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Os registros de manifestações místicas na vida
dos Santos da Igreja, não são poucos. E consideram-se místicos os
fenômenos extraordinários que vivem algumas pessoas escolhidas por
Deus para mostrar sua intervenção na existência terrena de seus
filhos. São eles os milagres, profecias, domínio sobre fenômenos
da natureza, visões, êxtases e aparições dos estigmas de Cristo
no corpo. Entretanto o que ocorreu com Verônica não teria chegado
até nós se não fosse a inspiração de seu diretor espiritual.
Tudo começou a partir de 1697, quando lhe apareceram no corpo os
estigmas de Jesus, ou seja, passou a conviver com as mesmas chagas
que martirizaram o Cristo. Nesta ocasião Verônica pediu a Jesus
que os escondesse aos olhos de todos, não desejava que
absolutamente ninguém soubesse o que lhe ocorria. Também não
queria ser vista como uma escolhida, preferia viver na humildade.
Ela conseguiu, mantendo-se reclusa em sua cela e sem contato com
nenhuma pessoa fora do convento, pelo resto da vida.
E teria permanecido assim, sem que ninguém soubesse de sua história,
não fosse uma ordem que lhe impôs seu confessor e diretor
espiritual. Verônica teria que escrever todas as experiências místicas
que vivenciava e sentia nos seus contatos com Jesus. Porém, depois
não poderia reler o que havia registrado. Deste modo, ficaram para
a posteridade quarenta e quatro volumes de uma fantástica vivência
de trinta anos com o extraordinário.
Um dos relatos mais impressionantes, trata-se da descrição que ela
fez de como lhe surgiram os estigmas. "Vi sair das santas
chagas do Cristo cinco raios resplandecentes e todos vieram perto de
mim. Em quatro estavam os pregos, e no quinto a lança que,
candente, me transpassou o coração de fora à fora",
descreveu ela. Era uma sexta-feira santa, de madrugada.
Foi numa sexta-feira também que Verônica Giuliani morreu, em 1727,
depois de trinta e três dias de doença e agonia em seu corpo, onde
se via ainda as chagas da paixão. Para corroborar seus escritos, a
autópsia contatou que, realmente, seu coração estava vazado de
lado a lado.
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