|
Seu trabalho junto aos pobres deu tantos frutos que foi
eleito bispo de Alexandria e, nesta posição de destaque, pôde fazer
mais ainda pelos necessitados. Prontamente mandou cadastrar todos os
pobres da cidade, onde se catalogaram mais de sete mil e quinhentos. Às
quartas e sextas-feiras eram recebidos e auxiliados em tudo que estivesse
ao seu alcance. Quando a população católica da Pérsia se viu
perseguida por causa de sua fé, foi no Egito do bispo João Esmoler, que
encontrou alimento e abrigo.
Na época em que Jerusalém foi arrasada pelos pagãos, também foi o
bispo João quem para lá mandou comida e até recursos para a reconstrução
das igrejas. Entretanto, consigo mesmo era o desapego em pessoa. Tinha uma
única coberta, velha e maltrapilha. Quando um amigo de posses lhe deu um
cobertor novinho e felpudo, jogando a velha coberta fora, João dormiu
apenas uma noite com ele, em sinal de agradecimento, e no dia seguinte o
colocou à venda. Sabedor do gesto do bispo, o doador comprou o cobertor e
lhe deu de presente outra vez. Como seu admirador, lhe propôs um jogo:
quantas vezes ele o colocasse à venda, tantas vezes o compraria para lhe
dar de presente novamente. Assim, o lucro para os pobres foi grande.
Já sexagenário, em 619, decidiu viajar para Constantinopla aceitando o
convite do imperador, que desejava vê-lo. Porém, ao chegar à cidade de
Rhodes, recebeu uma mensagem profética, de que a sua morte estava bem próxima.
João Esmoler chamou o discípulo que o acompanhava, disse-lhe que ia
cancelar a visita ao imperador, "pois o Rei dos reis também o
chamava" e Ele tinha prioridade. Assim, foi para sua Ilha de Chipre
onde morreu serenamente no dia 23 de janeiro desse mesmo ano.
Em 1974, o cardeal de Veneza, Albino Luciani, que depois se tornaria o
Papa João Paulo I, teve a honra de hospedar na Igreja Matriz de Casarano
as relíquias do corpo de Santo João Esmoler e seu chapéu de bispo, este
que continua guardado nessa igreja e localidade. Desse modo percebemos que
o seu culto se mantém cada vez mais forte e vigoroso.
|