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Grenoble era
uma diocese muito antiga, situada próxima aos Alpes, entre a Itália e a
França, possuía uma vasta e importante biblioteca, rica em códigos e
manuscritos antigos. A região era muito extensa e tinha um grande número
de habitantes, mas suas qualidades terminavam aí. Há tempos a diocese
estava vaga, a disciplina eclesiástica não mais existia e até os bens
da Igreja estavam depredados.
Hugo foi nomeado bispo e começou o trabalho, mas eram tantas as resistências
que renunciou ao cargo e retirou-se para um mosteiro. Mas, sua vida de
monge durou apenas dois anos. O Papa insistiu porque estava convencido que
ele era o mais capacitado para executar essa dura missão e fez com que o
próprio Hugo percebesse isso também, reassumindo o cargo.
Cinco décadas depois de muito trabalho, árduo mas frutífero, a diocese
estava renovada e inclusive abrigava o primeiro mosteiro da Ordem dos
monges cartuchos. O bispo Hugo não só deixou a comunidade organizada e
eficiente, como ainda arranjou tempo e condições para acolher e ajudar
seu antigo professor, o famoso monge Bruno de Colônia, que foi elevado
aos altares também, na fundação dessa Ordem. Planejada sobre os dois
pilares da vida monástica de então, oração e trabalho, esses monges
buscavam a solidão, a austeridade, a disciplina pelas orações
contemplativas, pelos estudos, mas também a prática da caridade pelo
trabalho social junto à comunidade mais carente, tudo muito distante da
vida fútil, mundana e egoísta que prevalecia naquele século.
Foram cinqüenta e dois anos de um apostolado profundo que uniu o povo na
fé em Cristo.
Já velho e doente, o bispo Hugo pediu para ser afastado do cargo, mas
recebeu do Papa Honório II uma resposta digna de sua amorosa dedicação:
ele preferia o bispo à frente da diocese, mesmo velho e doente, do que um
jovem saudável, para o bem do seu rebanho.
Hugo morreu com oitenta anos de idade, no dia primeiro de 1132, cercado
pelos seus discípulos monges cartuchos que o veneravam pelo exemplo de
santidade em vida. Tanto assim que após seu transito muitos milagres e
graças foram atribuídos à sua intercessão. O culto à São Hugo foi
autorizado dois anos após sua morte, pelo Papa Inocente II, sendo
difundido por toda a França e o mundo católico.
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