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Foi nessa época que ocorreu o famoso episódio
do manto. Um dia um mendigo que tiritava de frio pediu-lhe esmola e,
como não tinha, o cavalariano cortou seu próprio manto com a
espada, dando metade ao pedinte. Durante a noite o próprio Jesus
lhe apareceu em sonho, usando o pedaço de manta que dera ao mendigo
e agradeceu a Martinho por tê-lo aquecido no frio. Dessa noite em
diante, ele decidiu que deixaria as fileiras militares para
dedicar-se à religião.
Com vinte e dois anos já estava batizado, provavelmente pelo Bispo
de Amiens, afastado da vida da corte e do exercito. Tornou-se monge
e discípulo do famoso Bispo de Pointiers, Santo Hilário que o
ordenou diácono. Mais tarde, quando voltou do exílio em 360, doou
a Martinho um terreno em Ligugé, a doze quilômetros de Pointiers.
Alí ele fundou uma comunidade de monges. Mas logo eram tantos
jovens religiosos que buscavam sua orientação, que Martinho
construiu o primeiro mosteiro da França e da Europa ocidental.
No ocidente, ao contrário do oriente, os monges podiam exercer o
sacerdócio para que se tornassem apóstolos na evangelização.
Martinho liderou então a conversão de muitos e muitos habitantes
da região rural. Com seus monges ele visitava as aldeias pagãs,
pregava o evangelho, derrubava templos e ídolos e construía
igrejas. Onde encontrava resistência fundava um mosteiro com os
monges evangelizando pelo exemplo da caridade cristã, logo todo o
povo se convertia. Dizem os escritos que, nesta época, havia
recebido dons místicos, operando muitos prodígios em beneficio dos
pobres e doentes que tanto amparava.
Quando ficou vaga a diocese de Tours, em 371 o povo o aclamou por
unanimidade para ser o Bispo. Martinho aceitou, apesar de resistir
no início. Mas não abandonou sua peregrinação apostólica,
visitava todas as paróquias, zelava pelo culto e não desistiu de
converter pagãos e exercer exemplarmente a caridade. Nas
proximidades da cidade fundou outro mosteiro, chamado de Marmoutier.
E sua influência não se limitou a Tours, mas se expandiu por toda
a França, tornando-o querido e amado por todo o povo.
Martinho exerceu o bispado por vinte e cinco anos e, aos oitenta e
um, estava na cidade de Candes, quando morreu no dia 08 de novembro
de 397. Sua festa é comemorada no dia 11, data em que foi sepultado
na cidade de Tours.
Venerado como Santo Martinho de Tours ele se tornou o primeiro Santo
não mártir a receber culto oficial da Igreja e se tornou um dos
Santos mais populares da Europa medieval.
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