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Deste modo Maria nunca pôde estudar, mas ao lado
da família sempre freqüentou a igreja. Ela só estudou o catecismo
para fazer a Primeira Comunhão, aos doze anos de idade, um ano após
a morte de seu pai. Quando isto ocorreu João Sereneli, compadecido,
manteve tudo como estava, contando apenas com a viúva para o
trabalho na lavoura. Porém, o problema era seu filho Alexandre, que
passou a assediar Maria. Apesar da pouca idade, ela era bonita e bem
desenvolvida, já atraindo os olhares masculinos. Como recusasse
todas as aproximações do rapaz, este se irritou ao extremo. Até
que no dia 05 de julho de 1902 ele perdeu a razão e a tragédia
aconteceu.
Naquele dia Alexandre trabalhava ao lado de Assunta, quando inventou
um pretexto, deixou a lavoura. Foi para o lar dos Goretti, portando
uma barra de ferro com ponta afiada, onde sabia que Maria estaria
sozinha e indefesa. Primeiro insinuou, depois exigiu, por fim ameaçou
a jovem de morte se não satisfizesse seus desejos. Mesmo temendo o
pior, Maria resistiu dizendo que aquilo era pecado. Alexandre
transtornado por não alcançar seu intento, passou a golpear
violentamente o corpo da menina.
Ela ainda foi levada com vida à um hospital, após ser vitimada com
catorze perfurações. E teve tempo de perdoar seu agressor, pedindo
à sua mãe e irmãos que fizessem o mesmo, por amor à Jesus. Maria
Goretti morreu no dia seguinte ao ataque, no dia 06 de julho de
1902. Quanto a Alexandre, foi preso, quase linchado e condenado a
trabalhos forçados. Porém, depois de vinte e sete anos de prisão
foi solto por bom comportamento. Depois de ir à Corinaldo, pedir
perdão à mãe de Maria Goretti, ingressou num convento capuchinho,
onde viveu sua sincera conversão até morrer.
Muitos milagres passaram a acontecer por intercessão da pequena
menina virgem. A fé na sua santidade cresceu e espalhou-se de tal
forma no mundo cristão, que em 1950 ela foi canonizada. Nesta
solenidade, estava presente a sua mãe Assunta, então com oitenta e
quatro anos, ao lado quatro de seus filhos e Alexandre Sereneli, o
agressor sinceramente convertido. O Papa Pio XII declarou Santa
Maria Goretti padroeira das virgens cristãs. Até hoje continuam as
romarias ao Santuário de Nossa Senhora das Graças, em Nettuno,
onde se encontra a sepultura da Santa, há dez quilômetros do
povoado onde tudo aconteceu.
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