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A maioria delas diz que uma pequena cidade era atacada
periodicamente pelo animal, que habitava um lago próximo e fazia dezenas
de vítimas com seu hálito de fogo. Para que a população inteira não
fosse destruída pelo dragão, a cidade lhe oferecia vítimas jovens,
sorteadas a cada ataque.
Certo dia chegou a vez da filha do rei, que foi levada pelo soberano em
prantos à margem do lago. De repente apareceu o jovem guerreiro e matou o
dragão, salvando a princesa. Ou melhor, não o matou, mas o transformou
em dócil cordeirinho, que foi levado pela jovem numa corrente para dentro
da cidade. Ali, o valoroso herói informou que vinha da Capadócia,
chamava-se Jorge e acabara com o mal em nome de Jesus Cristo, levando a
comunidade inteira à conversão.
De fato, o que se sabe é que o soldado Jorge foi denunciado como cristão,
preso, julgado e condenado à morte. Entretanto o momento do martírio
também é cercado de muitas tradições. Conta a voz popular que ele foi
cruelmente torturado, mas não sentiu dor. Foi então enterrado vivo, mas
nada sofreu. Ainda teve de caminhar descalço sobre brasas, depois jogado
e arrastado sobre elas e mesmo assim nenhuma lesão danificou seu corpo,
sendo então decapitado pelos assustados torturadores. Jorge teria levado
centenas de pessoas à conversão, pela resistência ao sofrimento e à
morte. Inclusive, a mulher do então imperador romano.
São Jorge virou um símbolo de força e fé no enfrentamento do mal através
dos tempos e principalmente nos dias atuais, onde a violência impera em
todas as situações de nossas vidas. Seu rito litúrgico é oficializado
pela Igreja católica e nunca esteve suspenso, como erroneamente chegou a
ser divulgado em 1960, quando sua celebração passou a ser facultativa. A
festa acontece no dia 23 de abril tanto no Ocidente como no Oriente.
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