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Os católicos foram expulsos do país, mas muitos
resistiram e ficaram. Só que a repressão não demorou. Primeiro foram
presos seis franciscanos, logo depois Paulo Miki com outros dois jesuítas
e dezessete leigos terciários.
Os vinte e seis cristãos sofreram terríveis humilhações e torturas públicas.
Levados em cortejo de Meaco a Nagasaki foram alvo de violência e zombaria
pelas ruas e estradas, enquanto seguiam para o local onde seria executada
a pena de morte por crucificação. Alguns dos companheiros de Paulo Miki
eram muito jovens, adolescentes ainda, mas enfrentaram a pena de morte com
a mesma coragem do líder. Tomás Cozaki tinha, por exemplo, catorze anos;
Antônio, treze anos e Luis Ibaraki tinha só onze anos de idade.
A elevação sobre a qual os vinte e seis heróis de Jesus Cristo
receberam o martírio pela crucificação em fevereiro de 1597 ficou
conhecida como Monte dos Mártires. Paulo Miki e seus companheiros foram
canonizados pelo Papa Pio IX, em 1862.
Os crentes se dispersaram para escapar dos massacres e um bom número
deles se estabeleceu ao longo do rio Urakami, nas proximidades de Nagasaki.
Lá eles continuaram a viver sua fé, apesar da ausência de padres. A
partir do momento em que o Japão se abriu novamente aos europeus, os
missionários voltaram e as igrejas voltaram a ser construídas, inclusive
em Nagasaki, a poucos quilômetros da comunidade cristã clandestina. Ela
havia perdido todo contato com a Igreja Católica, mas guardava
preciosamente três critérios de reconhecimento recebidos dos ancestrais:
"Quando a Igreja voltar ao Japão, vocês a reconhecerão por três
sinais: os padres não são casados, haverá uma imagem de Maria e esta
Igreja obedecerá ao papa-sama, isto é, ao Bispo de Roma". E foi
assim que aconteceu dois séculos e meio depois, quando os cristãos do
Império do sol nascente puderam se reencontrar com sua Santa Mãe, a
Igreja.
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