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Os anos se passavam e Liduina não melhorava, nem
morria. Ficou a um passo do desespero total, quando chegou em seu socorro
o padre João Pot, pároco da igreja. Com conversas serenas o sacerdote
lhe recordou que: "Deus só poda a árvore que mais gosta, para que
produza mais frutos e aos filhos que mais ama, mais os deixa sofrer".
E pendurou na frente da sua cama um crucifixo. Pediu que olhasse para Ele
e refletisse: se Jesus sofreu tanto, foi porque o sofrimento leva à glória
da vida eterna.
Liduina entendeu que sua situação não foi uma fatalidade sem sentido,
ao contrário, foi uma benção dada pelo Senhor. Do seu leito, podia
colaborar com a Redenção, ofertando seu martírio para a salvação das
almas. E disse ao padre que gostaria de receber um sinal que confirmasse
ser este o seu caminho. E ela o obteve, naquela mesma hora. Na sua fronte
apareceu uma resplandecente Hóstia Eucarística, vista por todos,
inclusive pelo padre Pot.
A partir deste momento, Liduina nunca mais pediu que Deus lhe aliviasse os
sofrimentos, pedia isto sim, que lhe desse amor para sofrer pela conversão
dos pecadores e pela salvação das almas. Do seu leito de enferma ela
recebeu de Deus o dom da profecia e da cura pela oração aos enfermos. Após
doze anos de enfermidade também começou a ter êxtases espirituais,
recebendo mensagens de Deus e da Virgem Maria.
Em 1421, as autoridades civis publicaram um documento atestando que nos últimos
sete anos Liduina só se alimentava da Sagrada Eucaristia e das orações.
Sua enfermidade a impossibilitava de comer e de beber, e nada podia
explicar tal prodígio. Nos últimos sete meses de vida seu sofrimento foi
terrível. Ficou reduzida a uma sombra e uma voz que rezava
incessantemente. No dia 14 de abril de 1433, após a Páscoa, Liduina
morreu serena e em paz. Ao padre e ao médico que a assistiam pediu que
fizessem de sua casa um hospital para os pobres com doenças incuráveis.
E assim foi feito.
Em 1890 o papa Leão XII elevou Santa Liduina ao altar e autorizou o seu
culto para o dia da sua morte. A igreja de Schiedan, construída em sua
homenagem se tornou um Santuário, muito procurado pelos devotos que a
consideram padroeira dos doentes incuráveis.
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