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Foram poucos os que vislumbraram a sua capacidade
de raciocínio. Para os professores e superiores era considerado um
rude camponês, que não tinha inteligência suficiente para
acompanhar os companheiros nos estudos, especialmente de filosofia e
teologia. Entretanto, era um verdadeiro exemplo de obediência,
caridade, piedade e perseverança na fé em Cristo. Em 1815, João
Maria Batista Vianney foi ordenado sacerdote. Mas com um
impedimento: não poderia ser confessor. Não era considerado capaz
de guiar consciências. Porém, para Deus ele era um homem
extraordinário e foi através deste apostolado que o dom do Espírito
Santo se manifestou sobre ele. Transformou-se num dos mais famosos e
competentes confessores que a Igreja já teve. Durante o seu aprendizado em Ecully, o Abade Malley havia percebido
que ele era um homem especial e dotado de carismas de santidade.
Assim, três anos depois, conseguiu a liberação para que pudesse
exercer o apostolado plenamente. Foi então designado vigário geral
na cidade de Ars-sur-Formans. Isto porque, nenhum sacerdote aceitava
aquela paróquia do norte de Lion, que possuía apenas duzentos e
trinta habitantes, todos não praticantes e afamados pela violência.
Por isso, a igreja ficava vazia e as tabernas lotadas. Ele chegou em
fevereiro de 1818, numa carroça, transportando alguns pertences e o
que mais precisava seus livros. Conta a tradição que na estrada
ele se dirigiu à um menino pastor dizendo: "Tu me mostraste o
caminho de Ars: eu te mostrarei o caminho do céu". Hoje um
monumento na entrada da cidade lembra este encontro.
Treze anos depois, com seu exemplo e postura caridosa, mas também
severa, conseguiu mudar aquela triste realidade, invertendo a situação.
O povo não ia mais para as tabernas, em vez disso lotava a igreja.
Todos agora queriam se confessar, para obter a reconciliação e os
conselhos daquele homem que eles consideravam um santo. Na paróquia
fazia de tudo, inclusive os serviços da casa e suas refeições.
Sempre em oração, comia muito pouco e dormia no máximo três
horas por dia, fazendo tudo o que podia para os seus pobres. O
dinheiro herdado com a morte do pai, gastou com eles. A fama de seus dons e santidade correu entre os fiéis de todas as
partes da Europa. Muitos acorriam para paróquia de Ars, com um só
objetivo: ver o Cura e, acima de tudo, confessar-se com ele. Mesmo
que para isto tivessem que esperar horas, ou dias inteiros, assim o
local tornou-se um centro de peregrinações. O Cura de Ars, como
era chamado, nunca pôde parar para descansar. Morreu serenamente,
consumido pela fadiga, na noite de 04 de agosto de 1859, aos setenta
e três anos de idade. Muito antes de ser canonizado pelo Papa Pio
XI em 1925, já era venerado como Santo. O seu corpo incorrupto, se
encontra na igreja da paróquia de Ars, que se tornou um grande
Santuário de peregrinação. São João Maria Batista Vianney foi
proclamado pela Igreja "padroeiro dos sacerdotes" e o dia
de sua festa, em 04 de agosto, escolhido para celebrar o "dia
do padre".
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