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Chegando ao arquipélago, Damião logo se colocou a par
da situação. A região recebera imigrantes chineses e com eles a lepra.
Em 1865, temendo a disseminação da doença, o governo local decidiu
isolar os doentes na ilha de Molokai. Nesta ilha existia uma península
cujo acesso era impossível, exceto pelo mar. Assim, aquela península
chamada Kalauapa tornou-se a prisão dos leprosos.
Para lá se dirigiu Damião, junto de três missionários que iriam
revezar os cuidados com os leprosos. Os leprosos não tinham como
trabalhar, roubavam-se entre si e se matavam por um punhado de arroz. Damião
sabia que ficaria ali para sempre, pois grande era o seu coração.
Naquele local abandonado, o padre começou a trabalhar. O primeiro passo
foi recuperar o cemitério e enterrar os mortos. Com freqüencia ia à
capital, comprar faixas, remédios, lençóis e roupas para todos. Neste
meio tempo, escrevia para o jornal local, contando os terrores da ilha de
Molokai. Essas notícias se espalharam e abalaram o mundo, todo tipo de
ajuda humanitária começou a surgir. Um médico que contraíra a lepra ao
cuidar dos doentes ouvira falar de Damião e viajou para a ilha a fim de
ajudar.
No tempo que passou na ilha, Damião construiu uma igrejinha de alvenaria
onde passou a celebrar as missas.Também construiu um pequeno hospital
onde, ele e o médico, cuidavam dos doentes mais graves. Dois aquedutos
completavam a estrutura sanitária tão necessária à vida daquele
povoado. Porém, a obra de Damião abrangeu algo mais do que a melhoria física
do local, ele trouxe nova esperança e alívio para os doentes. Já era
chamado apóstolo dos leprosos.
Numa noite de 1885, Damião colocou o pé esquerdo numa bacia com água
muito quente. Percebeu que tinha contraído a lepra pois não sentiu dor
alguma. Tinha se passado cerca de dez anos desde que ele chegou à ilha e,
milagrosamente, não havia contraído a doença até então. Com o passar
do tempo a doença o tomou por inteiro.
O doutor já havia morrido, assim como muitos dos amigos quando, aos 15 de
abril de 1889, padre Damião de Veuster morreu. Em 1936, seu corpo foi
transladado para a Bélgica onde recebeu os solenes funerais de Estado. Em
1995, padre Damião de Molokai foi beatificado pelo Papa João Paulo II e
sua festa designada para o dia 10 de maio.
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