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Elas viviam felizes, trabalhavam nos campos e se
dedicavam à costura. Eram estimadas e queridas pelas famílias e
colegas. Aos doze anos, porém, Alexandrina teve uma grave infecção.
A doença foi superada, mas a sua saúde ficou abalada. Dois anos
depois, em 1918, aconteceu o fato decisivo da sua vida.
Nesse dia, ela, a irmã Deolinda e mais uma amiga aprendiz estavam
na sala de costura, situada no piso superior da casa, quando três
homens invadiram o local para molesta-las sexualmente. Alexandrina,
para salvar a sua pureza, se atirou pela janela, de uma altura de
quatro metros. Assustados os homens fugiram sem concluir suas intenções.
Mas as conseqüências foram terríveis.
Alexandrina sofreu dores terríveis num processo longo, gradual e
irreversível que a deixou paralítica. A partir do dia 14 de abril
de 1925 Alexandrina nunca mais levantou da cama. Assim paralisada
passou os restantes trinta anos de sua vida, embora nos três anos
seguintes ela ainda pedia à Deus, por intercessão de Nossa
Senhora, a graça da cura. Depois entendeu que a sua vocação era o
sofrimento. Desde então teve uma vida repleta de fenômenos místicos,
de grande união com Cristo nos Tabernáculos, por meio de Nossa
Senhora.
Quanto mais clara se tornava a sua vocação de vítima tanto mais
crescia nela o amor ao sofrimento. Atingiu tal grau de
espiritualidade que às sextas-feiras vivia os sofrimentos da Paixão
de Cristo. Nesses dias, superando o estado habitual de paralisia,
descia da cama e com movimentos e gestos, acompanhados de
angustiantes dores, repetia, por três horas e meia, os diversos
momentos da Via Sacra.
Desde 1934, orientada espiritualmente por um padre jesuíta, passou
a escrever tudo quanto lhe dizia Jesus, durante seus êxtases
contemplativos. Em 1936, por ordem de Jesus, pediu ao Papa, a
consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria. Este pedido
foi renovado várias vezes até 1941, quando então Alexandrina
parou de escrever ao Papa e também seu diário. Quando a partir 27
de março de 1942, deixou de se alimentar, vivendo exclusivamente da
Eucaristia. No ano seguinte passou a ser estudada por uma junta médica.
Em 1944, um padre salesiano, após constatar a profundidade
espiritual a que tinha chegado, animou Alexandrina a voltar a ditar
o seu diário; o que ela fez até à morte. Foi também nesse ano de
1944 que ela se inscreveu na União dos Cooperadores Salesianos. E
quis colaborar com o seu sofrimento e as suas orações para a salvação
da juventude.
No dia 13 de outubro de 1955, Alexandrina morreu após exclamar:
"Sou feliz porque vou para o céu". O Papa João Paulo II,
no ano 2004, tornou Bem-aventurada Alexandrina Maria da Costa.
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