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Ivo aos poucos se despojou de tudo para se conformar de
maneira radical a Jesus Cristo, exortando os seus contemporâneos à
fazerem o mesmo, através de uma existência diária feita de santidade,
no caminho da verdade, da justiça, do respeito pelo direito e da
solidariedade para com os mais pobres.
Seus conhecimentos legais estavam sempre a disposição dos seus
paroquianos, defendendo à todos, ricos e pobres, com igual lisura. Foi o
primeiro a instituir na diocese a justiça gratuita para os que não
podiam pagá-la. A fama de juiz austero, que não se deixava corromper,
correu rapidamente e Ivo se tornou o melhor mediador da França, sempre
tentando os acordos fora das cortes para diminuir os custos legais para
ambas as partes.
Essa sua dedicação na defesa dos fracos, inocentes, viúvas e pobres,
lhe conferiu o título de "advogado dos pobres". Muitos foram os
casos julgados por ele, registrados na jurisprudência, que mostraram bem
seu modo de agir. Ficou constatado que quando lhe eram denunciados roubos
de carneiros, bois e cavalos, com a desculpa de impostos não pagos, Ivo
ia pessoalmente aos castelos recuperar os animais. Famosa também era sua
caridade. Contam os devotos que ele tirava a roupa do corpo, mesmo no
inverno, e ia distribuindo aos pobres e mendigos, indo para sua casa
muitas vezes só com a camisa. Diz a tradição que certa vez, deu sua
cama a um mendigo que dormia na porta de uma casa e foi dormir onde dormia
o mendigo.
Por tudo isso, sua saúde ficou comprometida. Em 1298, a doença se
agravou e ele se retirou no seu castelo, o qual transformara num asilo
para os mendigos e pobres alí tratados com conforto, respeito e fervor.
Morreu no dia 19 de maio de 1303, aos cinqüenta anos de idade. O Papa
Clemente VI declarou Santo Ivo Hélory de Kermartin em 1347. Ele é o
padroeiro da Bretanha, dos advogados, dos juízes e dos escrivães.
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