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Ordenou-se sacerdote aos vinte e cinco anos, mudando o nome. Nessa época
pensou em procurar uma Ordem mais austera e rígida, por achar a Ordem
Carmelita muito branda. Foi então que a futura Santa Tereza de Ávila
cruzou seu caminho. Com autorização para promover, na Espanha, a fundação
de conventos reformados, ela tinha também carta branca dos superiores
gerais para fazer o mesmo com conventos masculinos. Tamanho era seu
entusiasmo que atraiu o sacerdote João da Cruz para esse trabalho. Ao invés
de sair da Ordem, ele passou a trabalhar em sua reforma, recuperando os
princípios e a disciplina. João da Cruz encarregou-se de formar os noviços,
assumindo o cargo de reitor de uma casa de formação e estudos,
reformando assim vários conventos. Reformar uma Ordem, porém, é
muito mais difícil que fundá-la, e João enfrentou dificuldades e
sofrimentos incríveis, para muitos, insuportáveis. Chegou a ser
preso por nove meses num convento que se opunha à reforma. Os
escritos sobre sua vida dão conta de que abraçou a cruz dos
sofrimentos e contrariedades até com prazer, só compreensíveis
aos Santos. Aliás, esse é o aspecto da personalidade de João da
Cruz que mais se evidenciou no fim de sua vida.
Conta-se que ele pedia insistentemente três coisas a Deus.
Primeiro, dar-lhe forças para trabalhar e sofrer muito. Segundo, não
deixá-lo sair desse mundo como superior de uma Ordem ou comunidade.
Terceiro, e mais surpreendente, que o deixasse morrer desprezado e
humilhado pelos homens. Para ele, fazia parte de sua religiosidade mística
enfrentar os sofrimentos da Paixão de Jesus, pois lhe proporcionava
êxtases e visões. Seu misticismo era a inspiração para seus
escritos que foram muitos e o colocam ao lado de Santa Tereza de Ávila,
outra grande mística do seu tempo. Assim, foi atendido nos três
pedidos.
Pouco antes de sua morte João da Cruz teve graves dissabores,
devido a incompreensões e calúnias. Foi exonerado de todos os
cargos da comunidade, passando os últimos meses na solidão e no
abandono. Faleceu após uma penosa doença, em 14 de dezembro de
1591, com apenas quarenta e nove anos de idade, no convento de
Ubeda, Espanha.
Deixou como legado sua volumosa obra escrita, de importante valor
humanístico e teológico. E sua relevante e incansável participação
como reformador da Ordem Carmelita Descalça. Foi canonizado em
1726, teve sua festa marcada para o dia de sua morte. Santo João da
Cruz foi proclamado Doutor da Igreja, em 1926, pelo Papa Pio XI. E,
mais tarde, em 1952, declarado o padroeiro dos poetas espanhóis.
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