NOSSA SENHORA DO ROCIO

Padroeira do Estado do Paraná - Brasil

A devoção a Nossa Senhora do Rocio tem início no século XIII na Espanha, quando esta era dominada pelos turcos. Rocio, que significa “orvalho”, é uma aldeia situada à oeste da província de Andaluzia, que deve sua celebridade à milagrosa imagem de Nossa Senhora, tornando-se um lugar de peregrinações.

Diz a tradição que ela foi achada por um caçador no tronco de uma árvore. O caçador resolveu levá-la consigo até Almonte. Porém, sentindo-se cansado, parou no caminho para descansar e dormiu. Quando acordou, a imagem havia desaparecido. Após o ocorrido, o caçador decidiu voltar ao lugar onde a tinha encontrado. E para seu espanto, a imagem estava lá novamente no tronco da árvore.

Depois de comunicar o fato às autoridades eclesiásticas e civis, organizaram uma procissão para constatar o prodígio e ver a santa milagrosa. Ergueu-se aí, uma igreja em honra à Virgem Maria, por volta dos anos 1270 a 1284.

No Brasil, a referência histórica mais antiga que se conhece em relação a Nossa Senhora do Rocio é do ano de 1686, durante a epidemia chamada "Peste da Bicha", em Paranaguá, quando a cidade tinha apenas 38 anos de fundação e a devoção à Virgem do Rocio já havia conquistado a população que a cultuava num modesto oratório doméstico, próximo à praia, onde a imagem fora encontrada por um índio ou africano pescador, conhecido por Pai Berê.

Imagem de Nossa Senhora do Rocio (Paranaguá-PR)
Nossa Senhora do Rocio

Esse homem ao lançar a rede ao mar, colheu uma imagem que reconheceu ser de Nossa Senhora. Institui terços em sua honra na primeira quinzena de novembro, provavelmente para recordar a época do achado.

Através dos anos, a devoção cresceu em razão das inúmeras ocasiões em que a Santa do Rocio atendeu aos seus devotos com curas individuais e coletivas, como nos casos da peste bubônica, em 1901 e da gripe espanhola, em 1918. Há ainda inúmeros registros do socorro da Virgem do Rocio prestado aos marinheiros em violentas tempestades e tragédias no mar, os quais se tornaram seus devotos e a homenagearam com procissões e comoventes romarias pelas ruas da cidade, rumo ao santuário.

Além desses, contam-se, muitos outros milagres ocorridos em cidades do Paraná sob sua intercessão, razão pela qual, em 1939, Nossa Senhora do Rocio foi declarada Padroeira do Paraná pelos Bispos do Estado e, finalmente, após anos de esforço civil e eclesiástico, a Santa Sé, através do Papa Paulo VI, a declarou, em 11 de março de 1977, Padroeira do Paraná, indicando a Igreja do Rocio em Paranaguá como seu Santuário Estadual.

Assim, Nossa Senhora do Rocio tornou-se uma referência religiosa para todo o estado do Paraná, e sua devoção se espalhou por todos os cantos deste estado e outros estados. Também é padroeira da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Para celebrar a festa do novo milênio, 2000, o bispo diocesano de Paranaguá, dom Alfredo Novak, CSsR, e Missionários Redentoristas levaram a imagem peregrina a todas as dioceses paranaenses.

Segundo o Direito Canônico (n.º 1.230), "sob a denominação de santuário, entende-se a igreja ou outro lugar sagrado, aonde os fiéis em grande número, por algum motivo especial de piedade, fazem peregrinações com a aprovação do ordinário local." Isto quer dizer que a força da fé popular e aprovação das autoridades da Igreja são dois elementos essenciais para um local tornar-se santuário. Embora, por muitos anos, o Santuário do Rocio já fosse reconhecido, popularmente, como o santuário estadual, este santuário tornou-se, oficialmente, o santuário estadual com aprovação de todos os bispos paranaenses na conferência de 27 de setembro de 2003.

Nossa Senhora da Rocio, Rogai por nós que recorremos a vós!