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Isabel é tida como uma das rainhas mais belas da corte espanhola e
portuguesa, além disto possuía uma forte e doce personalidade, era também
muito inteligente, culta e diplomata. Ela deu dois filhos ao rei: Constância,
que seria no futuro rainha de Castela e Afonso, herdeiro do trono de
Portugal. Mas eram incontáveis as aventuras extraconjugais do rei, tão
conhecidas e comentadas, que humilhavam profundamente a bondosa rainha,
perante o mundo inteiro. Ela nunca se manifestava sobre esta situação,
de nada reclamava e a tudo perdoava, mantendo-se fiel ao casamento
em Deus, que fizera. Criou os filhos, inclusive os do rei fora do
casamento, dentro dos sinceros preceitos cristãos. Perdeu cedo a
filha e o genro, criando ela mesma o neto, também um futuro
monarca. Não bastassem estas amarguras familiares, foi vítima das
desavenças políticas do marido com parentes, e sobretudo do
comportamento de seu filho Afonso, que tinha uma personalidade
combativa. Depois, ainda foi caluniada por um cortesão que dela não
conseguiu se aproximar. A rainha muito sofreu e muito lutou até
provar inocência de forma incontestável.
Sua atuação nas disputas internas das cortes de Portugal e
Espanha, nos idos dos séculos XIII e XIV, está contida na História
destas cortes como a única voz a pregar a concórdia e conseguir a
pacificação entre tantos egos desejosos de poder. Ao mesmo tempo
em que ocupava o seu tempo ajudando a amenizar a desgraças do povo
pobre e as dores dos enfermos abandonados, com a caridade da sua
esmola e sua piedade cristã.
Ergueu o mosteiro de Santa Clara de Coimbra para as donzelas
piedosas da corte, O mosteiro cisterciense de Almoste e o santuário
do Espírito Santo em Alenquer. Também fundou em Santarém, o
Hospital dos Inocentes, para crianças cujas mães, por algum motivo
desejavam abandonar. Com suas posses sustentava asilos e creches,
hospitais para velhos e doentes, tratando pessoalmente dos leprosos.
Sem dúvida foi um perfeito símbolo de paz, do seu tempo.
Quando o marido morreu, em 1335, Isabel se recolheu no mosteiro das
clarissas de Coimbra, onde ingressou na Ordem Terceira Franciscana.
Antes põem abdicou de seu título de nobreza, indo depositar a
coroa real no altar de São Tiago de Compostela. Doou toda a sua
imensa fortuna pessoal para as suas obras de caridade. Viveu o resto
da vida em pobreza voluntária, na oração, piedade e mortificação,
atendendo os pobres e doentes, marginalizados.
A rainha Isabel de Portugal morreu, em Estremoz, no dia 04 de julho
de 1336. Venerada como Santa, foi sepultada no mosteiro de Coimbra e
canonizada pelo Papa Urbano VIII em 1665. Santa Isabel de Portugal
foi declarada padroeira deste país, sendo invocada pelos
portugueses como "a rainha santa da concórdia e da paz".
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