SANTA QUITÉRIA

22 de maio

      Lucio Caio Atílio Severo, era governador de uma das muitas províncias do Império Romano, a qual fazia parte da antiga Lusitânia e parte da Galiza residia na cidade de Braga e era casado com Cálcia Lúcia, ambos de famílias ilustres, porém idólatras. Cálcia Lucia, depois de ser estéril por muitos anos, concebeu e completados os nove meses, Cálcia, por milagre da Divina Providência, deu á luz a nove meninas, que nasceram tão perfeitas como esposas de haviam de ser do Cordeiro Imaculado.
    Nesta época seu marido Lúcio Caio estava ausente, fazendo ausente, fazendo corte ao Imperador Adriano, viajando pela península.
      Cálcia dominada pela superstição e por se ver mãe de nove meninas, dada à luz num só parto, decide por em prática um plano infernal: afogar as nove meninas! Comunicando seu projeto a única pessoa que lhe tinha assistido ao parto, Cita sua devota criada e, depois de a obrigar a guardar o mais rigoroso segredo, ordena-lhe que faça primeiro divulgar a notícia de que ela tivera um parto infeliz e que a criança veio a morrer.
       À noite, depois da família ter se recolhido e aproveitando o escuro, Cálcia ordena que Cita saísse e fosse mergulhar as nove meninas num poço do rio Este, que corre nos subúrbios de Braga.
      Cita que na realidade era cristã mas mantinha sua fé escondida por causa das perseguições, saiu e foi direto à casa do Arcebispo de Braga Santo Ovídio (cuja memória celebramos a 3 de junho) o qual, administrando o sacramento do Batismo lhes pôs os seguintes nomes: Genebra, Vitória, Eufemia, Marinha, Marejana, Germana, Basília, Quitéria e Liberata (ou Vilgeforte, como outros lhe chamam). Depois a virtuosa e compassiva Cita, procurou nos arredores de Braga, famílias cristãs para as criarem e educarem na lei de Cristo.
       A religiosa educação, que as meninas receberam na sua infância, produziu tão grande domínio em seu corações, que no decorrer de suas vidas e até o fim dela, sempre puseram em prática as santas virtudes. Por nove ou dez anos viveram nos arredores de Braga, com tanta perfeição como se já vivessem no céu, imitando os anjos na pureza, os querubins no fervor e os serafins no amor. Com a orientação de autorização de Santo Ovídio, as meninas passaram a morar juntas numa mesma casa, em clausura, segundo a vontade delas mesmas.
       Nesta ocasião levantou-se uma terrível e cruel perseguição, renovando um edito iniciado por Nero, cujo fim era extinguir totalmente do mundo o Nome adorável de Jesus Cristo. Na terras sujeitas ao Império Romano, se publicou solenemente, sob pena de morte, que se adorasse os ídolos e extinguissem o cristianismo. Espalhando-se os infernais algozes, se dirigiram à casa onde viviam as nove irmãs, e encontrando a santa comunidade, certificados de que elas eram cristãs, as levaram presas á presença do governador de Braga, Lúcio Caio (seu pai), este, apesar de ainda não as reconhecer como filhas, ficou muito impressionado com a modéstia, humildade e rara formosura, e tratando-as com brandura fez diferentes perguntas relativas a sua pátria, pais e religião, mas deixando bem claro que não obedecessem ao mandato de adorarem aos ídolos a pena seria executada,
     Santa Genebra tomou a palavra e respondeu em nome de todas. Não há termos para explicar a impressão que a verdadeira história das meninas produziu no coração de Lucio Caio. Este, Manda chamar sua esposa Cálcia para confirmar e esta, deparando com Cita que acompanhava as meninas, não se atreve a negar. Reconhecidas agora como suas filhas, suas filhas Atílio emprega todos os esforços para convencer as meninas a abandonarem a fé católica, mas em vão foram seus pedidos suas promessas de casamentos abastados e súplicas pela preservação do nome da família. Furioso, apela para ameaças de castigos, torturas e a morte. Vendo que tudo isso era em vão, manda aprisionar as meninas em um dos salões do palácio até que se decidam.
       Na escuridão da noite fogem do palácio e por algum tempo caminham juntas, depois param e decidem que cada uma deverá seguir seu caminho, diferentes da outra seguindo apenas na direção que o Senhor lhes inspirar. Santa Liberata, ergue as mãos ao céu e pede: "Senhor Jesus Cristo, que permitistes nascêssemos todas num mesmo dia e, livrando-nos da morte, nos deste nova vida da graça , pedimo-vos, Senhor, pela vossa Divina Misericórdia, e pelo eterno e incomparável amor com que nos tem amado, Permita meu Deus, que sejamos todas levadas ao descanso eterno, e não permita, meu bom Jesus, que se afastam do caminho da glória celeste aquelas que tão unidas foram enquanto viveram na terra". Toda com o mesmo espírito e mesma fé responderam: Amém! Despediram-se e seguiram cada qual para onde o Senhor lhes inspirava.
      Santa Quitéria fugiu em direção a uma montanha próxima, onde ali viveu uma vida de contemplação. Atílio, seu pai Germano, um dos jovens pretendentes á sua mão, vendo-se iludidos pela fuga da virgem, enviaram servos a procurá-la, com ordens para, caso a encontrassem, lhe aconselharem o regresso á casa paterna e o casamento. Após muitas pesquisas, Quitéria foi encontrada. Seu pai ardendo de ira mandou-a decapitar por tal de Dumas, apóstata. O renegado trespassou com inúmeros golpes o corpo virginal de Quitéria. O seu corpo foi encontrado e sepultado por cristão na Capela de São Pedro.

Bibliografia
      Tirado do livro publicado Santos de Cada Dia. volume II - Maio, Junho, Julho e Agosto - Organizado por José Leite, S.J.,das paginas 203 a 210 este livro foi trazido pela catequista Ana e seu esposo Alfredo em uma visita a Portugal e faz parte do acervo da biblioteca da Catequese da Paróquia Santa Quitéria.

Santa Quitéria... Rogai por nós!

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