permanece para a vida eterna, que o Filho do Homem vos dará; pois neste, Deus Pai imprimiu o seu selo».

Disseram-lhe, pois: «Que faremos para praticarmos as obras de Deus?» Respondeu Jesus e disse-lhes: «A obra de Deus é esta: Que acrediteis naquele que ele enviou».

Disseram-lhe, pois: «Que sinal, pois, fazes tu, para que vejamos e acreditemos em ti? Que operas? Os nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: 'Deu-lhes pão a comer do céu'».

Disse-lhes, pois, Jesus: «Amém, amém, digo-vos: Não foi Moisés que vos deu o pão do Céu; mas o meu Pai dá-vos o verdadeiro pão do Céu. Porque o pão de Deus é o que desce do Céu e dá vida ao mundo». Disseram-lhe, pois: «Senhor, dá-nos sempre esse pão!»

Disse-lhes Jesus: «Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá fome, e quem acredita em mim nunca terá sede. Mas disse-vos que também {me} vistes e não acreditastes. Tudo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim não o lançarei fora; porque desci do Céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. A vontade, porém, do que me enviou é esta: Que tudo o que me deu, eu não o perca, mas que o ressuscite no último dia. Porque esta é a vontade do meu Pai: Que todo aquele que vê o Filho e acredita nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia».

Murmuravam, pois, dele os Judeus, porque dissera: «Eu sou o pão que desceu do Céu»; e diziam: «Não é este, Jesus, o filho de José, do qual nós conhecemos o pai e a mãe? Como diz agora: 'Desci do Céu'?» Respondeu Jesus e disse-lhes: «Não murmureis entre vós. Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.

Está escrito nos Profetas: 'E serão todos ensinados por Deus'. Todo aquele que ouviu do Pai e aprende vem a mim. Não que alguém tenha visto o Pai, senão aquele que está junto de Deus; esse viu o Pai.

Amém, amém, digo-vos: Aquele que acredita {+ em mim} tem a vida eterna.

Eu sou o pão da vida. Os vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do Céu, para que o que dele comer não morra. Eu sou o pão vivo que desceu do Céu; se alguém comer deste pão, viverá eternamente. E o pão que eu darei, porém, é a minha carne, pela vida do mundo».

Discutiam, pois, os Judeus entre si, dizendo: «Como pode este dar-nos a {sua} carne a comer?»

Disse-lhes, pois, Jesus: «Amém, amém, digo-vos: Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne é verdadeiro alimento, e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.

Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, também quem me come viverá por mim. Este é o pão que desceu do Céu; não como os {+ vossos} pais comeram, {+ o maná,} e morreram; quem come este pão viverá eternamente».

Ele disse estas coisas, ensinando na sinagoga, em Cafarnaum.

Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo, disseram: «É dura esta palavra! Quem a pode ouvir?»

Mas, sabendo Jesus em si mesmo que os seus discípulos murmuravam disto, disse-lhes: «Isto escandaliza-vos? Se virdes, pois, o Filho do Homem a subir para onde estava primeiro? O espírito é que vivifica; a carne para nada aproveita. As palavras que eu vos disse são espírito e são vida. Mas há alguns de vós que não acreditam». Pois Jesus sabia, desde o princípio, quem eram os não crentes, e quem o havia de entregar. E dizia: «Por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, se lhe não for dado pelo Pai». Desde então, muitos dos seus discípulos voltaram atrás e já não andavam com ele.

Disse, pois, Jesus aos Doze: «Porventura, também vós quereis retirar-vos?» Respondeu-lhe Simão Pedro: «Senhor, para quem iremos? Tens palavras de vida eterna; e nós acreditamos e conhecemos que tu és o Santo de Deus {// o Cristo, o Filho de Deus}!»

Respondeu-lhes Jesus: «Não vos escolhi eu, os Doze? E um de vós é um diabo...» Dizia, porém, [isto] de Judas, [filho] de Simão Iscariotes {// Judas Iscariotes, [filho] de Simão}; porque era ele o que o havia de entregar, sendo um dos Doze.

E depois disto, andava Jesus na Galileia; pois não queria andar na judéia, porque os Judeus procuravam matá-lo.

Discussão sobre as tradições farisaicas

| Mt 15, 1-20 | Mc 7, 1-23 |

Então aproximam-se de Jesus e reúnem-se junto dele os Fariseus e Escribas, alguns dos Escribas vindos de Jerusalém. E vendo alguns dos discípulos dele a comer pães com as mãos comuns, isto é, não lavadas (pois os Fariseus, e todos os Judeus, se não lavarem as mãos até ao punho, não comem, guardando a tradição dos antigos; e [voltando] da praça, se não se lavarem, não comem; e há muitas outras coisas que receberam para observar: a lavagem dos copos e dos jarros e dos vasos de metal {e das camas}); e interrogam-no os Fariseus e os Escribas, dizendo: «Porque não andam os teus discípulos conforme a tradição dos antigos? (Porque é que os teus discípulos transgridem a tradição dos antigos?) Pois não lavam as {suas} mãos quando comem pão, mas comem o pão com as mãos comuns?»

Ele, porém, respondendo, disse-lhes: «Porque transgredis também vós o mandamento de Deus por causa da vossa tradição?

(Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: 'Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim; em vão, porém, me adoram, ensinando doutrinas preceitos de homens!')

Deixando {+ pois} o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens {+ a lavagem dos jarros e dos copos; e fazeis muitas outras coisas semelhantes a estas}!»

E dizia-lhes: «Bem anulais o mandamento de Deus, para servir a vossa tradição! Pois Moisés — Deus — disse: 'Honra o teu pai e a tua mãe'; e: 'Quem maldisser o pai ou a mãe seja morto com a morte'. Mas vós dizeis: 'Se um homem (qualquer) disser ao pai ou à mãe: Aquilo que poderias aproveitar de mim é Corban (isto é: oferta), não honrará o seu pai {+ ou a sua mãe}': não lhe permitis fazer mais nada ao pai ou à mãe, e invalidastes a palavra {// o mandamento} de Deus por causa da vossa tradição, invalidando a palavra de Deus pela vossa tradição, que transmitistes. E fazeis muitas outras coisas semelhantes a estas.

Hipócritas, bem profetizou acerca de vós Isaías, dizendo: 'Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim; em vão, porém, me adoram, ensinando doutrinas preceitos de homens!'»

E chamando a si outra vez a multidão, disse (dizia)-lhes: «Ouvi-me vós todos e entendei: Nada há, fora do homem, que, entrando nele, o possa contaminar; mas as coisas que saem do homem, são essas que contaminam o homem. Não é o que entra na boca que contamina o homem, mas o que sai da boca, isso contamina o homem. {+ Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.}»

Então, aproximando-se, os discípulos dizem-lhe: «Sabes que os Fariseus, ouvindo a palavra, se escandalizaram?»

Ele, porém, respondendo, disse: «Toda a planta que o meu Pai celeste não plantou será arrancada pela raiz. Deixai-os: são cegos, guias {de cegos}! Se um cego, porém, guiar um cego, ambos cairão no buraco!»

E quando entrou em casa, a partir da multidão, os seus discípulos interrogavam-no acerca da parábola. Pedro, respondendo, disse-lhe: «Explica-nos {esta} parábola».

E ele, porém, disse (diz)-lhes: «Também vós estais ainda sem compreensão? Não compreendeis que tudo o que de fora, entrando pela boca no homem, não o pode contaminar; porque não entra no coração dele, mas vai ao ventre e é lançado (sai) na latrina?», purificando todos os alimentos.

Dizia, porém: «As coisas, porém, que saem da boca, saem do coração, e essas contaminam o homem: o que sai do homem, isso contamina o homem. Pois do interior do coração dos homens, saem as intenções más (malignas), procedem fornicações, furtos, homicídios, adultérios, cobiça, maldades, dolo, impureza, olho mau, falsos testemunhos, blasfêmias (blasfêmia), soberba, insensatez... Todas estas coisas más procedem de dentro e contaminam o homem. Estas são as contaminadoras do homem; mas comer com as mãos não lavadas não contamina o homem».

Cura da filha da Cananéia

| Mt 15, 21-28 | Mc 7, 24-30 |

Levantando-se, porém, dali e saindo dali, Jesus retirou-se [e] partiu para as partes (para os territórios) de Tiro e de sidônia.

E entrando numa casa, não queria que ninguém soubesse, e não pôde ocultar-se.

Mas eis que, imediatamente, uma mulher cananéia, ouvindo falar dele, saindo daqueles territórios, que tinha uma filha com um espírito impuro, clamou, dizendo: «Tem compaixão de mim, Senhor, Filho de David! A minha filha está horrivelmente possessa!» Mas ele não lhe respondeu palavra.

E aproximando-se, os seus discípulos rogavam-lhe, dizendo: «Despede-a, porque clama atrás de nós!» Ele, porém, respondendo, disse: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel».

Mas ela, vindo, prostrou-se aos pés dele e adorou-o, dizendo: «Senhor, ajuda-me!» (Era uma mulher, porém, cananéia, grega, de origem siro-fenícia; e rogava-lhe que expulsasse da sua filha o demônio).

E ele, porém, respondendo disse (dizia)-lhe: «Deixa que primeiro se saciem os filhos; porque não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos!» Ela, porém, respondeu e disse (diz)-lhe: «Sim, Senhor; mas também os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem das migalhas dos filhos, que caem da mesa dos seus donos...»

E então, respondendo, Jesus disse-lhe: «Ó mulher, é grande a tua fé! Seja-te feito como queres. Por esta palavra, vai: o demônio saiu da tua filha». E a sua filha ficou curada, desde aquela hora.

E, voltando ela para casa, encontrou a menina deitada sobre a cama, e o demônio tinha saído.

Cura de um surdo gago

| Mt 15, 29a | Mc 7, 31-37 |

E, saindo novamente das regiões de Tiro, e tendo partido dali, Jesus veio pela sidônia até junto do mar da Galileia, no meio das regiões da Decápole.

E trazem-lhe um surdo, que falava dificilmente; e rogam-lhe que lhe imponha a mão.

E tomando-o de entre a multidão, à parte, meteu os seus dedos nos ouvidos dele e, cuspindo, tocou na língua dele; e olhando para o céu, suspirou e diz-lhe: «Ephphatha!» (Isto é: Abre-te!) E abriram-se {logo} os ouvidos dele e soltou-se a prisão da língua dele, e falava corretamente.

E [Jesus] ordenou-lhes que a ninguém o dissessem; mas, quando mais lhes proibia, tanto mais proclamavam.

E maravilhavam-se muito, dizendo: «Tudo fez bem; e faz os surdos ouvir e os mudos falar!»

Segunda multiplicação dos pães

| Mt 15, 29-39 | Mc 8, 1-10 |

E, subindo ao monte, sentava-se ali.

E aproximaram-se dele muitas multidões, tendo consigo coxos, cegos, aleijados, mudos e muitos outros, e lançaram-nos aos pés dele; e ele curou-os; de modo que a multidão se admirava, vendo mudos a falar, aleijados a ficar sãos, coxos a andar e cegos a ver; e glorificaram o Deus de Israel.

Naqueles dias, novamente, havendo uma grande multidão, e não tendo que comer, Jesus, porém, chamando os seus discípulos, disse (diz)-lhes: «Tenho compaixão da multidão, porque já há três dias que perseveram comigo e não têm que comer. E se os despeço em jejum para sua casa, desfalecerão no caminho; e alguns deles vieram de longe; e não quero despedi-los em jejum, para que não desfaleçam no caminho».

E responderam e dizem-lhe os seus discípulos: «Donde nos [virão] num deserto tantos pães, para saciarmos tamanha multidão? Donde poderá alguém saciá-los de pão aqui, no deserto?»

E interrogava-os e diz-lhes Jesus: «Quantos pães tendes?» Mas eles disseram: «Sete e poucos peixinhos...»

E ordenou à multidão sentar-se sobre a terra. E tendo ordenado à multidão que se sentasse sobre a terra, tomou os sete pães e os peixes e, tendo tomado os sete pães, dando graças, partiu-os e dava-os aos seus discípulos para que os distribuíssem; e os discípulos, porém, distribuíram-nos às multidões (à multidão). E tinham alguns peixinhos; e tendo-os abençoado, disse também para os distribuir.

E todos comeram e ficaram saciados; e do que sobejou dos pedaços juntaram (dos restos dos pedaços) sete cestos cheios.

Os que tinham, porém, comido eram cerca de quatro mil homens, além de mulheres e de crianças. E despediu-os.

E tendo despedido as multidões, subiu para o barco; e, tendo subido logo para o barco com os seus discípulos, veio para as partes de Dalmanuta, para os territórios de Magadan {// Magdala}.

Os Fariseus exigem um sinal do Céu

| Mt 16, 1-4 | Mc 8, 11-13 |

E, aproximando-se, saíram os Fariseus e os Saduceus; e começaram a discutir com ele e pediram-lhe que lhes mostrasse um sinal do Céu, procurando dele um sinal do Céu, tentando-o.

E, suspirando profundamente no seu espírito, diz: «Porque procura esta geração um sinal? Amém, digo-vos se será dado sinal a esta geração».

Ele, porém, respondendo, disse-lhes: «{Chegada a tarde, dizeis: 'Haverá bom tempo, porque o céu está rubro'. E de manhã: 'Hoje há tempestade, porque o céu está vermelho sombrio'. Sabeis, pois, discernir a face do céu, mas os sinais dos tempos não podeis [discernir]?}

Uma geração má e adúltera procura um sinal, e não lhe será dado sinal, senão o sinal de Jonas».

E, deixando-os, tornou a embarcar e foi para a outra margem.

O fermento dos Fariseus, dos Saduceus e de Herodes

| Mt 16, 5-12 | Mc 8, 14-21 |

E quando os discípulos passaram para a outra margem, esqueceram-se de tomar pães, e no barco não tinham consigo senão um pão.

Jesus, porém, disse e recomendava-lhes, dizendo: «Olhai e acautelai-vos (guardai-vos) do fermento dos Fariseus e dos Saduceus e do fermento de Herodes».

E eles, porém, pensavam entre eles, uns com os outros, que não tinham pães, dizendo: «Não tomamos pães...»

E Jesus, porém, sabendo, disse (diz)-lhes: «Porque pensais entre vós, [homens] de pouca fé, que não tendes pães? Ainda não entendeis nem compreendeis? Tendes o vosso coração endurecido? Tendo olhos, não vedes e, tendo ouvidos, não ouvis? Nem vos lembrais, quando parti os cinco pães para os cinco mil [homens], e quantos cestos cheios de pedaços juntastes (recolhestes)?» Dizem-lhe: «Doze...»

«Nem quando [parti] os sete pães para os quatro mil [homens], e quantos cestos cheios de pedaços juntastes (recolhestes)?» E dizem {-lhe}: «Sete...»

E dizia-lhes: «Ainda não compreendeis? Como não entendeis que não vos falei de pães? Mas acautelai-vos do fermento dos Fariseus e dos Saduceus!»

Então compreenderam que não dissera que se guardassem do fermento dos pães, mas da doutrina dos Fariseus e dos Saduceus.

Cura de um cego de Betsaida

| Mc 8, 22-26 |

E vêm a Betsaida.

E trazem-lhe um cego, e rogam-lhe que o toque.

E tomando [Jesus] a mão do cego, levou-o para fora da aldeia; e cuspindo-lhe nos olhos, impondo-lhe as mãos, interrogava-o: «Vês alguma coisa?» E, levantando ele os olhos, dizia: «Vejo os homens; pois os vejo andando como árvores».

Em seguida, impôs novamente as mãos sobre os olhos dele; e ele começou a ver e ficou restabelecido, e via nitidamente todas as coisas.

E enviou-o para casa dele, dizendo: «Nem entres na aldeia».

Confissão de fé e primado de Pedro

| Mt 16, 13-20 | Mc 8, 27-30 | Lc 9, 18-21 |

E saiu Jesus e os seus discípulos para as aldeias de Cesáreia de Filipe. E aconteceu que, vindo, porém, Jesus para as regiões de cesáreia de Filipe, estando a orar à parte, estavam com ele os discípulos; e, no caminho, interrogava os seus discípulos. Interrogou-os, dizendo-lhes: «Quem dizem os homens (as multidões) que eu sou, o Filho do Homem?»

Mas eles, respondendo, disseram-lhe, dizendo: «Uns, 'João Baptista'; e outros, porém, 'Elias'; outros, porém, 'Jeremias'; ou outros, porém, 'Um dos Profetas', que 'Um profeta dos antigos ressuscitou'...»

E ele interrogava-os; disse (diz)-lhes: «Mas vós, quem dizeis que eu sou?» Respondendo, porém, Simão Pedro disse (diz)-lhe «o Cristo de Deus»: «Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo».

Respondendo, porém, Jesus disse-lhe: «Bem-aventurado és tu, Simão Bar Jonas, porque a carne e o sangue não to revelou, mas o meu Pai, que está nos Céus!

E eu, porém, digo-te que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».

Então ordenou aos {+ seus} discípulos e advertiu-os que a ninguém dissessem que ele era {+ Jesus} o Cristo. Ele, porém, advertindo, ordenou-lhes que a ninguém dissessem isto, a respeito dele.

Primeiro anúncio da paixão

| Mt 16, 21 | Mc 8, 31-32a | Lc 9, 22 |

Desde então, começou Jesus a mostrar aos seus discípulos e começou a ensinar-lhes que era necessário ele ir a Jerusalém, e dizendo: «É necessário o Filho do Homem padecer muitas coisas, ser rejeitado pelos anciãos e pelos sumos sacerdotes e pelos Escribas, e ser morto, e ao terceiro dia (depois de três dias) ressuscitar!»

E dizia a palavra abertamente.

Repreensão de Pedro

| Mt 16, 22-23 | Mc 8, 32b-33 |

E, tomando-o à parte, Pedro começou a repreendê-lo, dizendo: «Tem compaixão de ti, Senhor: isso não será para ti!»

Mas ele, virando-se e vendo os seus discípulos, repreendeu Pedro, e disse (diz) a Pedro: «Para trás de mim, Satanás! És um escândalo para mim; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas as que são dos homens!»

Condições para seguir Jesus

| Mt 16, 24-28 | Mc 8, 34-38; 9, 1 | Lc 9, 23-27 |

E então Jesus, chamando a multidão com os seus discípulos, disse aos seus discípulos (disse-lhes) [e] dizia, porém, a todos:

«Se alguém quer vir (seguir) após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz cada dia, e siga-me.

Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, esse salvá-la-á: encontrá-la-á.

Pois que aproveitará ao homem, se ganhar o mundo inteiro, arruinar, porém, a sua alma (pois que aproveita o homem ganhar o mundo inteiro e arruinar a sua alma)? Pois que aproveita ao homem, ganhando o mundo inteiro, porém, perdendo-se ou arruinando-se? Ou que dá (dará), pois, o homem em troca da sua alma?

Porque quem se envergonhar de mim e das minhas palavras, nesta geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na sua glória e do seu Pai e dos santos anjos, com os santos anjos.

Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos; e então retribuirá a cada um segundo as suas obras».

E dizia-lhes: «Amém, digo-vos, verdadeiramente, que estão aqui presentes alguns que não provarão a morte até que vejam o Reino de Deus vindo com poder [e] o Filho do Homem vindo no seu Reino».

Transfiguração de Jesus

| Mt 17, 1-8 | Mc 9, 2-8 | Lc 9, 28-36 |

E aconteceu porém que, seis dias (cerca de oito dias) depois destas palavras, Jesus tomou Pedro, Tiago e João, seu irmão, e (tendo tomado Pedro, João e Tiago) conduziu-os e subiu a um alto monte, consigo, a sós, para orar.

E enquanto ele orava, a aparência do seu rosto tornou-se outra e a sua roupa, branca, refulgente: Ele transfigurou-se diante deles e o seu rosto resplandeceu como o sol; e as suas roupas, porém, tornaram-se resplandecentes, extremamente brancas, como a luz {// como a neve}, como nenhum lavadeiro sobre a terra as pode tornar tão brancas.

E eis que lhes apareceram Moisés e Elias (Elias com Moisés), e estavam a falar com Jesus (com ele): dois varões falavam com ele, que eram Moisés e Elias, os quais, tendo aparecido em glória, falavam da saída dele, que estava para cumprir-se em Jerusalém.

Pedro, porém, e os que estavam com ele estavam acabrunhados pelo sono. Despertando, porém, viram a sua glória e os dois varões que estavam de pé com ele.

E aconteceu que, quando se afastavam dele, Pedro, porém, respondendo, disse (diz) a Jesus: «Rabbi (Mestre), Senhor, é bom nós estarmos aqui; e façamos três tendas! Se queres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e uma para Elias»; não sabendo o que dizia. (Pois não sabia que responder, porque estavam atemorizados).

E ainda ele falava, dizendo, porém, ele estas coisas, eis que se fez uma nuvem luminosa e cobriu (cobria)-os (cobrindo-os); e atemorizaram-se, porém, entrando eles na nuvem. E eis que da nuvem se fez uma voz, dizendo: «Este é o meu Filho amado, o eleito, em quem pus as minhas complacências: Ouvi-o». E os discípulos, ouvindo, caíram com a sua face por terra e tiveram grande medo.

E, tendo soado aquela voz, Jesus encontrou-se só. E Jesus aproximou-se e, tocando-os, disse: «Levantai-vos e não temais!» Erguendo, porém, os seus olhos, e, de repente, tendo olhado em redor, não viram mais ninguém, senão (mas) o próprio Jesus só com eles.

Discussão sobre a volta de Elias

| Mt 17, 9-13 | Mc 9, 9-13 | Lc 9, 36b |

E enquanto eles desciam do monte, Jesus ordenou-lhes que a ninguém narrassem o que tinham visto, até que o Filho do Homem ressuscitasse dos mortos, dizendo: «A ninguém digais a visão, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos!» E eles calaram-se e não disseram a ninguém, naqueles dias, nada do que tinham visto. E guardaram a palavra consigo, perguntando uns aos outros que seria aquilo «ressuscitar dos mortos».

E os discípulos interrogaram (interrogavam)-no, dizendo: «Porque dizem, pois, os Escribas que é necessário Elias vir primeiro?»

Mas ele, respondendo, disse (afirmou)-lhes: «Elias virá, pois, e restaurará todas as coisas. (Elias, pois, vindo primeiro, restaura todas as coisas.) E, como está escrito do Filho do Homem, padecerá muito e será desprezado. Mas digo-vos, porém, que Elias já veio e não o reconheceram; mas fizeram nele (e fizeram-lhe) tudo o que quiseram (queriam), como está escrito dele. Assim também o Filho do Homem padecerá deles».

Então os discípulos entenderam que lhes falava de João Baptista.

Cura de um epiléptico

| Mt 17, 14-21 | Mc 9, 14-29 | Lc 9, 37-43a |

Aconteceu porém que, no dia seguinte, descendo eles do monte, veio-lhe ao encontro uma grande multidão. E vindo até junto dos discípulos, viram uma grande multidão ao redor deles e Escribas a discutirem com eles. E logo toda a multidão, vendo-o, ficou surpreendida; e, correndo até junto dele, saudavam-no.

E [Jesus] interrogou-os: «Que discutíeis com eles?»

E eis que, tendo eles vindo para junto da multidão, aproximou-se dele um homem, um varão da multidão, ajoelhando-se diante dele; e exclamou e respondeu-lhe, dizendo: «Mestre, trouxe-te o meu filho, que tem um espírito mudo. Mestre, peço-te: olha para o meu filho, pois é o único que tenho! E eis que um espírito agarra-o, e, onde quer que o agarra, grita de repente, e lança-o por terra, e espuma e convulsiona-o com espuma, e range os dentes, e vai-se mirrando, e dificilmente o larga, tendo-o dilacerado... Senhor, tem piedade do meu filho, porque é lunático e sofre muito, pois freqüentemente cai no fogo e freqüentemente na água!... E trouxe-o aos teus discípulos; e disse aos teus discípulos, e roguei aos teus discípulos que o expulsassem... e não conseguiram: não puderam curá-lo!...»

Respondendo, porém, Jesus disse (diz)-lhes: «Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei entre vós, convosco, e até quando vos suportarei? Traz aqui o teu filho; trazei-lo aqui».

E trouxeram-no a ele. Aproximando-se ele, porém, e vendo-o, o demônio (o espírito) agitou-o e convulsionou-o imediatamente; e, caindo por terra, revolvia-se espumando.

E [Jesus] interrogou o pai dele: «Há quanto tempo lhe acontece isto?» Mas ele disse: «Desde a infância... E muitas vezes o lança no fogo e na água, para o destruir. Mas, se podes alguma coisa, ajuda-nos, tendo compaixão de nós!...»

Jesus, porém, disse-lhe: «Se podes {+ acreditar}? Tudo é possível ao que acredita!» Imediatamente, o pai do menino, clamando {+ com lágrimas}, dizia: «Acredito {+ Senhor}! Ajuda a minha incredulidade!»

E Jesus, vendo, porém, que a multidão, correndo, se aglomerava, repreendeu, porém, o espírito imundo, dizendo-lhe: «Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: Sai dele, e não entres mais nele».

E gritando e agitando-o muito, saiu dele o demônio; e ficou o menino como morto, de modo que muitos diziam: «Morreu!» Jesus, porém, tomando a mão dele, ergueu-o e levantou-o; e curou o menino, e entregou-o ao pai dele. E o menino foi curado desde aquela hora.

Todos, porém, se maravilhavam com a grandeza de Deus.

E tendo ele entrado em casa, então, aproximando-se de Jesus os discípulos dele, à parte, interrogavam-no [e] disseram: «Por que motivo (porque) não pudemos nós expulsá-lo?»

Ele, porém, diz-lhes: «Por causa da vossa pouca fé {// incredulidade}! Pois, amém, digo-vos: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: 'Passa daqui para acolá'; e ele passará e nada vos será impossível».

E disse-lhes: «Esta raça não pode sair com nada, a não ser com oração {+ e jejum}!»

Segundo anúncio da paixão

| Mc 17, 22-23 | Mc 9, 30-32 | Lc 9, 43b-45 |

E tendo partido dali, atravessavam a Galileia; e não queria que ninguém o soubesse.

Encontrando-se eles, porém, na Galileia, admirando-se todos de tudo o que fazia, ensinava, pois, os seus discípulos, e disse (dizia)-lhes Jesus (aos seus discípulos): «Ponde vós nos vossos ouvidos estas palavras: pois o Filho do Homem está para ser entregue nas mãos dos homens (o Filho do Homem é entregue nas mãos dos homens); e matá-lo-ão; e, morto ele, ao terceiro dia (depois de três dias) ressuscitará!»

Eles, porém, não entendiam esta palavra, e era encoberta perante eles, para que não a compreendessem; e temiam interrogá-lo acerca desta palavra. E entristeceram-se muito.

O imposto para o Templo a pagar por Pedro

| Mt 17, 24-27 |

Tendo vindo eles, porém, a Cafarnaum, aproximaram-se de Pedro os que recebiam as didracmas, e disseram: «O vosso mestre não paga a didracma?» Diz [Pedro]: «Sim...»

E entrando [Pedro] em casa, Jesus antecipou-se-lhe, dizendo: «Que te parece, Simão? Os reis da terra de quem recebem tributo ou imposto? Dos seus filhos ou dos alheios?» Respondendo, porém: «Dos alheios...», afirmou-lhe Jesus: «Portanto, estão livres os filhos. Mas, para que não os escandalizemos, indo ao mar, lança o anzol e toma o primeiro peixe que subir e, abrindo a boca dele, encontrarás um estáter: Tomando-o, dá-lo por mim e por ti».

O maior no Reino dos Céus

| Mt 18, 1-5 | Mc 9, 33-37 | Lc 9, 46-48 |

Entrou, porém, uma discussão entre eles: qual deles seria o maior. Naquela hora, os discípulos aproximaram-se de Jesus, dizendo: «Quem é o maior no Reino dos Céus?»

E vieram a Cafarnaum.

E estando em casa, interrogava-os: «Que discutíeis pelo caminho?» Mas eles calaram-se, porque pelo caminho tinham discutido entre si quem era o maior.

Mas Jesus, sabendo o pensamento do coração deles, e sentando-se, chamou os Doze e diz-lhes: «Se alguém quer ser o primeiro, será o último de todos e o servo de todos!»

E chamando, agarrando e tomando um menino, colocou-o no meio deles, junto de si; e, tendo-o abraçado, disse-lhes: «Amém, digo-vos: Se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, não entrareis no Reino dos Céus. Portanto, quem se tornar humilde como este menino, esse é o maior no Reino dos Céus.

E todo o que receber este menino, um menino tal como este, um destes meninos... em meu nome, a mim recebe; e todo o que me receber, não me recebe, mas recebe aquele que me enviou: pois aquele que é o menor entre todos vós, esse é grande».

Uso do nome de Jesus

| Mc 9, 38-41 | Lc 9, 49-50 |

Respondendo, porém, João disse (afirmou)-lhe: «Mestre, vimos um {+ que não nos segue} a expulsar demônios em teu nome, e proibimo-lo, porque não nos seguia (não segue conosco)».

Disse-lhe, porém, Jesus: «Não o proibais; porque ninguém existe que faça um milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim; pois quem não é contra nós, é por nós. (Pois quem não é contra vós, é por vós).

Pois qualquer um que vos der a beber um copo de água em {+ meu} nome, porque sois de Cristo, amém, digo-vos que não perderá a sua recompensa».

Evitar o escândalo

| Mt 18, 6-9 | Mc 9, 42-48 |

«E qualquer um, porém, que escandalizar um destes pequeninos que acreditam em mim, mais lhe vale — é melhor para ele — que se dependure, que se ate em volta, uma mó de jumento no pescoço dele, e que seja atirado ao mar e submergido no fundo do mar!

Ai do mundo, por causa dos escândalos! Pois é necessário que venham os escândalos; mas ai do homem por quem o escândalo vem!

Se, porém, a tua mão ou o teu pé te escandalizar, corta-o e lança-o para longe de ti: é melhor para ti entrar na vida aleijado ou coxo, do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno:

E se a tua mão te escandalizar, corta-a: é melhor para ti entrares na vida aleijado, do que, tendo duas mãos, ires para a Geena, para o fogo eterno! {+ Onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga.}

E se o teu pé te escandalizar, corta-o: é melhor para ti entrares coxo na vida, do que, tendo dois pés, seres lançado na Geena {+ no fogo eterno; onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga}!

E se o teu olho te escandalizar, arranca-o e lança-o fora para longe de ti: é melhor para ti entrares na vida com um só olho, no Reino de Deus, do que, tendo dois olhos, seres lançado na Geena do fogo; onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga!»

Parábola do sal

| Mc 9, 49-50 |

«Porque todo [o homem] será salgado com fogo {+ e toda a vítima será salgada com sal}.

Bom é o sal; mas, se o sal se tornar insosso, com que o temperareis? Tende sal em vós mesmos, e estai em paz uns com os outros».

Parábola da ovelha perdida e encontrada

| Mt 18, 10-14 |

«Vede: não desprezeis um destes pequeninos; pois digo-vos que os seus anjos nos Céus vêem sempre a face do meu Pai, que está nos Céus. {+ Porque o Filho do Homem veio salvar o que se tinha perdido.}

Que vos parece?

Se algum homem tiver cem ovelhas, e se extraviar uma delas, não deixará as noventa e nove nos montes e, indo, procura a que se extraviou? E se acontecer encontrá-la, amém, digo-vos que se alegrará mais por ela do que pelas noventa e nove que não se extraviaram.

Assim, não é vontade, diante do vosso Pai que está nos Céus, que pereça um destes pequeninos».

Correção fraterna

| Mt 18, 15-18 |

«Se o teu irmão, porém, pecar {contra ti}, vai, repreende-o entre ti e ele só. Se te ouvir, terás ganho o teu irmão.

Mas se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas seja confirmada toda a palavra.

Se não os ouvir, diz à Igreja; e, se também não ouvir a Igreja, seja para ti como gentio e publicano.

Amém, digo-vos: Tudo quanto ligardes na terra será ligado no Céu; e tudo quanto desligardes na terra será desligado no Céu».

Poder da oração em comum

| Mt 18, 19-20 |

«Novamente {amém} digo-vos que se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, lhes será feito pelo meu Pai, que está nos Céus. Pois onde estão dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles».

Perdão das ofensas pessoais

| Mt 18, 21-22 |

Então Pedro, aproximando-se, disse-lhe: «Senhor, quantas vezes pecará o meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete vezes?»

Diz-lhe Jesus: «Não te digo até sete vezes; mas até setenta vezes sete!»

Parábola do devedor impiedoso

| Mt 18, 23-35 |

«Por isso, o Reino dos Céus é comparado a um homem rei que quis fazer contas com os seus servos.

Tendo começado, porém, a fazer contas, foi-lhe apresentado um que [lhe] devia dez mil talentos; mas não tendo ele donde pagar, o senhor ordenou que ele fosse vendido e a mulher e os filhos e tudo, e que se pagasse.

Prostrando-se, pois, aquele servo reverenciava-o, dizendo: '{+ Senhor,} tem paciência comigo, e tudo te pagarei!' Compadecido, porém, o senhor daquele servo soltou-o e perdoou-lhe a dívida.

Saindo, porém, aquele servo encontrou um dos seus companheiros, que lhe devia cem denários; e, segurando-o, sufocava-o, dizendo: 'Paga o que [me] deves!...' Prostrando-se, pois, o seu companheiro rogava-lhe, dizendo: 'Tem paciência comigo, e pagar-te-ei!' Ele, porém, não quis; mas, tendo ido, meteu-o na prisão, até que pagasse a dívida.

Vendo, pois, os seus companheiros o que acontecera, entristeceram-se muito e, vindo, narraram ao seu senhor tudo o que tinha acontecido.

Então o seu senhor, chamando-o, diz-lhe: 'Servo mau, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, assim como eu tive compaixão de ti?'

E, irritado, o seu senhor entregou-o aos verdugos, até que pagasse tudo o que [lhe] devia.

Assim também o meu Pai celeste vos fará, se não perdoardes cada um ao seu irmão, desde os vossos corações».

Jesus parte da Galileia para a judéia e para além do Jordão

| Mt 19, 1-2 | Mc 10, 1 |

E aconteceu que, concluindo Jesus estas palavras, e levantando-se dali, partiu da Galileia e veio (vem) para os territórios da judéia, {e} além do Jordão.

E reuniram-se novamente as multidões em torno dele, e seguiram-no muitas multidões; e, como tinha por costume, ensinava-os novamente; e curou-os ali.

Jesus procurado na festa dos Tabernáculos

| Jo 7, 2-13 |

Estava, porém, próxima a festa dos Judeus, a dos Tabernáculos.

Disseram-lhe, pois, os seus irmãos: «Retira-te daqui e vai para a judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que tu fazes. Porque ninguém faz coisa alguma em oculto, e procura estar em evidência. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo!» Pois nem os seus irmãos acreditavam nele.

Diz-lhes, pois, Jesus: «O meu tempo ainda não chegou; mas o vosso tempo está sempre preparado. O mundo não vos pode odiar; mas odeia-me a mim, porque dou testemunho dele, que as obras dele são más.

Subi vós à festa; eu não subo a esta festa, porque o meu tempo ainda não está completo».

E, tendo-lhes dito isto, ele permaneceu na Galileia.

Mas quando os seus irmãos subiram à festa, então também ele subiu, não publicamente, mas {como} em segredo.

Os Judeus, pois, procuravam-no na festa, e diziam: «Onde está ele?» E era um grande murmúrio a respeito dele nas multidões. Pois alguns diziam: «Ele é bom». Outros {porém} diziam: «Não, mas engana o povo». Todavia, ninguém falava dele abertamente, por medo dos Judeus.

Jesus chega secretamente à festa dos Tabernáculos e ensina no Templo

| Jo 7, 14-36 |

Já, porém, estando a festa no meio, Jesus subiu ao Templo e ensinava.

Admiravam-se, pois, os Judeus, dizendo: «Como é que este sabe as letras, sem ter estudado?»

Respondeu-lhes, pois, Jesus e disse: «A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou. Se alguém quiser fazer a vontade dele, saberá pela doutrina, se ela é de Deus, ou se eu falo por mim mesmo. Quem fala por si mesmo procura a sua própria glória; mas o que procura a glória daquele que o enviou, esse é verdadeiro, e injustiça nele não há.

Não vos deu Moisés a Lei? E nenhum de vós cumpre a Lei! Porque me procurais matar?» Respondeu a multidão: «Tens demônio! Quem te procura matar?»

Respondeu Jesus e disse-lhes: «Fiz uma obra e todos vos admirais. Porque Moisés vos deu a circuncisão (não que fosse de Moisés, mas dos Patriarcas), e no sábado circuncidais um homem. Se um homem recebe a circuncisão no sábado, para que a Lei de Moisés não seja violada, indignais-vos contra mim, porque tornei um homem todo são, no sábado?! Não julgueis segundo aparência, mas julgai segundo o justo juízo!»

Diziam, pois, alguns de Jerusalém: «Não é este o que procuram matar? E eis que ele está a falar abertamente, e nada lhe dizem. Porventura, conheceram, verdadeiramente, os chefes que este é o Cristo? Mas este, sabemos donde é; porém, o Cristo, quando vier, ninguém sabe donde ele seja».

Jesus, pois, clamou, ensinando no Templo e dizendo: «E conheceis-me e sabeis donde sou?! E eu não vim de mim mesmo, mas é verdadeiro aquele que me enviou, o qual vós não conheceis. Eu conheço-o, porque venho dele, e ele enviou-me».

Procuravam, pois, prendê-lo; e ninguém pôs a mão nele, porque ainda não tinha chegado a sua hora. Muitos da multidão, porém, acreditaram nele, e diziam: «O Cristo, quando vier, porventura fará mais sinais do que este fez?»

Os Fariseus ouviram a multidão a murmurar estas coisas a respeito dele; e os sumos sacerdotes e os Fariseus mandaram guardas para o prenderem.

Disse, pois, Jesus: «Ainda estou convosco um pouco de tempo, e vou para aquele que me enviou. Procurar-me-eis e não {me} encontrareis; e onde eu estou, vós não podeis vir».

Disseram, pois, os Judeus uns aos outros: «Para onde irá ele, que nós não o encontraremos? Porventura, irá à Dispersão, entre os Gregos, e ensinará os Gregos? Que palavra é esta que disse: 'Procurar-me-eis e não {me} encontrareis'; e, 'Onde eu estou, vós não podeis vir'?»

Último dia da festa

| Jo 7, 37-53 |

No último dia, porém, o grande [dia] da festa, Jesus estava de pé e clamou, dizendo: «Se alguém tem sede, venha a mim e beba, quem acredita em mim! Como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre!» Isto, porém, disse ele a respeito do Espírito que tinham de receber os que acreditassem nele; pois ainda não havia Espírito, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado.

Alguns dentre aquela multidão, pois, ouvindo estas palavras, diziam: «Este é, verdadeiramente, o profeta!» Outros diziam: «Este é o Cristo»; mas outros diziam: «Porventura, o Cristo vem da Galileia? Não disse a Escritura que o Cristo vem da descendência de David e da aldeia de Belém, donde era David?» Assim, fez-se uma divisão na multidão, por causa dele.

Alguns deles, porém, queriam prendê-lo; mas ninguém pôs as mãos nele.

Vieram, pois, os guardas junto dos sumos sacerdotes e dos Fariseus, e estes disseram-lhes: «Porque não o trouxestes?» Responderam os guardas: «Nunca um homem assim falou!» Responderam-lhes, pois, os Fariseus: «Porventura, também vós fostes seduzidos? Porventura, algum dos chefes acreditou nele, ou dos Fariseus? Mas esta multidão, que não conhece a Lei... são uns malditos!»

Diz-lhes Nicodemos (aquele que antes veio ter com ele), sendo um deles: «Porventura, a nossa lei julga um homem, sem o ouvir primeiro e conhecer o que ele faz?» Responderam e disseram-lhe: «Porventura, tu também és da Galileia? Examina e vê que da Galileia não surge profeta».

{E voltaram cada um para sua casa.}

A mulher adúltera perdoada

| Jo 8, 1-11 |

{Mas Jesus foi para o Monte das Oliveiras.

De manhã cedo, porém, veio novamente para o Templo, e todo o povo vinha ter com ele; e sentando-se, ensinava-os.

Os Escribas, porém, e os Fariseus trazem-lhe uma mulher surpreendida em adultério. E pondo-a no meio, dizem-lhe: «Mestre, esta mulher foi surpreendida em manifesto adultério! Na Lei, porém, Moisés mandou-nos apedrejar estas tais. Tu, porém, que dizes?» Isto diziam eles, tentando-o, para poderem acusá-lo.

Jesus, porém, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra. Mas, como insistissem em interrogá-lo, ergueu-se e disse-lhes: «Aquele que está sem pecado, dentre vós, [seja] o primeiro que atira uma pedra contra ela!» E, inclinando-se novamente, escrevia na terra.

Ouvindo, porém, saíam um após outro, começando pelos mais velhos; e ficou só {+ Jesus}, e a mulher, no meio, de pé.

Erguendo-se, porém, Jesus disse-lhe: «Mulher, onde estão {+ os que te acusavam}? Ninguém te condenou?» Ela, porém, disse: «Ninguém, Senhor!» Disse, porém, Jesus: «Nem eu te condeno; vai {e} desde agora não peques mais».}

Jesus, a luz do mundo

| Jo 8, 12-30 |

Jesus, pois, falou-lhes novamente, dizendo: «Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida».

Disseram-lhe, pois, os Fariseus: «Tu dás testemunho de ti mesmo: o teu testemunho não é verdadeiro».

Respondeu Jesus e disse-lhes: «E se eu dou testemunho de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro, porque sei donde vim e para onde vou; mas vós não sabeis donde venho, nem para onde vou.

Vós julgais segundo a carne; eu não julgo ninguém. E se eu julgo, porém, o meu juízo é verdadeiro; porque não estou só, mas eu e o Pai que me enviou. E na vossa Lei, porém, está escrito que o testemunho de dois homens é verdadeiro. Sou eu que dou testemunho de mim mesmo, e o Pai que me enviou dá testemunho de mim».

Diziam-lhe, pois: «Onde está o teu pai?» Jesus respondeu: «Não me conheceis a mim, nem o meu Pai. Se me conhecêsseis a mim, também conheceríeis o meu Pai».

Disse estas palavras no Tesouro, ensinando no Templo; e ninguém o prendeu, porque ainda não tinha chegado a sua hora.

Disse-lhes, pois, [Jesus] outra vez: «Eu vou; e procurar-me-eis e morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, vós não podeis vir». Diziam, pois, os Judeus: «Porventura, vai-se matar a ele próprio, porque diz: 'Para onde eu vou, vós não podeis ir'?»

E dizia-lhes [Jesus]: «Vós sois de baixo, eu sou do Alto; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo. Disse-vos que morrereis nos vossos pecados: pois, se não acreditardes que eu sou, morrereis nos vossos pecados».

Diziam-lhe, pois: «Quem és tu?» Disse-lhes Jesus: «O princípio, o que vos digo... Muitas coisas tenho de dizer e julgar acerca de vós; mas aquele que me enviou é verdadeiro; e eu, o que ouvi dele, digo-o ao mundo». Eles não perceberam que lhes falava do Pai.

Disse {-lhes}, pois, Jesus: «Quando tiverdes levantado o Filho do Homem, então conhecereis que eu sou, e que nada faço de mim mesmo; mas como o Pai me ensinou, assim falo. E aquele que me enviou está comigo: não me deixou só; porque eu faço sempre as coisas que lhe agradam».

Dizendo ele estas coisas, muitos acreditaram nele.

Discussão sobre a descendência de Abraão

| Jo 8, 31-59 |

Dizia, pois, Jesus aos Judeus que acreditaram nele: «Se vós permanecerdes na minha palavra, sereis, verdadeiramente, meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará».

Responderam-lhe: «Somos descendentes de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém; como dizes tu: 'sereis livres'?»

Respondeu-lhes Jesus: «Amém, amém, digo-vos que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. O escravo, porém, não permanece em casa eternamente; o filho permanece eternamente. Se, pois, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres. Sei que sois descendência de Abraão; mas, procurais matar-me, porque a minha palavra não penetra em vós. Eu digo o que vi junto do {+ meu} Pai; e vós, pois, fazeis o que ouvistes do pai {// o que vistes junto do vosso pai}».

Responderam e disseram-lhe: «O nosso pai é Abraão». Diz-lhes Jesus: «Se sois filhos de Abraão, fazei as obras de Abraão. Mas agora procurais matar-me, um Homem que vos disse a verdade que ouviu de Deus. Isso, Abraão não fez. Vós fazeis as obras do vosso pai».

Disseram-lhe, {pois}: «Nós não nascemos de prostituição; temos um Pai: Deus».

Disse-lhes Jesus: «Se Deus fosse o vosso Pai, vós me amaríeis, porque eu saí de Deus e vim; pois não vim de mim mesmo, mas ele enviou-me. Porque não conheceis a minha linguagem? Porque não podeis ouvir a minha palavra. Vós sois do pai Diabo, e quereis satisfazer os desejos do vosso pai. Ele era homicida desde o princípio, e não estava na verdade, porque não há verdade nele. Quando fala mentira, fala do que lhe é próprio; porque é mentiroso e pai da mentira. Mas eu, porque digo a verdade, não acreditais em mim. Quem dentre vós me acusa de pecado? Se digo a verdade, porque é que vós não acreditais em mim? Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso vós não [as] ouvis, porque não sois de Deus».

Responderam os Judeus e disseram-lhe: «Não dizemos bem, nós, que tu és samaritano e tens demônio?»

Jesus respondeu: «Eu não tenho demônio; mas honro o meu Pai, e vós desonrais-me. Eu, porém, não procuro a minha glória; há quem a procura e julga. Amém, amém, digo-vos: Se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte».

Disseram-lhe {pois} os Judeus: «Agora sabemos que tens demônio! Abraão morreu, e os Profetas; e tu dizes: 'Se alguém guardar a minha palavra, nunca provará a morte'! Porventura és tu maior do que o nosso pai Abraão, que morreu? E os Profetas morreram! Quem te fazes a ti próprio??»

Respondeu Jesus: «Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória nada é. É o meu Pai quem me glorifica, do qual vós dizeis 'É o nosso Deus'; e não o conheceis. Mas eu conheço-o; e se disser que não o conheço, serei semelhante a vós: mentiroso. Mas eu conheço-o e guardo a sua palavra. Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia; e viu e alegrou-se».

Disseram-lhe, pois, os Judeus: «Ainda não tens cinqüenta anos e viste Abraão?!» Disse-lhes Jesus: «Amém, amém, digo-vos: Antes que Abraão existisse, eu sou».

Tomaram, pois, pedras para lhe atirarem; mas Jesus escondeu-se e saiu do Templo.

Cura de um cego de nascença

| Jo 9 |

E passando, [Jesus] viu um homem cego de nascença.

E interrogaram-no os seus discípulos, dizendo: «Rabbi, quem pecou, este ou os seus pais, para que nascesse cego?» Respondeu Jesus: «Nem ele pecou nem os seus pais; mas [foi] para que nele se manifestassem as obras de Deus. É-nos {//-me} necessário fazer as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; vem a noite, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo».

Dito isto, cuspiu na terra e fez lodo com a saliva, e aplicou o lodo sobre os olhos dele, e disse-lhe: «Vai, lava-te na piscina de Siloé (que traduzido é: Enviado). E foi, pois, lavou-se, e voltou a ver.

Os vizinhos, pois, e os que o tinham visto antes (porque era mendigo), diziam: «Não é este o que estava sentado e mendigava?» Uns diziam: «É ele». Outros diziam: «Não, mas parece-se com ele». Ele dizia: «Sou eu!»

Diziam-lhe, pois: «Como se te abriram {então} os olhos?» Respondeu ele: «O homem que se chama Jesus fez lodo, untou-me os olhos, e disse-me: 'Vai a {+ à piscina de} Siloé e lava-te'. Tendo ido, pois, e tendo-me lavado, vi».

E disseram-lhe: «Onde está ele?» Ele diz: «Não sei».

Levam aos Fariseus o que fora cego. Era sábado, porém, o dia em que Jesus fez lodo e abriu os olhos dele.

Novamente, pois, os Fariseus também o interrogavam sobre como ele via. Ele, porém, disse-lhes: «Pôs-me lodo sobre os olhos, e lavei-me e vejo». Diziam, pois, alguns dos Fariseus: «Não é de Deus este homem, pois não guarda o sábado!» Outros {porém} diziam: «Como pode um homem pecador fazer estes sinais?» E havia divisão entre eles.

Dizem, pois, novamente, ao cego: «Tu que dizes do que abriu os teus olhos?» Mas ele disse: «É profeta!»

Os Judeus não acreditaram, pois, que ele tivesse sido cego e visse, até que chamaram os pais daquele que via; e interrogaram-nos, dizendo: «É este o vosso filho, que vós dizeis que nasceu cego? Como, pois, vê agora?» Os seus pais responderam, pois, e disseram: «Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego. Mas como agora vê, não sabemos; ou quem abriu os olhos dele, nós não sabemos. Interrogai-o. Tem idade: ele falará por ele!» Isso disseram os seus pais, porque temiam os Judeus; porque os Judeus já tinham combinado que se alguém confessasse ser ele o Cristo, fosse expulso da sinagoga. Por isso é que os seus pais disseram: «Tem idade: interrogai-o».

Chamaram, pois, pela segunda vez, o homem que fora cego, e disseram-lhe: «Dá glória a Deus! Nós sabemos que esse homem é pecador!» Respondeu, pois, ele: «Se é pecador, não sei; uma coisa sei: sendo cego, agora vejo!»

Disseram-lhe pois: «Que te fez? Como te abriu os olhos?» Respondeu-lhes: «Já vos disse e não ouvistes! Para que quereis ouvir novamente? Por acaso, também vós quereis tornar-vos discípulos dele?» E injuriaram-no e disseram: «Discípulo dele és tu! Nós, porém, somos discípulos de Moisés! Nós sabemos que Deus falou a Moisés. Este, porém, não sabemos donde é!»

Respondeu o homem e disse-lhes: «Nisto, pois, está a maravilha: que não sabeis donde é, e abriu-me os olhos! Sabemos que Deus não ouve pecadores; mas, se alguém é piedoso e faz a vontade dele, ele ouve-o! Desde [o princípio] do mundo, não se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença. Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer!»

Responderam e disseram-lhe: «Tu nasceste todo em pecados, e ensinas-nos a nós?!...» E lançaram-no fora.

Jesus ouviu dizer que o tinham lançado fora; e, encontrando-o, disse: «Tu acreditas no Filho do Homem {// no Filho de Deus}?» Respondeu ele e disse: «E quem é, senhor, para que acredite nele?» Disse-lhe Jesus: «Já o viste, e é ele quem fala contigo!» Ele, porém, afirmou: «Acredito, Senhor!» E adorou-o.

E disse Jesus: «Eu vim a este mundo para um juízo: para que os que não vêem vejam, e os que vêem se tornem cegos». Alguns dos Fariseus que estavam com ele, ouviram isto e disseram-lhe: «Porventura também somos nós cegos?» Disse-lhes Jesus: «Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas agora dizeis: 'Nós vemos', o vosso pecado permanece».

Jesus, o bom pastor

| Jo 10, 1-21 |

«Amém, amém, digo-vos: Quem não entra pela porta no redil das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é ladrão e salteador.

Mas o que entra pela porta é o pastor das ovelhas. A este o porteiro abre; e as ovelhas ouvem a sua voz; e ele chama as suas ovelhas pelo nome, e as conduz para fora. Depois de conduzir para fora todas as que lhe pertencem, vai diante delas, e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz; mas não seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos». Jesus propôs-lhes esta parábola; mas eles não entenderam o que é que lhes dizia.

Disse-lhes, Jesus, novamente: «Amém, amém, digo-vos: Eu sou a porta das ovelhas. Todos quantos vieram {antes de mim} são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram.

Eu sou a porta: se alguém entrar por mim, será salvo; e entrará e sairá, e encontrará pastagens. O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.

Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. O mercenário e que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas e foge (e o lobo arrebata-as e dispersa), porque ele é mercenário, e não se interessa pelas ovelhas.

Eu sou o bom pastor e conheço as minhas ovelhas, e as minhas conhecem-me; assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas.

E tenho outras ovelhas que não são deste redil, e é necessário eu trazê-las, e elas ouvirão a minha voz; e haverá um rebanho, um pastor.

Por isso, o Pai me ama, porque dou a minha vida para a tomar novamente. Ninguém a tira de mim, mas eu dou-a por mim mesmo: tenho poder para a dar e tenho poder para tomar novamente. Recebi este mandamento do meu Pai».

Fez-se, novamente, uma divisão entre os Judeus, por causa destas palavras. Muitos deles, porém, diziam: «Tem demônio e enlouqueceu! Porque o ouvis?» Outros diziam: «Estas palavras não são de um demoníaco! Porventura, pode um demônio abrir os olhos aos cegos?»

Jesus recusado numa aldeia da Samaria

| Lc 9, 51-56 |

Aconteceu porém que, quando se completaram os dias da sua assunção, ele determinou o {+ seu} aspecto de ir a Jerusalém.

E enviou mensageiros diante da sua face. E indo eles, entraram numa aldeia de Samaritanos, para lhe prepararem [a estadia]. E não o receberam, porque o seu aspecto era de quem ia a Jerusalém.

Vendo, porém, os discípulos Tiago e João disseram: «Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu e os consuma?»

Voltando-se, porém, repreendeu-os {+ e disse: «Não sabeis de que espírito sois vós; pois o Filho do Homem não veio para perder as almas dos homens, mas salvar»}. E foram para outra aldeia.

Condições para seguir Jesus

| Lc 9, 57-62 |

E indo eles no caminho, disse-lhe um [homem]: «Seguir-te-ei para onde quer que vás». E disse-lhe Jesus: «As raposas têm tocas, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça!»

Disse, porém, a outro: «Segue-me!» Este, porém, disse: «{Senhor}, permite-me ir primeiro sepultar o meu pai». Disse-lhe, porém, {+ Jesus}: «Deixa os mortos sepultar os seus mortos; tu, porém, indo, anuncia o Reino de Deus».

Outro, porém, disse: «Seguir-te-ei, Senhor; mas primeiro permite-me despedir-me dos que estão em minha casa». Jesus, porém, disse {-lhe}: «Ninguém, lançando a {+ sua} mão ao arado e olhando para trás, é apto para o Reino de Deus!»

Missão dos setenta {e dois} discípulos

| Lc 10, 1-12 |

Depois disto, porém, designou o Senhor outros setenta {e dois}, e enviou-os dois a dois, diante da sua face, a toda a cidade e lugar aonde ele havia de ir.

Dizia-lhes, porém: «Na verdade, a seara é grande, mas os operários, poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.

Ide; eis que vos envio como cordeiros no meio de lobos.

Não leveis bolsa, nem alforge, nem calçados; e a ninguém saudeis pelo caminho.

Em qualquer casa em que entrardes, porém, dizei primeiro: 'Paz a esta casa'. E se ali houver um filho da paz, repousará sobre ele a vossa paz; senão, voltará para vós. Permanecei, porém, na mesma casa, comendo e bebendo do que neles houver; pois o operário é digno do seu salário. Não andeis de casa em casa.

E em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei o que vos puserem diante.

E curai os enfermos que nela estiverem, e dizei-lhes: 'Está próximo de vós o Reino de Deus'.

Em qualquer cidade, porém, em que entrardes, e vos não receberem, saindo para as ruas, dizei: 'Até o pó da vossa cidade, que se nos pegou aos pés, sacudimos contra vós. Contudo, sabei isto: que o Reino de Deus está próximo'. Digo-vos que naquele dia haverá menos rigor para Sodoma do que para aquela cidade!»

Maldição das cidades do lago

| Lc 10, 13-15 |

«Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se em Tiro e em sidônia se tivessem feito os milagres que em vós se fizeram, há muito elas, sentadas em cilício e em cinza, se teriam arrependido!

Contudo, para Tiro e sidônia haverá menos rigor, no [dia do] Juízo, do que para vós.

E tu, Cafarnaum, porventura serás elevada até ao céu? Até ao Inferno serás precipitada!»

Quem vos ouve

| Lc 10, 16 |

«Quem vos ouve, a mim me ouve; e quem vos despreza, a mim me despreza; e quem, porém, me despreza, despreza aquele que me enviou».

Volta dos setenta {e dois} discípulos

| Lc 10, 17-20 |

Voltaram, porém, os setenta {e dois} com alegria, dizendo: «Senhor, até os demônios se nos submetem em teu nome!»

Disse-lhes, porém, [Jesus]: «Eu via Satanás, como raio, a cair do céu.

Eis que vos dei autoridade para pisar serpentes e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo; e nada vos fará dano.

Contudo, não vos alegreis nisto, porque os espíritos se vos submetem; mas alegrai-vos por estarem os vossos nomes escritos nos Céus».

O Evangelho revelado aos simples

| Lc 10, 21-22 |

Naquela hora, exultou pelo Espírito Santo, e disse: «Graças te dou, Pai, Senhor do Céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e aos entendidos, e as revelaste aos pequeninos; sim, Pai, porque assim se tornou de agrado perante ti!

Todas as coisas me foram entregues pelo meu Pai; e ninguém conhece quem é o Filho, senão o Pai; e [ninguém conhece] quem é o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar».

Privilégio dos discípulos

| Lc 10, 23-24 |

E voltando-se para os discípulos, à parte, disse: «Bem-aventurados os olhos que vêem o que vós vedes! Pois vos digo que muitos Profetas e reis quiseram ver o que vós vedes, e não viram; e ouvir o que ouvis, e não ouviram!»

O maior mandamento

| Lc 10, 25-28 |

E eis que se levantou certo doutor da Lei, tentando-o, dizendo: «Mestre, que tendo feito, possuirei a vida eterna?»

Mas ele disse-lhe: «Na lei, que está escrito? Como lês?» Ele, porém, respondendo, disse: «Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de toda a tua força e de todo o teu entendimento, e o teu próximo como a ti mesmo».

Disse-lhe, porém: «Respondeste bem; faz isso e viverás».

Parábola do bom samaritano

| Lc 10, 29-37 |

Ele, porém, querendo justificar-se, disse a Jesus: «E quem é o meu próximo?»

Prosseguindo, Jesus disse: «Certo homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu [nas mãos] de ladrões, que, despojando-o e fazendo-lhe feridas, se retiraram, deixando-o meio morto.

Por acaso, porém, certo sacerdote descia pelo mesmo caminho; e vendo-o, passou ao lado. Igualmente, porém, também um levita {passando} pelo lugar, vindo e vendo, passou ao lado.

Mas certo samaritano, que ia de viagem, veio perto dele e, vendo-o, moveu-se de compaixão; e, aproximando-se, ligou as feridas dele, deitando azeite e vinho. Pondo-o, porém, sobre o seu jumento, levou-o para uma estalagem e cuidou dele.

E no dia seguinte, tomando dois denários, deu-os ao hospedeiro e disse: 'Tem cuidado dele; e tudo o que gastares a mais, eu, quando voltar, to pagarei'.

Qual, pois, destes três te parece ter sido o próximo daquele que caiu [nas mãos] dos ladrões?»

Ele, porém, disse: «Aquele que praticou misericórdia para com ele...» Disse-lhe, porém, Jesus: «Vai, e faz tu igualmente».

Marta e Maria

| Lc 10, 38-42 |

Quando iam eles a caminho, porém, ele entrou em certa aldeia; certa mulher, porém, de nome Marta, recebeu-o {+ em sua casa}.

E esta tinha uma irmã chamada Maria, que, sentando-se aos pés do Senhor, ouvia a sua palavra.

Marta, porém, afadigava-se em torno de muito serviço. Parando, porém, disse: «Senhor, não te importas que a minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe, pois, que me ajude».

Respondendo, porém, disse-lhe o Senhor: «Marta, Marta, afadigas-te e perturbas-te em torno de muitas coisas; mas só uma é necessária. Maria escolheu, pois, a boa parte, que não lhe será tirada».

O Pai-Nosso

| Lc 11, 1-4 |

E aconteceu que, estando ele em certo lugar, orando, quando acabou, disse-lhe um dos seus discípulos: «Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou os seus discípulos».

Disse-lhes, porém: «Quando orardes, dizei: 'Pai, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; dá-nos cada dia o nosso pão supersubstancial; e perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todo aquele que nos deve; e não nos induzas em tentação.'»

Parábola do amigo importuno

| Lc 11, 5-8 |

E [Jesus] disse-lhes: «Quem de vós tiver um amigo, e for ter com ele à meia-noite e lhe disser: 'Amigo, empresta-me três pães, porque um amigo meu vem de viagem a minha [casa], e não tenho que lhe apresentar'; e se ele, de dentro, respondendo, disser: 'Não me incomodes; já está a porta fechada e os meus filhos estão comigo na cama; não posso, levantando-me, dar-tos'... Digo-vos: E se não lhos der, levantando-se, por ser seu amigo, todavia, por causa da sua importunidade, levantando-se, dar-lhe-á de quantos ele precisar».

Eficácia na oração

| Lc 11, 9-13 |

«E eu digo-vos: Pedi, e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede, recebe; e quem procura, encontra; e ao que bate, abrir-se-á.

Qual dentre vós, porém, é o pai que, se o filho lhe pedir {+ pão, porventura lhe dará uma pedra? Ou} peixe, e por peixe lhe dará uma serpente? Ou, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião?

Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que lhe pedirem?»

Jesus em Jerusalém na festa da Dedicação

| Jo 10, 22-39 |

Fizeram-se, então, as festas da Dedicação, em Jerusalém.

Era Inverno; e andava Jesus no Templo, no pórtico de Salomão. Rodearam-no, pois, os Judeus e diziam-lhe: «Até quando tomarás a nossa alma? Se tu és o Cristo, diz-nos abertamente».

Respondeu-lhes Jesus: «Disse-vos, e não acreditais. As obras que eu faço em nome do meu Pai, estas dão testemunho de mim. Mas vós não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas. As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas seguem-me; e eu dou-lhes a vida eterna, e não perecerão eternamente; e ninguém as arrebatará da minha mão. O meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão do {+ meu} Pai. Eu e o Pai somos um».

Os Judeus pegaram então outra vez em pedras para o apedrejarem.

Respondeu-lhes Jesus: «Muitas obras boas da parte do {+ meu} Pai vos mostrei; por qual destas obras me apedrejais?» Responderam-lhe os Judeus: «Não te apedrejamos por uma obra boa, mas por blasfêmia; e porque tu, sendo homem, te fazes Deus!» Respondeu-lhes Jesus: «Não está escrito na vossa lei: 'Eu disse: Sois deuses'? Se chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada), àquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, vós dizeis: 'Blasfemas'; porque eu disse: 'Sou Filho de Deus'?!

Se não faço as obras do meu Pai, não acrediteis em mim. Mas se faço, e se não acreditais em mim, acreditai nas obras, para que conheçais e saibais {// acrediteis} que o Pai está em mim e eu no Pai».

Procuravam {pois} novamente, prendê-lo; e ele saiu das mãos deles.

Jesus retira-se para além do Jordão

| Jo 10, 40-42 |

E foi novamente para além do Jordão, para o lugar onde João estava a batizar primeiro; e permaneceu aí.

Muitos vieram ter com ele, e diziam: «João, na verdade, não fez nenhum sinal, mas todas as coisas que João disse deste eram verdadeiras!»

E muitos ali acreditaram nele.

Cura de um possesso mudo

| Lc 11, 14 |

E estava a expulsar um demônio {e este era} mudo. Aconteceu porém que, tendo saído o demônio, o mudo falou; e as multidões admiraram-se.

Jesus e Belzebu

| Lc 11, 15-23 |

Mas alguns deles disseram: «Por Belzebu, o príncipe dos demônios, ele expulsa os demônios!» Outros, porém, tentando-o, pediam dele um sinal do Céu.

Ele, porém, conhecendo os pensamentos deles, disse-lhes: «Todo o reino dividido contra si mesmo será desolado, e uma casa sobre uma casa cai.

Se, porém, também Satanás está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Pois dizeis que eu expulso os demônios por Belzebu. Se eu, porém, expulso os demônios por Belzebu, os vossos filhos por quem os expulsam? Por isso eles mesmos serão os vossos juízes. Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, logo chegou a vós o Reino de Deus.

Quando um [homem] forte, armado, guarda o seu átrio, os seus bens estão em paz; mas, se um mais forte do que ele, sobrevindo, o vencer, tira toda a sua armadura, em que confiava, e distribui os seus despojos.

Quem não é comigo, é contra mim; e quem não junta comigo, dispersa».

Volta do espírito impuro

| Lc 11, 24-26 |

«Quando o espírito imundo tiver saído do homem, deambula por lugares áridos, procurando repouso; e, não o encontrando, {então} diz: 'Voltarei para a minha casa, donde saí'.

E quando vier, encontra-a varrida e adornada. Então vai, e toma outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, habitam ali; e o último estado desse homem torna-se pior do que o primeiro».

A verdadeira felicidade

| Lc 11, 27-28 |

Aconteceu porém que, enquanto ele dizia estas coisas, certa mulher dentre a multidão, levantando a voz, disse-lhe: «Bem-aventurado o útero que te trouxe e os peitos em que te amamentaste!»

Mas ele disse: «Antes bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam!»

O sinal de Jonas e a rainha do Sul

| Lc 11, 29-32 |

Como afluíssem, porém, as multidões, começou ele a dizer: «Esta geração é uma geração má! Procura um sinal, e não lhe será dado sinal, senão o sinal de Jonas. Porque, como Jonas se tornou sinal para os Ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração.

A rainha do Sul levantar-se-á no Juízo contra os homens desta geração e condená-los-á; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; e eis aqui mais do que Salomão.

Os varões ninivitas levantar-se-ão no Juízo contra esta geração e condená-la-ão; porque se arrependeram à pregação de Jonas; e eis aqui mais do que Jonas».

Parábola da lâmpada do corpo

| Lc 11, 33-36 |

«Ninguém, acendendo uma lâmpada, a põe em lugar oculto {nem debaixo do alqueire}, mas no candelabro, para que os que entram vejam a luz.

A lâmpada do corpo é o teu olho. Quando o teu olho for simples, também todo o teu corpo será luminoso; mas se for mau, também o teu corpo será tenebroso.

Vê, pois, que a luz que está em ti não sejam trevas. Se, pois, todo o teu corpo for luminoso, não tendo nenhuma parte tenebrosa, será inteiramente luminoso, como quando a lâmpada te ilumina com o seu resplendor».

Contra os Fariseus e os Legistas, em casa de um fariseu

| Lc 11, 37-54 |

Enquanto, porém, [Jesus] falava, um fariseu pediu-lhe para almoçar com ele. Tendo entrado, porém, [Jesus] reclinou-se à mesa.

O fariseu, porém, vendo, admirou-se de que ele não se tivesse lavado primeiro, antes do almoço.

Disse-lhe, porém, o Senhor: «Agora, vós, Fariseus, limpais o exterior do copo e do prato; mas o vosso interior está cheio de rapina e de maldade!

Loucos, quem fez o exterior, não fez também o interior? Dai, porém, de esmola o que está dentro, e eis que todas as coisas serão limpas para vós.

Mas ai de vós, Fariseus, porque dais o dízimo da hortelã e da arruda e de toda a hortaliça, e desprezais a justiça e o amor de Deus! Importava, porém, fazer estas coisas e não omitir aquelas.

Ai de vós, Fariseus, porque amais a primeira cadeira nas sinagogas e as saudações nas praças!

Ai de vós, porque sois como os túmulos que não parecem, e os homens que andam por cima não conhecem!»

Respondendo, porém, um dos doutores da lei diz-lhe: «Mestre, dizendo isso, também nos afrontas a nós!»

Ele, porém, disse: «E ai de vós, também, doutores da lei, porque carregais os homens com fardos insuportáveis, e vós não tocais nesses fardos nem com um dos vossos dedos!

Ai de vós, porque edificais os túmulos dos Profetas, mas os vossos pais mataram-nos. Assim sois testemunhas e aprovais as obras dos vossos pais; porque eles mataram-nos, mas vós edificais! Por isso, também a sabedoria de Deus disse: Mandar-lhes-ei Profetas e Apóstolos, e matarão e perseguirão alguns deles; para que seja requerido o sangue de todos os Profetas, a esta geração, derramado desde a criação do mundo, desde o sangue de Abel, até ao sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o Templo. Sim, eu vos digo: Será requerido a esta geração!

Ai de vós, doutores da lei, porque tomastes a chave da ciência! Vós mesmos não entrastes e impedistes os que entravam!»

E saindo ele dali, começaram os Escribas e os Fariseus a insistir fortemente, e a importuná-lo acerca de muitas coisas, armando-lhe ciladas, para apanharem alguma coisa da boca dele.

O fermento dos Fariseus

| Lc 12, 1 |

Entretanto, juntando-se miríades de multidão, de modo que se esmagavam uns aos outros, começou a dizer primeiro aos seus discípulos: «Acautelai-vos do fermento dos Fariseus, que é a hipocrisia!»

Testemunhar Jesus abertamente

| Lc 12, 2-12 |

«Mas nada há encoberto, que não venha a ser descoberto; nem oculto, que não venha a ser conhecido. Porque tudo o que dissestes nas trevas, será ouvido à luz; e o que falastes ao ouvido, nos cubículos, será proclamado nos tetos.

Digo-vos, porém, meus amigos: Não tenhais medo dos que matam o corpo, e depois disso não têm mais que [possam] fazer. Mas eu mostrar-vos-ei a quem temereis: Temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar na Geena! Sim, digo-vos: Temei esse!

Não se vendem cinco passarinhos por dois asses? E nem um deles é esquecido perante Deus. Mas até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais: Valeis mais do que muitos passarinhos.

Mas digo-vos: Todo aquele que me confessar perante os homens, também o Filho do Homem o confessará perante os anjos de Deus; mas quem me negar perante os homens, será negado perante os anjos de Deus.

E a todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado; mas ao que blasfemar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado.

Quando, porém, vos conduzirem às sinagogas, aos magistrados e às autoridades, não estejais solícitos de como, ou do que respondereis, ou do que direis; porque o Espírito Santo vos ensinará na mesma hora o que é necessário dizer».

Parábola do rico insensato

| Lc 12, 13-21 |

Disse-lhe, porém, um da multidão: «Mestre, diz ao meu irmão que divida comigo a herança!» Mas ele disse-lhe: «Homem, quem me constituiu juiz ou repartidor, sobre vós?»

Disse-lhes, porém: «Vede e acautelai-vos de toda a cobiça; porque mesmo na abundância, para um [homem,] a vida dele não está nas coisas que possui».

Disse-lhes, porém, uma parábola, dizendo: «O campo de um homem rico produzira com abundância. E pensava consigo, dizendo: 'Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos?' E disse: 'Farei isto: destruirei os meus celeiros e edificarei outros maiores, e ali recolherei todo o trigo e os meus bens; e direi à minha alma: Alma, tens muitos bens em depósito para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te'.

Mas Deus disse-lhe: 'Insensato, esta noite pedir-te-ão a tua alma; mas o que preparaste para quem será?'

Assim é aquele que entesoura para si, e não é rico para Deus».

Cuidados temporais

| Lc 12, 22-32 |

Disse, porém, aos {seus} discípulos: «Por isso vos digo: Não estejais ansiosos para a vida, pelo que comereis, nem para o corpo, pelo que vestireis. Pois a vida é mais do que o alimento e o corpo [mais] do que a roupa.

Considerai os corvos, que não semeiam nem ceifam; que não têm despensa nem celeiro; e Deus alimenta-os. Quanto mais valeis vós do que as aves!

Qual de vós, porém, inquietando-se, pode acrescentar um côvado à sua estatura? Porque se nem a menor coisa podeis fazer, porque estais ansiosos com as outras?

Considerai os lírios, como crescem, não trabalham, nem fiam. Digo-vos, porém: Nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. Se, porém, Deus assim veste a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, [homens] de pouca fé?

E vós não procureis o que comereis, ou o que bebereis, e não estejais preocupados. Porque todas estas coisas, os povos do mundo procuram [-nas], mas o vosso Pai sabe que precisais delas.

Procurai antes o seu reino {// o Reino de Deus}, e estas coisas vos serão acrescentadas.

Não temas, pequeno rebanho, porque ao vosso Pai agradou dar-vos o reino».

O verdadeiro tesouro

| Lc 12, 33-34 |

«Vendei o que possuís e dai esmola. Fazei para vós bolsas que não envelhecem, um tesouro inesgotável nos Céus, aonde o ladrão não chega nem a traça corrói. Porque, onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração».

Servos vigilantes

| Lc 12, 35-38 |

«Estejam os vossos lombos cingidos e as lâmpadas acesas. E vós [sede] semelhantes a homens que esperam o seu senhor, quando voltar das bodas, para que, quando vier e bater [à porta], logo lhe abram.

Bem-aventurados aqueles servos, os quais o senhor, quando vier, encontrar vigilantes! Amém, digo-vos que se cingirá, e os fará reclinar-se à mesa e, passando, servi-los-á.

E se vier na segunda {+ vigília}, e se vier na terceira vigília, e assim os encontrar, bem-aventurados são eles!»

Apelo à vigilância

| Lc 12, 39-40 |

«Sabei, porém, isto: Se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão, {+ vigiaria e} não deixaria a sua casa ser arrombada.

E vós, estai preparados, porque, numa hora em que não pensais, virá o Filho do Homem».

Parábola do ecônomo fiel

| Lc 12, 41-48 |

Pedro, porém, disse: «Senhor, dizes esta parábola para nós, ou também para todos?»

E disse o Senhor: «Qual é o fiel ecônomo, prudente, que o Senhor porá sobre os seus servos, para dar a tempo a medida de trigo?

Bem-aventurado aquele servo que, quando vier o seu senhor, encontrar fazendo assim! Verdadeiramente, vos digo que o constituirá sobre todos os seus bens.

Mas, se aquele servo disser no seu coração: 'O meu senhor demora'; e começar a espancar os criados e as criadas, e a comer, a beber e a embriagar-se, virá o senhor daquele servo num dia em que não espera e numa hora que não sabe, e dividi-lo-á, e porá a parte dele com os infiéis.

Mas aquele servo que conheceu a vontade do seu senhor, e não se preparou, nem fez conforme a vontade dele, [terá] muitos açoites; mas o que não a conheceu e fez coisas dignas de feridas, [terá] poucos açoites.

A todo, porém, a quem muito foi dado, muito se procurará dele; e a quem confiaram muito, mais pedirão dele».

Jesus, motivo de divisões

| Lc 12, 49-53 |

«Vim lançar fogo à terra; e que quero? Se já estivesse aceso!...

Tenho, porém, um batismo em que serei batizado; e como me angustio até que seja cumprido!

Pensais que vim trazer a paz à terra? Não, digo-vos, mas a separação: pois, desde agora, estarão cinco numa casa, divididos, três contra dois, e dois contra três; estarão divididos: pai contra filho, e filho contra pai; mãe contra filha, e filha contra mãe; sogra contra a sua nora, e nora contra sogra».

Saber interpretar os sinais dos tempos

| Lc 12, 54-57 |

Dizia, porém, às multidões: «Quando vedes uma nuvem levantando-se do ocidente, logo dizeis: 'Vem chuva'; e assim acontece; e quando [vedes] o vento sul dizeis; 'Vai estar quente'; e acontece.

Hipócritas, sabeis discernir a face da terra e do céu; como, porém, não sabeis discernir este tempo?

Mas, porque não julgais também por vós mesmos o que é justo?»

Reconciliação a tempo

| Lc 12, 58-59 |

«Quando, porém, vais com o teu adversário ao magistrado, no caminho, dá [-lhe] a obra de seres libertado por ele; para que ele não te conduza ao juiz, e o juiz te entregue ao meirinho, e o meirinho te lance na prisão.

Digo-te: Não sairás de lá, enquanto não pagares até o último leito».

O caso dos Galileus e a queda da torre de Siloé

| Lc 13, 1-5 |

Naquele mesmo tempo, porém, aproximaram-se alguns, anunciando-lhe [o caso] dos Galileus cujo sangue Pilatos misturara com os sacrifícios deles.

E respondendo, disse-lhes: «Pensais que esses Galileus foram mais pecadores do que todos os Galileus, porque padeceram tais coisas? Não, digo-vos; mas se não vos arrependerdes, todos perecereis igualmente.

Ou aqueles dezoito, sobre os quais caiu a torre em Siloé e matou-os, pensais que eles foram mais culpados do que todos os homens habitantes de Jerusalém? Não, digo-vos; mas se não vos arrependerdes, todos perecereis igualmente».

Parábola da figueira estéril

| Lc 13, 6-9 |

Dizia, porém, esta parábola: «Certo [homem] tinha uma figueira plantada na sua vinha; e veio procurar fruto nela e não o encontrou.

Disse, porém, ao viticultor: 'Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não o encontro. Corta-a {pois}. Para que torna, ainda, a terra inútil?' Mas ele, respondendo, diz-lhe: 'Senhor, deixa-a ainda este ano, para que eu cave em volta dela e ponha estrume; e se, pois, der fruto no futuro [ficará]; se não, cortá-la-ás {// e se, pois, der fruto [ficará]; se não, no futuro cortá-la-ás}'».

Cura de uma mulher encurvada

| Lc 13, 10-17 |

Estava, porém, a ensinar numa das sinagogas, ao sábado.

E eis [que estava ali] uma mulher que tinha um espírito de enfermidade, havia dezoito anos; e era inclinada e não podia de modo nenhum olhar para cima.

Vendo-a, Jesus chamou-a e disse-lhe: «Mulher, estás livre da tua enfermidade!» E impôs-lhe as mãos, e ela endireitou-se imediatamente e glorificava a Deus.

Respondendo, porém, o chefe da sinagoga, indignado porque Jesus curara no sábado, dizia à multidão: «São seis os dias em que se deve trabalhar. Vindo, pois, neles, sede curados, e não no dia de sábado!»

Respondeu-lhe, porém, o Senhor e disse: «Hipócritas, qual de vós, no sábado, não solta da manjedoura o seu boi ou o jumento, e o leva a beber? Esta filha de Abraão, porém, que Satanás tinha presa há dezoito anos, não devia ser solta desta prisão, no dia de sábado?»

E dizendo ele essas coisas, todos os seus adversários ficavam envergonhados. E todo o povo se alegrava por todas as coisas gloriosas feitas por ele.

Parábola do grão de mostarda

| Lc 13, 18-19 |

Ele dizia, pois: «A que é semelhante o Reino de Deus, e a que o compararei?

É semelhante a um grão de mostarda que um homem, tomando, lançou na sua horta; cresceu, e fez-se árvore, e as aves do céu abrigaram-se nos seus ramos».

Parábola do fermento

| Lc 13, 20-21 |

E disse outra vez: «A que compararei o Reino de Deus?

É semelhante ao fermento que uma mulher, tomando, ocultou em três medidas de farinha, até que tudo tenha fermentado».

Viagem de Jesus para Jerusalém

| Lc 13, 22 |

E percorria [Jesus] por cidades e aldeias, ensinando e caminhando para Jerusalém.

A porta estreita do Reino de Deus

| Lc 13, 23-24 |

Disse-lhe, porém, alguém: «Senhor, são poucos os que se salvam?»

Ele, porém, disse-lhes: «Esforçai-vos por entrar pela porta estreita; porque muitos, digo-vos, procurarão entrar e não poderão!»

O dono da casa

| Lc 13, 25-30 |

«Quando, porém, o dono da casa se tiver levantado e fechado a porta, e começardes a estar de fora, a bater à porta, dizendo: 'Senhor, abre-nos!'; e, respondendo, vos dirá: 'Não sei donde vós sois!'; então começareis a dizer: 'Comemos perante ti e bebemos, e ensinaste nas nossas ruas'; e ele dirá, falando-vos: 'Não sei donde {vós} sois! Afastai-vos de mim, todos os operários da iniqüidade!'

Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac, Jacob e todos os Profetas no Reino de Deus; mas vós lançados fora!

E virão do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, e reclinar-se-ão à mesa no Reino de Deus.

E eis que existem últimos que serão primeiros, e existem primeiros que serão últimos».

Contra a ameaça de Herodes, Jesus deve morrer em Jerusalém

| Lc 13, 31-33 |

Naquela mesma hora, aproximaram-se alguns dos Fariseus, dizendo-lhe: «Sai e vai-te daqui, porque Herodes quer te matar!»

E [Jesus] disse-lhes: «Indo, dizei a essa raposa: Eis que expulso demônios e faço curas, hoje e amanhã, e no terceiro dia estou consumado.

É necessário, contudo, que eu caminhe hoje, amanhã e no dia seguinte; porque não convém que um profeta morra fora de Jerusalém!»

Apóstrofes a Jerusalém

| Lc 13, 34-35 |

«Jerusalém, Jerusalém, que matas os Profetas, e apedrejas os que foram enviados a ti, quantas vezes eu quis juntar os teus filhos, como a galinha os seus pintainhos sob as asas, e não quiseste!

Eis que vos é deixada a vossa casa. Digo-vos {porém}: Não me vereis até que {venha [o tempo] em que} digais: 'Bendito o que vem em nome do Senhor!'»

Cura de um hidrópico, em casa de um fariseu

| Lc 14, 1-6 |

E aconteceu que, tendo ele entrado em casa de um dos chefes dos Fariseus, num sábado, para comer pão, também eles estavam a observá-lo.

E eis que certo homem hidrópico estava diante dele.

E respondendo, Jesus disse aos doutores da Lei e aos Fariseus, dizendo: «É lícito curar no sábado ou não?» Eles, porém, calaram-se.

E tomando-o, curou-o e despediu-o.

E disse-lhes: «Qual de vós, se um filho {// um burro} ou um boi cair num poço, não o tirará logo, em dia de sábado?»

E não puderam responder a isto.

Escolha dos lugares

| Lc 14, 7-11 |

Dizia, porém, uma parábola aos convidados, reparando como escolhiam os primeiros lugares, dizendo-lhes:

«Quando fores convidado por alguém para bodas, não te reclines no primeiro lugar; para que [não aconteça que] um mais digno do que tu tenha sido convidado por ele e, vindo o que convidou a ti e a ele, te diga: 'Dá o lugar a este'; e então, com vergonha, comeces a ocupar o último lugar.

Mas, quando fores convidado, indo, reclina-te no último lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: 'Amigo, sobe mais para cima'. Então será uma glória para ti, perante todos os que estiverem reclinados contigo à mesa.

Porque todo o que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado».

Escolha dos convidados

| Lc 14, 12-14 |

Dizia, porém, também, ao que o tinha convidado: «Quando fizeres um almoço ou uma ceia, não chames os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem os vizinhos ricos, para que [não aconteça que] também eles te tornem a convidar, e te seja feita a retribuição. Mas quando fizeres um banquete, chama os pobres, os aleijados, os mancos, os cegos... e serás bem-aventurado, porque não têm com que te retribuir; pois te será retribuído na ressurreição dos justos».

Os convidados que recusam

| Lc 14, 15-24 |

Ouvindo, porém, estas coisas, um dos que estavam com ele à mesa disse-lhe: «Bem-aventurado aquele que comer pão no Reino de Deus!»

Ele, porém, disse-lhe: «Certo homem fez uma grande ceia e convidou muitos.

E à hora da ceia, mandou o seu servo dizer aos convidados: 'Vinde, porque já está {+ tudo} preparado'. E começaram todos, simultaneamente, a escusar-se. O primeiro disse-lhe: 'Comprei um campo e tenho necessidade de ir vê-lo. Rogo-te: tem-me como escusado'. E outro disse: 'Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-las. Rogo-te: tem-me como escusado'. E outro disse: 'Casei-me e portanto não posso ir'.

E o servo, voltando, narrou tudo isto ao seu senhor. Então o dono da casa, indignado, disse ao seu servo: 'Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traz aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos'.

E disse o servo: 'Senhor, foi feito o que ordenaste, e ainda há lugar'.

E disse o senhor ao servo: 'Sai por caminhos e tapadas, e obriga a entrar, para que a minha casa se encha. Digo-vos, porém, que nenhum daqueles varões que foram convidados provará a minha ceia!'»

Renunciar a tudo para seguir Jesus

| Lc 14, 25-27 |

Iam, porém, com ele muitas multidões. E, voltando-se, disse-lhes:

«Se alguém vem a mim, e não odeia o seu pai, mãe, mulher e filhos, irmãos e irmãs, e também ainda a sua vida, não pode ser meu discípulo!

Quem não carrega a sua cruz e não vem após mim, não pode ser meu discípulo!»

Parábola da torre e da guerra

| Lc 14, 28-33 |

«Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, sentando-se, não calcula primeiro a despesa, se tem para a concluir? Para que, depois de ter posto o alicerce, e não podendo concluir, todos os que vêem não comecem a escarnecer dele, dizendo: 'Este homem começou a edificar e não pôde terminar!...'

Ou qual é o rei que, estando para ir entrar em guerra contra outro rei, sentando-se, não pensa primeiro se pode sair com dez mil ao encontro do que vem contra ele com vinte mil? Caso contrário, enquanto ele ainda está longe, enviando-lhe uma embaixada, pede-lhe as condições de paz.

Assim, pois, todo aquele dentre vós que não renuncia a tudo quanto possui, não pode ser meu discípulo».

Parábola do sal

| Lc 14, 34-35 |

«Pois bom é o sal; mas se também o sal se tornar insípido, com que será temperado? Não é útil nem para a terra, nem para estrume: lançam-no fora.

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça».

Parábola da ovelha perdida

| Lc 15, 1-7 |

Aproximavam-se dele, porém, todos os Publicanos e pecadores, para o ouvir.

E murmuravam os Fariseus e os Escribas, dizendo: «Este recebe pecadores, e come com eles!»

Disse-lhes, porém, esta parábola, dizendo: «Qual o homem, entre vós, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai junto da que se perdera, até que a encontre? E encontrando-a, põe-na sobre os ombros, alegre; e vindo a casa, convoca os amigos e os vizinhos, dizendo-lhes: 'Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha que se tinha perdido!'

Digo-vos que, assim, haverá maior alegria no Céu por um pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento».

Parábola da dracma perdida

| Lc 15, 8-10 |

«Ou qual é a mulher, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende uma lâmpada, e não varre a casa, e procura diligentemente até encontrá-la? E encontrando-a, convoca as amigas e as vizinhas, dizendo: 'Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma que tinha perdido!'

Assim, digo-vos: Faz-se alegria perante os anjos de Deus, por um só pecador que se arrepende».

Parábola do filho pródigo

| Lc 15, 11-32 |

Disse, porém:

«Certo homem tinha dois filhos.

E o mais novo deles disse ao pai: 'Pai, dá-me a parte dos bens que me pertence'. Ele, porém, repartiu-lhes os bens.

E não muitos dias depois, juntando tudo, o filho mais novo partiu para uma região distante, e ali dissipou os seus bens, vivendo luxuriosamente.

Tendo ele, porém, consumido tudo, houve uma grande fome naquela região, e ele começou a passar necessidades. E, tendo ido, aderiu a um dos cidadãos daquela região, e ele mandou-o para os seus campos a apascentar porcos. E desejava saciar-se {// encher o seu estômago} com as bolotas que os porcos comiam; e ninguém lhe dava.

Voltando, porém, a si, afirmou: 'Quantos empregados do meu pai têm abundância de pão, mas eu aqui pereço de fome! Levantando-me, irei junto do meu pai e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o Céu e perante ti! Já não sou digno de ser chamado teu filho; faz-me como um dos teus empregados'.

E levantando-se, veio para junto do seu pai. Estando ele ainda longe, o seu pai viu-o, e movido de compaixão, e correndo, lançou-se ao pescoço dele e beijou-o. Disse-lhe, porém, o filho: «Pai, pequei conta o Céu e perante ti! Já não sou digno de ser chamado teu filho!'

Mas o pai disse aos seus servos: 'Trazei depressa o primeiro vestido e vesti-lo, e dai um anel para a mão dele e calçados para os pés; e trazei o vitelo cevado e matai-o e, comendo, alegremo-nos; porque este meu filho estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi encontrado'. E começaram a alegrar-se.

O seu filho mais velho, porém, estava no campo. E como, voltando, se aproximasse de casa, ouviu a música e as danças; e chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo. Ele, porém disse-lhe: 'Veio o teu irmão; e o teu pai matou o vitelo cevado, porque o recebeu salvo'. Mas ele indignou-se e não queria entrar.

O pai dele, porém, saindo, pedia-lhe. Ele, porém, respondendo, disse ao seu pai: 'Eis que há tantos anos te sirvo, e nunca transgredi um mandamento teu; e nunca me deste um cabrito para me alegrar com os meus amigos... Mas logo que voltou este teu filho, que devorou os teus bens com meretrizes, mataste-lhe o vitelo cevado!!'

Mas ele disse-lhe: 'Filho, tu está sempre comigo e tudo o que é meu é teu; mas era necessário alegramo-nos e regozijarmo-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado'».

Parábola do ecônomo esperto

| Lc 16, 1-12 |

Dizia, porém, também aos discípulos: «Havia certo homem rico, que tinha um ecônomo; e este foi acusado perante ele de ter dissipado os bens dele.

E chamando-o, disse-lhe: 'Que é isso que ouço acerca de ti? Presta contas do teu economato, porque já não poderás mais ser ecônomo'.

Disse, porém, o ecônomo consigo: 'Que farei, já que o meu senhor me tira a economia? Para cavar, não tenho força; de mendigar, tenho vergonha... [Já] sei o que farei, para que, quando for removido da economia, me recebam em suas casas'.

E chamando cada um dos devedores do seu senhor, dizia ao primeiro: 'Quanto deves ao meu senhor?' Mas ele disse: 'Cem cados de azeite'. Disse-lhe, porém: 'Toma a tua conta e, sentando-te depressa, escreve cinqüenta'.

Seguidamente, disse ao outro: 'Tu, porém, quanto deves?' Disse, porém, ele: 'Cem coros de trigo'. Diz-lhe: 'Toma a tua conta e escreve oitenta'.

E o senhor louvou o ecônomo da iniqüidade, por ter agido prudentemente; porque os filhos deste mundo são mais prudentes do que os filhos da luz, na sua geração.

E eu digo-vos: Fazei para vós amigos com Mamona [= riqueza] da iniqüidade; para que, quando faltar, vos recebam em tabernáculos eternos.

Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito; e quem é iníquo no pouco, também é iníquo no muito. Se, pois, não fostes fiéis no iníquo Mamona [= riqueza], quem vos confiará o verdadeiro? E se não fostes fiéis no alheio, quem vos dará o que é vosso?»

Deus e a riqueza

| Lc 16, 13 |

«Nenhum servo pode servir dois senhores; porque ou odiará um e amar o outro, ou aderirá a um e desprezar o outro. Não podeis servir Deus e Mamona [= riqueza]».

Contra os Fariseus, amigos do dinheiro

| Lc 16, 14-15 |

Os Fariseus, porém, que eram amigos do dinheiro, ouviam todas essas coisas e escarneciam dele.

E ele disse-lhes: «Vós sois os que vos justificais perante os homens, mas Deus conhece os vossos corações; porque o que é elevado para os homens, é abominação perante Deus».

Entrada violenta no Reino de Deus

| Lc 16, 16 |

«A Lei e os Profetas [vigoraram] até João. Desde então, o Reino de Deus é anunciado, e todo [o homem] se esforça por entrar nele».

Perenidade da Lei

| Lc 16, 17 |

«É mais fácil, porém, passar o céu e a terra do que cair um ápice da Lei».

Contra o divórcio

| Lc 16, 18 |

«Todo aquele que repudia a sua mulher e casa com outra, comete adultério; e quem casa com a repudiada pelo marido, comete adultério».

Parábola do rico avarento e do pobre Lázaro

| Lc 16, 19-31 |

«Havia certo homem rico; e vestia-se de púrpura e de linho fino, banqueteando-se cada dia, esplendidamente.

Certo pobre, porém, de nome Lázaro, jazia à porta dele, coberto de chagas, e desejando saciar-se com as {+ migalhas} que caíam da mesa do rico; mas até os cães, vindo, lambiam as chagas dele.

Aconteceu porém que o pobre morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; mas morreu também o rico e foi sepultado.

E no Inferno, levantando os seus olhos, estando ele em tormentos, via Abraão, ao longe, e Lázaro no seio dele. E ele, clamando, disse: 'Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e envia Lázaro, para que molhe a ponta do dedo dele em água e refresque a minha língua, porque estou atormentado nesta chama!...'

Disse, porém, Abraão: 'Filho, lembra-te de que recebeste as tuas coisas boas na tua vida, e Lázaro, igualmente, os males; agora, porém, ele aqui é consolado, e tu atormentado. E nestas coisas todas, entre nós e vós foi firmado um grande abismo, de modo que os que querem passar daqui para vós não podem, nem daí passar para nós'.

Disse, porém, [o rico]: 'Rogo-te, pois, pai, que o envies a casa do meu pai, porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, para que não venham eles também para este lugar de tormentos!' Diz {+ -lhe}, porém, Abraão: 'Têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos'.

Mas ele disse: 'Não, pai Abraão; mas se alguém dos mortos for ter com eles, arrepender-se-ão!» Disse-lhe, porém [Abraão]: 'Se não ouvem Moisés e os Profetas, não acreditarão, nem se alguém dos mortos ressuscitar!'»

Contra os escândalos dos pequenos

| Lc 17, 1-3a |

Disse, porém, aos seus discípulos: «É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vêm! Era-lhe mais útil, se uma pedra de moinho fosse posta em volta do pescoço dele e que fosse lançado ao mar, do que escandalizar um destes pequeninos!

Tende cuidado convosco!»

correção fraterna

| Lc 17, 3b-4 |

«Se o teu irmão pecar {+ contra ti}, repreende-o e, se ele se arrepender, perdoa-lhe. E se sete vezes por dia ele pecar contra ti e sete vezes voltar a ti, dizendo: 'Estou arrependido', perdoar-lhe-ás».

O poder da fé

| Lc 17, 5-6 |

E disseram os Apóstolos ao Senhor: «Aumenta-nos a fé!»

Disse, porém, o Senhor: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a {esta} amoreira: 'Desenraíza-te e planta-te no mar'; e ela obedecer-vos-ia!»

Parábola dos servos inúteis

| Lc 17, 7-10 |

«Qual de vós, porém, tendo um servo a lavrar ou a apascentar [gado], lhe dirá, ao voltar ele do campo: 'Chega-te imediatamente, reclina-te à mesa'? E não lhe dirá: 'Prepara o que vou cear e cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo, e depois disto, comerás e beberás tu'? Porventura agradecerá ao servo, porque ele fez o que lhe foi mandado?

Assim, também vós, quando fizerdes todas as coisas que vos foram mandadas, dizei: 'Somos servos inúteis; fizemos [só] o que devíamos fazer!»

Cura de dez leprosos, entre a Samaria e a Galileia

| Lc 17, 11-19 |

E aconteceu que, quando [Jesus] ia para Jerusalém, ele passava entre a Samaria e a Galileia.

E ao entrar ele em certa aldeia, ocorreram-lhe dez varões leprosos, que pararam ao longe e eles levantaram a voz, dizendo: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!»

E vendo, disse-lhes: «Indo, mostrai-vos aos sacerdotes!» E aconteceu que, enquanto iam, ficaram limpos.

Um deles, porém, quando viu que foi curado, voltou, glorificando a Deus em alta voz; e caiu com o rosto [por terra] aos pés dele, dando-lhe graças. E este era samaritano.

Respondendo, porém, Jesus disse: «Não foram limpos dez? Os nove, porém, onde estão? Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro?» E disse-lhe: «Levantando-te, vai: a tua fé salvou-te».

Vinda do Reino de Deus

| Lc 17, 20-21 |

Sendo, porém, [Jesus] interrogado pelos Fariseus: «Quando vem o Reino de Deus?», respondeu-lhes e disse: «O Reino de Deus não vem com aparência; nem dirão: 'Ei-lo aqui' ou: 'Ali!'; pois o Reino de Deus está dentro de vós».

A vinda inesperada e fulgurante do Filho do Homem

| Lc 17, 22-37 |

Disse, porém, aos discípulos: «Dias virão em que desejareis ver um dia do Filho do Homem e não vereis.

E dir-vos-ão: 'Ei-lo ali!' {ou} 'Ei-lo aqui!' Não vades, nem os sigais; pois, assim como um relâmpago, relampejando desde um extremo inferior do céu até ao outro extremo inferior do céu, ilumina, assim será o Filho do Homem {no seu dia}.

Mas primeiro é necessário que ele padeça muitas coisas e que seja rejeitado por esta geração.

E como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do Homem: comiam, bebiam, casavam-se, davam-se em casamento... até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio e destruiu-os todos.

Da mesma forma, como aconteceu nos dias de Lot: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam, edificavam... mas no dia em que Lot saiu de Sodoma choveu fogo e enxofre do céu e destruiu-os todos.

Assim será no dia em que o Filho do Homem se manifestará. Naquele dia, quem estiver no teto, e tendo os seus bens em casa, não desça para tirá-los; e o que estiver no campo, do mesmo modo, não volte para trás. Lembrai-vos da mulher de Lot.

Qualquer um que procurar salvar a sua vida, perdê-la-á; mas qualquer um que a perder, vivificá-la-á.

Digo-vos: Naquela noite, estarão dois numa cama: um será tomado e o outro deixado. Duas [mulheres] estarão moendo juntas: uma será tomada, mas a outra deixada. {+ Dois [homens] estarão no campo: um será tomado, e o outro deixado.}»

E respondendo, dizem-lhe: «Onde, Senhor?» Ele, porém, disse-lhes: «Onde estiver o corpo, aí se juntarão também as águias [= os abutres]».

Parábola do juiz iníquo e da viúva

| Lc 18, 1-8 |

Dizia-lhes, porém, uma parábola, sobre que se deve orar sempre e não desfalecer, dizendo:

«Havia certo juiz, em certa cidade, que não temia a Deus nem respeitava o homem.

Havia também uma viúva, naquela mesma cidade, e vinha ter com ele, dizendo: 'Faz-me justiça contra o meu adversário!'

E por muito tempo, ele não queria. Mas depois disto, disse consigo: 'Ainda que não temo a Deus, nem respeito o homem, todavia, porque esta viúva me incomoda, fazer-lhe-ei justiça, para que ela não me moleste, vindo por último'».

Disse, porém, o Senhor: «Ouvi o que o juiz da iniqüidade diz. Deus, porém, não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele dia e noite, e terá paciência sobre eles? Digo-vos que depressa lhes fará justiça.

Mas o Filho do Homem, vindo, encontrará fé sobre a terra?»

Parábola do fariseu e do publicano

| Lc 18, 9-14 |

Disse, porém, também, esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, como sendo justos, e desprezavam os outros:

«Dois homens subiram ao Templo para orar: um fariseu, e o outro publicano.

O fariseu, de pé, orava isto consigo mesmo: 'Deus, graças te dou, porque não sou como os outros homens: ladrões, injustos, adúlteros... nem ainda com este publicano! Jejuo duas vezes na semana, dou o dízimo de tudo o que possuo...'

O publicano, porém, ao longe, de pé, não queria nem levantar os olhos ao céu, mas batia no seu peito, dizendo: 'Deus, tem misericórdia de mim, pecador!'

Digo-vos: Este desceu justificado para sua casa, a partir do outro. Porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado».

Morte de Lázaro

| Jo 11, 1-16 |

Estava, porém, enfermo um certo Lázaro, de Betânia, da aldeia de Maria e de Marta, sua irmã. Maria, porém, era a que ungiu o Senhor com ungüento, e enxugou os pés dele com os seus cabelos; cujo irmão Lázaro estava enfermo.

As irmãs enviaram-lhe, pois, [alguém,] dizendo: «Senhor, eis que aquele que amas está enfermo!» Ouvindo, porém, Jesus disse: «Esta enfermidade não é para a morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela!» Jesus, porém, amava Marta e a irmã dela e Lázaro.

Quando, pois, ouviu que ele estava enfermo, então, ficou no lugar onde estava, por dois dias.

Em seguida, depois disto, diz aos discípulos: «Vamos novamente para a judéia». Dizem-lhe os discípulos: «Rabbi, agora os Judeus procuravam apedrejar-te, e vais novamente para lá?»

Respondeu Jesus: «Não são doze as horas do dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo; mas se andar de noite, tropeça, porque a luz não está nele». Disse estas coisas, e depois disto diz-lhes: «Lázaro, o nosso amigo, dorme; mas vou para o despertar do sono!»

Disseram-lhe, pois, os discípulos: «Senhor, se dorme, estará salvo». (Mas Jesus falara da morte dele; eles, porém, pensaram que ele falava do repouso do sono.) Então, pois, Jesus disse-lhes claramente: «Lázaro morreu; e alegro-me por causa de vós, para que acrediteis, porque eu não estava lá; mas vamos ter com ele!»

Disse, pois, Tomé, chamado Dídimo, aos condiscípulos: «Vamos também nós, para morrermos com ele».

Questão sobre o divórcio

| Mt 19, 3-9 | Mc 10, 2-12 |

E aproximaram-se dele os Fariseus. E aproximando-se, os Fariseus interrogavam-no se é lícito ao varão repudiar a esposa, tentando-o e dizendo se «é lícito ao homem repudiar a sua esposa por qualquer motivo».

Ele, porém, respondendo, disse-lhes: «Que vos ordenou Moisés?» Eles, porém, disseram: «Moisés permitiu escrever libelo de repúdio e repudiar».

Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: «Pela dureza dos vossos corações, ele escreveu-vos esse mandamento! Não lestes que o Criador, desde o princípio da criação, porém, {+ Deus} os fez homem e mulher, e disse: 'Por isto, o homem deixará o seu pai e mãe e unir-se-á à sua esposa; e serão os dois uma só carne'? Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus juntou, o homem não o separe».

E em casa, os discípulos interrogavam-no novamente sobre isso. Dizem-lhe: «Porque mandou, pois, Moisés dar libelo de repúdio e repudiá-la?»

E diz-lhes [Jesus]: «Porque Moisés, pela dureza dos vossos corações, permitiu-vos repudiar as vossas esposas. Mas, desde o princípio, não foi assim. Digo-vos, porém, que qualquer um que repudiar a sua esposa, a não ser por fornicação, e casar com outra, comete adultério {+ e o que casar com a repudiada comete adultério} contra ela. E se ela, tendo repudiado o seu marido, casar com outro, comete adultério».

Continência voluntária

| Mt 19, 10-12 |

Dizem-lhe os {seus} discípulos: «Se é assim a condição do homem com a mulher, não convém casar!»

Ele, porém, disse-lhes: «Nem todos compreendem {esta} palavra, mas aqueles a quem foi dado. Pois existem eunucos que nasceram eunucos do útero da mãe; e existem eunucos que foram feitos eunucos pelos homens; e existem eunucos que se fizeram eunucos a si mesmos, por causa do Reino dos Céus.

Quem pode compreender, compreenda».

Jesus e as crianças

| Mt 19, 13-15 | Mc 10, 13-16 | Lc 18, 15-17 |

E então, porém, traziam-lhe também crianças, as criancinhas, para que as tocasse. Foram-lhe apresentadas crianças, para que lhes impusesse as mãos e orasse. Vendo, porém, os discípulos repreenderam (repreendiam)-nas.

Jesus, porém, vendo, indignou-se, e chamou-as e disse-lhes, dizendo: «Deixai vir a mim as crianças e não as proibais de vir a mim, porque das tais é o reino de Deus (o Reino dos Céus)! Amém, digo-vos: Todo o que não receber o Reino de Deus como criança, não entrará nele».

E, abraçando-as, abençoava-as, pondo as mãos sobre elas.

E, depois de lhes impor as mãos, partiu dali.

O jovem rico e o perigo das riquezas

| Mt 19, 16-26 | Mc 10, 17-27 | Lc 18, 18-27 |

E eis que, pondo-se ele a caminho, um chefe interrogou-o: Um [homem] acorrendo, aproximando-se dele e ajoelhando-se diante dele, interrogava-o, dizendo (disse): «Bom Mestre, que farei de bom, para, tendo feito, herdar a vida eterna (para ter a vida eterna)?»

Jesus, porém, disse-lhe: «Porque me chamas bom? Porque me perguntas sobre o que é bom? Ninguém é bom, senão um: Deus. Um é o bom. Se, porém, queres entrar na vida, guarda os mandamentos. Conheces os mandamentos». Diz-lhe [o jovem]: «Quais?»

Jesus, porém, disse: «Não mates (não matarás), não cometas adultério (não cometerás adultério), não roubes (não roubarás), não digas falso testemunho (não dirás falso testemunho), não faças fraudes, honra o teu pai e a [tua] mãe e amarás o teu próximo como a ti mesmo».

Diz-lhe o jovem (ele, porém, {+ respondendo} disse (afirmou)-lhe): «Mestre, tudo isso guardei desde a minha juventude. Que me falta ainda?»

Ouvindo, porém, Jesus olhou-o, amou-o e disse (afirmou)-lhe: «Ainda te falta (resta) uma coisa, se queres ser perfeito: Vai, vende tudo quanto tens, os teus bens, e dá (distribui) aos pobres, e terás um tesouro nos Céus (no Céu); e vem: segue-me!»

O jovem, porém, tendo ouvido esta palavra, tendo ouvido isto, entristeceu-se, pois era muito rico. Ele, porém, pesaroso com a palavra, retirou-se triste, porque tinha muitos bens.

E Jesus, olhando em redor, vendo-o, porém {tornado triste}, disse (diz) aos seus discípulos: «Quão dificilmente os que têm riquezas entrarão (penetrarão) no Reino de Deus! Amém, digo-vos que um rico dificilmente entrará no Reino dos Céus!»

Os discípulos, porém, maravilhavam-se das palavras dele; mas Jesus, respondendo novamente, diz-lhes: «Filhos, quão difícil é {+ para os que confiam nas riquezas} entrar no Reino de Deus! Novamente, porém, vos digo: É, pois, mais fácil um camelo passar (entrar) pelo furo duma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!...»

Tendo ouvido, porém, os discípulos mais se admiravam fortemente. Disseram, porém, os que tinham ouvido, dizendo entre si: «E quem pode, pois, ser salvo?» Olhando-os, porém, Jesus disse (diz)-lhes: «Para os homens, isto é impossível, mas não para Deus, porém: Pois todas as coisas que são impossíveis aos homens são possíveis a Deus».

Recompensa do desprendimento pelo Reino de Deus

| Mt 19, 27-30 | Mc 10, 28-31 | Lc 18, 28-30 |

Então, respondendo, Pedro, porém, disse-lhe (começou Pedro a dizer-lhe): «Eis que nós deixámos tudo e, tendo deixado o que é nosso, seguimos-te. Então, que haverá para nós?»

Jesus, porém, disse (afirmou)-lhes: «Amém, digo-vos, que vós, que me seguistes, na regeneração, quando o Filho do Homem se sentar no trono da sua glória, sentar-vos-eis também vós sobre doze tronos, julgando as doze tribos de Israel.

E todo o que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, {+ ou mulher,} ou filhos, ou campos... por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e herdará a vida eterna. Amém, digo-vos que ninguém existe que tenha deixado casa, ou mulher, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, (ou pais,) ou filhos, ou campos... por causa de mim e por causa do Evangelho, por causa do Reino de Deus, que não receba muito mais, cem vezes mais, agora, neste tempo: casas e irmãos e irmãs e mães e filhos e campos... com perseguições, e no século vindouro a vida eterna.

Mas muitos primeiros serão últimos; e os últimos serão primeiros».

Parábola dos operários enviados para a vinha

| Mt 20, 1-16 |

«Porque o Reino dos Céus é semelhante a um homem, dono da casa, que saiu de madrugada a contratar operários para a sua vinha.

Ajustando, porém, com os operários um denário por dia, enviou-os para a sua vinha.

E saindo por volta da hora terceira, viu outros que estavam na praça, ociosos; e disse-lhes: 'Ide também vós para a vinha, e dar-vos-ei o que for justo'. Eles, porém, foram.

Novamente {porém} saindo cerca da sexta e da hora nona, fez do mesmo modo.

Cerca da undécima hora, porém, saindo, encontrou outros que lá estavam; e diz-lhes: 'Porque estais aqui todo o dia, ociosos?' Dizem-lhe: 'Porque ninguém nos contratou'. Diz-lhes: 'Ide também vós para a vinha'.

Chegada, porém, a tarde, diz o senhor da vinha ao seu procurador: 'Chama os operários e paga-lhes o salário, começando pelos últimos até aos primeiros'.

E vindo os que tinham vindo cerca da hora undécima, receberam um denário cada um.

E vindo os primeiros, julgaram que iriam receber mais; e receberam, também eles, um denário cada um. Ao receber, porém, murmuravam contra o dono da casa, dizendo: 'Estes últimos fizeram uma hora, e fizeste-os iguais a nós, que suportámos o peso do dia e o calor!'

Mas ele, respondendo a um deles, disse: 'Amigo, não te faço injustiça! Não ajustaste um denário comigo? Toma o que é teu, e vai-te: quero, porém, dar também a este último tanto como a ti. {Ou} não me é lícito fazer o que quero das minhas coisas? Ou o teu olho é mau, porque eu sou bom?'

Assim, os últimos serão primeiros; e os primeiros, os últimos. {+ Pois, muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos.}»

Terceiro anúncio da paixão

| Mt 20, 17-19 | Mc 10, 32-34 | Lc 18, 31-34 |

Estavam, porém, a caminho, subindo para Jerusalém; e Jesus ia diante deles, e maravilhavam-se. Eles, porém, seguindo-o, temiam.

E subindo Jesus a Jerusalém, e tomando (tomou), porém, novamente, os Doze {Discípulos}, à parte, começou a dizer-lhes as coisas que lhe haviam de acontecer; e, no caminho, disse-lhes: «Eis que subimos a Jerusalém, e cumprir-se-á tudo o que foi escrito pelos Profetas para o Filho do Homem: O Filho do Homem será entregue aos sumos sacerdotes e aos Escribas, e condená-lo-ão à morte; e entregá-lo-ão aos gentios, para ser escarnecido, flagelado e crucificado. Será, pois, entregue aos gentios; e escarnecê-lo-ão e cuspi-lo-ão e flagelá-lo-ão — e será escarnecido e injuriado e cuspido — e depois de o flagelarem, matá-lo-ão; e ao terceiro dia (depois de três dias) ressuscitará!»

E eles não entenderam nada destas coisas; e essa palavra era-lhes oculta e não entendiam as coisas que eram ditas.

Pedido dos filhos de Zebedeu. O maior é o que serve

| Mt 20, 20-28 | Mc 10, 35-45 |

Então, aproximou-se dele a mãe dos filhos de Zebedeu, com os seus filhos, adorando e pedindo-lhe alguma coisa.

E aproximam-se dele Tiago e João, os filhos de Zebedeu, dizendo-lhe: «Mestre, queremos que nos faças tudo o que te pedirmos».

Ele, porém, disse a ela: «Que queres?» — Disse-lhes: — «Que quereis que vos faça?»

Ela diz-lhe: «Diz que se sentem estes meus dois filhos, um à tua direita e um à tua esquerda, no teu reino». Eles, porém, disseram-lhe: «Concede-nos que, um à tua direita e outro à esquerda, nos sentemos na tua glória».

Respondendo, porém, Jesus disse-lhes: «Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que eu bebo — que eu estou para beber —, ou ser batizados no batismo em que eu sou batizado?» Mas eles disseram (dizem)-lhe: «Podemos».

Jesus, porém, disse (diz)-lhes: «Pois o meu cálice, que eu bebo, bebereis, e no batismo em que eu sou batizado, sereis batizados; mas sentar-se à minha direita e (ou) à esquerda, não me pertence dar {isso}, mas é para aqueles para quem está preparado pelo meu Pai!»

E ouvindo, os dez começaram a indignar-se: indignaram-se contra os dois irmãos Tiago e João.

E Jesus, porém, chamando-os para junto de si, disse (diz)-lhes: «Sabeis que os chefes, os que são reconhecidos chefiarem os gentios, deles se assenhoreiam; e que os grandes deles exercem poder sobre eles.

Mas não é assim (não será assim) entre vós; mas, qualquer um que quiser tornar-se grande entre vós, será o vosso criado; e qualquer um que entre vós quiser ser o primeiro, será o servo de todos vós.

Assim, pois, também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em redenção por muitos».

Cura do(s) cego(s) de Jericó

| Mt 20, 29-34 | Mc 10, 46-52 | Lc 18, 35-43 |

(Mt.: 2 cegos, à saída de Jericó / Mc.: 1 cego, à saída de Jericó / Lc.: 1 cego, à entrada de Jericó)

Aconteceu porém que, quando ele se aproximava de Jericó, um determinado cego estava sentado junto do caminho, pedindo esmola.

E vêm a Jericó.

E saindo eles de Jericó, seguiu-o grande multidão. E saindo ele de Jericó e os seus discípulos e uma multidão numerosa, o filho de Timeu, Bartimeu, um cego, mendigando, estava sentado junto do caminho. (/ E eis dois cegos, sentados junto do caminho.)

Ouvindo, porém, a multidão que passava, ele perguntava o que era aquilo. Disseram-lhe, porém, que «Jesus nazareno passa».

E ouvindo que é Jesus nazareno, começou a clamar e a dizer (e clamou, dizendo): «Filho de David, Jesus, tem compaixão de mim!» (/ Ouvindo que Jesus passava, clamaram, dizendo: «Tem compaixão de nós, {Senhor,} Filho de David!»)

E muitos, que iam à frente, repreendiam-no, para que se calasse (para que se silenciasse). (/ A multidão, porém, repreendia-os, para que se calassem.) Mas ele clamava muito mais: «Filho de David, tem compaixão de mim!» (/ Mas eles mais clamavam, dizendo: «Tem compaixão de nós, Senhor, Filho de David!»)

E parando, porém, Jesus mandou que lho trouxessem. Disse: «Chamai-o». (/ E Jesus, parando, chamou-os.) E chamaram o cego, dizendo-lhe: «Tem ânimo; levanta-te: ele chama-te!»

Ele, porém, lançando a sua capa, levantou-se de um salto e veio ter com Jesus.

Tendo-se ele aproximado, porém, Jesus interrogou-o e, respondendo-lhe, disse: «Que queres que te faça?» (/ E disse: «Que quereis que vos faça?)» O cego, porém, disse-lhe: «Rabboni, Senhor, que eu veja!» (/ Dizem-lhe: «Senhor, que os nossos olhos se abram!»)

E Jesus disse-lhe: «Vê! Vai: a tua fé salvou-te!» (/ Jesus, porém, compadecido, tocou os olhos deles.) E logo, naquele instante, viu e seguia-o pelo caminho, glorificando a Deus. (/ E imediatamente, viram e seguiram-no.)

E todo o povo, vendo, deu louvor a Deus.

Zaqueu, o publicano

| Lc 19, 1-10 |

E tendo entrado, [Jesus] atravessava Jericó.

E eis um varão de nome chamado de Zaqueu, e este era chefe de Publicanos e era rico. E procurava ver quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, porque ele era de pequena estatura.

E correndo adiante, subiu a um sicómoro para vê-lo, porque ia passar por ali.

E quando veio ao lugar, olhando para cima, Jesus disse-lhe: «Zaqueu, desce depressa, porque é preciso que eu fique hoje em tua casa!» E desceu depressa e recebeu-o com alegria.

E vendo, todos murmuravam, dizendo: «Entrou para se hospedar com um varão pecador!...»

Zaqueu, porém, de pé, disse ao Senhor: «Eis que dou aos pobres metade dos meus bens, Senhor; e se em alguma coisa defraudei alguém, restituo-lho quadruplicado».

Disse-lhe, porém, Jesus: «Hoje fez-se a salvação para esta casa, já que este também é filho de Abraão! Porque o Filho do Homem veio procurar e salvar o que se tinha perdido».

Parábola das minas

| Lc 19, 11-28 |

Ouvindo eles, porém, isso, prosseguindo, [Jesus] disse uma parábola, por estar perto de Jerusalém, e pensarem eles que o Reino de Deus se ia manifestar imediatamente.

Disse, pois: «Certo homem nobre partiu para uma região longínqua, tomar posse de um reino, e voltar. Chamando, porém, dez servos seus, deu-lhes dez minas, e disse-lhes: 'Negociai até que eu venha'.

Mas os seus cidadãos odiavam-no, e enviaram uma embaixada após ele, dizendo: 'Não queremos este a reinar sobre nós'.

E aconteceu que, ao voltar ele, tendo tomado posse do reino, mandou chamar a si aqueles servos a quem deu o dinheiro, para saber quanto tinham negociado {// o que cada um tinha negociado}.

Veio, porém, o primeiro, dizendo: 'Senhor, a tua mina rendeu dez minas'. E disse-lhe [o senhor]: 'Está bem, servo bom! Porque foste fiel no pouco, terás autoridade sobre dez cidades'.

E veio o segundo, dizendo: 'A tua mina, Senhor, rendeu cinco minas'. Disse, porém, também a este: 'Fica tu também sobre cinco cidades'.

E o outro veio, dizendo: 'Senhor, eis a tua mina, que tinha guardado num lenço; pois tive medo de ti, porque és um homem severo: tomas o que não puseste e ceifas o que não semeaste'. Diz-lhe [o senhor]: 'Pela tua boca te julgo, servo mau! Sabias que eu sou um homem severo, tomando o que não pus e ceifando o que não semeei; e porque não deste o meu dinheiro a um banco? E eu, vindo, o teria retirado com juros!'

E disse aos que estavam presentes: 'Tirai-lhe a mina e dai-a ao que tem as dez minas!' E disseram-lhe: 'Senhor, ele tem dez minas!'

'Digo-vos que a todo o que tem, será dado; mas ao que não tem, até o que tem será tirado.

Quanto, porém, àqueles meus inimigos que não me queriam a reinar sobre eles, trazei-os aqui, e matai-os diante de mim'».

E ditas estas coisas, [Jesus] caminhava para diante, subindo para Jerusalém.

Ressurreição de Lázaro

| Jo 11, 17-44 |

Vindo, pois, Jesus encontrou-o já tendo quatro dias no sepulcro.

Betânia, porém, estava próxima de Jerusalém cerca de quinze estádios. Muitos dos Judeus, porém, tinham vindo junto de Marta e de Maria, para as consolar acerca do irmão.

Marta, pois, ao ouvir que Jesus vinha, saiu-lhe ao encontro; Maria, porém, estava sentada em casa.

Disse, pois, Marta a Jesus: «Senhor, se estivesses aqui, o meu irmão não teria morrido! {Mas} também agora sei que tudo quanto pedires a Deus, Deus to dará».

Diz-lhe Jesus: «O teu irmão ressuscitará...» Diz-lhe Marta: «Sei que ele ressuscitará na ressurreição, no último dia».

Disse-lhe Jesus: «Eu sou a ressurreição e a vida; quem acredita em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive e acredita em mim, nunca morrerá. Acreditas nisto?» Diz-lhe [Marta]: «Sim, Senhor, eu acredito que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que vem ao mundo».

E dito isto, retirou-se e chamou Maria, a sua irmã, em segredo, dizendo: «O Mestre está [cá], e chama-te». Ela, porém, ouvindo isto, levanta-se depressa, e vem ter com ele; pois Jesus ainda não tinha entrado na aldeia, mas ainda estava naquele lugar onde Marta lhe viera ao encontro.

Os Judeus, pois, que estavam com ela em casa e a consolavam, vendo que Maria se levantou e saiu apressadamente, seguiram-na, pensando que «Vai ao sepulcro para chorar ali».

Maria, pois, tendo chegado aonde Jesus estava, vendo-o, caiu aos pés dele, dizendo-lhe: «Senhor, se estivesses aqui, o meu irmão não teria morrido!»

Jesus, pois, quando a viu chorar, e os Judeus que tinham vindo com ela, a chorarem, suspirou em espírito e perturbou-se, e disse: «Onde o pusestes?» Dizem-lhe: «Senhor, vem e vê». Jesus lacrimejou.

Diziam, pois, os Judeus: «Eis como ele o amava!» Mas alguns deles disseram: «Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer também que este não morresse?»

Jesus, pois, suspirando outra vez profundamente, vem ao sepulcro: era, porém, uma gruta, e uma pedra sobreposta nela.

Diz Jesus: «Tirai a pedra». Diz-lhe Marta, irmã do defunto: «Senhor, já cheira mal, porque está há quatro dias!» Diz-lhe Jesus: «Eu não te disse que, se acreditasses, verias a glória de Deus?»

Tiraram, pois, a pedra. Jesus, porém, levantou os olhos ao alto e disse: «Pai, graças te dou, porque me ouviste. Eu, porém, sabia que sempre me ouves; mas por causa da multidão que está em redor [é que eu] disse, para que eles acreditem que tu me enviaste».

E, tendo dito isto, clamou em alta voz: «Lázaro, vem para fora!»

Saiu o defunto, ligado nos pés e nas mãos com faixas, e o rosto dele estava envolto num lenço. Diz-lhes Jesus: «Desligai-o e deixai-o ir».

Os chefes judeus decidem a morte de Jesus

| Jo 11, 45-53 |

Muitos, pois, dentre os Judeus, que tinham vindo junto de Maria, e que tinham visto o que ele fizera, acreditaram nele. Mas alguns deles foram ter com os Fariseus e disseram-lhes o que Jesus fizera.

Reuniram, pois, os sumos sacerdotes e os Fariseus o Sinédrio e diziam: «Que fazemos, porque este homem faz muitos sinais? Se o deixarmos assim, todos acreditarão nele; e virão os Romanos, e tomarão tanto o nosso lugar como a nossa nação!»

Um deles, porém, Caifás, sendo o sumo sacerdote daquele ano, disse-lhes: «Vós não sabeis nada, nem pensais que é melhor para vós que morra um só homem pelo povo, e que não pereça a nação toda?»

Ele, porém, não disse isto por si mesmo; mas, sendo o sumo sacerdote daquele ano, profetizou que Jesus havia de morrer pela nação, e não somente pela nação, mas também para que os filhos de Deus, que eram dispersos, se reunissem num só.

Desde aquele dia, pois, tomaram conselho para o matarem.

Jesus retira-se para Efraim, na judéia

| Jo 11, 54 |

Jesus, pois, já não andava manifestamente entre os Judeus, mas retirou-se dali para uma cidade próxima do deserto, para uma cidade chamada Efraim; e ali morava com os {+ seus} discípulos.

Procura de Jesus em Jerusalém

| Jo 11, 55-57 |

Estava, porém, próxima a Páscoa dos Judeus, e subiram muitos a Jerusalém, da região, antes da Páscoa, para se purificarem.

Procuravam, pois, Jesus e diziam uns aos outros, estando no Templo: «Que vos parece? Que não virá à festa?» Os sumos sacerdotes, porém, e os Fariseus tinham dado ordem de que, se alguém soubesse onde ele estava, o indicasse, para que o prendessem.

Unção em Betânia, seis dias antes da Páscoa

| Mt (26, 6-13) | Mc (14, 3-9) | Jo 12, 1-11 |

Jesus, pois, seis dias antes da Páscoa, veio a Betânia, onde estava Lázaro, que Jesus ressuscitara dos mortos.

E encontrando-se, porém, Jesus em Betânia (estando ele em Betânia) na casa de Simão, o leproso, fizeram-lhe ali uma ceia e Marta servia. Lázaro, porém, era um dos que estavam à mesa com ele.

Estando ele à mesa, veio [e] aproximou-se dele uma mulher, tendo um alabastro de ungüento de nardo puro, precioso (de grande preço); e, tendo quebrado o alabastro, derramou-o sobre a cabeça dele, sentado à mesa. Maria, pois, tendo tomado uma libra de ungüento de nardo puro, precioso, ungiu os pés de Jesus e enxugou com os seus cabelos os pés dele. A casa, porém, encheu-se com o odor do ungüento.

Vendo, porém, os discípulos indignaram-se (estavam, porém, alguns a indignarem-se entre si), dizendo: «Para que se fez este desperdício de ungüento? Pois este ungüento podia ser vendido por muito, por mais de trezentos denários, e dar-se aos pobres». — Diz, porém, Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que o havia de entregar: «Porque não se vendeu este ungüento por trezentos denários e não se deu aos pobres?» (Ele disse isto, porém, não porque tivesse cuidado dos pobres, mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, subtraía o que nela se lançava). — E irritavam-se contra ela.

Sabendo, porém, Jesus disse-lhes, pois: «Deixai-a. (Deixa-a.) Porque (lhe) provocais incómodos à mulher? Pois ela fez uma boa obra para comigo (em mim), para que conserve isto para o dia da minha sepultura.

Porque sempre tereis pobres convosco e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem; a mim, porém, nem sempre me tendes.

Ela fez o que pôde. Pois, pondo ela este perfume sobre o meu corpo, fê-lo para o meu sepultamento: antecipou-se a ungir o meu corpo, para a sepultura.

Amém, porém, digo-vos: Em toda a parte, onde for pregado este Evangelho ao mundo inteiro (no mundo inteiro), também o que ela fez será narrado, para sua memória».

Soube, pois, uma grande multidão de Judeus, que ele estava ali: e vieram, não só por causa de Jesus mas também para verem Lázaro, que ele ressuscitara dos mortos.

Tomaram conselho, porém, os sumos sacerdotes de matar também Lázaro; porque muitos, por causa dele, afastavam-se dos Judeus e acreditavam em Jesus.

Entrada messiânica de Jesus em Jerusalém

| Mt 21, 1-9 | Mc 11, 1-10 | Lc 19, 29-40 | Jo 12, 12-19 |

(Mt.: jumenta e jumentinho / Mc., Lc. e Jo.: jumentinho)

E aconteceu que, no dia seguinte, quando se aproximaram (quando se aproximam, quando se aproximava) de Jerusalém, e vieram a Betfagé e a Betânia, junto do monte chamado das Oliveiras, então Jesus enviou (envia) dois dos seus discípulos (dois discípulos); e diz, dizendo-lhes: «Ide (dirigi-vos) à aldeia que está diante de vós; e logo (imediatamente) que lá entrardes (nela), encontrareis uma jumenta presa e um jumentinho preso com ela, sobre o qual nunca montou ainda nenhum dos homens; desprendei-o e, tendo-o desprendido, trazei-me. E se alguém vos disser 'Porque fazeis isto?', vos perguntar 'Porque o soltais?', assim direis (dizei): 'Porque o Senhor precisa dele, e logo o restituirá, novamente, para aqui'. ('Porque o Senhor precisa deles, mas logo os restituirá'.)»

E foram e, tendo ido, porém, os que tinham sido enviados, encontraram o jumentinho preso diante duma porta, de fora, entre dois caminhos, como lhes dissera, e soltam-no.

Soltando, porém, eles o jumentinho, os donos dele disseram-lhes: «Porque soltais o jumentinho?» E alguns dos que ali estavam diziam-lhes: «Que fazeis, soltando o jumentinho?» Eles, porém, disseram-lhes: «Porque o Senhor precisa dele», como Jesus tinha dito; e deixaram-nos.

Tendo ido, porém, os discípulos e tendo feito como Jesus lhes ordenara, trouxeram a jumenta e o jumentinho, e colocaram sobre eles os mantos. E trazem o jumentinho (trouxeram-no) a Jesus, e colocam sobre ele os seus mantos e, lançando os seus mantos sobre o jumentinho, colocaram Jesus em cima; e sentou-se sobre ele (sentou-se em cima deles).

Uma grande multidão que tinha vindo à festa, ouvindo dizer que Jesus vinha a Jerusalém, tomaram ramos de palmeiras e saíram-lhe ao encontro. Indo ele, porém, muitas multidões (e muitos) estenderam (estendiam) os seus mantos pelo caminho; outros, porém, cortavam ramos de árvores, e estendiam-nos pelo caminho; outros, porém, [estendiam] verduras, que tinham cortado nos campos.

Aproximando-se, porém, ele já da descida do Monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, regozijando-se, começou a louvar a Deus em alta voz, por todos os milagres que tinha visto. E as multidões, porém, que o precediam e as que o seguiam, clamavam, dizendo: «Hosana ao Filho de David! Bendito o que vem, o Rei, em nome do Senhor, {e} Rei de Israel! Bendito o reino que vem do nosso pai David! hosana nas alturas! Paz no Céu e glória nas alturas!»

(Encontrando, porém, Jesus um jumentinho, sentou-se sobre ele.) Isto aconteceu, porém, para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta, dizendo, como está escrito: «Dizei à filha de Sião: 'Não temas, filha de Sião. Eis que o teu Rei vem a ti, manso e montado (sentado) sobre uma jumenta e sobre um jumentinho, filho de uma jumenta de carga!'» Os seus discípulos, ao princípio, não entenderam isto; mas quando Jesus foi glorificado, então eles recordaram-se que estas coisas estavam escritas a respeito dele, e que lhe fizeram isto.

Dava testemunho, pois, a multidão que estava com ele quando chamou Lázaro do sepulcro e o ressuscitou dos mortos. Por isso, {também} a multidão lhe veio ao encontro: porque ouviram que ele fez este sinal.

E alguns dos Fariseus, dentre a multidão, disseram-lhe: «Mestre, repreende os teus discípulos!» E respondendo, disse: «Digo-vos: se estes se calarem, as pedras clamarão».

Os Fariseus disseram, pois, entre si: «Vedes que nada aproveitais? Eis que o mundo vai atrás dele!...»

Entrada na cidade de Jerusalém

| Mt 21, 10-11 | Mc 11, 11 | Lc 19, 41-44 |

E quando se aproximou, vendo a cidade, chorou sobre ela, dizendo: «Se conhecesses, também tu, neste dia, as coisas para a paz {+ para ti}! Mas agora estão escondidas dos teus olhos... Porque virão dias sobre ti em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te apertarão de todos os lados, e te derrubarão a ti e aos teus filhos que estão em ti; e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo da tua visita!»

E entrando ele em Jerusalém, agitou-se toda a cidade, dizendo: «Quem é este?» As multidões, porém, diziam: «Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galileia!»

E entrou em Jerusalém, no Templo. E tendo observado tudo em redor, como já fosse tarde, saiu para Betânia com os Doze.

Jesus procurado por alguns Gregos

| Jo 12, 20-36 |

Havia, porém, alguns Gregos, dos que tinham subido para adorar na festa.

Estes, pois, aproximaram-se de Filipe, que era de Betsaida da Galileia, e rogaram-lhe, dizendo: «Senhor, queremos ver Jesus». Vem Filipe e diz a André. Vêm André e Filipe e dizem a Jesus.

Jesus, porém, responde-lhes, dizendo: «Veio a hora de ser glorificado o Filho do Homem. Amém, amém, digo-vos: Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, produz muito fruto.

Quem ama a sua vida, perdê-la-á; e quem odeia a sua vida, neste mundo, guardá-la-á para a vida eterna.

Se alguém me serve, siga-me; e onde eu estou, ali estará também o meu servo; se alguém me servir, o Pai o honrará.

Agora a minha alma está perturbada; e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas para isto vim a esta hora! Pai, glorifica o teu nome».

Veio, pois, uma voz do Céu: «E glorifiquei, e novamente glorificarei». A multidão, pois, que ali estava e ouvira dizia ter havido um trovão. Outros diziam: «Um anjo falou-lhe!»

Respondeu Jesus e disse: «Esta voz não se fez por causa de mim, mas por causa de vós. Agora, é o juízo deste mundo; agora, o príncipe deste mundo será lançado fora. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim». (Dizia, porém, isto, significando de que morte havia de morrer).

Respondeu-lhe, pois, a multidão: «Nós ouvimos da Lei que o Cristo permanece para sempre; e como dizes tu: 'Importa que o Filho do Homem seja levantado?' Quem é esse Filho do Homem?»

Disse-lhes, pois, Jesus: «Ainda por um pouco de tempo a luz está convosco. Andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos apanhem; e quem anda nas trevas não sabe para onde vai. Enquanto tendes a luz, acreditai na luz, para que vos torneis filhos da luz».

Jesus disse estas coisas e, retirando-se, escondeu-se deles.

Incredulidade dos Judeus

| Jo 12, 37-50 |

Tendo, porém, feito tantos sinais diante deles, não acreditavam nele; para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que disse: «Senhor, quem acreditou na nossa pregação? E o braço do Senhor, a quem foi revelado?» Por isso, não podiam acreditar, porque Isaías disse ainda: «Cegou os olhos deles e endureceu o coração deles, para que não vejam com os olhos e entendam com o coração, e se convertam, e eu os cure». Estas coisas disse Isaías, porque {// quando} viu a glória dele e falou dele.

Contudo, também dentre os chefes, muitos acreditaram nele; mas por causa dos Fariseus, não o confessavam, para não serem expulsos da sinagoga; porque amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus.

Jesus, porém, clamou e disse: «Quem acredita em mim, não acredita em mim, mas naquele que me enviou. E quem me vê, vê aquele que me enviou.

Eu, a luz, vim ao mundo, para que todo aquele que acredita em mim não permaneça nas trevas. E, se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgo; pois não vim para julgar o mundo, mas para salvar o mundo. Quem me despreza e não recebe as minhas palavras, tem quem o julgue: a palavra que falei, essa o julgará no último dia. Porque eu não falei por mim mesmo; mas o que me enviou, o Pai, esse deu-me um mandamento do que dizer e do que falar. E sei que o seu mandamento é vida eterna. Aquilo, pois, que eu falo, como o Pai me disse, assim falo».

Maldição da figueira

| Mt 21, 18-19 | Mc 11, 12-14 |

E no outro dia, de manhã, porém, ao saírem de Betânia, voltando para a cidade, teve fome.

E vendo uma figueira, à beira do caminho, ao longe, tendo folhas, foi até ela, [ver] se porventura encontraria alguma coisa nela; e vindo até ela, nada encontrou nela senão só folhas, porque não era tempo de figos.

E, respondendo, disse (diz)-lhe: «Nunca de ti nasça fruto, para sempre! Nunca, para sempre, alguém coma fruto de ti!» E os seus discípulos ouviam.

E a figueira secou imediatamente.

Segunda expulsão dos vendilhões do Templo

| Mt (21, 12-17) | Mc 11, 15-19 | Lc 19, 45-48 |

E vêm a Jerusalém.

E entrou Jesus no Templo {+ de Deus} e, tendo entrado no Templo, começou a expulsar (e expulsava) todos os que vendiam e compravam no Templo; e derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas; e não permitia que alguém transportasse algum objeto pelo Templo.

E ensinava e dizia (diz), dizendo-lhes: «Não está escrito que 'a minha casa será chamada casa de oração para todas as nações? (E a minha casa será casa de oração.)' Vós, porém, fizestes (fazeis) dela um covil de ladrões!»

E aproximaram-se dele, no Templo, cegos e coxos, e ele curou-os.

Vendo, porém, os sumos sacerdotes e os Escribas as maravilhas que ele fizera, e os meninos clamando no Templo e dizendo: «hosana ao Filho de David!», indignaram-se e disseram-lhe: «Ouves o que estes dizem?» Jesus, porém, diz-lhes: «Sim. Nunca lestes: 'Da boca de pequeninos e de meninos de leite tiraste o perfeito louvor'?»

E todos os dias ensinava no Templo. E ouviram, porém, os sumos sacerdotes e os Escribas, e procuravam matá-lo (como o matariam), e os chefes do povo; e não encontravam meio de o fazer, pois temiam-no: pois todo o povo estava suspenso, ouvindo-o; pois toda a multidão se admirava com a doutrina dele.

E, sendo já tarde, partiam {// partia} para fora da cidade. E, deixando-os, saiu para fora da cidade, para Betânia, e permaneceu ali.

O poder da fé, a propósito da figueira seca

| Mt 21, 20-22 | Mc 11, 20-26 |

E quando passavam, de manhã, viram a figueira seca até às raízes. E Pedro, lembrando-se, diz-lhe: «Rabbi, eis que a figueira que amaldiçoaste secou!» E os discípulos, vendo, admiraram-se, dizendo: «Como a figueira secou imediatamente!»

E respondendo, porém, Jesus disse (diz)-lhes: «Tende fé em Deus! Amém, digo-vos que, se tiverdes fé e não hesitardes, não só fareis como à figueira, mas se qualquer um disser e se a este monte disserdes: 'Ergue-te e lança-te no mar'; e não hesitar no seu coração, mas acreditar que se fará aquilo que diz, acontecerá: ser-lhe-á feito.

E por isso vos digo: Todas as coisas que orais e pedis (pedirdes) na oração, acreditando, recebereis: acreditai que recebestes e serão para vós.

E quando estiverdes de pé, orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que também o vosso Pai que está no Céu vos perdoe as vossas ofensas. {+ Mas, se vós não perdoardes, nem o vosso Pai que está no Céu perdoará as vossas ofensas!}»

Questão sobre a autoridade de Jesus

| Mt 21, 23-27 | Mc 11, 27-33; 12, 1a | Lc 20, 1-8 |

E aconteceu que, num dos dias, vêm novamente a Jerusalém.

E tendo vindo ele ao Templo, e andando ele no Templo, ensinando ele o povo no Templo e evangelizando, aproximaram-se (aproximam-se) dele, ao ensinar, (sobrevieram) os sumos sacerdotes e os escribas e os anciãos do povo (com os anciãos); e disseram, dizendo-lhe (diziam-lhe): «Diz-nos com que autoridade fazes estas coisas? (E) ou quem te deu (quem é o que te deu) esta autoridade para as fazeres?»

Respondendo, porém, Jesus disse-lhes: «Perguntar-vos-ei, também eu, uma palavra, e respondei-me. Se me disserdes, também eu vos direi com que autoridade faço estas coisas. E dizei-me: O batismo de João donde era? Era do Céu ou dos homens? Respondei-me».

E eles, porém, raciocinavam consigo (calculavam entre eles), dizendo: «Se dissermos: 'Do Céu', dir-nos-á: 'Então porque não acreditastes nele?'. Mas se dissermos: 'Dos homens', tememos o povo: todo o povo nos apedrejará, porque todos têm João como profeta, pois estão convencidos de que João é profeta...» (Pois todos tinham que João era verdadeiramente profeta.)

E, respondendo a Jesus, disseram (dizem): «Não sabemos» (responderam que não sabiam donde era).

E Jesus disse (diz, afirmou)-lhes, também ele: «Nem eu vos digo com que autoridade faço estas coisas!»

E começou a falar-lhes em parábolas.

Parábola dos dois filhos

| Mt 21, 28-32 |

«Mas que vos parece?

Um homem tinha dois filhos. E, aproximando-se do primeiro, disse: 'Filho, vai hoje trabalhar na vinha'. Ele, porém, respondendo, disse: 'Não quero'; mas depois, movido de arrependimento, foi.

Aproximando-se, porém, do segundo, disse igualmente; mas ele, respondendo, disse: 'Vou, senhor'; e não foi.

Qual dos dois fez a vontade do pai?» Dizem: «O primeiro...»

Diz-lhes Jesus: «Amém, digo-vos que os Publicanos e as meretrizes vos precederão no Reino de Deus!

Pois João veio a vós no caminho da justiça, e não acreditastes nele, mas os Publicanos e as meretrizes acreditaram nele. Vós, porém, vendo, nem depois vos arrependestes para acreditardes nele».

Parábola dos vinhateiros homicidas

| Mt 21, 33-46 | Mc 12, 1b-12 | Lc 20, 9-19 |

Começou, porém, a dizer ao povo esta parábola: «Ouvi outra parábola:

Havia {um certo} homem, dono da casa, que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar (uma cuba) e edificou uma torre; e arrendou-a a uns lavradores e ausentou-se por longos tempos.

Chegando, porém, o tempo dos frutos, enviou os seus servos aos lavradores, para receber os frutos dele. E os lavradores, apoderando-se dos servos dele, a um feriram, a outro mataram; a outro, porém, apedrejaram.

E enviou um servo aos lavradores, no tempo, para que lhe dessem do fruto da vinha: para que dos lavradores recebesse do fruto da vinha. E os lavradores, porém, apoderando-se dele, espancaram-no; e, tendo-o ferido, mandaram-no embora vazio.

E tornou a enviar outro servo (enviou-lhes, novamente, outro servo). Mas eles espancaram-no na cabeça e afrontaram-no; tendo ferido e afrontado, mandaram-no embora vazio.

E tornou a enviar um terceiro (enviou outro). Mas eles, ferindo-o, expulsaram-no, e mataram-no.

E, novamente, enviou muitos outros servos, mais numerosos que os primeiros, e fizeram-lhes do mesmo modo: espancando uns; a outros, porém, matando-os.

Tinha ainda um filho muito amado. Disse, porém, o dono da vinha: 'Que farei? Enviarei o meu filho muito amado; talvez o respeitarão'. Por último, porém, enviou-lhes (finalmente) o seu filho, dizendo: 'Respeitarão o meu filho!'

Aqueles lavradores, porém, vendo o filho, (vendo-o, porém, os lavradores) raciocinaram entre si [e] disseram uns aos outros, dizendo: 'Este é o herdeiro! Vinde, matemo-lo, para que a herança seja nossa, e teremos a sua herança (e a herança será nossa)!'

E, tendo-o agarrado, lançaram-no fora da vinha e, tendo-o lançado fora da vinha, mataram-no (/ e lançaram-no fora da vinha).

Quando, pois, vier o dono da vinha, que fará àqueles lavradores? Que lhes fará, pois, o dono da vinha?»

Dizem-lhe: «Fará perecer miseravelmente esses maus, e arrendará a vinha a outros lavradores, que lhe entreguem o fruto nos seus tempos».

Diz-lhes Jesus: «Virá e destruirá esses lavradores, e dará a vinha a outros!...»

Ouvindo, porém, disseram: «Tal não aconteça!»

Ele, porém, olhando-os, disse: «Nunca lestes nas Escrituras (nem lestes esta Escritura) o que é, pois, isto que está escrito: 'A pedra que os edificadores rejeitaram, esta tornou-se cabeça de ângulo; isso foi feito pelo Senhor e é admirável aos nossos olhos.'?

— Portanto eu digo-vos que vos será tirado o Reino de Deus, e será dado a um povo fazendo os seus frutos. —

{E} todo o que cair sobre essa ({esta}) pedra será despedaçado; mas aquele sobre quem ela cair será esmagado».

E os sumos sacerdotes e os Fariseus, ouvindo as parábolas dele, compreenderam que falava deles. E procuravam os Escribas e os sumos sacerdotes deitar-lhe as mãos naquela hora e procuravam prendê-lo. E procurando prendê-lo, temeram as multidões (a multidão, o povo), porque o tinham como um profeta: pois compreenderam que dissera esta parábola para eles.

E deixando-o, retiraram-se.

Parábola do festim nupcial

| Mt 22, 1-14 |

E, respondendo, Jesus falou-lhes novamente em parábolas, dizendo:

«O Reino dos Céus é semelhante a um homem rei que fez as núpcias ao seu filho.

E enviou os seus servos chamar os convidados para as bodas, e eles não queriam vir.

Enviou, novamente, outros servos, dizendo: 'Dizei aos convidados: Eis que preparei o meu banquete; os meus touros e cevados foram mortos, e tudo está preparado; vinde às núpcias'.

Eles, porém, negligenciando, foram, um para o seu campo, outro para o seu negócio; os restantes, porém, apoderando-se dos servos dele, ultrajaram-nos e mataram-nos.

Mas o rei irritou-se e, enviando os seus exércitos, destruiu aqueles homicidas e incendiou a cidade deles.

Então diz aos seus servos: 'As núpcias, na verdade, estão preparadas, mas os convidados não foram dignos. Ide, pois, às encruzilhadas dos caminhos, e a quantos encontrardes, chamai-os para as núpcias'.

E saindo aqueles servos pelos caminhos, juntaram todos quantos encontraram, maus e bons, e a sala nupcial encheu-se de convivas.

Mas, entrando o rei, para ver os convivas, viu ali um homem não vestido com a roupa nupcial; e diz-lhe: 'Amigo, como entraste aqui, não tendo a roupa nupcial?' Ele, porém, emudeceu. Então o rei disse aos servos: 'Amarrando-lhe pés e mãos, lançai-o nas trevas exteriores: aí haverá choro e ranger de dentes'.

Porque muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos».

Imposto a César

| Mt 22, 15-22 | Mc 12, 13-17 | Lc 20, 20-26 |

Então os Fariseus, retirando-se, fizeram uma reunião para o apanharem em alguma palavra.

E, observando, enviaram (enviam)-lhe alguns discípulos seus, dos Fariseus e dos Herodianos (com os Herodianos), espiões, que se fingissem justos, para apanharem da palavra dele, para o caçarem em alguma palavra, e assim o entregarem à jurisdição e à autoridade do governador.

E tendo vindo, interrogaram-no. Dizem-lhe, dizendo: «Mestre, sabemos que és verdadeiro, que falas e ensinas com retidão e ensinas o caminho de Deus com verdade, e não te importas com ninguém; pois não olhas e não aceitas a aparência dos homens, mas ensinas o caminho de Deus com verdade. Diz-nos, pois, o que te parece: É-nos lícito dar imposto (tributo) a César ou não? Daremos ou não daremos?»

Percebendo, porém, Jesus a malícia deles, conhecendo a hipocrisia deles, considerando a astúcia deles, disse-lhes: «Porque me tentais, hipócritas? Mostrai-me um denário. Fazei-me ver a moeda do imposto. Trazei-me um denário, para eu ver!» Apresentaram-lhe, porém, um denário.

E [Jesus] diz-lhes: «De quem é esta imagem e a inscrição? (De quem tem imagem e inscrição?)» Eles, porém, disseram (dizem)-lhe: «De César...»

Então Jesus, porém, disse (diz)-lhes: «Por isso, devolvei, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus!»

E tendo ouvido, admiraram-se (admiravam-se) com ele; e não puderam surpreendê-lo em palavra alguma perante o povo. E admirados com a resposta dele, calaram-se e, tendo-o deixado, retiraram-se.

Discussão com os Saduceus sobre a ressurreição dos mortos

| Mt 22, 23-33 | Mc 12, 18-27 | Lc 20, 27-39 |

Naquele dia, porém, tendo-se aproximado alguns dos Saduceus, aproximaram-se e vêm Saduceus junto dele, os que dizem não existir ressurreição (que negam existir ressurreição, dizendo não existir ressurreição), e interrogaram (interrogavam)-no, dizendo: «Mestre, Moisés escreveu-nos que se o irmão de alguém morrer, tendo mulher e for sem filhos, e deixar mulher e não deixar filho, o irmão dele case com a mulher dele e suscite descendência ao seu irmão. Moisés disse que se alguém morrer, não tendo filhos, o irmão dele case com a mulher dele e suscitará descendência ao seu irmão.

Havia, pois, sete irmãos, porém, entre nós. E o primeiro tomou mulher e, tendo tomado mulher (tendo-se casado), morreu (faleceu) sem filhos; e tendo morrido, não deixou descendência; e não tendo descendência, deixou a sua mulher ao seu irmão. Igualmente, também o segundo casou-se com ela e morreu, não deixando descendência. E o terceiro, igualmente, casou-se com ela, até ao sétimo. Igualmente, porém, também os sete não deixaram descendência, não deixaram filhos e morreram.

Por fim, porém, depois de todos, morreu também a mulher.

A mulher, pois, na ressurreição, {quando ressuscitarem,} de qual daqueles sete será (se tornará) esposa? Pois, todos os sete a tiveram por esposa!»

E respondendo, porém, Jesus disse (afirmou)-lhes: «Não errais por isso, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus?

Os filhos deste século casam-se e dão-se em casamento. Mas os que forem julgados dignos de alcançar aquele século e a ressurreição dos mortos, na ressurreição, pois, quando ressuscitarem, pois, dos mortos, nem se casam nem se dão em casamento, porque não podem mais morrer; mas são como anjos {+ de Deus} nos Céus (no Céu): são semelhantes aos anjos e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição.

Da ressurreição dos mortos, porém, que ressuscitam, não lestes o que vos foi dito por Deus, no livro de Moisés, sobre a sarça, como lhe disse Deus, dizendo: 'Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob'? Que os mortos ressuscitam, porém, também Moisés mostra, junto da sarça, como diz: 'Senhor, Deus de Abraão e Deus de Isaac e Deus de Jacob'!...

Deus, porém, não é Deus de mortos, mas de vivos; pois para ele todos vivem. Muito errais!»

Respondendo, porém, alguns dos Escribas disseram: «Mestre, disseste bem!»

E as multidões, ouvindo, maravilhavam-se da sua doutrina.

O maior e primeiro mandamento

| Mt 22, 34-40 | Mc 12, 28-34 | Lc 20, 40 |

Os Fariseus, porém, ouvindo dizer que ele impusera silêncio aos Saduceus, reuniram-se num mesmo lugar. E aproximando-se, um dos Escribas, um deles, {doutor da lei,} que os ouvira discutir e percebendo que lhes tinha respondido bem, interrogou-o, experimentando-o: «Mestre, qual é o maior mandamento da Lei? Qual é o primeiro de todos os mandamentos?»

Respondeu Jesus (que lhe afirmou, porém): «O primeiro {+ de todos os mandamentos} é: 'Ouve, Israel: o Senhor nosso Deus é o único Senhor'; e 'Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força (com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento).' Este é o maior e o primeiro mandamento.

O segundo, porém, é semelhante a este: 'Amarás o teu próximo como a ti mesmo.'

Não há outro mandamento maior do que estes. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas».

E disse-lhe o escriba: «Mestre; disseste bem e com verdade que {+ Deus} é único, e não há outro além dele; e que amá-lo de todo o coração, de todo o entendimento e de toda a força, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios».

E Jesus, vendo {-o} que tinha respondido sabiamente, disse-lhe: «Não estás longe do Reino de Deus».

E ninguém ousava mais interrogá-lo. Não ousavam, pois, perguntar-lhe mais coisa alguma.

Cristo, Senhor e Filho de David

| Mt 22, 41-46 | Mc 12, 35-37 | Lc 20, 41-44 |

Tendo-se reunido, porém, os Fariseus, interrogou-os Jesus, dizendo: «Que pensais vós de Cristo? De quem é filho?» Dizem-lhe: «De David...»

E respondendo, Jesus disse (dizia, diz)-lhes, porém, ensinando no Templo: «Como dizem os Escribas que o Cristo é filho de David (ser o Cristo filho de David)? Como, pois, David, pelo Espírito, o chama Senhor? Pois o próprio David disse (diz) pelo Espírito Santo, no livro dos Salmos, dizendo: 'Disse o Senhor ao meu Senhor: Senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos como escabelo debaixo dos teus pés'. Se, pois, o próprio David o chama (diz) Senhor, como (e donde) é ele seu filho?»

E ninguém podia responder-lhe palavra; nem ousou mais alguém interrogá-lo desde aquele dia. E a grande multidão ouvia-o com prazer.

Contra os Escribas e os Fariseus

| Mt 23, 1-12 | Mc 12, 38-40 | Lc 20, 45-47 |

Ouvindo, porém, todo o povo, então falou Jesus às multidões e aos seus discípulos. Disse aos {seus} discípulos e dizia na sua doutrina, dizendo:

«Na cadeira de Moisés sentaram-se os Escribas e os Fariseus. Portanto, fazei e observai tudo o que vos disserem; mas não façais conforme as suas obras; porque dizem e não fazem.

Ligam, porém, fardos pesados {e insuportáveis}, e põem-nos aos ombros dos homens; mas eles nem com um dedo seu querem movê-los. Eles fazem todas as suas obras para serem vistos pelos homens; pois alargam as suas filatérias e aumentam as franjas.

Guardai-vos (acautelai-vos) dos Escribas, querendo eles andar com roupas compridas, e sendo amantes (amam, porém) das saudações nas praças, dos primeiros assentos nas sinagogas e dos primeiros lugares (do primeiro lugar) nas ceias e de serem chamados pelos homens 'Rabbi'; devoradores que devoram as casas das viúvas, e simulam longas orações, orando. Estes receberão maior julgamento.

Vós, porém, não queirais ser chamados 'Rabbi'; porque um só é o vosso Mestre, mas todos vós sois irmãos. E a ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque um só é o vosso Pai: o celeste. Nem sejais chamados guias; porque um só é o vosso Guia: Cristo. Mas o maior dentre vós será o vosso servo.

Quem, porém, se exaltar, será humilhado; e quem se humilhar, será exaltado».

Maldições aos Escribas e aos Fariseus

| Mt 23, 13-36 |

«Mas ai de vós, Escribas e Fariseus, hipócritas, porque fechais o Reino dos Céus, perante os homens: vós, pois, não entrais, nem aos que entram deixais entrar!

{+ Ai de vós, porém, Escribas e Fariseus, hipócritas, porque devorais as casas das viúvas, e simulais longas orações, orando! Por isso, recebereis maior condenação!}

Ai de vós, Escribas e Fariseus, hipócritas, porque percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, tornai-lo duas vezes mais filho da Geena do que vós!

Ai de vós, guias cegos, que dizeis: 'Qualquer um que jurar pelo Templo, não é nada; mas qualquer um que jurar pelo ouro do Templo, deve'. Insensatos e cegos! Pois, qual é maior: o ouro, ou o Templo que santifica o ouro? E 'Qualquer um que jurar pelo altar, não é nada; mas qualquer um que jurar pela oferta que está sobre ele, deve'. Cegos! Pois, qual é maior: a oferta, ou o altar que santifica a oferta? Portanto, quem jurar pelo altar jura por ele e por tudo o que está sobre ele; e quem jurar pelo Templo jura por ele e por aquele que nele habita; e quem jurar pelo Céu jura pelo trono de Deus e por aquele que está sentado nele.

Ai de vós, Escribas e Fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do funcho e do cominho, e deixastes as coisas mais graves da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé! Era {porém} necessário fazer estas coisas, e não omitir aquelas! Guias cegos, coais um mosquito, mas engolis um camelo!...

Ai de vós, Escribas e Fariseus, hipócritas, porque limpais o exterior do copo e do prato, mas por dentro estão cheios de rapina e de intemperança! Fariseu cego, limpa primeiro o interior do copo {+ e do prato}, para que também o exterior se torne limpo!

Ai de vós, Escribas e Fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes a sepulcros caiados, que por fora, pois, parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundice. Assim, também vós, pois, exteriormente pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade!

Ai de vós, Escribas e Fariseus, hipócritas, porque edificais os sepulcros dos Profetas e adornais os monumentos dos justos, e dizeis: 'Se existíssemos nos dias dos nossos pais, não teríamos sido companheiros deles no sangue dos Profetas'. Assim, vós testemunhais contra vós mesmos que sois filhos dos que mataram os Profetas. E vós encheis a medida dos vossos pais!

Serpentes, raça de víboras, como fugireis da condenação da Geena?

Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas: e a uns deles matareis e crucificareis; e a uns deles flagelareis nas vossas sinagogas e perseguireis de cidade em cidade; para que venha sobre vós todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue do justo Abel, até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que matastes entre o Templo e o altar. Amém, digo-vos: Virão todas estas coisas sobre esta geração!»

Apóstrofes a Jerusalém

| Mt 23, 37-39 |

«Jerusalém, Jerusalém, que matas os Profetas e apedrejas os que a ti são enviados, quantas vezes eu quis juntar os teus filhos, como a galinha junta os seus pintainhos debaixo das asas, e não quiseste!

Eis que vos é deixada a vossa casa deserta.

Pois eu digo-vos: Não me vereis desde agora, até que digais: 'Bendito o que vem em nome do Senhor!'»

O óbolo da viúva pobre

| Mc 12, 41-44 | Lc 21, 1-4 |

E sentando-se {+ Jesus} diante do Tesouro, olhando, porém, observava como a multidão lançava moedas no Tesouro. Viu os ricos que deitavam as suas ofertas no Tesouro, e muitos ricos lançavam muito.

E, tendo vindo, uma viúva pobre lançou dois leptes, que é um quadrante.

[Jesus] viu, porém, certa viúva indigente lançando ali dois leptes; e chamando os seus discípulos, disse-lhes: «Amém (verdadeiramente), digo-vos que esta viúva pobre deitou mais do que todos os que deitaram no Tesouro; porque todos estes lançaram nas ofertas {+ de Deus} daquilo que lhes sobrava; mas esta, da sua penúria (indigência), deitou todas as coisas que tinha (todo o sustento que tinha), todo o seu sustento!»

Discurso escatológico, no Monte das Oliveiras

Anúncio da destruição do Templo

| Mt 24, 1-3 | Mc 13, 1-4 | Lc 21, 5-7 |

E Jesus, tendo saído do Templo, ia. E aproximaram-se os seus discípulos, para lhe mostrarem os edifícios do Templo.

E dizendo alguns acerca do Templo, que estava ornado de belas pedras e de ofertas, saindo ele do Templo, diz-lhe um dos seus discípulos: «Mestre, olha que pedras e que estruturas!»

E Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: «Vês estes grandes edifícios?» — Disse-lhes: — «Não vedes tudo isto? Amém, digo-vos: Isto que vedes, virão dias em que não se deixará aqui pedra sobre pedra que não seja destruída!»

E, sentando-se, porém, ele sobre o Monte das Oliveiras, diante do Templo, aproximaram-se dele os discípulos em particular; [e] interrogaram (interrogavam)-no, porém, em particular Pedro e Tiago e João e André, dizendo: «Mestre, diz-nos quando serão, pois, estas coisas; e qual o sinal, quando estas coisas estiverem para acontecer, consumar-se todas. E qual o sinal da tua vinda e da consumação do século?»

Anúncio das seduções e dos flagelos

| Mt 24, 4-8 | Mc 13, 5-8 | Lc 21, 8-11 |

E respondendo, porém, Jesus disse-lhes (começou a dizer-lhes): «Olhai, que ninguém vos seduza (não sejais seduzidos)! Porque muitos virão em meu nome, dizendo: 'Eu sou o Cristo' e 'O tempo está próximo', e a muitos seduzirão. Não vades após eles.

Ouvireis, porém, falar em guerras e rumores de guerras. Quando, porém, ouvirdes falar em guerras e rumores de guerras e sedições, olhai: não vos perturbeis (não vos assusteis), pois é necessário que primeiro aconteçam estas coisas, mas ainda não é logo o fim».

Então dizia-lhes: «Levantar-se-á, pois, nação contra nação e reino contra reino; e haverá grandes terremotos e, em vários lugares, haverá fomes; e haverá pestes e coisas espantosas e, do céu, haverá grandes sinais.

Mas todas essas coisas são o princípio das dores!»

Anúncio das perseguições aos discípulos

| Mt 24, 9-14 | Mc 13, 9-13 | Lc 21, 12-19 |

«Olhai, porém, por vós mesmos:

Antes de tudo isto, porém, lançarão sobre vós as mãos deles e perseguirão, entregando às sinagogas e às prisões, sendo vós entregues a reis e a governadores, por causa do meu nome. Entregar-vos-ão {+ pois} aos tribunais, e nas sinagogas sereis flagelados; e estareis perante governadores e reis, por causa de mim. Acontecer-vos-á {+ porém} em testemunho para eles.

E é necessário que, primeiro, o Evangelho seja pregado entre todas as nações.

E quando vos conduzirem, entregando-vos, não premediteis o que direis; mas, o que vos for dado naquela hora, isso falai; porque não sois vós que falais, mas o Espírito Santo. Ponde, pois, nos vossos corações não premeditar como respondereis, porque eu dar-vos-ei boca e sabedoria a que todos os vossos adversários não poderão resistir ou contradizer.

Então entregar-vos-ão à tribulação e matar-vos-ão: Sereis entregues, porém, até pelos pais e irmãos e parentes e amigos, e matarão alguns de vós; e um irmão entregará à morte o irmão, e um pai o filho; e filhos se levantarão contra os pais e matá-los-ão; e sereis odiados por todas as nações por causa do meu nome. E então, muitos se escandalizarão e se trairão uns aos outros e se odiarão uns aos outros.

E muitos falsos profetas surgirão e seduzirão a muitos. E por abundar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará. Mas quem perseverar até ao fim, esse será salvo. E não se perderá um único cabelo da vossa cabeça. Na vossa paciência, possuireis as vossas almas.

E será pregado este Evangelho do Reino em toda a [terra] habitada, em testemunho a todas as nações, e então virá a consumação».

Anúncio da destruição de Jerusalém

| Mt 24, 15-22 | Mc 13, 14-20 | Lc 21, 20-24 |

«Quando, porém, virdes Jerusalém cercada de exércitos, então sabei que está próxima a sua desolação.

Quando, porém, virdes, pois, a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, estando no Lugar Santo, onde não deve estar (o leitor entenda), então, os que estiverem na judéia fujam para os montes; os que estiverem no meio dela, retirem-se; e os que estiverem nas regiões, não entrem nela; o que {porém} estiver sobre o teto, não desça nem entre para tomar as coisas (alguma coisa) da sua casa; e quem estiver no campo, não volte atrás para tomar o seu manto. Porque estes são dias de vingança, para que se cumpram todas as coisas que foram escritas.

Mas ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias!

Porque haverá grande angústia sobre a terra e ira contra este povo; e cairão ao fio da espada, e serão levados cativos para todas as nações; e Jerusalém será calcada pelos gentios, até que os tempos das nações se completem.

Orai, porém, para que a vossa fuga não suceda no Inverno nem no sábado: pois então será uma grande tribulação, pois serão aqueles dias uma tribulação tal como não houve semelhante desde o princípio da criação do mundo, que Deus criou, até agora, nem haverá!

E se o Senhor não abreviasse os dias, e se não fossem abreviados aqueles dias, nenhuma carne seria salva. Mas, por causa dos eleitos que escolheu, abreviou os dias: serão abreviados aqueles dias».

Anúncio do aparecimento de falsos cristos e de falsos profetas

| Mt 24, 23-25 | Mc 13, 21-23 |

«E então, se alguém vos disser: 'Eis aqui o Cristo', ou 'Ei-lo ali (aqui)', não acrediteis. Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e darão grandes sinais e prodígios; para seduzir, para enganar, se possível, até os escolhidos.

Mas vós olhai: eis que eu vos predisse tudo».

A vinda do Filho do Homem será como um relâmpago

| Mt 24, 26-28 |

«Portanto, se vos disserem: 'Eis que está no deserto'; não saiais; ou: 'Eis que está em [lugares] retirados'; não acrediteis. Porque, assim como o relâmpago sai do Oriente e se mostra até ao Ocidente, assim será a vinda do Filho do Homem.

Pois onde estiver o cadáver, aí se juntarão as águias [= os abutres]».

Anúncio dos sinais que acompanharão a vinda do Filho do Homem

| Mt 24, 29-31 | Mc 13, 24-27 | Lc 21, 25-28 |

«Mas naqueles dias, e logo, porém, depois daquela tribulação daqueles dias, haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; e sobre a terra angústia das nações pela confusão do bramido do mar e das ondas, desfalecendo os homens pelo terror e pela expectação das coisas que sobrevirão na [terra] habitada: o sol escurecerá e a lua não dará a sua claridade, e as estrelas cairão do céu (estarão a cair do céu), e as forças dos céus, pois, (que estão nos céus) serão abaladas.

E então aparecerá o sinal do Filho do Homem no céu, e então todas as tribos da terra baterão no peito, e verão o Filho do Homem vindo em nuvens (numa nuvem), sobre as nuvens do céu, com grande poder e grande glória.

E então ele enviará os seus anjos com grande clangor de trombeta, e juntarão (juntará) os seus eleitos, dos quatro ventos, das extremidades dos céus às extremidades deles, da extremidade da terra até à extremidade do céu.

Quando estas coisas, porém, começarem a acontecer, erguei-vos e levantai as vossas cabeças, porque se aproxima a vossa redenção!»

Parábola da figueira

| Mt 24, 32-33 | Mc 13, 28-29 | Lc 21, 29-31 |

E disse-lhes uma parábola: «Aprendei, porém, a parábola da figueira:

Vede a figueira, e todas as árvores. Quando o seu ramo já se torna tenro e brotam as folhas, quando já brotam, sabeis por vós mesmos, ao vê-las, que já está próximo o Verão.

Assim, também vós, quando virdes tudo isto suceder, sabei que está próximo, às portas, o Reino de Deus».

Cumprimento próximo

| Mt 24, 34-36 | Mc 13, 30-32 | Lc 21, 32-33 |

«Amém, digo-vos que não passará esta geração, até que todas estas coisas aconteçam.

O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão.

Quanto, porém, ao dia e (ou) à hora, ninguém sabe, nem os anjos dos Céus no Céu, nem o Filho, mas só o Pai».

Surpresa como no dilúvio

| Mt 24, 37-41 |

«Pois como nos dias de Noé, assim será a vinda do Filho do Homem.

Porque, assim como estavam {naqueles} dias antes do dilúvio, comendo e bebendo, casando-se e dando-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não souberam até que veio o dilúvio e tomou-os a todos; assim será {também} a vinda do Filho do Homem.

Então, dois [homens] estarão num campo: um é tomado e o outro deixado; duas [mulheres] a moer com a mó: uma é tomada e a outra deixada».

Apelo à vigilância

| Lc 21, 34-36 |

«Olhai, porém, por vós mesmos: para que não se tornem pesados os vossos corações na devassidão, na embriaguez e nos cuidados da vida, e sobrevenha sobre vós, repentinamente, aquele dia; porque virá como um laço, sobre todos os que habitam sobre a face de toda a terra.

Vigiai, porém, em todo o tempo, orando, para que possais fugir de todas estas coisas que acontecerão, e estar de pé diante do Filho do Homem».

O senhor da casa vigilante

| Mt 24, 42-44 | Mc 13, 33-37 |

«Olhai: vigiai {+ e orai}, porque não sabeis quando é o tempo; assim como um homem que, ausentando-se para longe, deixando a sua casa e dando autoridade aos seus servos, a cada um o seu trabalho, e ordenou também ao porteiro que vigiasse.

Vigiai, pois; porque não sabeis quando o senhor da casa virá: à tarde, ou à meia-noite, ou ao cantar do galo, ou pela manhã; para que, vindo repentinamente, não vos encontre a dormir.

Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia o vosso Senhor virá. Sabei, porém, isto: que se o dono da casa soubesse em que vigília viria o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa.

Por isso também vós estai preparados, porque numa hora em que não julgais, virá o Filho do Homem.

O que vos digo, porém, digo a todos: Vigiai!»

Parábola do feitor fiel

| Mt 24, 45-51 |

«Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o senhor estabeleceu sobre os seus serviçais, para lhes dar o alimento no tempo? Bem-aventurado aquele servo a quem o seu senhor, quando vier, encontrar fazendo assim! Amém, digo-vos que o estabelecerá sobre todos os seus bens.

Mas se outro, o mau servo, disser no seu coração: 'O meu senhor demora', e começar a bater nos seus companheiros, a comer e a beber com os ébrios, virá o senhor daquele servo, num dia em que não o espera, e numa hora que não sabe, e dividi-lo-á e porá a parte dele com os hipócritas. Ali haverá choro e ranger de dentes».

Parábola das dez virgens

| Mt 25, 1-13 |

«Então o Reino dos Céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do noivo. Cinco delas, porém, eram loucas e cinco prudentes.

As loucas, pois, tomando as suas lâmpadas, não tomaram azeite consigo. As prudentes, porém, receberam azeite nas vasilhas, com as suas lâmpadas. Tardando o noivo, porém, dormitaram todas e dormiram. Mas à meia-noite ouviu-se um grito: 'Eis o noivo: saí-lhe ao encontro!' Então todas aquelas virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas.

As loucas, porém, disseram às prudentes: 'Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas apagam-se'. Responderam, porém, as prudentes, dizendo: 'Para que não falte a nós e a vós, ide antes aos que o vendem, e comprai para vós'.

Tendo, porém, elas ido comprá-lo, veio o noivo; e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta.

No fim, porém, vêm também as outras virgens, dizendo: 'Senhor, Senhor, abre-nos!' Mas ele, respondendo, disse: 'Amém, digo-vos: não vos conheço'.

Vigiai, pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora».

Parábola dos talentos

| Mt 25, 14-30 |

«Porque assim como um homem que, partindo para o estrangeiro, chamou os seus servos e entregou-lhes os seus bens: e a um deu cinco talentos, a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade; e partiu.

Imediatamente, tendo partido, o que recebera cinco talentos negociou com eles e ganhou outros cinco; do mesmo modo, o que [recebera] dois ganhou outros dois; mas o que recebera um, tendo ido, cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor.

Depois de muito tempo, porém, vem o senhor daqueles servos, e faz contas com eles.

E aproximando-se o que recebera cinco talentos, apresentou-lhe outros cinco talentos, dizendo: 'Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis outros cinco talentos, que ganhei'. Afirmou-lhe o seu senhor: 'Muito bem, servo bom e fiel! Foste fiel sobre o pouco, sobre muito te constituirei: entra na alegria do teu senhor'.

Aproximando-se {porém} também o que [recebera] dois talentos, disse: 'Senhor, entregaste-me dois talentos; eis outros dois talentos que ganhei'. Afirmou-lhe o seu senhor: 'Muito bem, servo bom e fiel! Foste fiel sobre o pouco, sobre muito te constituirei: entra na alegria do teu senhor''.

Mas, aproximando-se, também, o que recebera um talento disse: 'Senhor, conheço-te, que és um homem duro, ceifando onde não semeaste e recolhendo onde não espalhaste; e, atemorizado, tendo ido, escondi o teu talento na terra. Eis: aqui tens o que é teu'.

Respondendo, porém, o seu senhor disse-lhe: 'Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei, e recolho onde não espalhei! Devias então entregar o meu dinheiro aos banqueiros e, vindo, eu teria recebido o que é meu com juro. Tirai-lhe, pois, o talento e dai ao que tem os dez talentos; porque a todo o que tem, será dado e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado. E lançai o servo inútil nas trevas exteriores: ali haverá choro e ranger de dentes».

O Juízo Final

| Mt 25, 31-46 |

«Quando, porém, vier o Filho do Homem na sua glória, e todos os anjos com ele, então sentar-se-á no trono da sua glória. E diante dele serão reunidas todas as nações; e ele separá-los-á uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e colocará as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à esquerda.

Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: 'Vinde, benditos do meu Pai. Possuí o reino que vos está preparado desde a criação do mundo; porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era forasteiro, e acolhestes-me; estava nu, e vestistes-me; enfermo, e visitastes-me; estava na prisão, e viestes visitar-me'...

Então os justos responder-lhe-ão, dizendo: 'Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer; ou com sede, e te demos de beber? Quando, porém, te vimos forasteiro, e te acolhemos; ou nu, e te vestimos? Quando, porém, te vimos enfermo, ou na prisão, e viemos visitar-te?'

E respondendo, o Rei dir-lhes-á: 'Amém, digo-vos: Todas as vezes que o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes'.

Então dirá também aos que estiverem à esquerda: 'Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e para os seus anjos; porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; era forasteiro, e não me acolhestes; estava nu, e não me vestistes; enfermo e na prisão, e não me visitastes...

Então responderão também estes, dizendo: 'Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou forasteiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?'

Então responder-lhes-á, dizendo: 'Amém, digo-vos: Todas as vezes que o não fizestes a um destes mais pequeninos, também a mim não fizestes'.

E irão estes para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna».

Jesus no Templo e no Monte das Oliveiras

| Lc 21, 37-38 |

Durante os dias, porém, [Jesus] estava a ensinar no Templo, mas nas noites, saindo, morava no monte chamado das Oliveiras.

E todo o povo madrugava junto dele no Templo, para o ouvir.


Paixão de Jesus

Conspiração dos Judeus contra Jesus

| Mt 26, 1-5 | Mc 14, 1-2 | Lc 22, 1-2 |

Aproximava-se, porém, a festa dos Ázimos, que se chama a Páscoa. Era, porém, a Páscoa e os Ázimos dali a dois dias.

E aconteceu que, tendo Jesus concluído todas estas palavras, disse aos seus discípulos: «Sabeis que daqui a dois dias será a Páscoa; e o Filho do Homem é entregue para ser crucificado».

Então reuniram-se os sumos sacerdotes e os anciãos do povo, no pátio do sumo sacerdote, chamado Caifás; e deliberaram em conjunto como apoderar-se de Jesus à traição e o matar. E os sumos sacerdotes e os Escribas procuravam como, tendo-se apoderado dele, à traição, o matariam, como o suprimiriam; pois diziam, porém: «Não durante a festa, para que não exista tumulto do povo (para que não se faça tumulto no povo)»; pois temiam o povo.

Traição de Judas

| Mt 26, 14-16 | Mc 14, 10-11 | Lc 22, 3-6 |

Entrou, porém, Satanás em Judas, denominado Iscariotes, sendo do número dos Doze.

E então, indo, Judas Iscariotes, um dos Doze (o chamado Judas Iscariotes), foi junto dos sumos sacerdotes, para lho entregar. E indo, falou com os sumos sacerdotes e com os chefes da guarda de como lho entregaria. Disse: «Que me quereis dar e eu vo-lo entregarei?»

E eles, porém, ouvindo, alegraram-se, e prometeram-lhe e combinaram dar-lhe dinheiro; mas eles fixaram-lhe trinta [moedas] de prata.

E ele concordou; e desde então, procurava uma oportunidade para lho entregar, sem a multidão [saber], como o entregar oportunamente.

Preparação da Última Ceia

| Mt 26, 17-19 | Mc 14, 12-16 | Lc 22, 7-13 |

Veio, porém, o dia dos Ázimos, quando era necessário imolar a Páscoa.

E no primeiro dia dos Ázimos, porém, quando imolavam a Páscoa, [Jesus] enviou Pedro e João, dizendo: «Indo, preparai-nos a Páscoa para que a comamos».

Aproximaram-se de Jesus os discípulos. Dizem-lhe os seus discípulos (eles, porém, disseram-lhe), dizendo: «Aonde queres que, indo, preparemos para ti (para comer a Páscoa), para que comas a Páscoa?»

E envia dois dos seus discípulos, e ele, porém, disse (diz)-lhes: «Ide à cidade. E eis que, ao entrardes vós na cidade, virá ao vosso encontro um homem transportando uma ânfora de água; segui-o até à casa em que ele entra. E, onde ele entrar, dizei (direis) ao dono da casa (a um tal, e dizei-lhe): 'O Mestre diz-te: O meu tempo está próximo; faço a Páscoa em tua [casa] com os meus discípulos. Onde está o meu alojamento, onde comerei a Páscoa com os meus discípulos?' E este (ele) mostrar-vos-á uma sala de cima grande, mobiliada e preparada; e preparai ali para nós».

E partiram os discípulos e vieram à cidade e, tendo ido, porém, encontraram como lhes tinha dito (disse). E fizeram os discípulos como Jesus lhes ordenou, e prepararam a Páscoa.

Última Ceia

Ceia pascal

| Mt 26, 20 | Mc 14, 17 | Lc 22, 14-18 |

E chegando, porém, a tarde, [Jesus] vem com os Doze. E chegada a hora, reclinou-se à mesa, e os Apóstolos com ele: estava reclinado com os Doze.

E disse-lhes: «Com desejo, desejei comer esta Páscoa convosco, antes de sofrer. Pois vos digo que não a comerei, até que ela se cumpra no Reino de Deus».

E, tendo recebido um cálice, dando graças, disse: «Tomai isto e dividi entre vós. Pois vos digo {que} não beberei mais, desde agora, do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus».

Jesus lava os pés aos Apóstolos

| Jo 13, 1-20 |

Antes da festa da Páscoa, porém, sabendo Jesus que veio a sua hora de passar deste mundo para o Pai, e tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim.

E decorrendo a ceia (tendo já o Diabo posto no coração de Judas, [filho] de Simão Iscariotes, que o entregasse), [Jesus,] sabendo que o Pai lhe entregara tudo nas mãos, e que saíra de Deus e que para Deus voltava, levanta-se da ceia, e depõe as roupas e, tomando uma toalha, cingiu-se. Seguidamente, deita água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, e a enxugar com a toalha com que estava cingido.

Vem, pois, até Simão Pedro. Diz-lhe [Pedro]: «Senhor, tu lavas-me os pés?!» Respondeu Jesus e disse-lhe: «O que eu faço, tu não sabes agora; mas depois saberás».

Diz-lhe Pedro: «Nunca me lavarás os pés!» Responde-lhe Jesus: «Se eu não te lavar, não tens parte comigo».

Diz-lhe Simão Pedro: «Senhor, não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça!»

Diz-lhe Jesus: «Aquele que está lavado não necessita senão de lavar os pés, mas está todo limpo. E vós estais limpos, mas não todos...» (Pois sabia quem o havia de entregar; por isso disse: «Não estais todos limpos...»)

Depois de ter lavado, pois, os pés deles, recebeu as suas roupas, e reclinou-se, novamente, à mesa. Disse-lhes: «Sabeis o que vos fiz? Vós chamais-me Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque eu o sou. Se eu, pois, Senhor e Mestre, lavei os vossos pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Porque eu dei-vos o exemplo, para que, como eu vos fiz, também vós façais.

Amém, amém, digo-vos: Não é o servo maior que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou. Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes.

Não digo de todos vós (eu sei os que escolhi), mas para que se cumpra a Escritura: 'O que come o meu pão levantou contra mim o seu calcanhar'. Digo-vos agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, acrediteis que eu sou.

Amém, amém, digo-vos: Quem recebe aquele que eu enviar, me recebe; mas quem me recebe, recebe aquele que me enviou».

Anúncio da traição de Judas

| Mt 26, 21-25 | Mc 14, 18-21 | Lc (22, 21-23) | Jo 13, 21-30 |

E enquanto estavam sentados à mesa e comiam, dito isto, Jesus perturbou-se no espírito e testemunhou e disse: «Amém, amém, digo-vos que um de vós, que come comigo, me entregará!»

Os discípulos olhavam uns para os outros, não sabendo de quem falava. Começaram a entristecer-se e, muito entristecidos, começaram a dizer-lhe, cada um, um após outro: «Porventura, sou eu, Senhor?»

Mas ele, respondendo, disse-lhes: «[É] um dos Doze, o que mete comigo na bandeja: O que meteu comigo a mão na bandeja, esse me entregará. Porque eis que a mão de quem me entrega está à mesa comigo, porque o Filho do Homem, pois, segundo o que foi determinado, vai (passa), como dele está escrito. Mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem é entregue! Seria melhor para ele, se esse homem não tivesse nascido!»

E eles começaram a perguntar entre si qual deles seria o que havia de fazer isto.

Um dos seus discípulos, que Jesus amava, estava reclinado à mesa sobre o peito de Jesus. Acenou-lhe, pois, Simão Pedro, para o interrogar: «Quem é aquele de quem ele fala?».

Reclinando-se, pois, ele assim sobre o peito de Jesus, diz-lhe: «Senhor, quem é?» Jesus responde: «É aquele a quem eu molhar um pedaço e lho der».

Molhando, pois, um pedaço, {toma e} dá a Judas, [filho] de Simão Iscariotes. E depois do pedaço, então entrou nele Satanás. Diz-lhe, pois, Jesus: «O que fazes, faz depressa». (Isto {porém} nenhum dos que estavam à mesa compreendeu por que lho disse. Pois alguns, como Judas tinha a bolsa, pensavam que Jesus lhe disse: «Compra o que nos é necessário para a festa» ou que desse alguma coisa aos pobres).

Respondendo, porém, Judas, que o entregou, disse: «Porventura, sou eu, Rabbi?» Diz-lhe [Jesus]: «Tu o disseste».

Tomando o pedaço, ele saiu logo. Era, porém, noite.

Glorificação de Cristo

| Jo 13, 31-35 |

Tendo ele, pois, saído, diz Jesus: «Agora é glorificado o Filho do Homem, e Deus é glorificado nele! {Se Deus é glorificado nele,} também Deus o glorificará em si mesmo, e logo o glorificará.

Filhinhos, ainda por pouco estou convosco. Procurar-me-eis; e, como eu disse aos Judeus que, para onde eu vou, vós não podeis vir; também a vós o digo agora.

Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei, também vós vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros».

Instituição da Eucaristia

| Mt 26, 26-29 | Mc 14, 22-25 | Lc 22, 19-20 | (1Cor 11, 23-25) |

E enquanto, porém, eles comiam, o Senhor Jesus, na noite em que era entregue, tomou pão; e tendo Jesus tomado pão, e dando graças, abençoando, partiu e deu aos discípulos; e dando-lhes, disse, dizendo: «Tomai, comei: isto é o meu corpo, que é dado por vós. Fazei isto em memória de mim».

E tomando também um cálice, igualmente, depois de cear, e dando graças, deu-lhes, dizendo: «Bebei dele todos». E beberam dele todos. E disse-lhes: «Este cálice é a nova aliança no meu sangue; pois este é o meu sangue da {+ nova} aliança, que por vós [e] por muitos é derramado, em remissão dos pecados. Fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim.

Amém digo-vos, porém, que já não beberei doravante deste fruto da videira, até àquele dia, em que o beberei novo, convosco, no Reino de Deus, meu Pai».

Quem é o maior

| Lc 22, 24-30 |

E houve também uma contenda entre eles: qual deles parecia ser o maior.

Disse-lhes, porém: «Os reis dos gentios dominam sobre eles, e os que têm autoridade sobre eles são chamados benfeitores. Mas vós não sejais assim; mas o maior entre vós torne-se como o mais jovem; e quem governa como quem serve.

Pois qual é maior, quem está à mesa, ou quem serve? Porventura não é quem está à mesa? Eu, porém, estou no meio de vós como quem serve.

Mas vós sois os que permanecestes comigo nas minhas provações; e eu disponho para vós, como o meu Pai dispôs para mim o Reino; para que comais e bebais à minha mesa, no meu reino, e vos senteis sobre tronos, julgando as doze tribos de Israel».

Primeiro anúncio das negações de Pedro

| Lc 22, 31-34 | Jo 13, 36-38 |

{+ Disse porém o Senhor:} «Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça! E tu, quando te converteres, confirma os teus irmãos».

Diz-lhe Simão Pedro: «Senhor, para onde vais?» Respondeu {-lhe} Jesus: «Para onde eu vou, não podes agora seguir-me; mais tarde, porém, me seguirás».

Diz-lhe Pedro (ele, porém, disse-lhe): «Senhor, porque não te posso seguir agora? Estou pronto a ir contigo para a prisão e para a morte. Porei a minha vida por ti!»

Responde Jesus (ele, porém, disse): «Porás a tua vida por mim?! Amém, amém, digo-te, Pedro: não cantará hoje o galo, até que me tenhas renegado três vezes: até que três vezes tenhas negado conhecer-me!»

A hora do combate

| Lc 22, 35-38 |

E [Jesus] disse-lhes: «Quando vos enviei sem bolsa, alforge ou calçados, porventura faltou-vos alguma coisa?» Eles, porém, disseram: «Nada...»

Disse-lhes, porém: «Mas agora, quem tem bolsa, tome-a; igualmente o alforge; e quem não tem, venda o seu manto e compre uma espada. Porque vos digo que isto, que está escrito, é necessário que seja cumprido em mim: 'E com os malfeitores foi contado'. Pois o que me diz respeito tem o seu cumprimento».

Mas eles disseram: «Senhor, eis aqui duas espadas». Mas ele disse-lhes: «Basta!»

Jesus anuncia a sua ida e a sua volta

| Jo 14, 1-12 |

«Não se perturbe o vosso coração; acreditais em Deus, e acreditai em mim. Na casa do meu Pai existem muitas moradas; se não, eu vo-lo teria dito, porque vou preparar-vos um lugar. E, se eu for e vos preparar um lugar, virei outra vez, e tomar-vos-ei para mim mesmo, para que onde estou eu também vós estejais. E para onde eu vou, sabeis o caminho».

Diz-lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais; como podemos saber o caminho?» Diz-lhe Jesus: «Eu sou o caminho e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. Se me conhecêsseis, também conheceríeis o meu Pai; e desde agora o conheceis, e o vistes».

Diz-lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta». Diz-lhe Jesus: «Há tanto tempo que estou convosco, e não me conheceste, Filipe? Quem me viu a mim, viu o Pai. Como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não acreditas que eu estou no Pai, e o Pai está em mim?

As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras. Acreditai-me que eu estou no Pai, e o Pai está em mim. Ao menos por causa das próprias obras, acreditai.

Amém, amém, digo-vos: Aquele que acredita em mim, também ele fará as obras que eu faço, e fará maiores do que estas; porque eu vou para o Pai».

Oração pelos discípulos e vinda do Espírito Santo

| Jo 14, 13-26 |

«E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho: Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu a farei.

Se me amais, guardareis {// guardai} os meus mandamentos.

E eu rogarei ao Pai, e ele dar-vos-á outro Paráclito, para que esteja convosco para sempre: o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece. Vós conhecei-lo, porque ele permanece convosco e estará em vós.

Não vos deixarei órfãos: volto a vós. Ainda um pouco, e o mundo já não me verá; mas vós ver-me-eis, porque eu vivo e vós vivereis. Naquele dia, vós conhecereis que eu estou no meu Pai, e vós em mim, e eu em vós.

Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, é ele o que me ama; mas aquele que me ama será amado do meu Pai, e eu amá-lo-ei e manifestar-me-ei a ele».

Diz-lhe Judas (não o Iscariotes): «Senhor, {e} que aconteceu, que te manifestarás a nós, e não ao mundo?»

Respondeu Jesus e disse-lhe: «Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e o meu Pai amá-lo-á, e viremos a ele, e faremos nele morada. O que não me ama, não guarda as minhas palavras; e a palavra que ouvistes não é minha, mas do que me enviou: o Pai.

Falei-vos estas coisas, estando convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, esse ensinar-vos-á todas as coisas, e vos recordará tudo quanto eu vos disse».

A paz de Cristo

| Jo 14, 27-31 |

«Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize.

Ouvistes que eu vos disse: Vou e venho a vós. Se me amásseis, alegrar-vos-íeis, porque eu vou para o Pai; porque o Pai é maior do que eu. E eu disse-vos agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, acrediteis.

Já não falarei muito convosco, porque vem o príncipe do {// deste} mundo, e contra mim ele não tem nada; mas, para que o mundo saiba que eu amo o Pai e, conforme o mandato que o pai me deu, assim faço.

Levantai-vos, vamos daqui».

Saída para o Jardim do Getsémani

| Mt 26, 30 | Mc 14, 26 | Lc 22, 39 | Jo 14, 31b |

E, cantado o hino, saíram e, tendo saído, foi, como do costume, para o Monte das Oliveiras. Seguiram-no, porém, também os discípulos.

Amor fraterno e a videira

| Jo 15, 1-17 |

«Eu sou a verdadeira videira, e o meu Pai é o agricultor. Toda a vara que em mim não dá fruto, ele corta-a; e toda aquela que dá fruto, ele limpa-a, para que dê mais fruto.

Vós já estais limpos pela palavra que vos falei.

Permanecei em mim, e eu em vós. Como a vara não pode dar fruto de si mesma, se não permanecer na videira, assim nem vós, se não permanecerdes em mim.

Eu sou a videira; vós as varas. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não permanece em mim é lançado fora, como a vara, e seca; e juntam-nas e lançam-nas ao fogo e ardem.

Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e ser-vos-á feito.

Nisto é glorificado o meu Pai: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos.

Como o Pai me amou, também eu vos amei; permanecei no meu amor.

Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; como eu guardei os mandamentos do meu Pai, e permaneço no seu amor.

Disse-vos estas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa.

Este é o meu mandamento: Que vos ameis uns aos outros como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este: que alguém ponha a sua vida pelos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos preceituo.

Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamei-vos amigos, porque tudo quanto ouvi do meu Pai vos dei a conhecer.

Vós não me escolhestes, mas eu escolhi-vos a vós, e designei-vos, para que vós vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça, para que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo dê.

Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros».

O ódio do mundo

| Jo 15, 18-27; 16, 1-4 |

«Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim.

Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que é seu; mas, porque não sois do mundo, mas eu vos escolhi do mundo, por isso o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: Não é o servo maior que o seu senhor. Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. Mas tudo isto vos farão por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou.

Se eu não viesse e não lhes falasse, não teriam pecado; agora, porém, não têm desculpa do seu pecado.

Aquele que me odeia, odeia também o meu Pai. Se eu não tivesse feito as obras entre eles, que nenhum outro fez, não teriam pecado; mas agora, não só viram, mas também odiaram a mim e o meu Pai. Mas é para que se cumpra a palavra que está escrita na lei deles: 'Odiaram-me sem causa'.

Quando vier o Paráclito, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que do Pai procede, ele dará testemunho de mim; e vós, porém, dareis testemunho, porque estais comigo desde o princípio.

Disse-vos estas coisas para que não vos escandalizeis.

Tornar-vos-ão excluídos das sinagogas. Mas vem a hora em que qualquer um que vos matar julgará prestar culto a Deus. E farão isto, porque não conheceram o Pai nem a mim. Mas disse-vos estas coisas, para que, quando vier a hora delas, vos lembreis das coisas que eu vos disse. Mas não vos disse isto desde o princípio, porque estava convosco».

Jesus anuncia a sua ida e a vinda do Espírito Santo

| Jo 16, 5-22 |

«Agora, porém, vou para aquele que me enviou; e nenhum de vós me pergunta: Para onde vais? Mas, porque vos disse isto, a tristeza encheu o vosso coração. Mas, digo-vos a verdade: convém-vos que eu vá; pois se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas, se eu for, vo-lo enviarei. E quando ele vier, culpará o mundo acerca do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, pois, porque não acreditam em mim; da justiça, porém, porque vou para o Pai, e já não me vereis; do juízo, porém, porque o príncipe deste mundo está julgado.

Ainda tenho muitas coisas a dizer-vos; mas não podeis suportar agora. Quando vier, porém, aquele Espírito da Verdade, guiar-vos-á em toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e anunciar-vos-á as coisas vindouras. Ele glorificar-me-á, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará.

Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso, eu disse que recebe do que é meu e vo-lo anunciará.

Um pouco, e já não me vereis; e outra vez um pouco, e ver-me-eis».

Disseram, pois, alguns dos seus discípulos uns para os outros: «Que é isto que nos diz: 'Um pouco e não me vereis; e outra vez um pouco e ver-me-eis'; e: 'Vou para o Pai'?» Diziam, pois: «Que é isto {que diz}: 'Um pouco?' Não sabemos o que ele diz!»

Conheceu Jesus que o queriam interrogar e disse-lhes: «Perguntais entre vós acerca disto que disse: 'Um pouco e não me vereis; e outra vez um pouco e ver-me-eis?'» Amém, amém, digo-vos que vós chorareis e lamentar-vos-eis, mas o mundo alegrar-se-á; vós estareis tristes, mas a vossa tristeza converter-se-á em alegria.

A mulher, quando dá à luz, tem tristeza, porque veio a sua hora; mas, depois de ter dado à luz um menino, já não se lembra da aflição, pela alegria, porque nasceu um homem ao mundo.

E vós agora, na verdade, tendes tristeza; mas eu ver-vos-ei novamente, e alegrar-se-á o vosso coração, e a vossa alegria ninguém tirará de vós».

Manifestação do Pai

| Jo 16, 23-33 |

«E, naquele dia, não me pedireis nada.

Amém, amém, digo-vos: O que pedirdes ao Pai, em meu nome, ele vo-lo dará. Até agora, nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis, para que a vossa alegria seja completa.

Disse-vos estas coisas em figuras; vem a hora em que não vos falarei em figuras, mas anunciar-vos-ei abertamente acerca do Pai. Naquele dia, pedireis em meu nome, e não vos digo que eu rogarei ao Pai por vós; pois o próprio Pai vos ama; porque vós me amastes e acreditastes que eu saí de Deus. Saí do Pai e vim ao mundo; deixo outra vez o mundo e vou para o Pai».

Dizem os seus discípulos: «Eis que agora falas abertamente e não dizes nenhuma figura. Agora sabemos que sabes todas as coisas, e não necessitas de que alguém te interrogue. Nisto acreditamos que saíste de Deus».

Responde-lhes Jesus: «Agora, acreditais? Eis que vem a hora, e [já] chegou, em que sereis dispersos cada um para o seu lado, e me deixareis só; e não estou só, porque o Pai está comigo.

Disse-vos estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis tribulação; mas confiai: eu venci o mundo».

Segundo anúncio das negações de Pedro

| Mt 26, 31-35 | Mc 14, 27-31 |

E então diz-lhes Jesus: «Todos vós sereis escandalizados de mim, esta noite; porque está escrito, pois: 'Ferirei o pastor e serão dispersadas as ovelhas do rebanho'. Mas, depois de ter ressuscitado, porém, preceder-vos-ei na Galileia».

Respondendo, porém, Pedro disse (afirmou)-lhe: «E se todos se escandalizarem de ti, mas não eu: eu nunca me escandalizarei».

E Jesus afirmou (diz)-lhe: «Amém, digo-te que tu, hoje, nesta noite, antes que o galo cante duas vezes, negar-me-ás três vezes!»

Diz-lhe Pedro (ele, porém, dizia com mais insistência): «Ainda que seja preciso morrer contigo, não te negarei!» Do mesmo modo, porém, igualmente também todos os discípulos disseram (diziam).

Oração sacerdotal

| Jo 17 |

Jesus disse estas coisas e, levantando os seus olhos ao céu, disse:

«Pai, chegou a hora! Glorifica o teu Filho, para que o Filho te glorifique, assim como lhe deste autoridade sobre toda a carne, para que, a todo aquele que lhe deste, lhes dê a vida eterna.

A vida eterna, porém, é esta: que te conheçam a ti, o único verdadeiro Deus, e a Jesus Cristo, que tu enviaste.

Eu glorifiquei-te sobre a terra: consumei a obra que me deste para fazer; e agora, glorifica-me tu, Pai, junto de ti mesmo, com a glória que eu tinha, junto de ti, antes que o mundo existisse.

Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo: Eram teus, e deste-los, e guardaram a tua palavra. Agora conheceram que todas as coisas que me deste vêm de ti; porque lhes dei as palavras que me deste e eles receberam-nas, e conheceram verdadeiramente que saí de ti, e acreditaram que tu me enviaste.

Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus; e todas as minhas coisas são tuas, e as tuas são minhas; e sou glorificado neles.

E não estou mais no mundo, e eles estão no mundo; e eu vou para ti. Pai santo, guarda-os no teu nome, que me deste, para que sejam um, assim como nós.

Enquanto estava com eles, eu guardava-os no teu nome, que me deste; e guardei-os, e nenhum deles se perdeu senão o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura.

Mas agora vou para ti; e falo isto no mundo, para que tenham a minha alegria completa neles mesmos.

Eu dei-lhes a tua palavra; e o mundo odiou-os, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo.

Não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do Mal. Não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Santifica-os na verdade: a tua palavra é a verdade. Assim como me enviaste ao mundo, também eu os enviarei ao mundo; e por eles eu me santifico, para que sejam também eles santificados na verdade.

Não rogo somente por estes, porém, mas também por aqueles que pela palavra deles acreditarão em mim; para que todos sejam um, assim como tu, Pai, em mim, e eu em ti; para que também eles sejam um em nós, para que o mundo acredite que tu me enviaste. E eu dei-lhes a glória que me deste: para que sejam um, como nós somos um; eu neles e tu em mim, para que eles sejam consumados num, para que o mundo conheça que tu me enviaste, e que os amaste, assim como me amaste a mim.

Pai, o que me deste, quero que onde eu estou, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória, que me deste; porque me amaste antes da criação do mundo.

Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu conheço-te; e eles conheceram que tu me enviaste; e fiz-lhes conhecer o teu nome, e farei conhecer: para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles».

Agonia no Jardim do Getsémani

| Mt 26, 36-46 | Mc 14, 32-42 | Lc 22, 40-46 | Jo 18, 1-2 |

Então, tendo dito isto, Jesus saiu com os seus discípulos, vem Jesus com eles e vêm a uma propriedade chamada (cujo nome é) Getsémani, do outro lado da torrente do Cédron, onde havia um jardim, no qual entrou ele e os seus discípulos. Judas, porém, que o traía, também conhecia o lugar, porque muitas vezes Jesus tinha vindo ali com os seus discípulos.

E [Jesus] diz aos seus discípulos: «Sentai-vos aqui, enquanto, indo ali, oro».

E toma Pedro e Tiago e João consigo e (tendo tomado Pedro e os dois filhos de Zebedeu) começou a ter pavor, a entristecer-se e a angustiar-se.

E quando, porém, chegou ao lugar, então disse (diz)-lhes: «A minha alma está triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo. Orai, para que não entreis em tentação».

E avançando um pouco, ele afastou-se deles cerca de um tiro de pedra e, dobrando os joelhos, prostrou-se (prostrava-se) com o seu rosto por terra e orava, orando para que, se fosse possível, passasse dele a hora. E dizia, dizendo: «Abba, Pai meu, tudo te é possível! Se queres, afasta de mim este cálice!... Se é possível, passe de mim este cálice!... Todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres... Mas não o que eu quero, mas o que tu [queres]... Todavia, não [se faça] a minha vontade, mas a tua».

E vem junto dos discípulos, e encontra-os a dormir; e diz a Pedro: «Simão, dormes? Não pudeste vigiar uma hora? Assim, não pudestes vigiar uma hora comigo? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca».

E, novamente, afastando-se pela segunda vez, orou, dizendo as mesmas palavras; dizendo: «Pai meu, se isto {// este cálice} não pode passar sem que eu o beba, faça-se a tua vontade!»

E, vindo outra vez, encontrou-os a dormir, porque os seus olhos estavam pesados (carregados) e não sabiam que lhe responder.

E deixando-os, indo novamente, orou pela terceira vez, dizendo, novamente, as mesmas palavras.

— {Apareceu-lhe, porém, um anjo do Céu, confortando-o.

E, posto em agonia, orava mais intensamente; e tornou-se o seu suor como gotas de sangue, caindo para a terra.}

E tendo-se levantado da oração, tendo vindo junto dos discípulos, encontrou-os a dormir de tristeza; e disse-lhes: «Porque dormis? Levantando-vos, orai, para que não entreis em tentação!» —

E então, vem pela terceira vez junto dos discípulos e diz-lhes: «Dormi agora e descansai.

Basta: chegou a hora! Eis que se aproxima a hora, e o Filho do Homem é entregue nas mãos dos pecadores. Levantai-vos! Vamos! Eis que se aproxima o que me trai!»

Prisão de Jesus

| Mt 26, 47-56 | Mc 14, 43-52 | Lc 22, 47-53 | Jo 18, 3-11 |

E logo, enquanto ele ainda falava, eis uma multidão, e o chamado Judas, um dos Doze, antecedia-os. Chega Judas, um dos Doze: veio, e com ele grande multidão, com espadas e varapaus, [enviados] pelos sumos sacerdotes, pelos Escribas e pelos anciãos do povo. Judas, pois, tendo recebido a escolta e guardas dos sumos sacerdotes e dos Fariseus, vem ali com lanternas e archotes e armas.

O traidor dele, porém, dera uma indicação, deu-lhes um sinal, dizendo: «Aquele que eu beijar, é esse; prendei-o e levai-o cuidadosamente». E aproximou-se de Jesus para o beijar.

E tendo vindo logo e tendo-se aproximado imediatamente dele (de Jesus), disse (diz): «Ave [= Alegra-te], Rabbi!» E beijou-o.

Jesus, porém, disse-lhe: «Amigo, ao que vieste! Judas, com um beijo, trais o Filho do Homem!...»

Jesus, pois, sabendo tudo o que viria sobre ele, avançou e diz-lhes: «Quem procurais?» Responderam-lhe: «Jesus, o nazareno». Diz-lhes [Jesus]: «Sou eu». (Estava, porém, também com eles, Judas, que o traía). Quando, pois, lhes disse: «Sou eu», recuaram e caíram por terra.

E interrogou-os, pois, novamente: «Quem procurais?» Eles, porém, disseram: «Jesus, o nazareno». Respondeu Jesus: «Disse-vos que sou eu! Se, pois, me procurais, deixai ir estes»; para que se cumprisse a palavra que disse: «Dos que me deste, não perdi nenhum deles».

Então, aproximando-se, eles, porém, lançaram as mãos nele (sobre Jesus) e prenderam-no.

Vendo, porém, os que estavam em volta dele o que ia suceder, disseram: «Senhor, ferimos à espada?»

E eis que um, porém, um deles, dos circunstantes que estavam com Jesus, estendendo a mão, desembainhou a sua espada e, desembainhando a espada, feriu (ferindo) o servo do sumo sacerdote e tirou-lhe a orelha direita: Simão Pedro, pois, tendo uma espada, desembainhou-a e feriu o servo do sumo sacerdote e cortou-lhe a orelha direita. O nome do servo, porém, era Malco.

Respondendo, porém, Jesus disse: «Deixai até aqui!» E, tocando a orelha, curou-o.

Então, disse, pois, Jesus a Pedro (diz-lhe): «Remete a tua espada no lugar dela: mete a espada na bainha; porque todos os que tomarem espada, pela espada morrerão. Não beberei o cálice que o Pai me deu? Ou pensas que eu não posso rogar ao meu Pai; e ele me mandaria, agora, mais de doze legiões de anjos? Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que assim é necessário acontecer?»

E naquela hora, respondendo, disse, porém, Jesus às multidões, aos que tinham ido contra ele: sumos sacerdotes, oficiais do Templo e anciãos (disse-lhes): «Como contra um ladrão, saístes com espadas e varapaus prender-me! Todos os dias estava (estando eu) convosco, entre vós: estava sentado no Templo, ensinando... Não estendestes as mãos contra mim e não me prendestes! Mas esta é a vossa hora e o poder das trevas. Mas é para que se cumpram as Escrituras!» Tudo isto aconteceu, porém, para que se cumpram as Escrituras dos Profetas.

E então todos os discípulos, deixando-o, fugiram todos.

E certo jovem seguia-o, envolto num lençol sobre o [corpo] nu; e agarraram-no. Mas ele, largando o lençol, fugiu nu.

Jesus perante Anás e primeira negação de Pedro

| Mt 26, 58 | Mc 14, 54 | Lc 22, 54-55 | Jo 18, 12-24 |

A escolta, pois, e o tribuno e os guardas dos Judeus apoderaram-se de Jesus e ligaram-no.

Tendo-se apoderado dele, porém, conduziram-no e introduziram-no na casa do sumo sacerdote.

E levaram-no a Anás, primeiramente, porque era sogro de Caifás, que era sumo sacerdote daquele ano. (Caifás, porém, era quem aconselhara aos Judeus que «É melhor um homem morrer pelo povo»).

Simão Pedro e outro discípulo seguiam, porém, Jesus; e Pedro, porém, ao longe, seguia (seguiu)-o até dentro do átrio (até ao átrio) do sumo sacerdote. Este discípulo era conhecido do sumo sacerdote, e entrou com Jesus no átrio do sumo sacerdote. Pedro, porém, estava de fora, à porta. Saiu, pois, o outro discípulo que era conhecido do sumo sacerdote, e disse à porteira, e introduziu Pedro. Diz, pois, a Pedro a criada porteira: «Também tu és dos discípulos desse homem?» Diz ele: «Não sou».

Estavam, porém, ali os servos e os guardas, que tinham feito brasas, porque estava frio, e aqueciam-se; estava, também, com eles Pedro e aquecendo-se. Tendo, porém, acendido fogo no meio do átrio e estando eles sentados em volta; e tendo entrado dentro, Pedro sentava-se: estava sentado com os guardas, no meio deles, e aquecendo-se ao lume, para ver o fim.

O sumo sacerdote interrogou, pois, Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina. Respondeu-lhe Jesus: «Eu falei abertamente ao mundo; eu sempre ensinei na sinagoga e no Templo, onde todos os Judeus se reúnem, e nada falei oculto. Porque me interrogas? Interroga os que ouviram o que lhes falei; eis que eles sabem o que eu disse».

E, tendo ele dito isto, um dos guardas que assistiam deu uma bofetada em Jesus, dizendo: «Assim, respondes ao sumo sacerdote?» Respondeu-lhe Jesus: «Se falei mal, dá testemunho do mal; mas, se bem, porque me feres?»

Anás enviou-o, pois, ligado, a Caifás, o sumo sacerdote.

Jesus perante Caifás

| Mt 26, (57).59-66 | Mc 14, (53).55-64 | Jo 18, 24 |

E eles, porém, tendo prendido Jesus, conduziram-no a Caifás, o sumo sacerdote; e reúnem-se todos os sumos sacerdotes e os anciãos e os Escribas (onde os Escribas e os anciãos se tinham reunido).

Os sumos sacerdotes, porém, e todo o sinédrio procuravam falso testemunho contra Jesus, para o matarem (como o matariam); e não encontraram (não encontravam). Muitos, pois, diziam falso testemunho contra ele, e a concordância dos testemunhos não existia, apesar de se apresentarem muitas testemunhas falsas.

E alguns, levantando-se, diziam falso testemunho contra ele, dizendo: «Nós ouvimo-lo a dizer: 'Eu destruirei este Templo, feito à mão, e em três dias edificarei outro, não feito à mão'». Por fim, porém, vindo dois {// duas testemunhas falsas}, disseram: «Este afirmou: 'Posso destruir o Templo de Deus e depois de três dias edificá-lo'». E nem assim concordava o testemunho deles.

E tendo-se levantado o sumo sacerdote, no meio, interrogou Jesus; disse-lhe, dizendo: «Não respondes nada? Que testemunham estes conta ti?» Jesus, porém, calava-se e não respondeu nada.

E, novamente, o sumo sacerdote interrogava-o e disse (diz)-lhe: «Adjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho do Deus bendito!»

Jesus, porém, disse (diz)-lhe: «Tu o disseste: Eu sou. E, contudo, vos digo: Desde agora, vereis o Filho do Homem sentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu (com as nuvens do céu)».

Então, o sumo sacerdote rasgou as suas roupas. O sumo sacerdote, porém, rasgando as suas túnicas, diz, dizendo: «Blasfemou! Para que necessitamos ainda de testemunhas? Eis que agora ouvistes a blasfêmia. Que pensais? (Que vos parece?)»

Eles, porém, respondendo, disseram: «É réu de morte!» Eles, porém, todos o condenaram como sendo réu de morte.

Ultrajes a Jesus

| Mt 26, 67-68 | Mc 14, 65 |

E então, cuspiram no rosto dele e feriram-no com punhadas; outros, porém, esbofetearam-no: Começaram alguns a cuspir nele, a cobrir o rosto dele e a dar-lhe punhadas, e a dizer-lhe, dizendo: «Profetiza-nos, Cristo: Quem é que te bateu?» E os guardas davam-lhe bofetadas.

Continuação das negações de Pedro

| Mt 26, 69-75 | Mc 14, 66-72 | Lc 22, 56-62 | Jo 18, 25-27 |

Pedro, porém, estava sentado fora, no átrio.

E estando Pedro em baixo, no átrio, vem e aproximou-se dele uma criada (certa criada), uma das criadas do sumo sacerdote. E vendo, porém, Pedro aquecendo-se, sentado ao lume, e fixando-o, olhando-o, disse (diz), dizendo: «Também tu estavas com Jesus, o nazareno, o Galileu! (Também este estava com ele!)» Mas ele negou {+ -o} diante de todos, dizendo: «Não o conheço, mulher! Nem conheço, nem sei o que tu dizes!»

E saiu para fora, para o vestíbulo do átrio, {e um galo cantou}.

E a criada, vendo-o, começou novamente a dizer aos que ali estavam: «Este é deles!»

Saindo ele, porém, para a porta, outra [criada] viu-o e diz aos que estavam ali: «Este estava com Jesus, o nazareno!»

E pouco depois (estava, porém, Simão Pedro de pé e aquecendo-se), outro, vendo-o, afirmou: «Também tu és deles!» Disseram-lhe, pois: «Porventura, também tu és dos seus discípulos?»

E Pedro, porém, negou (negava) outra vez, com juramento: «Não conheço o homem!» — Ele negou e disse (afirmou) — «Homem, não sou!»

E pouco depois, novamente, porém, tendo passado cerca de uma hora, aproximando-se, os que estavam presentes, os assistentes, disseram (diziam) a Pedro: «Verdadeiramente, tu também és deles, pois também és galileu, pois também a tua fala te torna manifesto!» Outro afirmava, dizendo: «Na verdade, também este estava com ele, pois também é galileu!» Diz um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortou a orelha: «Não te vi eu no jardim com ele?»

Então Pedro negou, pois, outra vez. Ele, porém, começou a maldizer e a jurar: «Não conheço esse homem de quem falais!» — Disse, porém, Pedro — «Homem, não sei o que dizes!...»

E imediatamente, estando ele ainda a falar, seguidamente (logo) o galo cantou novamente.

E virando-se, o Senhor olhou para Pedro; e Pedro lembrou-se (recordou-se) da palavra do Senhor Jesus (que dissera), como lhe tinha dito Jesus: «Antes que o galo cante, hoje, duas vezes, três vezes me negarás».

E começou a chorar, e, saindo para fora, {+ Pedro} chorou amargamente.

Continuação dos ultrajes a Jesus

| Lc 22, 63-65 |

E os varões que o guardavam escarneciam dele, batendo-lhe; e, cobrindo-o com um véu, {+ batiam no rosto dele, e} interrogavam {+ -no}, dizendo: «Profetiza: Quem é que te bateu?» E, blasfemando, diziam muitas outras coisas contra ele.

Jesus condenado pelo Sinédrio e entregue a Pilatos

| Mt 27, 1-2 | Mc 15, 1 | Lc 22, 66-71; 23, 1 | Jo 18, 28 |

E quando se fez dia, e logo chegada a manhã, porém, juntaram-se os anciãos do povo, os sumos sacerdotes e os escribas, e conduziram-no ao Sinédrio deles.

Formaram conselho, fazendo-o todos os sumos sacerdotes e os anciãos do povo (com os anciãos) e os escribas e todo o Sinédrio, contra Jesus, para o matarem; dizendo: «Se tu és o Cristo, diz-nos».

[Jesus] disse-lhes, porém: «Se vos disser, não acreditareis; se, porém, vos interrogar, não me respondereis {+ nem libertareis}. Mas, desde agora, o Filho do Homem estará sentado à direita do poder de Deus».

Disseram, porém, todos: «Tu és, pois, o Filho de Deus?» Ele, porém, afirmou-lhes: «Vós dizeis que eu sou».

Mas eles disseram: «De que mais testemunho necessitamos ainda? Pois nós mesmos o ouvimos da boca dele!»

E levantando-se toda a multidão deles, levaram-no junto de Pilatos: manietando Jesus, conduziram-no e levaram-no e entregaram-no a {+ Pôncio} Pilatos, o governador.

Suicídio de Judas

| Mt 27, 3-10 | (At 1, 18-19) |

Então Judas, aquele que o traíra, vendo que [Jesus] fora condenado, arrependido, levou as trinta [moedas] de prata aos sumos sacerdotes e aos anciãos, dizendo: «Pequei, entregando sangue inocente {// justo}». Mas eles disseram: «Que [nos importa] a nós? Tu, visses!»

E tendo atirado as [moedas] de prata para o Templo, retirou-se e, tendo ido, dependurou-se de um laço.

Os sumos sacerdotes, porém, tomando as [moedas] de prata, disseram: «Não é lícito metê-las no Tesouro, porque é preço de sangue».

E, tendo deliberado em conselho, compraram com elas o campo do oleiro, para sepultura dos estrangeiros. Por isso, foi chamado aquele campo, Campo de Sangue, até ao dia de hoje.

Então, cumpriu-se o que foi dito pelo profeta Jeremias, dizendo: «E tomaram as trinta [moedas] de prata, preço do avaliado, que filhos de Israel avaliaram, e deram-nas pelo campo do oleiro, assim como me ordenou o Senhor».

Este, pois, adquiriu um campo com o salário da iniqüidade. E precipitando-se para a frente, rebentou pelo meio e derramaram-se todas as suas entranhas.

E tornou-se tão conhecido por todos os habitantes de Jerusalém, que aquele campo, na própria língua deles, se chama Acéldama, isto é: Campo de Sangue.

Jesus perante Pilatos

| Mt 27, 11-14 | Mc 15, 2-5 | Lc 23, 2-7 | Jo 18, 28-38 |

Levam, pois, Jesus de Caifás ao Pretório. Era, porém, de manhã; e eles não entraram no Pretório, para não se contaminarem, mas para comerem a Páscoa. Jesus, porém, ficou em pé, diante do governador.

Pilatos saiu fora, pois, até eles, e diz: «Que acusação trazeis contra este homem?» Responderam e disseram-lhe: «Se ele não fosse malfeitor, não to entregaríamos!»

Disse-lhes, então, Pilatos: «Tomai-o vós, e julgai-o segundo a vossa lei». Disseram-lhe os Judeus: «A nós não é lícito matar ninguém». (Para que se cumprisse a palavra de Jesus, que disse, significando de que morte havia de morrer).

Começaram, porém, a acusá-lo, dizendo: «encontramos este, subvertendo a nossa nação e proibindo dar o tributo a César, e dizendo ser Cristo, rei».

Pilatos entrou, pois, novamente no Pretório e chamou Jesus. E Pilatos, porém, o governador, interrogou-o e disse-lhe, dizendo: «Tu és o rei dos Judeus?» Respondeu Jesus: «Tu dizes isto de ti mesmo, ou outros to disseram de mim?» Respondeu Pilatos: «Porventura sou eu judeu? A tua nação e os sumos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste?»

Respondeu Jesus: «O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus servos combateriam para que eu não fosse entregue aos Judeus; agora, porém, o meu reino não é daqui».

Disse-lhe, pois, Pilatos: «Então, tu és rei?»

Respondeu Jesus (o qual, porém, respondendo-lhe, afirmou (diz)): «Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Todo o que é da verdade ouve a minha voz». Diz-lhe Pilatos: «Que é a verdade?...»

E tendo dito isto, saiu novamente até junto dos Judeus. E Pilatos, porém, disse aos sumos sacerdotes e às multidões (diz-lhes): «Não encontro nenhuma culpa neste homem. (Eu não encontro nele nenhuma culpa.)»

E os sumos sacerdotes acusavam-no de muitas coisas; e ao ser ele acusado pelos sumos sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu. Então, Pilatos, porém, interrogava-o novamente; diz-lhe Pilatos, dizendo: «Não ouves quanto testemunham contra ti? Não respondes nada? Vê de quantas coisas te acusam!» Jesus, porém, nada mais respondeu, e não lhe respondeu nem uma palavra, de maneira que se admirava muito Pilatos, o governador.

Eles, porém, insistiam ainda mais, dizendo: «Subleva o povo, ensinando por toda a judéia, e começando desde a Galileia até aqui».

Pilatos, porém, ouvindo, perguntou se o homem era galileu; e, quando soube que era da jurisdição de Herodes, remeteu-o a Herodes, que também estava em Jerusalém naqueles dias.

Jesus perante Herodes

| Lc 23, 8-12 |

Quando Herodes, porém, viu Jesus, alegrou-se muito; pois há muito tempo estava desejoso de o ver, por ter ouvido falar dele, e esperava ver algum sinal feito por ele. Interrogava-o, porém, com muitas palavras; mas ele nada lhe respondia.

Estavam, porém, os sumos sacerdotes e os Escribas, acusando-o com veemência.

Herodes, porém, desprezando-o com os seus soldados, e escarnecendo, vestindo-o com uma roupa esplêndida, remeteu-o a Pilatos.

Nesse mesmo dia, Herodes e Pilatos tornaram-se, porém, amigos entre si; pois antes eram inimigos um do outro.

Jesus e Barrabás

| Mt 27, 15-23 | Mc 15, 6-14 | Lc 23, 13-23 | Jo 18, 39-40 |

Pilatos, porém, tendo convocado os sumos sacerdotes, os chefes e o povo, disse-lhes: «Trouxestes-me este homem como subvertendo o povo; e eis que eu, interrogando-o diante de vós, não encontrei neste homem nenhuma culpa das de que o acusais; mas nem Herodes, pois no-lo reenviou. E eis que nada digno de morte foi feito por ele. Tendo-o emendado, pois, soltá-lo-ei».

Pela festa, porém, costumava o governador soltar à multidão um preso que quisessem: soltava-lhes um preso que pedissem. {+ Tinha, porém, necessidade de lhes soltar um pela festa.} Tinham, porém, então, um preso famoso, chamado {Jesus} Barrabás. Estava, porém, o chamado Barrabás, preso com os sediciosos, os quais numa revolta tinham cometido um homicídio. E a multidão, subindo, começou a pedir, como lhes fazia.

Reunidos, pois, eles, Pilatos, porém, respondeu-lhes; disse-lhes Pilatos, dizendo: «É, porém, costume entre vós que vos solte um pela Páscoa. Quereis, pois, que vos solte o rei dos Judeus? Qual quereis que eu vos solte: {Jesus} Barrabás ou Jesus, que se chama Cristo?» Pois sabia (conhecia) que os sumos sacerdotes o tinham entregado por inveja.

— Estando, porém, ele sentado no tribunal, a sua mulher enviou-lhe [alguém], dizendo: «[Não haja] nada entre ti e esse justo, porque muito padeci hoje em sonho por causa dele». —

Mas os sumos sacerdotes e os anciãos incitaram a multidão, persuadiram as multidões, para que pedissem para que lhes soltasse antes Barrabás, mas que fizessem perecer Jesus.

Exclamou, porém, toda a multidão; clamaram, pois, novamente, dizendo: «Este não, mas Barrabás! Toma este; mas solta-nos Barrabás!» (Barrabás, porém, era um ladrão, que fora lançado na prisão por causa de determinada sedição feita na cidade e de um homicídio!)

Respondendo, porém, o governador disse-lhes: «Qual dos dois quereis que vos solte?» Mas eles disseram: «Barrabás!»

Pilatos, porém, respondendo novamente, falou-lhes, querendo soltar Jesus. Dizia (diz)-lhes Pilatos: «Que {quereis}, pois, que faça de Jesus, chamado Cristo, {que chamais} o rei dos Judeus?» Mas eles, novamente, clamaram (gritavam). Dizem todos, dizendo: «Crucifica! Crucifica-o! (Seja crucificado!)»

Pilatos, porém, pela terceira vez, disse (afirmou)-lhes (dizia-lhes): «Pois, que mal fez ele? Não encontrei nele nenhuma culpa de morte! Tendo-o emendado, pois, soltá-lo-ei». Mas eles instavam em altas vozes, pedindo que fosse crucificado, e recrudesciam as vozes deles. Mas eles mais clamavam (clamaram), dizendo: «Crucifica-o!! (Seja crucificado!)»

Condenação de Jesus

| Mt 27, 24-26 | Mc 15, 15 | Lc 23, 24-25 |

Vendo, porém, Pilatos que nada aproveitava, mas que mais tumulto se fazia, tomando água, lavou as mãos perante a multidão, dizendo: «Eu sou inocente deste sangue {// do sangue deste justo}; vós ides ver». E respondendo, todo o povo disse: «O seu sangue [caia] sobre nós e sobre os nossos filhos!...»

E então Pilatos, porém, querendo satisfazer o povo, sentenciou que se fizesse o pedido deles: libertou-lhes, porém, Barrabás, que fora lançado na prisão por causa de sedição e de homicídio, quem eles pediam; e entregou, porém, Jesus à vontade deles, tendo-o flagelado, para ser crucificado!...

Flagelação e coroação de espinhos

| Mt 27, 26-30 | Mc 15, 15-19 | Jo 19, 1-3 |

Então, pois, Pilatos tomou Jesus e flagelou-o.

E então os soldados do governador, porém, tomando Jesus, levaram-no para dentro, para o átrio que é o Pretório; e, no Pretório, convocam (reuniram) contra ele toda a escolta.

E despindo-o, vestem-no de púrpura: envolveram-no com um manto púrpura — envolveram-no com uma capa escarlate. E tecendo uma coroa de espinhos, puseram-na sobre a cabeça dele (põem-lhe, tendo tecido, uma coroa de espinhos) e uma cana na [mão] direita dele. E vinham até ele e começaram a saudá-lo: ajoelhando-se diante dele, escarneciam-no e diziam, dizendo: «Ave [= Alegra-te], rei dos Judeus!» E cuspindo nele, tomaram a cana e batiam na cabeça dele com a cana, e davam-lhe bofetadas; e cuspiam-no e, dobrando os joelhos, adoravam-no.

Última tentativa de libertar Jesus e condenação à morte

| Jo 19, 4-16 |

E Pilatos saiu novamente fora, e diz-lhes: «Eis que vo-lo trago fora, para que saibais que não encontro nele causa de condenação».

Saiu, pois, Jesus, fora, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. E [Pilatos] diz-lhes: «Eis o homem!»

Quando o viram, pois, os sumos sacerdotes e os guardas clamaram, dizendo: «Crucifica! Crucifica!»

Diz-lhes Pilatos: «Tomai-o vós e crucificai; porque eu não encontro nele culpa». Responderam-lhe os Judeus: «Nós temos uma Lei, e segundo a Lei deve morrer, porque se fez Filho de Deus».

Quando, pois, ouviu esta palavra, Pilatos mais temeu. E entrou outra vez no Pretório, e diz a Jesus: «Donde és tu?» Mas Jesus não lhe deu resposta.

Diz-lhe, pois, Pilatos: «Não me falas? Não sabes que tenho poder para te soltar, e tenho poder para te crucificar?» Respondeu {-lhe} Jesus: «Não terias nenhum poder contra mim, se não te fosse dado de cima; por isso quem me entregou a ti, tem maior pecado».

Desde então, Pilatos procurava soltá-lo; mas os Judeus clamavam, dizendo: «Se soltas este, não és amigo de César! Todo aquele que se faz rei contradiz César!»

Pilatos, pois, ouvindo estas palavras, trouxe Jesus para fora e sentou [-se] no tribunal, no lugar chamado Lithóstrotos [= Pavimento], em hebraico, porém, Gabbathá. Era, porém, a preparação da Páscoa, cerca da hora sexta. E diz aos Judeus: «Eis o vosso rei!» Clamaram, pois, eles: «Toma, toma, crucifica-o!» Diz-lhes Pilatos: «Crucificarei o vosso rei?» Responderam os sumos sacerdotes: «Não temos rei, senão César».

Então, pois, entregou-lho para ser crucificado.

Jesus a caminho do Calvário

| Mt 27, 31-32 | Mc 15, 20-22 | Lc 23, 26-32 | Jo 19, 16b-17 |

Tomaram, pois, Jesus e, depois de o terem escarnecido, despiram-lhe a capa de púrpura e vestiram-no com as suas roupas.

E conduzem-no fora, para o crucificarem (levaram-no para ser crucificado). E carregando a sua cruz consigo, saiu para um lugar chamado do Calvário, que em hebraico se diz Gólgota.

Saindo eles, porém, e quando o levaram, encontraram um homem Cirineu, de nome Simão. Requisitam, agarrando, certo Simão Cirineu, que passava, vindo do campo, pai de Alexandre e de Rufo. Requisitaram-no para carregar a cruz dele: impuseram-lhe a cruz, para a levar atrás de Jesus.

Seguia-o, porém, grande multidão de povo e de mulheres, que batiam no peito e o lamentavam.

Voltando-se, porém, para elas, Jesus disse: «Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; mas chorai por vós mesmas e pelos vossos filhos. Porque eis que virão dias em que dirão: 'Bem-aventuradas as estéreis e os úteros que não geraram e os peitos que não amamentaram!' Então começarão a dizer aos montes: 'Caí sobre nós'; e às colinas: 'Cobri-nos'. Porque, se no lenho verde fazem isto, que se fará no seco?!»

Eram levados, porém, também outros dois malfeitores com ele, para serem executados.

E conduzem-no ao lugar do Gólgota, que traduzido é lugar do Crânio.

Crucifixão

| Mt 27, 33-43 | Mc 15, 23-32a | Lc 23, 33-38 | Jo 19, 18-24 |

E quando chegaram ao lugar chamado Crânio (chegando ao lugar chamado Gólgota, que é chamado lugar do Crânio), deram (davam)-lhe a beber vinho com mirra, misturado com fel; e, provando, não quis beber: ele, porém, não o tomou.

E aí o crucificaram (crucificam), onde o crucificaram e, com ele, outros dois, os malfeitores, um à direita, outro porém à esquerda, um de cada lado; Jesus, porém, no meio. {Jesus, porém, dizia: «Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem!...»}

E os soldados, pois, quando crucificaram Jesus, tendo-o crucificado, dividiram (dividem) as roupas dele, lançando sorte sobre elas [para ver] o que cada um levaria (dividindo, porém, as roupas dele, lançaram sortes): tomaram as roupas dele e fizeram quatro partes, uma parte para cada soldado, e a túnica. A túnica, porém, não tinha costura, sendo tecida por toda, desde o alto. Disseram, pois, uns aos outros: «Não a rasguemos, mas lancemos sortes dela, [para ver] de quem será», para que se cumprisse a Escritura {que dizia}: «Dividiram as minhas roupas entre si e lançaram sortes sobre a minha túnica». Os soldados, pois, fizeram isto.

Era, porém, a hora terceira e crucificaram-no. E, sentados, guardavam-no ali.

Pilatos, porém, escreveu também um título e pôs sobre a cruz. Puseram sobre a cabeça dele a causa da condenação dele; e estava, porém, a inscrição da condenação dele, sobre ele {+ em letras gregas, romanas e hebraicas} inscrita (escrita, escrito): «Este é Jesus, Nazareno, o Rei dos Judeus».

Muitos dos Judeus leram, pois, este título; porque era próximo da cidade o lugar onde Jesus foi crucificado; e estava escrito em hebraico, latim e grego.

Diziam então a Pilatos os sumos sacerdotes dos Judeus: «Não escrevas: 'O rei dos Judeus'; mas que ele disse: 'Sou rei dos Judeus'». Respondeu Pilatos: «O que escrevi, escrevi!»

E então, com ele, crucificam dois ladrões (são crucificados com ele dois ladrões), um à direita e outro à esquerda dele. {+ E cumpriu-se a Escritura que diz: «E com os iníquos foi contado».}

E o povo estava olhando.

E os transeuntes, porém, blasfemavam dele, abanando as suas cabeças e dizendo: «Ah! Tu, que destróis o Templo e em três dias o reedificas, salva-te a ti mesmo, se és o Filho de Deus; {e} desce da cruz (descendo da cruz)!»

Igualmente, também os chefes escarneciam, porém. Os sumos sacerdotes, escarnecendo entre si com os Escribas e os anciãos, diziam, dizendo: «A outros salvou; a si mesmo não se pode salvar!... Salve-se a si mesmo, se este é o Cristo, o eleito de Deus! {+ Se} é o Cristo, rei de Israel, desça agora da cruz, para que vejamos e acreditemos, e acreditaremos nele! Confiou em Deus; que o livre agora, se o quer, porque ele disse: 'Sou Filho de Deus'!»

Os soldados, porém, também o escarneciam, aproximando-se, oferecendo-lhe vinagre e dizendo: «Se tu és o rei dos Judeus, salva-te a ti mesmo!»

Os dois ladrões

| Mt 27, 44 | Mc 15, 32b | Lc 23, 39-43 |

Do mesmo modo, porém, também os ladrões que tinham sido crucificados com ele, o ultrajavam.

Um dos malfeitores, porém, que estavam pendurados, blasfemava dele, dizendo: «Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós».

Respondendo, porém, o outro, repreendendo-o, afirmou: «Nem tu temes a Deus, que estás na mesma condenação? E nós, pois, com justiça, porque recebemos [castigos] dignos do que fizemos; mas este não fez nada de mal!»

E dizia: «Jesus, lembra-te de mim, quando vieres no teu reino». E [Jesus] disse-lhe: «Amém, digo-te: Hoje, estarás comigo no Paraíso».

Jesus e a sua mãe

| Jo 19, 25-27 |

Estavam, porém, de pé, junto à cruz de Jesus: a sua mãe, e a irmã da sua mãe, Maria, [mulher] de Cléofas, e Maria Madalena.

Jesus, pois, vendo a mãe, e o discípulo de pé, que ele amava, diz à {+ sua} mãe: «Mulher, eis o teu filho». Em seguida, diz ao discípulo: «Eis a tua mãe».

E desde aquela hora, o discípulo recebeu-a na sua [casa].

As trevas

| Mt 27, 45 | Mc 15, 33 | Lc 23, 44-45a |

E era já quase a hora sexta. E chegada a hora sexta — desde a sexta hora, porém —, fizeram-se trevas sobre (toda) a terra inteira, até à hora nona, eclipsando-se o sol.

Morte de Jesus

| Mt 27, 46-50 | Mc 15, 34-37 | Lc 23, 46 | Jo 19, 28-30 |

E na nona hora — cerca da hora nona, porém —, Jesus exclamou (clamou) com voz forte, dizendo: «Eloi, Eloi (Eli, Eli), lema {// lama} sabakhthani?» (Isto traduzido é: «Deus meu, Deus meu, porque me abandonaste?»)

E alguns, porém, dos circunstantes, dos que ali estavam, ouvindo, diziam: «Eis que ele chama por Elias!»

Depois disto, sabendo Jesus que todas as coisas já estavam consumadas, para que se cumprisse a Escritura, diz: «Tenho sede...»

Estava ali um vaso cheio de vinagre. E tendo eles fixado, pois, uma esponja cheia de vinagre a um hissopo, aproximaram-na da boca dele: Imediatamente, correndo, porém, um deles, e tomando uma esponja, enchendo (embebendo) a esponja com vinagre e fixando-a numa cana, dava-lhe de beber, dizendo: «Deixai: vejamos se Elias vem depô-lo!» Os outros, porém, diziam: «Deixa: vejamos se Elias vem salvá-lo!»

Depois de ter tomado, pois, o vinagre, Jesus disse: «Está consumado...»

E Jesus, porém, novamente, clamando (exclamando) com grande voz (lançando um grande grito), disse: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!» Tendo, porém, dito isto e inclinando a cabeça, entregou (emitiu) o espírito: expirou.

Após a morte de Jesus

| Mt 27, 51-56 | Mc 15, 38-41 | Lc 23, (45b).47-49 |

E eis que o véu do Templo se rasgou, porém, ao meio, de alto a baixo, em dois; e a terra tremeu, e as pedras fenderam-se; e os sepulcros abriram-se e muitos corpos de santos que tinham dormido ressuscitaram e, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa e apareceram a muitos.

Vendo, porém, o centurião, que estava diante dele, o que tinha acontecido, que assim {+ clamando} expirara, glorificou Deus, dizendo (disse): «Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus! Realmente, este homem era justo!» O centurião, porém, e os que com ele guardavam Jesus, vendo o terramoto e as coisas que aconteciam, tiveram grande temor, dizendo: «Verdadeiramente, este era Filho de Deus!»

E todas as multidões dos que presenciaram este espetáculo, vendo o que tinha acontecido, voltavam batendo no peito.

Estavam, porém, todos os conhecidos dele ao longe, e as mulheres que o tinham seguido desde a Galileia, vendo estas coisas. Existiam, porém, ali, também muitas mulheres, olhando de longe, as quais tinham seguido Jesus desde a Galileia, servindo-o; entre as quais se encontravam Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, o Menor, e de Joset (José), e Salomé, a mãe dos filhos de Zebedeu; as quais, quando ele estava na Galileia, o seguiam e o serviam; e muitas outras que tinham subido com ele a Jerusalém.

O golpe de lança

| Jo 19, 31-37 |

Os Judeus, pois, porque era a Preparação, e para que não ficassem os corpos na cruz no sábado, pois era um grande dia o daquele sábado, rogaram a Pilatos que se quebrassem as pernas deles, e fossem tirados.

Vieram, pois, os soldados e, na verdade, quebraram as pernas do primeiro e do outro que fora crucificado com ele; mas quando vieram a Jesus e o viram já morto, não quebraram as pernas dele; mas um dos soldados abriu o lado dele com uma lança, e logo saiu sangue e água.

E quem viu deu testemunho e o seu testemunho é verdadeiro; e ele sabe que diz a verdade, para que também vós acrediteis. Porque isto aconteceu para que se cumprisse a Escritura: «Nenhum osso dele será quebrado». E, novamente, outra Escritura diz: «Verão aquele que trespassaram».

Sepultura de Jesus

| Mt 27, 57-61 | Mc 15, 42-47 | Lc 23, 50-56 | Jo 19, 38-42 |

E eis que, depois destas coisas, quando já era tarde, porém, porque era a Preparação (isto é: a véspera do sábado), veio um homem rico de Arimatéia, de nome José (um varão chamado José), que era membro do sinédrio, {e} varão bom e justo, que também se tinha feito discípulo de Jesus. Este não tinha consentido no conselho e nos atos deles (de Arimatéia, cidade dos Judeus), o qual esperava o Reino de Deus. Tendo vindo José de arimatéia (nobre membro do sinédrio, que também esperava o Reino de Deus), corajosamente, entrou junto de Pilatos; e este, tendo-se aproximado de Pilatos, pediu o corpo de Jesus. José de arimatéia (sendo discípulo de Jesus, mas em segredo, por medo dos Judeus) rogou a Pilatos para tirar o corpo de Jesus.

Pilatos, porém, admirou-se de que [Jesus] já tivesse morrido; e chamando o centurião, interrogou-o se já tinha morrido. E, quando soube pelo centurião, então Pilatos permitiu: mandou entregar [e] deu o corpo a José.

E tendo comprado um lençol, veio, pois, e tirou o corpo dele. Veio, também, Nicodemos (que primeiramente viera ter com ele de noite), trazendo uma mistura de mirra e de aloés de quase cem libras. Tomaram, pois, o corpo de Jesus, e envolveram-no em panos de linho com os aromas, como é costume sepultar entre os Judeus.

Havia, porém, no lugar onde foi crucificado, um jardim, e, no jardim, um sepulcro novo, no qual ainda ninguém tinha sido posto. E tendo tomado o corpo, e tendo-o deposto, José envolveu-o (enrolou-o) num lençol limpo, e pô-lo no seu sepulcro novo, que tinha cavado na rocha (que tinha sido cavado na rocha, onde nunca ninguém fora depositado); e rolou uma pedra contra a porta do sepulcro e, tendo rolado uma grande pedra para a porta do sepulcro, retirou-se. E era o dia da Preparação, e o sábado [já] luzia. Ali, pois, por causa da Preparação dos Judeus, porque estava perto o sepulcro, puseram Jesus.

Maria Madalena, porém, e Maria, [mãe] de José, observavam onde tinha sido posto; estava, porém, ali Maria Madalena e a outra Maria, sentadas frente ao sepulcro. Tendo seguido, porém, as mulheres que tinham vindo com ele da Galileia viram o sepulcro e como fora posto o corpo dele. Voltando, porém, prepararam aromas e ungüentos. E no sábado, pois, repousaram, conforme o mandamento.

Guarda do sepulcro

| Mt 27, 62-66 |

No dia seguinte, porém, que é depois da Preparação, reuniram-se os sumos sacerdotes e os Fariseus junto de Pilatos, dizendo: «Senhor, recordamo-nos de que aquele impostor, disse, ainda vivo: 'Depois de três dias ressuscitarei'. Manda, pois, que o sepulcro seja guardado até ao terceiro dia; para que não venham os discípulos dele e o roubem e digam ao povo: 'Ressuscitou dos mortos'; e o último erro será pior do que o primeiro».

Afirmou-lhes Pilatos: «Tendes uma guarda; ide, guardai-o como sabeis».

Eles, porém, tendo ido, guardaram o sepulcro, selando a pedra, com a guarda.


Vida Gloriosa de Jesus

Ressurreição de Jesus e ida das mulheres ao sepulcro

| Mt 28, 1-8a | Mc 16, 1-8 | Lc 24, 1-9a | Jo 20, 1-2 | (1 Cor 15, 3-4) |

(Mt.: 1 anjo / Mc.: as mulheres vão ao sepulcro, já nascido o sol, e vêem 1 jovem / Lc.: 2 homens / Jo.: Maria Madalena vai ao sepulcro, sendo ainda escuro)

Transmiti-vos, pois, primeiramente, o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; e que foi sepultado; e que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras.

E passado o sábado, Maria Madalena, e Maria, [mãe] de Tiago, e Salomé compraram aromas para irem ungi-lo.

Depois do sábado, porém, quando já despontava o primeiro dia da semana, veio Maria Madalena e a outra Maria ver o sepulcro.

— E eis que se fez um grande terremoto; pois um anjo do Senhor, descendo do Céu e aproximando-se, rolou a pedra e estava sentado sobre ela. Era, porém, o aspecto dele como um relâmpago e a sua roupa branca como a neve. Os guardas, porém, tremeram de medo dele e ficaram como mortos. —

E de manhã cedo, no primeiro dia da semana, muito de madrugada, Maria Madalena vem de manhã, sendo ainda escuro, ao sepulcro. Elas vêm ao sepulcro, já nascido o sol. Vieram à tumba, trazendo os aromas que tinham preparado. E diziam entre si: «Quem nos revolverá a pedra da porta do sepulcro?»

E olhando, encontraram, porém, a pedra revolvida do sepulcro: vêem que a pedra fora revolvida. Era, pois, muito grande.

— E [Maria Madalena] vê a pedra afastada do sepulcro. Corre, pois, e vem a Simão Pedro e ao outro discípulo, que Jesus amava, e diz-lhes: «Tiraram do sepulcro o Senhor, e não sabemos onde o puseram!» —

E entrando, porém, no sepulcro, elas não encontraram o corpo do Senhor Jesus. E aconteceu que, estando elas perplexas acerca disto, viram um jovem sentado à direita, vestido de túnica branca (/ e eis que dois varões pararam junto delas, com roupa resplandecente), e elas assustaram-se.

Como elas temessem, porém, e voltassem o rosto para a terra, respondendo o anjo disse às mulheres (diz-lhes): «Não temais vós! (Não vos espanteis!) Pois sei que procurais Jesus, o nazareno, que foi crucificado. (/ — Eles disseram para elas: —) Porque procurais aquele que vive, entre os mortos? Não está aqui, mas ressuscitou, pois, como disse. Vinde, vede o lugar onde fora posto {+ o Senhor}. Eis o lugar onde o puseram.

Recordai-vos de como vos falou, estando ainda na Galileia, dizendo que 'é preciso o Filho do Homem ser entregue nas mãos de homens pecadores e ser crucificado e ao terceiro dia ressuscitar'». — E recordaram-se das palavras dele. —

«Mas ide e, indo depressa, dizei aos seus discípulos e a Pedro que ele ressuscitou dos mortos e eis que vos precede na Galileia. Ali o vereis, como ele vos disse. Eis que eu vos disse».

E, saindo elas, fugiram do sepulcro, porque o temor e o pavor as invadiram; e não disseram nada a ninguém, porque temiam.

Pedro e outro discípulo vão ao Sepulcro

| Lc (24, 12) | Jo 20, 3-10 |

Pedro, porém, levantando-se, correu ao sepulcro. Saiu, pois, Pedro e o outro discípulo e vinham ao sepulcro.

Corriam, porém, os dois juntos; e o outro discípulo correu mais depressa do que Pedro e veio primeiro ao sepulcro. E inclinando-se, vê os panos de linho estendidos; todavia não entrou.

Vem, pois, também Simão Pedro, que o seguia, e entrou no sepulcro; e inclinando-se, vê os panos de linho estendidos sozinhos, e o lenço que estivera sobre a cabeça dele, não estendido com os panos de linho, mas enrolado num lugar à parte.

Então, pois, entrou também o outro discípulo, que viera primeiro ao sepulcro; e viu e acreditou.

Pois ainda não sabiam a Escritura, que era necessário ele ressuscitar dos mortos.

E [Pedro] voltou para sua [casa], admirando-se com o que tinha acontecido. Voltaram, pois, novamente os discípulos para as suas [casas].

Jesus aparece a Maria Madalena

| Mc 16, 9-11 | Jo 20, 11-18 |

{Tendo, porém, ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios:}

Maria, porém, estava de pé, junto do sepulcro, de fora, a chorar.

Enquanto chorava, inclinou-se para o sepulcro; e vê dois anjos, de branco, sentados um à cabeça e outro aos pés, onde fora posto o corpo de Jesus.

E dizem-lhe eles: «Mulher, porque choras?» Diz-lhes [Maria]: «Tiraram o meu Senhor e não sei onde o puseram!...»

Tendo dito isto, voltou-se para trás, e vê Jesus de pé, e não sabia que era Jesus. Diz-lhe Jesus: «Mulher, porque choras? Quem procuras?» Ela, julgando que fosse o jardineiro, diz-lhe: «Senhor, se tu o tiraste, diz-me onde o puseste e eu o tomarei».

Diz-lhe Jesus: «Maria!» Voltando-se ela, diz-lhe em hebraico: «Rabboni!» (que quer dizer Mestre).

Diz-lhe Jesus: «Não me toques, pois ainda não subi ao Pai. Mas vai aos meus irmãos e diz-lhes: 'Subo para o meu Pai e vosso Pai, e meu Deus e vosso Deus'».

Vem Maria Madalena anunciando aos discípulos «Vi o Senhor» e que ele lhe disse estas coisas.

{Ela, tendo ido, anunciou aos que tinham estado com ele, que estavam tristes e chorando; e eles, ouvindo que ele vive e que tinha sido visto por ela, não acreditaram.}

Jesus aparece às mulheres

| Mt 28, 8b-10 |

E, saindo elas depressa do sepulcro, com temor e grande alegria, correram a anunciar aos discípulos dele.

E eis que Jesus lhes veio ao encontro, dizendo: «Salve! [= Alegrai-vos!]» Elas, porém, aproximando-se, agarraram os pés dele e adoraram-no.

Então diz-lhes Jesus: «Não temais; ide, anunciai aos meus irmãos, para que vão para a Galileia; e aí me verão».

As mulheres anunciam aos discípulos

| Mt (28, 8b) | Lc 24, 9b-11 |

E tendo voltado do sepulcro, anunciaram todas estas coisas aos Onze e a todos os outros.

Eram, porém, Maria Madalena, e Joana, e Maria, [mãe] de Tiago; e as outras [que estavam] com elas diziam aos Apóstolos estas coisas. E essas palavras pareceram, perante eles, como um delírio; e não acreditavam nelas.

Fuga dos guardas

| Mt 28, 11-15 |

Indo, porém, elas, eis que alguns da guarda, vindo à cidade, anunciaram aos sumos sacerdotes tudo quanto tinha acontecido.

E reunidos eles com os anciãos, tomando conselho, deram uma grande quantia [de dinheiro] aos soldados, dizendo: «Dizei que 'os discípulos dele, vindo de noite, roubaram-no, estando nós a dormir'. E se isto for ouvido pelo governador, nós o persuadiremos e vos faremos seguros».

Eles, porém, tendo recebido o dinheiro, fizeram como foram instruídos. E divulgou-se esta palavra entre os Judeus até ao dia de hoje.

Jesus aparece a Simão Pedro (Cefas)

| Lc (24, 34) | (1 Cor 15, 5) |

Verdadeiramente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão Cefas.

Jesus aparece aos dois discípulos de Emaús

| Mc 16, 12-13 | Lc 24, 13-35 |

{Depois disto, porém, manifestou-se, sob outra forma, a dois deles, caminhando para o campo:}

E eis que dois deles, naquele dia, iam caminhando para uma aldeia de nome Emaús, que distava sessenta estádios de Jerusalém. E eles falavam entre si de tudo o que se tinha passado.

E aconteceu que, enquanto iam conversando e discorrendo entre si, também o próprio Jesus, aproximando-se, ia com eles; mas os olhos deles estavam presos, para não o reconhecerem.

Disse-lhes, porém: «Que palavras são essas que trocais entre vós, caminhando?» E eles pararam tristes.

Respondendo, porém, um, cujo nome era Cléofas, disse-lhe: «És tu o único peregrino em Jerusalém que não soube das coisas que aconteceram nela, nestes dias?!» E [Jesus] disse-lhes: «Quais?»

Eles, porém, disseram-lhe: «Acerca de Jesus, o Nazareno, que foi um varão profeta, poderoso em obra e palavra, perante Deus e todo o povo; e como os sumos sacerdotes e os nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e crucificaram-no!... Nós esperávamos, porém, que fosse ele quem havia de redimir Israel; mas agora, sobre tudo isto, é hoje o terceiro dia que estas coisas aconteceram. Mas também algumas mulheres dos nossos nos atemorizaram, indo de madrugada ao sepulcro e, não tendo encontrado o corpo dele, voltaram, dizendo que tinham visto também uma visão de anjos que dizem que ele vive. E alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram como as mulheres tinham dito, mas a ele não o viram».

E ele disse-lhes: «Ó estultos e lentos de coração para acreditar em tudo o que os Profetas disseram! Não era necessário que Cristo sofresse essas coisas e entrasse na sua glória?»

E, começando por Moisés e por todos os Profetas, interpretava-lhes, em todas as Escrituras, as coisas que eram acerca dele.

E aproximaram-se da aldeia para onde iam, e ele fingiu que ia para mais longe. E constrangeram-no, dizendo: «Fica conosco, porque é tarde e já declinou o dia». E entrou para ficar com eles.

E aconteceu que, estando à mesa com eles, tomando o pão, abençoou-o e, partindo-o, deu-lhes. Abriram-se, porém, os olhos deles e conheceram-no... e ele tornou-se invisível para eles.

E disseram um ao outro: «Não estava o nosso coração a arder {em nós}, quando ele nos falava pelo caminho e nos abria as Escrituras?»

{E eles, indo, anunciaram aos restantes:} Levantando-se na mesma hora, voltaram para Jerusalém, e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, dizendo: «Verdadeiramente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!»

E eles narravam o que tinha acontecido no caminho, e como fora conhecido por eles na fração do pão. {Nem nestes acreditaram.}

Jesus aparece aos Apóstolos, em Jerusalém

| Mc 16, 14 | Lc 24, 36-43 | Jo 20, 19-23 | (1 Cor 15, 5) |

Seguidamente, {por último {porém}, estando eles reclinados à mesa, apareceu aos Onze} (/ aos Doze):

Sendo já tarde, pois, naquele dia, o primeiro dia da semana, e estando as portas fechadas onde estavam os discípulos, por medo dos Judeus, enquanto, porém, diziam estas coisas, veio o próprio Jesus e pôs-se de pé no meio deles e diz-lhes: «Paz para vós!»

Mas eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam um espírito.

{E censurou a incredulidade deles e a dureza de coração, por não terem acreditado nos que o tinham visto ressuscitado}; e disse-lhes: «Porque estais perturbados? E porque sobem pensamentos aos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho». E, tendo dito isto, mostrou-lhes as mãos e os pés e o lado. Os discípulos alegraram-se, pois, ao ver o Senhor.

Não acreditando eles ainda, porém, por causa da alegria, e estando admirados, disse-lhes: «Tendes aqui alguma coisa que se coma?» Mas eles deram-lhe um pedaço de peixe assado {+ e um favo de mel}. E, tomando, comeu perante eles.

Disse-lhes, pois, outra vez {Jesus}: «Paz para vós! Como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós». E tendo dito isso, soprou sobre eles, e diz-lhes: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles de quem perdoardes os pecados, são-lhes perdoados; àqueles de quem os retiverdes, são retidos».

Incredulidade de Tomé

| Jo 20, 24-25 |

Tomé, porém, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus.

Diziam-lhe, pois, os outros discípulos: «Vimos o Senhor!» Mas ele disse-lhes: «Se não vir nas mãos dele o sinal dos cravos, e não meter o meu dedo no sinal dos cravos, e não meter a mão no seu lado, não acreditarei!»

Aparição de Jesus aos Apóstolos, oito dias depois

| Jo 20, 26-29 |

E oito dias depois, estavam os seus discípulos outra vez dentro, e Tomé com eles.

Vem Jesus, estando as portas fechadas, e pôs-se de pé no meio, e disse: «Paz para vós!» Em seguida, diz a Tomé: «Chega o teu dedo aqui e vê as minhas mãos; e chega a tua mão e mete-a no meu lado; e não te tornes incrédulo, mas crente!»

Respondeu Tomé e disse-lhe: «Senhor meu e Deus meu!» Diz-lhe Jesus: «Porque me viste, acreditaste. Bem-aventurados os que não tendo visto, acreditaram!»

Terceira aparição aos Apóstolos, na Galileia, junto ao Lago de Tiberíades

| Mt 28, 16a | Jo 21, 1-24 |

(Os Onze Discípulos, porém, partiram para a Galileia).

Depois disto, manifestou-se Jesus outra vez aos discípulos junto do mar de Tiberíades. Manifestou-se, porém, assim:

Estavam juntos Simão Pedro, e Tomé, chamado Dídimo, e Natanael, que era de Caná da Galileia, e os filhos de Zebedeu e outros dois dos seus discípulos.

Diz-lhes Simão Pedro: «Vou pescar». Dizem-lhe: «Nós também vamos contigo». Saíram e subiram para o barco; e naquela noite nada apanharam.

Chegada já a manhã, porém, Jesus estava de pé na margem; todavia, os discípulos não sabiam que era Jesus.

Diz-lhes, pois, Jesus: «Meninos, acaso tendes algum alimento?» Responderam-lhe: «Não!» Ele, porém, disse-lhes: «Lançai a rede à direita do barco, e encontrareis». Lançaram, pois, e já não a podiam tirar, pela multidão dos peixes.

Aquele discípulo que Jesus amava diz, pois, a Pedro: «É o Senhor!» Simão Pedro, pois, ouvindo que era o Senhor, cingiu-se com a túnica, porque estava nu, e lançou-se ao mar; mas os outros discípulos vieram no barco (porque não estavam longe da terra, mas cerca de duzentos côvados), puxando a rede dos peixes.

Quando, pois, desceram para terra, vêem brasas estendidas e um peixe posto em cima e pão.

Diz-lhes Jesus: «Trazei dos peixes que apanhastes agora».

Subiu, pois, Simão Pedro e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinqüenta e três grandes peixes; e, apesar de serem tantos, não se rasgou a rede.

Diz-lhes Jesus: «Vinde, almoçai». (Nenhum, porém, dos discípulos ousava perguntar-lhe: «Quem és tu?», sabendo que era o Senhor.)

Vem Jesus e toma o pão e dá-lhes, e o peixe, igualmente.

Esta já foi a terceira vez que Jesus se manifestou aos discípulos, ressuscitado dos mortos.

Tendo eles almoçado, diz Jesus a Simão Pedro: «Simão, [filho] de João, amas-me mais do que estes?» Diz-lhe [Pedro]: «Sim, Senhor, tu sabes que te amo». Diz-lhe [Jesus]: «Apascenta os meus cordeiros».

Diz-lhe, novamente, segunda vez: «Simão, [filho] de João, amas-me?» Diz-lhe [Pedro]: «Sim, Senhor, tu sabes que te amo». Diz-lhe [Jesus]: «Apascenta as minhas ovelhas».

Diz-lhe pela terceira vez: «Simão, [filho] de João, amas-me?» Entristeceu-se Pedro porque lhe disse pela terceira vez: «Amas-me?», e diz-lhe: «Senhor, tu sabes todas as coisas; tu conheces que te amo!» Diz-lhe {Jesus}: «Apascenta as minhas ovelhas. Amém, amém, digo-te: Quando eras mais jovem, cingias-te a ti mesmo, e andavas por onde querias; mas, quando fores velho, estenderás as tuas mãos e outro te cingirá, e levará para onde não queres!» Disse, porém, isto, significando de que morte [Pedro] havia de glorificar a Deus. E, tendo dito isto, diz-lhe: «Segue-me!»

Virando-se, Pedro vê o discípulo que Jesus amava, a segui-lo (o que também na ceia se recostara sobre o peito dele e disse: «Senhor, quem é o que te trai?»).

Pedro, pois, vendo este, diz a Jesus: «Senhor, e deste que será?» Diz-lhe Jesus: «Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Tu, segue-me».

Saiu, pois, esta palavra entre os irmãos que aquele discípulo não morreria. Mas Jesus não lhe disse que «Não morrerá», mas: «Se eu quero que ele fique até que eu venha, {que te importa a ti}?»

Este é o discípulo que dá testemunho destas coisas e as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro.

Aparição sobre uma montanha da Galileia

| Mt 28, 16-20 |

Os Onze Discípulos, porém, partiram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha designado.

E quando o viram, adoraram-no; alguns, porém, duvidaram.

E, aproximando-se, Jesus falou-lhes, dizendo: «Foi-me dado todo o poder no Céu e na terra. Indo, pois, fazei discípulos todas as nações, batizando em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que vos mandei.

E eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação do século».

Missão dos Apóstolos

| Mc 16, 15-18 |

{E [Jesus] disse-lhes: «Indo por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for batizado será salvo, mas quem não acreditar será condenado.

Estes sinais, porém, seguirão os que acreditarem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; {e nas mãos} tomarão serpentes; e se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal; porão as mãos sobre os enfermos e serão curados...»}

Outras aparições de Jesus ressuscitado

| (1 Cor 15, 6-7) |

Em seguida, apareceu a mais de quinhentos irmãos ao mesmo tempo, a maior parte dos quais permanece até agora, porém alguns [já] adormeceram. Depois apareceu a Tiago; em seguida, a todos os Apóstolos.

Cumprimento das Escrituras e promessa do Espírito Santo

| Lc 24, 44-49 | (At 1, 1-5) |

Fiz, pois, o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo quanto Jesus começou a fazer e a ensinar, até ao dia em que, depois de ter instruído, pelo Espírito Santo, os Apóstolos que escolhera, foi elevado; aos quais também se apresentou vivo, depois da sua paixão, em muitas provas, aparecendo-lhes por quarenta dias, e falando das coisas que são do Reino de Deus.

Disse-lhes, porém: «Estas são as minhas palavras que vos disse, estando ainda convosco: Que é necessário cumprir tudo o que está escrito de mim na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos».

Então abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras. E disse-lhes: «Assim está escrito que o Cristo padecesse, e ressuscitasse dos mortos ao terceiro dia; e que se pregasse em seu nome o arrependimento para remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois testemunhas destas coisas.

E {eis} que envio sobre vós a promessa do meu Pai. Vós, porém, permanecei na cidade até que sejais revestidos da força do Alto». — E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai — «que ouvistes de mim; porque, na verdade, João bateou com água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo, não depois de muitos dias».

Ascensão de Jesus, no Monte das Oliveiras

| Mc 16, 19-20 | Lc 24, 50-53 | (At 1, 6-14) |

{O Senhor Jesus, pois,} levou-os {para fora,} até Betânia.

Aqueles, pois, que se tinham reunido interrogavam-no, dizendo: «Senhor, restaurarás neste tempo o reino a Israel?» Disse-lhes, porém: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai fixou no seu poder; mas recebereis uma força, vindo o Espírito Santo sobre vós, e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a judéia e Samaria, e até aos confins da terra».

{Depois que lhes falou,} e tendo dito estas coisas, vendo eles, levantando ele as suas mãos, abençoou-os. E aconteceu que, enquanto ele os abençoava, afastou-se deles, foi elevado e era levado ao Céu; e uma nuvem recebeu-o dos olhos deles. {Foi arrebatado ao Céu e sentou-se à direita de Deus.}

E estando eles a olhar atentamente para o céu, enquanto ele ia, e eis que dois varões se puseram junto deles com roupas brancas, que também disseram: «Varões galileus, porque estais olhando para o céu? Este Jesus, que foi arrebatado de vós para o Céu, assim virá, como o vistes ir para o Céu».

E eles, adorando-o, então voltaram para Jerusalém, com grande júbilo, do monte chamado das Oliveiras, que é perto de Jerusalém, tendo caminho de um sábado.

E, entrando, subiram à sala de cima, onde permaneciam: Pedro e João; Tiago e André; Filipe e Tomé; Bartolomeu e Mateus; Tiago, [filho] de Alfeu; Simão, o Zeloso; e Judas, [filho] de Tiago. Todos estes eram perseverantes unanimemente em oração, com mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele. E estavam continuamente no Templo, {+ louvando e} bendizendo a Deus.

{Eles, pois, saindo, pregaram por toda a parte, cooperando o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que acompanhavam.}


Epílogo

| Jo (20, 30-31) 21, 25 |

Muitos outros sinais, pois, fez, também, Jesus na presença dos {seus} discípulos, que não foram escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos, para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; as quais, se fossem escritas uma por uma, julgo que nem o próprio mundo poderia conter os livros que se escreveriam. {+ Amém.}


Conclusão breve, alternativa de Mc 16, 9-20, presente em alguns manuscritos:

{{[As mulheres] anunciaram brevemente aos que estavam com Pedro tudo, porém, o que lhes tinha sido anunciado.

Depois disto, porém, também o próprio Jesus, do Oriente até ao Ocidente, difundiu através deles, a sagrada e incorruptível pregação da salvação eterna. Amém.}}


Introdução | Voltar à página principal |