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Supondo isto, todos os cristãos deveriam viver numa
santidade irreal, renunciando ao matrimônio e buscando o sofrimento da
penitência constante, porque segundo Montano a Igreja não tinha
faculdades para perdoar os pecados. Esta doutrina que também era
defendida por Tertuliano e, principalmente, Novaciano, foi condenada pela
Igreja na época do Papa Sotero.
Ele defendeu a doutrina ensinada por Jesus Cristo e que a Igreja sempre
continuou praticado, ou seja, que para o pecador verdadeiramente
arrependido não existe pecado, por maior que seja, que não se possa
conceder o perdão. Assim, desapareceu o clima de rigor e pessimismo que
tanto atormentava os cristãos, tão contrário ao da doutrina do
Evangelho que prega o amor, o perdão, a alegria e a esperança.
Outra característica do Papa Sotero foi sua ardente caridade para com os
necessitados. Ele desejava que se vivesse como os primeiros cristãos,
citados nos Textos dos Apóstolos, onde "tudo era comum entre
eles" e onde "todos eram um só coração e uma só
alma..." Papa Sotero pedia esmolas para as dioceses mais ricas, para
que fossem distribuídas entre as mais pobres e se esforçando "por
tratar a todos com palavras e obras, como um pai trata os seus
filhos".
Ele foi um eloqüente defensor dos cristãos perseguidos e deixou isto
registrado na carta que enviou especialmente para os de Corinto. Os vestígios
dela são encontrados quando Eusébio de Cesaréia entregou à ele a eufórica
resposta de Dionísio, em agradecimento pelo conforto que o valoroso Papa
levou aos corações aflitos pela morte iminente.
Provavelmente, foi este corajoso apoio que levou ao martírio o Papa
Sotero, que morreu em 20 ou 22 de abril de 175, pela perseguição do
imperador Marco Aurélio. Segundo uma antiga tradição, mantida pela
Igreja, São Sotero é homenageado no dia 22 de abril.
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