QUADRO
DE NOSSO SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO OU DO ÍCONE
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1.
Abreviação grega de”Mãe de Deus”. 2.
Estrela no véu de Maria, a Estrela que nos guia no mar da vida até o
posto da salvação. 3.
Abreviatura de “Arcanjo S. Miguel”. 4.
Coroa de ouro: o 5.
Abreviatura de “Arcanjo S. Gabriel”. 6.
São Miguel apresenta a lança a vara com a esponja do cálice da
amargura. |
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7.
A boca de Maria pequenina, para guardar silêncio e evitar as palavras
inúteis. 8.
São Gabriel com a cruz, e os cravos instrumentos da morte de
Jesus.
9.
Os olhos de Maria, grandes, voltados sempre para nós, a fim de
ver todas as
nossas necessidades. 10. Túnica vermelha, distintivo das virgens no tempo de Nossa Senhora. 11.
Abreviação de “Jesus Cristo”. 12.
As mãos de Jesus apoiadas na mão de Maria, significando que por ela
nos vêm todas as graças. 13.
Manto azul, emblema das mães daquela época. Maria é a Virgem-Mãe de
Deus.
14. A mão
esquerda de Maria sustentando Jesus: a mãe do consolo que Maria estende
a todos que a ela recorrem nas lutas da vida. 15.
A sandália desatada - símbolo talvez de um pecador preso ainda a Jesus
por um fio - o último - a Devoção a Nossa Senhora! O
fundo todo do Quadro é de ouro, e dele esplendem reflexos cambiantes,
matizando as roupas e simbolizando a glória do paraíso para onde
iremos, levados pelo perpétuo socorro de Maria.
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“O
Quadro de N. Sra. do Perpétuo Socorro é a síntese da Mariologia” W.G.
E
o que significam as letras vermelhas que se destacam daquele fundo dourado?
São
letras gregas que, de forma abreviada, identificam as pessoas. Em o nome de
Jesus Cristo, constam em cada palavra a primeira e a última letra das palavras
correspondentes em grego: “Iesous Christós”.
À
altura da cabeça de Nossa Senhora vemos,
igualmente abreviadas, as duas palavras que são o resumo de toda a sua
grandeza: “Méter Theou’ (Mãe de Deus).
Para
identificar os dois arcanjos, o pintor se contentou com as duas letras iniciais
e escreveu acima do que fica à esquerda: “Hó Archángelos Michaél” (O
Arcanjo Miguel) e, acima do outro: “1-ló Archángelos Gabriél” (O Arcanjo
Gabriel).
A túnica e o manto de Nossa Senhora têm gregas como enfeite; sobre o peito vê-se uma espécie de broche, e a gola larga que ela usa termina, sobre o braço direito, em franjas. As linhas douradas sobre as vestes de Nossa Senhora e do Menino Jesus criam uma atmosfera solene com relação a Maria, lembram a palavra do salmista: “A vossa direita se encontra a rainha, com veste esplendente de ouro” (Sl144, 10).
Digno de nota é também o harmonioso jogo de cores.Como combinam bem, nas vestes do Menino Jesus, o verde da túnica, o carmim da faixa e o marrom claro do manto - tudo coberto de filetes de ouro! Nossa Senhora por sua vez, veste uma túnica vermelha, distintivo das virgens naquele tempo, e um amplo manto azul escuro, forrado de verde; tem a cabeça envolta por delicado véu azul e verde, uma espécie de rede. Tudo isto confere-lhe ao mesmo tempo, um ar de modéstia e de majestade. Nos dois arcanjos as cores das vestes são o roxo co verde, que combinam maravilhosamente.
Note-se
também o esmero no desenho das auréolas em todas as quatro figuras!
A
técnica empregada na pintura do quadro foi a assim chamada “pintura à têmpera”,
feita com pigmentos dissolvidos num adstringente, como cola ou clara de ovo. Não
é, pois, pintura a óleo, como tantas vezes se tem afirmado.
O
tamanho do quadro é de 54 x 41,5cm e a base é de nogueira. Vejamos
mais precisamente a simbólica do mesmo.
No
Oriente, a arte cristã serve-se da linguagem simbólica muito mais que no
Ocidente. Justifica-se, pois, acrescentar ao sentido imediato e óbvio desse
expoente da arte bizantina uma tentativa de interpretação simbólica.
A
Mãe de Deus - pois ela é, nesse quadro, a figura
principal - aparece cheia de
majestade, destacada ainda mais pelo fundo dourado, e sobre sua cabeça brilha
uma estrela de oito raios, a mesma estrela que encontramos no célebre quadro da
Mãe de Deus de Vladimir, na catacumba de Santa Priscila (séc. 2) e no ainda
mais célebre mosaico do arco de triunfo em Santa Maria Maior (séc. 5). Assim
ela aparece como “a porta do céu, sempre aberta” e “a Estrela do Mar”,
na expressão do hino “Alma Redemptons Mater”. Pois, o vidente de Patmos viu
a Jerusalém celeste como uma cidade feita de ouro puro (Ap 21, 18), e Santo Tomás
de Aquino (+ 1274) escreve em sua explicação da saudação angélica: “Como
os navegantes são conduzidos ao porto pela estrela do mar, assim os cristãos são
levados por Maria à glória do Céu”. Já muito antes dele, S. Cirilo de
Alexandria (+ 444) dirigia-se a Nossa Senhora, dizendo: “Por ti apareceu a
verdadeira Luz, o Filho Unigênito de Deus, àqueles que estavam sentados nas
trevas e na sombra da morte. Por ti vaticinaram os profetas. Por ti os Apóstolos
anunciaram a salvação aos povos... Quem, neste mundo, seria capaz de louvar-te
condignamente, ó Maria, Virgem e Mãe?”
A
mão direita de Nossa Senhora, estendida em direção ao Menino Jesus,
representa, na arte oriental, sua intercessão junto a seu divino Filho. Que
esta intercessão seja tão poderosa, ela o deve, tanto à sua posição de Mãe
de Deus, como à sua íntima participação na Paixão e Morte de seu Filho.
Ambas as coisas vêm expressas em nosso quadro.
As
duas mãozinhas do Menino Jesus seguram a mao direita de Nossa Senhora. Dizem os
orientais que isto significa exatamente a união de Maria com Cristo em sua
Observando-se
com atenção essas três mãos, constata-se que Nossa Senhora segura a mão
esquerda do Menino Jesus, deixando livre a direita. E que, na linguagem simbólica
dos antigos, a mão esquerda é a mão do Senhor que castiga, enquanto a direita
abençoa e nos dispensa graça e salvação. Assim o piedoso pintor parece
repetir a passagem do hino “Ave, Maris stella”:
“Os
males de nós afastai, Todo
bem nos alcançai!”
O
olhar de Nossa Senhora, sempre voltado para o espectador (faça a experiência!),
lembra as palavras da Salve, Rainha: “Eia, pois, advogada nossa, esses vossos
olhos misericordiosos a nós volvei!”
Um
detalhe que chama a atenção de todo o mundo éa sandália que se desprende do
pézinho do Menino Jesus e cai. A explicação óbvia disso já foi dada acima:
o susto do Menino Jesus ao ver os instrumentos da Paixão. Entretanto, podemos
também aqui procurar um sentido espiritual ou místico. No livro de Rute (4, 7)
lemos: “Era outrora costume em Israel, nos casos de resgate ou de sub-rogação,
que o homem tirasse o seu sapato e o desse ao outro, para validade da transação;
isto servia de ratificação”.
Há
quem veja simbolismos ainda: na boca de Maria, que é pequena, para guardar silêncio
e evitar as palavras
inúteis; nos olhos, que, ao contrário, são grandes e estão sempre voltados
para nós, a fim deverem todas as nossas necessidades; nas mãos de Jesus,
apoiadas na mão de Maria, significando que por ela nos vêm todas as graças;
na sandália desatada, símbolo, talvez, de um pecador preso a Jesus por um fio -
o último - a devoção a Nossa Senhora
Poderia
alguém estranhar tanto simbolismo em um quadro só. Mas, não se esqueça que
se trata de um “ícone”. Cada traço e cada cor, presente no ícone, tem um
significado simbólico (já que o mistério, o invisível, só pode ser expresso
mediante símbolos e a arte do ícone nasce da contemplação do mistério e
quer levar os fieis a essa contemplação). Os autores de ícones são pessoas
contemplativas, geralmente monges ou monjas, e o trabalho é executado em
profundo recolhimento, oração contemplativa e jejum.