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Tratado
com aspereza e crueldade pagando pelo rancor que o rei de Aragão
nutria pela política do Papa, e do rei de Anjou. Motivo que o levou
a quebrar todos os acordos firmados antes da troca dos reféns. O
cativeiro dos príncipes durou sete anos.
Ludovico aceitou a longa prisão com abnegação e paciência. Mas já
estava acostumado com a vida de penitência. Desde pequeno ele não
dormia na sua cama real preferindo o chão, duro e frio. Assim,
aquele período no cárcere só cristalizou a santidade do jovem príncipe.
Era tratado cruelmente e deixado junto com os leprosos, os quais
tratava com zelo e carinho. Não temia o contágio, que seria motivo
de felicidade, pois poderia sofrer um pouco e imitar o sofrimento de
Cristo.
Este seu período de cativeiro foi acompanhado pelos frades da ordem
de São Francisco, principalmente pelo frei Jacques Deuze, depois
eleito Papa. Foi ele que presenciou e registrou as curas prodigiosas
feitas por intercessão de Ludovico. Também acompanhou o jovem príncipe
quando ele adoeceu gravemente, testemunhando a sua milagrosa cura e
decisão de se tornar um simples frade franciscano.
Finalmente a paz voltou entre as famílias reais de Aragão e Anjou.
Em janeiro de 1296 os três príncipes foram libertados Assim que
chegaram em Nápolis, Ludovico renunciou ao trono real em favor do
seu irmão Roberto. Ingressou para a vida religiosa no Convento de
Ara Coeli, dos franciscanos em Roma. Em maio do mesmo ano voltou
para Nápolis onde recebeu as sagradas ordens. Mas foi chamado pelo
Papa Celestino V, que o queria Bispo da diocese de Toulouse, na França,
que estava vaga. Ludovico, devendo obediência aceitou.
Porém, sendo um frade franciscano dispensou a luxuosa residência
episcopal, preferindo a pobreza dos conventos da irmandade. Todavia
muito enfraquecido, pegou tuberculose. Apesar disto, foi à Roma
assistir a canonização de Luiz IX, rei da França, seu tio-avô. A
fadiga desta viagem agravou a doença e ele acabou morrendo, no dia
19 de agosto de 1297, aos vinte e três anos de idade.
O Bispo Ludovico de Toulouse foi proclamado Santo em 1317 pelo Papa
João XXII, frei Jacques Douze, que presenciou sua penitência e
suas curas milagrosas durante o cativeiro. As famílias da realeza
de Anjou e de Aragão, unidas, presenciaram a cerimônia.
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