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Elas, não sabiam que os sarracenos muçulmanos estavam
invadindo várias regiões italianas e que estavam avançando, já tinham
atacado e devastado a Calábria e Lucania. Quando chegaram em Roma, as
duas foram surpreendidas na via Latina, por um grupo de invasores que as
identificaram como cristãs. Ambas foram agredidas e chicoteadas até
quase a morte. Mas um fortíssimo temporal dispersou os perseguidores que
abandonaram o local. Por isto, as duas foram libertadas e puderam seguir
com sua viagem.
Mas, estando muito feridas elas resolveram se estabelecer na pequena
Macerata, situada aos pés de uma colina muito perto da cidade de Anagni.
Lá elas retomaram a vida de caridade, oração e penitencia, sempre
auxiliando e socorrendo os pobres, velhos e doentes.
Aurélia também tinha os dons da cura e da profecia. Assim a fama de
santidade das duas irmãs cristãs se difundiu entre a população. Diz a
tradição que Aurélia salvou os fiéis da paróquia daquela diocese. Foi
num domingo de chuva, ela correu para avisar o padre que parasse a Missa,
pois iria cair um raio sobre a igreja. O padre inspirado pelo Espírito
Santo ouviu seu conselho e os fieis já estavam a salvo quando o incidente
aconteceu.
Aurélia e a irmã adoeceram e morreram no mesmo dia: 25 de setembro, de
um ano não registrado. Os seus corpos foram sepultados na igreja de
Macerata. Mais tarde, o Bispo dessa diocese, aproveitando a visita do Papa
Leão IX à cidade, preparou uma cerimônia solene para trasladar as relíquias
das duas irmãs, para a catedral de Anagni. Outra festa foi preparada
quando a reconstrução dessa catedral terminou. Então as relíquias de
Aurélia e Neomisia foram colocadas na cripta de São Magno, logo abaixo
do altar dedicado a ele.
O culto à Santa Aurélia é um dos mais propagados e antigos da tradição
romana. Ao longo dos séculos deu o nome à gerações inteiras de cristãs,
que passaram a festejar a Santa de seu onomástico como protetora pessoal.
De modo que a festa de Santa Aurélia, no dia 25 de setembro, foi
introduzida no calendário litúrgico da Igreja, pela própria diocese de
Anagni. O único texto que registrou esta tradição faz parte do Cod.
Chigiano C.VIII. 235 escrito no início do século XIV. Somente em 1903, o
culto obteve a confirmação canônica. Assim, as urnas contendo as relíquias
das irmãs são expostas aos devotos e peregrinos, durante a celebração
litúrgica. Contudo há um fato curioso que ocorre nesta tradição desde
o seu início. É que a maioria dos devotos só se lembra que é o dia da
festa de Santa Aurélia, e apenas à ela agradecem pela intercessão nas
graças alcançadas.
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