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Nesta ocasião, Camilo já ganhara sua própria
fama, de jogador fanático, briguento e violento, era um rapaz bizarro. Em
1570, após uma conversa com um frade franciscano, sentiu-se atraído a
ingressar na ordem, mas foi recusado, porque apresentava uma úlcera no pé.
Ele então foi enviado para o hospital de São Tiago, em Roma, que
diagnosticou o tumor incurável. Sem dinheiro para o tratamento, conseguiu ser
internado em troca do trabalho como servente. Mesmo assim afundou-se
no jogo e foi posto na rua. Sabendo que o mosteiro dos capuchinhos
estava sendo construído, ofereceu-se como ajudante de pedreiro e
foi aceito. O contato com os franciscanos foi fundamental para sua
conversão. Um dia a caminho do trabalho teve uma visão celestial, nunca
revelada à ninguém. Estava com vinte e cinco anos de idade, largou
o jogo e pediu para ingressar na ordem dos franciscanos. Não
conseguiu, por causa de sua ferida no pé.
Mas, os franciscanos o ajudaram a ser novamente internado no
hospital de São Tiago, que, passados quatro anos, estava sob a sua
direção. Camilo, já tocado pela Graça, desta vez, além de
tratar a eterna ferida passou a cuidar dos outros enfermos, como
voluntário. Mas, preferia assistir aos doentes mais repugnantes e
terminais, pois percebeu que os funcionários, apesar de bem
remunerados, os abandonavam à própria sorte, deixando-os passar
privações e vexames.
Neles, Camilo viu o próprio Cristo e por eles passou a viver. Em
1584, sob orientação do amigo e contemporâneo, também fundador e
santo, o padre Filipe Néri, constituiu uma irmandade de voluntários
para cuidar dos doentes pobres e miseráveis, depois intitulada
Congregação dos Ministros Camilianos. Ainda com a ajuda de Filipe
Néri, estudou e vestiu o hábito negro com a cruz vermelha de sua
própria Ordem, pois sua congregação em 1591, recebeu a aprovação
do Vaticano sendo elevada à categoria de ordem religiosa.
Eleito para Superior, dirigiu por vinte anos sua ordem dos padres
enfermeiros, dizem que com "mão de ferro" e a determinação
militar recebida na infância e juventude. Depois os últimos sete
anos de vida, preferiu ficar ensinado como os doentes deviam ser
tratados e conviver entre eles. Mesmo sofrendo terríveis dores nos
pés, Camilo ia visitar a casa dos doentes e, quando necessário,
chegava a carregá-los nas costas para o hospital. Nesta hora
agradecia à Deus a estatura física que lhe dera. Recebeu o dom da cura pelas palavras e orações, logo a sua fama de
padre milagreiro correu entre os fiéis, que ricos e pobres,
procuravam sua ajuda. Era um homem muito querido em toda a Itália,
quando morreu em 14 de julho de 1614. Foi canonizado em 1746. São
Camilo de Lellis, em1886 foi declarado padroeiro dos enfermos, dos
doentes e dos hospitais.
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