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Ele acabou enriquecendo, mas, mesmo assim,
continuou praticando sua caridade. Com o sangue nômade nas veias,
passou a pregar pelas estradas, munido do Rosário. Socorria aos
mais pobres, especialmente os ciganos, seus irmãos de sangue. Porém,
para ele todos eram o "próximo", tornando-se a razão de
sua existência e de seu trabalho caridoso.
Cristão, devoto da Virgem Maria e da Eucaristia, freqüentava a
Santa Missa todos os dias, na qual fazia questão de receber a
comunhão. Zeferino oficializou seu casamento pelo rito católico,
em 1912. Nesta ocasião passou a freqüentar a "Quarta-feira
Eucarística", da Ordem Terceira de São Francisco. Quando então
todos os religiosos reconheceram naquele comunicativo cigano um
grande modelo de virtude e santidade. Empenhou-se com grande
generosidade nas Conferências de São Vicente de Paulo, porque
desejava tornar sua caridade mais eficiente. Mesmo sendo analfabeto,
também se dedicava à catequese das crianças, ciganas ou não. Era
muito querido por elas, pois, conhecendo muitas passagens da Bíblia
ele as contava com especial inspiração.
Em 1936 explodiu a guerra civil espanhola. No dia 02 de agosto deste
ano, Zeferino foi preso ao tentar libertar um padre que era
prisioneiro de um grupo anarquista. Tinha então setenta e cinco
anos de idade. Mesmo sob a mira das armas, Zeferino protestou de
cabeça erguida. Todos puderam ouvir seu último grito, brandindo o
Rosário, seu companheiro, antes do fuzilamento: "Viva Cristo
Rei!".
Por ordem dos rebeldes, todos os fuzilados foram enterrados numa
cova coletiva. Dentre eles estava Zeferino, cujo corpo nunca pôde
ser encontrado. Em 1997, numa bela cerimônia solene celebrada pelo
Papa João Paulo II, em Roma, na presença de milhares de ciganos
cristãos do mundo todo, Zeferino Gimenez Malla foi declarado Beato.
Assim, ele se tornou o primeiro cigano a ser elevado aos altares
pela Igreja, cuja festa foi marcada para o dia de sua morte.
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