SÃO JOÃO DE BRÉBEUF E COMPANHEIROS

19 de outubro

No século XVII, a Companhia de Jesus participou da aventura pelos mares desconhecidos que levou à descoberta e colonização de um novo mundo: o continente americano. Nas expedições, os jesuítas garantiam a chegada da palavra de Deus e os conhecimentos do cristianismo aos povos colonizados, e ao mesmo tempo davam apoio espiritual aos corajosos expedicionários durante as viagens. Comandantes, navegadores e marinheiros eram os portadores da civilização, enquanto os jesuítas tinham como bandeira a catequese.

Hoje a Igreja busca um convívio harmonioso com as civilizações indígenas de todo o mundo, respeitando seus princípios culturais e religiosos. Mas até se chegar a este ponto, os conflitos entre formas de fé diferentes fizeram muitas vítimas cujo sangue deve servir de ensinamento e profunda reflexão.

E se os conquistadores dizimaram populações locais, os primitivos moradores das três Américas também produziram muitos mártires entre os que viajavam com a palavra da paz e da salvação. A data de hoje foi incluída no calendário da Igreja para homenagear a memória do martírio de oito missionários jesuítas, todos de origem francesa: João de Brébeuf, chefe da missão, Isaac Jegues, Renato Goupel, João de Landi, Gabriel Lalmant, Antônio Daniel, Carlos Gurmier e Natal Chabanel.



São João de Brébeuf
e Companheiros
Século XVII

Esse grupo de mártires representa a primícia da santidade do continente norte-americano, envolta com o sangue do martírio. Mas, com certeza fazem parte da segunda geração de jesuítas e franciscanos enviados para a catequização, por isso adentraram bastante ao continente. Eles estavam espalhados na selvagem região coberta por imensas florestas e grandes lagos, nos confins dos Estados Unidos com o Canadá. Os povos locais, conhecidos como "peles-vermelhas", eram formados pelas tribos guerreiras dos Urões e dos Iroqueses, que disputavam o território, mas que se uniam para resistir bravamente aos "homens brancos" invasores, vingando-se sangrentamente em todos que lembrassem os inimigos, principalmente nos jesuítas cuja única arma era a palavra de Deus.

Foram torturados e mortos em diferentes datas, entre 1642 e 1649, num período de inquietação na vida da recente colônia americana, não só religiosa como também política. Deles, apenas as relíquias de João de Brébeuf e Gabriel Lalemant foram encontradas e levadas para Quebec, Canadá, por ser colônia francesa, onde até hoje estão expostas as orações dos devotos e peregrinos.

As duas tribos responsáveis pelos crimes contra os missionários continuaram a guerrear entre si por muitos anos. Até que os Urões, quase exterminados pelos Iroqueses, foram se abrigar nas antigas missões de Santa Maria, que ainda se conservavam de pé e eram mantidas por jesuítas.Lá os mais de dois mil e setecentos indígenas tomaram conhecimento da palavra de Jesus, se converteram e foram batizados.

A colina onde foram assassinados Padre Jogues e seus companheiros é chamada de "Montanha da Oração" e, ainda hoje, existe uma paróquia formada e mantida pelos Urões católicos. Nos locais onde os outros morreram outras igrejas foram construídas e destinadas à comunidade católica indígena.

São João de Brébeuf e Companheiros... Rogai por nós!