|
Mas, em 20 de maio de 1521 uma bala de canhão
mudou sua vida. Ferido por ela na tíbia da perna esquerda, durante
a defesa da cidade de Pamplona, ele ficou um longo tempo em
convalescença. Nesse meio tempo, meio por acaso, trocou a leitura
dos romances de infantaria e guerra, por livros sobre a vida dos
santos e a Paixão de Cristo. E assim foi tocado pela Graça.
Incentivado por uma de suas irmãs, que cuidava dele, não voltou
mais aos livros que antes adorava, passando a ler somente livros
religiosos. Já curado, trocou a vida de militar, por uma vida de
dedicação a Deus. Foi então à capela do santuário de Nossa
Senhora de Montserrat, pendurou sua espada no altar e deu as costas
ao mundo da corte e das pompas.
Durante um ano, de 1522 a 1523, viveu retirado numa caverna em
Manresa, como eremita e mendigo, o tempo todo em penitência, na
solidão e passando as mais duras necessidades. Alí, durante esse
período, preparou a base do seu livro mais importante: "Exercícios
Espirituais". E sua vida mudou tanto que, do campo de batalhas,
passou a transitar no campo das idéias, indo estudar filosofia e
teologia em Paris e Veneza.
Em Paris, a 15 de agosto de 1534, juntou-se à ele, mais seis
companheiros e fundou a Companhia de Jesus. Entre eles estava
Francisco Xavier, que se tornou um dos maiores missionários da
Ordem, e também santo da Igreja. Mas, todos só se ordenaram
sacerdotes em 1537, quando concluíram os estudos, ocasião em que
ele tomou o nome de Inácio. Três anos depois, o Papa Paulo III
aprovou a nova Ordem e Inácio de Loyola foi escolhido para o cargo
de Superior Geral.
Ele preparou e enviou os missionários jesuítas ao mundo todo, para
fixarem o Cristianismo, especialmente aos nativos pagãos das terras
do novo continente. Entretanto, desde que esteve no cargo de Geral
da Ordem, Inácio nunca gozou de boa saúde. Muito debilitado ele
morreu no dia 31 de julho de 1556, em Roma, na Itália.
A sua contribuição para a Igreja e para a Humanidade foi a sua visão
do catolicismo, que veio de sua incessante busca interior e que
resultou em definições e obras, cada vez mais atuais e presentes
nos nossos dias. Ele foi canonizado pelo Papa Gregório XV em 1622.
A sua festa é celebrada, na data de sua morte, nos quatro cantos do
planeta onde os jesuítas atuam. Santo Inácio de Loyola foi
declarado padroeiro de todos os retiros espirituais pelo Papa Pio
XI, em 1922.
|