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Aos poucos ela cativou o coração de seu
pai, com sua delicadeza, e comovente generosidade. Arrependido do que lhe fizera, com verdadeiro
amor de pai, quis compensá-la com um bom casamento. Quando soube
dessa intenção, Otília fugiu, pois queria seguir a vida
religiosa. Nesse momento Aldarico se converteu, comovido com a
atitude da filha. Mandou expedir um decreto dizendo que estava
perdoada, que podia seguir sua vocação cristã e que fundaria um
mosteiro para ela.
Foi assim que o belo castelo de Hohenbourg, no alto de uma montanha
às margens do rio Reno, se tornou mosteiro. A primeira abadessa foi
Otília, com muitas religiosas sempre ingressando nele. Como elas
atendiam todos os pobres, principalmente os doentes incuráveis e
abandonados, logo a abadessa fundou ali um hospital. Mais tarde,
inclusive Aldarico e Benvinda ingressaram no mosteiro onde morreram
amparados, pelos cuidados da futura Santa e amada filha. Os castelos
herdados, Otília transformou-os em hospitais e mosteiros. Depois de
muitos anos dedicados à oração, penitência e a caridade,
administrando incansável a imensa obra, Otília morreu serena e em
paz. Era o dia 13 de dezembro de um ano incerto, no final do século
VII. Foi sepultada no seu mosteiro de Hohenbourg, ao lado da fonte
que fizera brotar com suas orações, quando o mosteiro ficara sem
água. Desde então por sua intercessão os devotos enfermos que
molham os olhos com essa água, conseguem a graça da cura. O local
se tornou um Santuário em 1807, quando o Papa Pio VII, autorizou
seu culto, declarando-a Santa Otília, para ser festejada na data de
sua morte.
Todos os imperadores alemães, desde Carlo Magno no ano 800, lhe
renderam homenagens. Até o Papa São Leão IX e o rei Ricardo I da
Inglaterra, foram em peregrinação visitar seu túmulo. Santa Otília
é intensamente venerada como protetora dos doentes da visão, dos
cegos e dos médicos oftalmologistas, principalmente entre os povos
de origem alemã. A Igreja a declarou padroeira da Alsacia, atual
território francês.
Os mosteiros e os hospitais fundados por ela foram entregues aos
monges beneditinos, que mantiveram a finalidade inicial dada por
Santa Otília: a assistência aos pobres e doentes incuráveis. E
fizeram florescer uma vigorosa e robusta congregação religiosa
espalhada pelos cinco continentes.
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