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Após dezoito meses uma doença grave a fez voltar
para receber tratamento em . casa de seu pai, o qual se culpou por isto.
Neste período, pela primeira vez, Teresa passou por experiências
espirituais místicas, de visões e conversas com Deus. Todavia as tentações
mundanas não a abandonavam. Assim atormentada, desejando seguir com
segurança o caminho de Cristo, em 1535, já com vinte anos, decidiu se
tornar religiosa, mas foi impedida pelo pai. Como na infância resolveu
fugir, desta vez, com sucesso. Foi para o Convento Carmelita da Encarnação
de Ávila. Entretanto a paz não era sua companheira mais
presente. Durante o noviciado, novas tentações e mais o
relaxamento da fé não pararam de atormentá-la. Um ano depois,
contraiu outra doença grave, quase fatal, e novamente teve visões
e conversas com o Pai. Teresa então concluiu que devia converter-se
de verdade e empregou todas as forças do coração em sua
definitiva vivência da religião, no Carmelo, tomando o nome de
Teresa de Jesus.
Aos trinta e nove anos ocorreu sua "conversão". Teve a
visão do lugar que a esperaria no inferno, se não tivesse
abandonado suas vaidades. Iniciou, então, o seu grande trabalho de
reformista. Pequena e sempre adoentada, ninguém entendia como
conseguia subir e descer montanhas, deslocar-se pelos caminhos mais
ermos e inacessíveis, de convento em convento, por toda a Espanha.
Em 1560 teve a inspiração de um novo Carmelo, onde se vivesse sob
as regras originais. Dois anos depois fundou o primeiro convento das
Carmelitas Descalças da Regra Primitiva de São José em Ávila,
aonde foi morar.
Porém, em 1576 enfrentou dificuldades tão sérias dentro da Ordem.
Por causa da rigidez das normas que voltou dentro dos conventos, as
comunidades se rebelaram junto ao novo Geral da Ordem, que também não
concordava muito com tudo aquilo. Por isto ele a afastou. Teresa se
recolheu em um dos conventos e acreditou que sua Obra não teria
continuidade. Mas obteve o apoio do rei Felipe II e conseguiu dar
seqüência ao seu trabalho. Em 1580, o Papa Gregório XIII declarou
autônoma a província Carmelitana descalça. Apesar de toda esta atividade, ainda encontrava espaço para
transmitir ao mundo suas reflexões e experiências místicas. Na
sua época toda a cidade de Ávila sabia das suas visões e diálogos
com Deus. Para obter ajuda, na ânsia de entender e conciliar seus
dons de espiritualidade e as insistentes tentações, ela mesma expôs
os fatos para muitos leigos e não apenas aos seus confessores. E
ela só seguiu numa rota segura, porque foi devidamente orientada
por estes últimos, que eram, os agora Santos: Francisco Bórgia e
Pedro de Alcântara, que perceberam os sinais da ação de Deus.
A pedido de seus superiores, registrou toda sua vida atribulada de
tentações e espiritualidade mística em livros como: "O
Caminho da Perfeição", "As Moradas", "A
Autobiografia", e outros. Neles ela própria narra como um anjo
transpassou seu coração com uma seta de fogo. Doente, morreu no
dia 04 de outubro de 1582, aos sessenta e sete anos, no convento de
Alba de Torres, Espanha. Nesta ocasião, tinha reformado dezenas de
conventos, e fundado mais trinta e dois, de carmelitas descalços,
sendo dezessete femininos e quinze masculinos.
Beatificada em 1614, foi canonizada como Santa Teresa D'Ávila, em
1622. A comemoração da festa da trasverberação do coração de
Santa Teresa ocorre em 27 de agosto. Enquanto a celebração do dia
de sua morte ficou para o dia 15 de outubro, a partir da última
reforma do calendário litúrgico da Igreja. O Papa Paulo VI, em
1970, proclamou Santa Teresa D'Ávila, Doutora da Igreja, a primeira
mulher a obter este título.
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