|
Foi nesta posição que realizou uma das tarefas
mais difíceis de sua vida. Conseguiu uma trégua que parecia impossível,
entre os reis da Inglaterra, Eduardo I e da França, Felipe, o Belo.
Com esta missão de paz totalmente coroada de êxito, Nicolau foi
consagrado Cardeal pelo Papa Bonifácio VIII. Ao dar esta honraria
à um dominicano, homenageou toda aquela Ordem, por sua fidelidade
ao Papa em todos os momentos difíceis por que ele passara. Era um
período de inúmeros conflitos espalhados pelo mundo todo, assim
Bonifácio resolveu manter ao seu lado o cardeal Nicolau, já
considerado um dos melhores especialistas em negociações diplomáticas
com reis e imperadores.
Nicolau estava ao lado do Papa Bonifácio VIII quando ocorreu o célebre
episódio da bofetada. Enviado pelo rei da França, Guilherme de
Nogaret desferiu um humilhante tapa no rosto do Papa, como um recado
de Felipe, o Belo. Logo em seguida o Papa Bonifácio VIII veio a
falecer. Por seu talento conciliador, Nicolau foi eleito seu
sucessor em 22 de outubro de 1303, com o nome de Bento XI. E de
fato, em pouco tempo as desavenças entre Roma e França se
dissiparam. Ele absolveu Felipe, o Belo, das censuras que pesavam
sobre o monarca, entretanto, foi duro com o mensageiro que desferiu
o tapa contra o rosto do Papa morto. Guilherme Nogaret foi
excomungado definitivamente da Igreja.
Todavia, o Papa Bento XI teve um pontificado muito curto, durou
apenas até o dia 07 de julho de 1304, quando morreu de repente. Ele
preferiu residir em Perúgia, ao invés de permanecer em Roma, para
evitar a convivência com os perigosos inimigos da Igreja. Mas,
dizem que mesmo assim foi atingido mortalmente por eles. Contam os
escritos que, ao comer um figo o Papa Bento XI começou a sentir-se
mal e desconfiou que tinha sido envenenado. Por isto pediu para
abrirem as portas de sua residência e chamou todos os fiéis para
uma última audiência e bênção. Como supôs, morreu algumas
horas depois.
Conciliador quando necessário, o Papa Bento XI não descuido dos
preceitos da fé. Foi ele que instituiu o decreto que obriga todo
cristão a se confessar pelo menos uma vez por ano.
|